terça-feira, 27 de junho de 2017

Clube dos herdeiros #1 [Resenha]


"Hoje deve ser seu dia de sorte. Sim, é com você que estou falando! Ao abrir esse livro, você ganhará um passe livre, uma tão cobiçada credencial, um passaporte com visto para um mundo que mal se vê pela fechadura. Você poderá conhecer cada um dos membros da nova aristocracia do Rio de Janeiro e saber o que realmente se passa na vida, na cabeça e no coração deles (e eu aposto como você jurava que isso nem existia!). Só me sinto na obrigação de alertar você a respeito do principal perigo, que ameaça aqueles que se julgam sortudos por cruzar essa linha: você vai descobrir que as coisas podem não ser como você imaginava e ter vontade de correr de volta para o seu mundo seguro, que antes parecia tão medíocre. Mas não precisa correr tanto. No meio do caminho sei que você vai dar meia-volta e perceber que não vai a lugar algum. O Clube dos Herdeiros pode não ser nada parecido com um conto de fadas... mas não há como não se apaixonar perdidamente por ele! Pense bem antes de aceitar o convite: existem festas que duram a vida inteira."

Uma viagem pelo mundo do glamour e da ostentação, esse livro transporta o leitor para dentro da alta sociedade carioca, mas ao mesmo tempo, apresenta personagens humanos, bem próximos daquilo que imaginamos ser as pessoas mais humildes, e nas as mais abastadas. De cara conhecemos Manuela, a típica patricinha que só pensa em festas e curtição. Ela adora a praia e bate cartão por lá diariamente. Sua melhor amiga desde a infância é Helena, também de família rica e que, a princípio, parece ser apenas uma sombra de Manuela, um apoio para as aventuras daquela, porém, aos poucos vamos percebendo que Helena é muito mais interessante que isso.

As meninas gostam de ir a baladas chiques e aos shows mais caros e reservados, e é numa dessas ocasiões que Manu vê pela primeira vez o garoto que vai mudar seus conceitos sobre muitas coisas. Apesar da troca de olhares, eles não têm muito tempo para conversar e nem sabem o nome um do outro, mas o destino trata de fazer o caminho deles se cruzar novamente e eles começam a namorar sério. A primeira barreira entre Manuela e Pedro é a classe social: ele é tijucano, o que para um carioca do Leblon é o outro lado do mundo. Mas isso eles vão ultrapassando aos poucos e mantendo o namoro em segurança. Mais tarde, uma questão mais profunda, que envolve caráter acaba mostrando para Pedro que Manuela não era exatamente como ele imaginava.

Do outro lado, Helena namora Guilherme há alguns anos e, apesar de gostar muito dele, sabe que falta alguma coisa para que aquele amor seja como um conto de fadas. Na verdade, percebemos ao longo da narrativa que Helena não é tão fútil quanto demonstra: ela trabalha e é bastante responsável enquanto seu namorado nem terminou a faculdade e só quer saber de curtição. A única coisa que Guilherme parece levar a sério é seu amor por Helena, até que, a certa altura, descobrimos que nem isso era tão importante para ele.

Em meio a fofocas, armações e até supressão de fatos importantes, tanto as amizades quanto os namoros vão ruindo, e o leitor descobre que nada sobrevive a uma mentira (ou duas). Apesar de lutar contra seus sentimentos, as protagonistas aprendem que tudo pode mudar, mesmo quando acreditamos que nosso destino já está traçado. A nossa felicidade depende de nós mesmos, e das atitudes que tomamos para alcançar essa felicidade.

O que inicialmente parecia ser uma história de meninas que não têm nada na cabeça nem no coração, se mostrou ser uma lição importe para os leitores. Numa relação, seja ela qual for, a sinceridade é importante, e não podemos colocar nossos interesses sempre à frente dos outros, pois todos têm sentimentos e merecem receber o melhor de nós. O livro fala sobre amor, amizade, sinceridade, altruísmo, decepção, descoberta e crescimento. Há momentos fofos e românticos entre Pedro e Manuela, enquanto outros, como algumas atitudes de Guilherme, revoltam o leitor. Mas no final tudo se ajeita, as coisas acabam se resolvendo, mesmo que seja as custas de muito sofrimento.

Aliás, o final é muito emocionante, e eu adoro esses encerramentos que deixam algo para a imaginação do leitor. Depois de acompanhar todo o crescimento das protagonistas e o caminho que as levou a se tornarem quem realmente são, fica a expectativa de saber se, no futuro, elas vão conseguir ser felizes com aquilo que conquistaram.

O livro tem uma linguagem fácil, a escrita é rápida e fluida e o enredo é muito envolvente. É impossível não se imaginar naquele universo, convivendo com os personagens, tanto que, quando terminei de ler, senti falta das meninas e queria saber o que eles estariam fazendo naquele momento. Quando um autor consegue fazer com que o leitor se sinta tão próximo de seus personagens assim, acredito que o objetivo tenha sido alcançado. Leitura super indicada para todos, é um livro leve e divertido, cheio de referências à cultura pop, com personagens muito bem construídos e arcos narrativos bem definidos, com um bom gancho no final. Os herdeiros vão conquistar você também.


Clube dos herdeiros #1 - como nossos pais
Fabiana Madruga
editora Draco
144 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 5.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

domingo, 4 de junho de 2017

Fala, Rafa! - Amor pelo céu



Eles falavam sobre eternidade na noite em que se conheceram. Ela vestia um casaco de veludo vermelho porque estava frio, e ele uma boina preta. Ela era apenas uma garota na cafeteria, até o minuto que percebeu ter esquecido a carteira em casa, ficando sem jeito em ter uma ideia de como pagar a dívida da bebida.
- Cobra o café dela na minha conta. Escutou a moça.
- Obrigada. Respondeu.
E tudo poderia ter acabado ali, se eles não tivessem trocado número de telefone.
Logo, o primeiro encontro foi marcado, o parque da cidade era o lugar escolhido por decisão unânime.
No carrinho de algodão doce a garota resolveu perguntar:
- Qual o seu nome?
- Gael, e o seu é Rita, não é? - Respondeu ele.
- Como você sabe? - Indagou, inconformada.
- É que estou lendo seu colar. - Disse o jovem rindo.
E seguiram então, Gael, Rita e seu algodão doce. A sobremesa foi escolhida apenas porque aquela doçura de alimento lembrava as nuvens, e Rita era apaixonada pelo céu. O estágio quase perfeito entre os dois foi interrompido por uma questão feita por Gael:
- Hey, porque você está andando com um estranho?
- Sinto que te conheço há muito tempo, eu acredito em outras vidas, sabia? - Ela respondeu.
- Fico feliz em saber disso. - Ele completou, confortavelmente.
- E tem mais uma coisa, adoro aproveitar o momento e você tem criado muitos bons momentos ao meu lado. - Rita acrescentou.
- Aé? Pois então agora teremos o melhor de todos. - Gael finalizou.
Rita foi agarrada e levada no colo até o brinquedo mais bonito do parque; ele a fez fechar os olhos, enquanto estivesse no alto, pediu para que pensasse em coisas boas e ela era capaz de sentir um enorme frio na barriga. Naquele instante Rita não ficou mais nervosa do que no momento em que seus olhos tocaram os de Gael, após ele descobrir seu rosto, sentiu o próprio corpo balançar e uma vontade imensa de nunca mais fechar os olhos, ela reparou que a pupila dele brilhava, parecendo que tinha luz da lua, e claro, Rita era completamente apaixonada pelo céu.
Nesse tempo ela preferiu segurar firme em suas mãos, pois precisava se sentir segura, apertou forte e planejou não soltar mais.
A paisagem que os cercava era digna de ser lembrada para sempre; pontinhos coloridos e vozes de gritos felizes, ainda estão dentro de alguma memória. Rita se sentiu bem em poder acha-lo, diferente de todos os outros que já conheceu, e plena em saber que também conseguiu ser especial para Gael. Assustada com o que estava sentindo, até tentou fugir como as gaivotas fogem pelo céu no pôr do sol, porque você sabe, ela é apaixonada pelo céu.
Mas não conseguiu ir, e em pouco tempo desistiu dessa ideia, logo quando foi assaltada, quando ele lhe roubou um beijo, ela se rendeu entregando tudo o que podia, sobre um sofá, duas taças de vinho e pouca claridade, estendeu sutilmente seus dedos em suas costas, e fez o queixo de Gael morar em sua nuca.
Era só para Rita e Gael ter apenas uma hora na noite, mas eles se permitiram compartilhar xícaras de café todos os dias. Em questão de tempo, e a partir de um juramento momentâneo, repetiram um para o outro a frase, "Sim, eu aceito" e como todas as histórias, o sim foi o começo deles.
Durante alguns dias tiveram o prazer de acordar com o barulho da vizinha ao lado, que adorava faxinar seu apartamento pela manhã, e juntos imaginavam que logo estariam incomodando os novos vizinhos, martelando quadros na parede da casa nova, como haviam planejado.
Atualmente, Rita se lembra de como chegou até aqui, a mente só consegue pensar na hora do almoço surpresa que ganhou, flores cheirosas e comida caseira estavam no cardápio. Tudo finalizou com a frase que Gael disse: ‘’Até o jantar, meu amor’’.
O esperando até o anoitecer, um sorriso preocupado em sua alma a entristeceu, quando conseguia sentir cheiros pelo quarto, uma escova de dente junto a dela, e a boina preta pendurada no espelho. Enquanto de modo efêmero, com saudades, buscava a presença do amado. Rita estava na janela, tomando um chá quente, vestindo um casaco sem cor, em seu lar, Gael estava na direção de seus olhos, em forma de corpo luminoso, com capacidade de desfocar tudo ao seu redor. Rita via-o claramente em formato de estrela, naquela imensidão ela não poderia negar que doía tê-lo como sina, mas sabia que constelações constroem sempre lindo destinos, e tudo bem vê-lo apenas no alto em plena culminância, afinal, Rita sempre foi apaixonada pelo céu.





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Rafa Peres, cronista, estudante de jornalismo, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes