quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Grey - Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian [Resenha]

onde comprar: Submarino//Extra//Amazon

"Na voz de Christian, e através de seus pensamentos, reflexões e sonhos, E. L. James oferece uma nova perspectiva da história de amor que dominou milhares de leitores ao redor do mundo. Christian Grey controla tudo e todos ao seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio - até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Christian tenta esquecê-la, mas em vez disso, acaba envolvido num turbilhão de emoções que não compreende e às quais não consegue resistir. Diferentemente de qualquer mulher que ele já conheceu, a tímida e quieta Ana parece enxergar através de Christian - além do empresário extremamente bem-sucedido, de estilo de vida sofisticado, até o homem de coração frio e ferido. Será que, com Ana, Christian conseguirá dissipar os horrores de sua infância que o assombram todas as noites? Ou seus desejos sexuais obscuros, sua compulsão por controle e a profunda aversão que  sente por si mesmo vão afastar a garota e destruir a frágil esperança que ela lhe oferece?"

Toda a história do primeiro livro da trilogia Cinquenta tons de cinza está novamente aqui, porém, agora quem conta os fatos é o próprio Christian. No começo pode ser meio cansativo ler tudo novamente, os diálogos, a troca de e-mails, mas conforme a leitura vai se desenvolvendo, a coisa fica até interessante.

Desconsiderando a repetição, o principal trunfo desse novo trabalho de James é desmistificar o protagonista, revelando aos leitores que ele pode sim ter um lado bem humano, e não ser aquele dominador sem sentimentos que todos veem o tempo todo. É muito interessante conhecer os pensamentos de Christian quando ele vê Ana pela primeira vez, e entender por quê afinal ele achou que ela seria uma boa submissa, quando, na verdade, todos sabemos que ela não se encaixa nesse estilo de vida.

Em alguns momentos dá para sentir o sofrimento de Christian, e foi com  descobrir a real causa de seus pesadelos, entrando em sua mente e acompanhando os sonhos que o atormentam muitas noites. Também podemos concluir que, além de ganhar mais milhões de dólares, a intenção da autora aqui foi meio que redimir Christian; em alguns momentos, suas reflexões soam quase como um pedido de desculpa àqueles que criticaram negativamente a trilogia, mostrando que ele não é um homem que maltrata mulheres, nem que bate nelas por maldade e outras tantas coisas que foram ditas sobre a conduta sexual do personagem. Grey gosta de relações dominador/submissa, e toda e qualquer mulher que se submeteu às suas surras foi totalmente consciente e com permissão das mesmas.

"Nunca corri atrás de uma mulher. As mulheres que tive entendiam exatamente o que eu queria delas. Meu medo é que a Srta. Steele seja muito jovem e não esteja interessada no que tenho a oferecer. Será? Será que ela daria uma boa submissa?" (página 22)

A melhor parte do livro, para mim, é o final, que vai um pouco além de onde termina o primeiro livro na versão da Ana. Vemos como Christian reagiu à sua partida, e como ele tomou a decisão de finalmente voltar a procurá-la. E também as lembranças de quando ele era criança e perdeu a mãe. Vemos várias vezes um flashback do pequeno Christian na casa dos pais adotivos, sem falar com ninguém e cheio de medos, antes de conhecer a terrível Ms. Robinson.

"Tive uma noite divertida, repleta de música, uma inspeção nostálgica pelo meu iTunes, criando uma lista para Anastasia. Lembro-me dela  dançando na cozinha. Gostaria de saber o que estava ouvindo. Ela ficou totalmente ridícula e absolutamente adorável. Isso foi depois que trepei com ela pela primeira vez.
Não. Depois que fiz amor com ela pela primeira vez.
Nenhum dos dois me parece correto." (página 520)

Parece também que a escrita de James evoluiu, apesar de ser a mesma história, dá para ver que ela melhorou bastante. A trilogia Cinquenta Tons é uma obra que divide opiniões desde que ficou mundialmente famosa: ou amam ou odeiam. No meu caso, eu gosto muito, e não consigo olhar a história pela perspectiva de quem acha que é uma apologia à violência contra a mulher, esse tipo de coisa. Na verdade, não existe nada disso aqui, e mesmo os livros não explorando tão profundamente as relações BDSM, é disso que eles tratam. Uma mulher que aceita o estilo de vida do homem por quem está apaixonada, mas não aceita ser humilhada nem maltratada gratuitamente. Tanto que, como todos já devem saber, depois de levar uma surra de Christian, totalmente consensual, ela percebe que aquilo não é para ela, e vai embora. Ana não aceita apanhar, ainda que seja como uma forma de explorar e proporcionar prazer.

Ninguém é obrigado a ler o que não gosta, mas não sejam aquele tipo de pessoa que não conhece, mas repete uma crítica ruim só porque ouviu alguém dizer que é ruim.


Grey - cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian
E. L. James
editora Intrínseca
528 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 4.0


Este post é válido para o Top Comentarista participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

13 comentários:

  1. Acho esse livro um pouco desnecessário!
    ADORO a trilogia, amei a história. Uma das minhas favoritas.
    Mas tenho esse livro aqui e não tive vontade de ler ainda :(
    Parece ser bom, pelo ponto de vista dele. Mas por enquanto não me atraiu ainda rs
    Gostei bastante da sua opinião.
    Beijos,
    Caroline Garcia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Caroline! Eu tbm fiquei com ele parado na estante por um ano antes de sentir vontade de ler. A princípio, ele me pareceu desnecessário, mas no final eu acabei gostando, principalmente pela parte que não existe no primeiro livro. Qdo achar q chegou a hora, leia, pelo menos para ver q não era mesmo o q vc esperava.
      Bjos!

      Excluir
  2. Como vc, não consigo entender a razão de as pessoas acharem esse livro abusivo, sexista, enfim...
    Para mim, a autora quis passar uma história de superação. Christian sempre teve um lado muito humano, mesmo antes de conhecer Ana. E.L James mostrou que o amor verdadeiro pode nos ajudar a superar qualquer problema, trauma...
    O mais lindo do livro é a transformação dele. Eu amo Ana e Christian. Amei o livro e estou ansiosa pelo segundo, na versão dele.
    Só acho que as pessoas que criticam, deveriam ler e tentar entender a a mensagem que o livro passa... e não se basear no que viu no filme, que obviamente passa a imagem contrária.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Halana, acho que o povo é bem maria vai com as outras, e só repetem o q leem no facebook. Mas enfim, td mundo tem o direito de gostar ou não de alguma coisa, mas eu tbm vejo como vc, q a autora quis passar uma mensagem. Talvez a forma como ela fez isso não tenha agradado a 100% das pessoas, mas afinal, quem consegue fazer isso, não é mesmo?
      Agora eu tbm fiquei curiosa com o segundo livro, rs.
      Bjos!

      Excluir
  3. Joana, havia começado a leitura mas nada nela me atiçou para chegar ao momento em que eu não desgrudasse os olhos do livro.
    Sua resenha foi ótima, mostrou o que o livro realmente quis repassar mas acima de tudo, ressaltando sua opinião. Mas a série completa da James não está nos meus planos de leitura.
    E gostei muito do que você ressaltou no último parágrafo da resenha, concordo com você plenamente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pelo comentário Nicoli! Eu sou da opinião q a pessoa tem q ler o q tem vontade, e qdo tem vontade. E se a gente começa um livro e ele não prende a atenção, não tem pq não deixá-lo de lado. Com esse o começo demorou a me prender, mas depois ficou bem legal.
      Bjos!

      Excluir
  4. Joana!
    Eu particularmente sou daquelas que gosto da série e ainda não li esse, do ponto de vista dele, Acredito que deve ser bem interessante, embora o início seja uma pequena repetição do outro.
    O fato de gostar da leitura, não nos coloca na posição de gostar das prática e sim de aprender um pouco mais sobre os sentimentos de quem está envolvido nesse mundo de submissão.
    “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente Rudynalva, vc disse tudo: não é pq eu leio um livro com psicopata q vou me tornar um ou concordar com o q ele faz. Mas cada um é livre para gostar do q quiser né, só não vale o julgamento vazio, sem conhecimento de causa.
      Bjos!

      Excluir
  5. Apenas assisti ao filme, então não tenho uma opinião formada sobre o livro, o filme passa uma imagem de violência sim, e tosca em algumas partes, como a cena em que ela recebe tapas no bumbum por algo que ela desobedeceu, nem me lembro o que era. Enfim, não critico quem lê, mas não acho algo legal, é para quem gosta e para descontrair mesmo, falo sem medo porque sou da época de Crepúsculo, não é bom, mas eu tenho, lia e leio e gostei, mas sei que não é bom...rs... Enfim, é bom um livro que aprofunda mais um personagem, que passe uma visão melhor dele, mostre mais suas faces. Gostei da sua resenha e respeito totalmente sua opinião.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Mayla! Obrigada por deixar sua opinião. Acho q é importante respeitarmos as opiniões de todos. E é bem isso q vc falou mesmo, o filme transmite uma imagem bem diferente do livro, e é muito tosco (não gostei do filme rs). Tbm sou fã de Crepúsculo, e é legal a gente entender os defeitos das obras, mas mesmo assim, continuar gostando delas, sem sentir vergonha.
      Bjos!

      Excluir
  6. Oi!
    Geralmente quando vejo a mesma historia, mas com um ponto de vista diferente acho desnecessário, mas se gostei muito do livro acabo lendo, pois é sempre legal ter um pouquinho mais daquela historia, mas com esse livro, achei que foi muito necessário e importante temos o ponto de visto do Christian, principalmente porque quando temos a visão da Ana, a autora só se aproxima da parte psicológica do livro e sobre o passado do personagem, onde começamos a conhecer ele no final do segundo, então muito gente não conhece realmente a historia da trilogia e finalmente podemos realmente entende o Christian !!

    ResponderExcluir
  7. Embora já tenha sido lançado a um bom tempo, 50 tons de cinza ainda não conseguiu despertar meu interesse. Sou mais da vibe young adults e chik lits kkkk.
    Entretanto, gosto muito de quando os autores nos mostram a mesma história no ponto de vista de dois personagens, pois acho que além de termos uma visão mais ampla da situação, isso nos permita ter uma maior intimidade com mais do que só um personagem. Por mim, todo romance poderia ter o ponto de vista dela e dele que eu iria adorar e me acabar de ler kkkkk
    Bjokas

    ResponderExcluir
  8. Eu gostei muito da premissa e resenha desse livro, confesso que depois de ler o 50 tons, não me interessei em terminar a trilogia, gostei, mas não achei nada demais kkkk
    Porém, o Grey me chamou atenção, pra entender mais desse personagem e não julga-lo tanto.
    Acho que um dia lerei sim kkkk
    bjsss

    ResponderExcluir

Olá! Que bom ter você por aqui!
Fico feliz em receber seu comentário, crítica ou sugestão. Pode falar a vontade, esse espaço é seu. Acompanhe a resposta ao seu comentário clicando em "Notifique-me".
Obrigada pela visita!