segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Vida e morte - Crepúsculo reimaginado [Resenha]

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"O clássico de Stephanie Meyer revisitado 10 anos depois. Novamente, os leitores vão se apaixonar pela arrebatadora história de amor de Bella e Edward... ou, quem sabe, será uma primeira vez. A edição especial de aniversário inclui um conteúdo extra e exclusivo: Vida e morte, nova versão em que a autora inverte o gênero dos principais personagens. Os leitores vão se maravilhar com a experiência de ler a icônica saga de amor agora pelos olhos de uma adolescente que se apaixona por uma sedutora vampira. Numa publicação ao estilo vira-vira, a edição comemorativa traz mais de 400 páginas de conteúdo extra, além da nova capa, com Crepúsculo de uma lado e Vida e Morte de outro. Os milhares de fãs de Bella e Edward não vão querer perder a oportunidade de ver seus tão queridos personagens em novos papeis."

Em comemoração ao aniversário de uma década da primeira edição de Crepúsculo, a autora decidiu reescrever a mesma história, invertendo os gêneros dos personagens: quem era homem agora é mulher, e vice-versa - com exceção dos pais de Bella, que continuam como antes.

A princípio essa nova versão pode causar estranheza, e confesso que passei boa parte do livro pensando nos personagens como Bella e Edward, repetindo as falas com suas vozes originais, e até consultando o primeiro livro para conferir se alguns trechos estavam diferentes. Isso dificultou demais a leitura para mim, e a coisa demorou a engrenar: fiquei quase 3 semanas com ele, e não sentia vontade de continuar lendo. Várias vezes pensei em desistir, afinal, já conhecia muito bem a história, mas por uma razão inexplicável, continuei. Valeu a pena.

Fica tudo confuso com os gêneros invertidos, em diversos momentos parece que determinada fala não combina com o personagem que a diz, ou algumas atitudes não são características de um homem ou uma mulher. Por exemplo: quando Bella visita os Cullen pela primeira vez, Alice desce as escadas saltitando para encontrá-la na sala, e aqui, essa mesma cena foi utilizada para Archie (versão masculina de Alice) e isso não me parece uma atitude que um homem adulto teria, demonstrar a alegria de conhecer alguém saltitando pela escada.

E não foi só isso, algumas falas da própria Edythe (Edward) não soam bem quando ditas por uma mulher, ainda que ela seja uma vampira forte e poderosa. A relação entre ela e Beau (Bella) parece meio forçada, estranha, mesmo com o cuidado que a autora teve ao transferir para Beau algumas responsabilidades que seriam masculinas, como abrir as portas para a namorada. Ainda assim, para quem leu Crepúsculo e é fã da história, isso não cai bem, já que sabemos que vampiros são muito rápidos e até possessivos, portanto, Edythe não esperaria Beau se movimentar lentamente como humano para realizar esses pequenos gestos.

"Passei por ela e corri para abrir a porta, ignorando o que ela tinha dito sobre papéis antiquados. Eu sabia que ela era mais rápida do que eu podia imaginar, mas a sala com um monte de gente dentro olhando a obrigou a agir como se fosse uma semelhante. Ela me lançou um olhar estranho quando segurei a porta, como se estivesse tocada pelo gesto, mas irritada ao mesmo tempo. Decidi ignorar a parte irritada e passei correndo por ela para também segurar a porta do carro." (página 143)

Acredito que a autora teve bastante trabalho para fazer essa inversão de gêneros, e não fez apenas a substituição dos nomes, como vi algumas resenhas insinuarem, mas acho que ela poderia ter dedicado esse tempo a escrever uma história nova, no mesmo universo, para deixar os fãs ainda mais satisfeitos.

Não sei se a intenção era mesmo presentear os fãs, me parece mais uma oportunidade de explorar um livro de sucesso, mas ela disse no prefácio que queria o desafio de reescrever a história sob outra perspectiva. Deu certo? Em partes. Eu achei muito lenta e cansativa, mas o final faz valer as quase trezentas páginas de repetição.

Quando eu já tinha certeza que não teria nenhuma coisa boa a falar desse livro, os dois capítulos finais vieram para surpreender e mudar totalmente minha opinião. A autora ousou em alterar bastante a versão original, e acertou. O destino de Beau e Edythe é bem diferente do casal da trama original, e ainda consegue deixar o leitor pensando no que poderia ter acontecido se a autora continuasse escrevendo mais cem páginas a partir dali.

Se você gosta da história e quer conhecer esses novos personagens, vá em frente, se dedique, atravesse as centenas de páginas de lentidão para chegar ao último capítulo com uma novas possibilidades para um final feliz. E não se preocupe, a tendência é que ela não tente fazer isso com todos os quatro livros da série.

Não posso deixar de comentar que nessa primeira edição existem muitos erros, talvez de revisão, que mantêm o artigo masculino ao mencionar Edythe. Marquei vários deles, mas um erro me chamou muito a atenção: há uma frase no final em que usam a palavra vilãos, quando o correto seria vilões, e isso certamente não é uma confusão da tradução. A editora poderia ter prestado mais atenção à revisão final antes de publicar.


Vida e morte
Stephanie Meyer
editora Intrínseca
391 páginas
nota no Skoob: 3.9
nota do blog: 3.5


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

10 comentários:

  1. Eu não gostei de Crepúsculo, nem dos livros e nem dos filmes. Quando fiquei sabendo desse lançamento, nem entendi o porquê. Mas eu sei que tem muitas pessoas que gostam, e que estavam loucas por esse livro. Definitivamente, esse não me despertou nenhum interesse, os que eu já li foram suficientes. Fico feliz que tenha gostado, mas esse não é pra mim.

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  2. Joana!
    Deve ser mesmo altamente complicado e confuso ler o mesmo livro com falas trocadas das personagens e fiquei imaginando o trabalhão que a autora teve para fazer isso...
    Fato é que para os fãs, tudo que se relaciona a Crepúsculo é sempre bemvindo.
    Bom carnaval e moderação, hein?
    “Não basta saber, é preferível saber aplicar. Não é o bastante querer, é preciso saber querer.” (Johann Goethe)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Joana!!
    Sou muito fã de Crepúsculo, mas ainda não tive oportunidade de ler esse livro!! É uma pena que o livro tenha erros tão grosseiros assim!!
    Beijoss

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  4. Poise que não gostei muito de crepúsculo então não sei nem o que dizer dessa inversão de papéis que a escritora realizou só posso dizer que acho que foi muito estranho ler o livro é tipo determinadas Glass não combinam com o personagem aí você para a leitura e fica tipo " O que?". Bem se um dia eu puder eu leio esse livro mas não é caso é urgência.

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  5. Eu comprei o livro pq sou fã da saga, mas não estou ansiosa para ler.
    Minhas cenas preferidas não faram mais sentido. A autora poderia ter escrito uma spin-off dos volturis contando a história de cada um. Ou dos próprios Cullens

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  6. Oi!
    Li esse livro e realmente esse começo dele é bem confuso, achei interessante essa nova perspectivava da historia, mas também achei que a autora poderia ter ido para um outra direção, como terminar o livro que começou a ser escrito pelo ponto de vista do Edward para essa comemoração de lançamentos do livro, mas gostei de ela ter trazido algo novo e foi uma ótima maneira de relembrar a historia e poder trazer um novo olhar sobre ela !!

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  7. Adoro a série Crepúsculo, mas não tive coragem de pegar esse novo livro pra ler ainda.
    Estou vendo muitos comentários negativos, que é uma obra desnecessária e que a leitura é meio cansativa.
    Por isso, no momento não me arriscaria a ler a obra.
    Gostei bastante da sua opinião! Pude deixar mais as claras essa história.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  8. Estou querendo muito ler esse livro. Comecei minha vida de leitora através da saga creppusculo... Já quero ler.

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  9. Eu também achei meio cansativo, ainda mais que algumas atitudes e falas não combinaram com a troca de gêneros, mas realmente, o final foi inesquecível!
    Do jeito que eu queria ter visto com Crepúsculo, e graças a Deus, não foi assim!
    Edward e Bella mereceram o lindo final em Amanhecer e não troco ele por nada!
    Mas foi bom ver como seria se tivesse ficado em apenas Crepúsculo.
    bjs

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  10. Oi, tudo bom?
    Assumo que não sou fã do mundo de crepúsculo, e que pena que a autora não pensou em fazer uma história totalmente nova ao invés de propor a troca de gênero, não pretendo ler o livro, mas quem sabe eu mude de idéia um dia.
    Beijos *-*

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