quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ele é o cara #7

Muitas pessoas podem achar que ele "foi" o cara um dia, mas quem já teve o status que esse cara teve, nunca deixa de ser importante. Por isso, a coluna de hoje homenageia um dos grandes nomes da história do rock que faz aniversário hoje: Axl Rose.


Infelizmente, o tempo passou, e ele já não tem mais esse rostinho bonito de bad boy, mas essa é a imagem que seus fãs preferem manter dele ainda hoje, depois de ficar muitos anos fora da mídia sem produzir coisas boas.

Depois de ter sido abandonado pelo pai aos 2 anos, ele e a família participavam constantemente de uma igreja próxima de sua casa, e foi lá que Axl aprendeu a tocar piano e começou a cantar no coral, onde criava várias vozes diferentes para tentar enganar o professor. Foi nessa época que ele formou sua primeira banda, com Jeff Isbell, que mais tarde se transformaria em Izzy Stradlin, já no Guns. 

Na adolescência, Axl descobriu quem era se pai e se tornou um jovem problemático: foi preso diversas vezes e numa delas chegou a ficar na cadeia por três meses. Um psiquiatra descobriu que ele tinha um QI muito alto e justificou aquele comportamento como decorrência de psicose. Quando as autoridades locais ameaçaram prendê-lo novamente, ele saiu da cidade e foi para Los Angeles.

E é aqui que a história começa. Já com o nome de Axl (que ele adotou por causa da sua antiga banda, que tinha esse nome), ele fez parte do grupo L. A. Guns, e, mais tarde, formou com o amigo Izzy outra banda chamada Hollywood Rose, com a qual chegaram a gravar algumas demos, mas não obtiveram sucesso. Em 1985, Axl e Tracii Guns resolveram juntar o que restava das duas bandas anteriores e formaram assim o Guns'n'Roses, que tinha como membros, além de Axl, Slash, Izzy, Duff McKagan e Steven Adler. A partir daqui passaram a fazer pequenos shows em clubes da cidade e até ganharam alguns fãs.

Em 86 assinaram contrato com a gravadora Geffen Records e no final do mesmo ano lançaram seu primeiro EP ao vivo, com quatro músicas.


Mas foi só no ano seguinte que eles gravaram o famoso álbum "Apptite for Destruction", que, inicialmente, não foi muito bem recebido pela critica nem pelo público. Só depois de uma grande turnê, alimentada pelo sucesso do single "Sweet child o'mine" é que ele conseguiu chegar ao primeiro lugar da parada dos Estados Unidos, se tornando o álbum de estreia mais vendido no país de todos os tempos. 


Depois veio o álbum "G N R' Lies" (1988), com a polêmica canção "One in a million", que foi acusada de homofobia e racismo por causa de seus versos que diziam para os 'crioulos' saírem do caminho e reclamava das 'bichas' que espalham doenças. Durante essa confusão, Axl se defendeu dizendo que a palavra crioulo não fazia referência obrigatória aos negros, mas que ele estava chateado com alguns negros que o assaltaram e usou a música para para insultar essas pessoas, e não apoiar o racismo. Quanto à homofobia, ele disse que era reflexo de algumas experiências ruins que teve com homens gays e um estupro que  sofrera no final da adolescência.

Após o lançamento desses dois trabalhos, Axl foi considerado como um dos vocalistas mais importantes do rock, e apareceu sozinho na capa da revista Rolling Stone, em agosto de 89.


Em setembro de 1991, o Guns lançou os álbuns "Use your illusion" I e II que estrearam na parada norte americana em 2o. e 1o. lugares, respectivamente, feito nunca alcançado por outro grupo. Mas mesmo com esse sucesso, o relacionamento dos integrantes da banda não andava nada bem, e Izzy, amigo de infância de Axl, deixou o grupo repentinamente, reclamando das confusões e dos atrasos constantes de Rose.


Logo depois Axl exigiu de Slash e Duff os direitos exclusivos do nome Guns'n'Roses, ameaçando não mais cantar enquanto eles não assinassem o documento lhe dando totais poderes.

Ele também criou confusão num show durante uma turnê com o Metallica, onde, depois de chegar 45 minutos atrasado, reclamou do retorno e avisou ao público que seu dinheiro seria devolvido e saiu do palco sem terminar a apresentação. As pessoas se revoltaram e quebraram tudo, o que fez Axl ser condenado a pagar pagar uma multa de 50.000 dólares e rendeu uma proibição à banda, que nunca mais poderia tocar em St. Loius.


Em novembro de 1993, a banda lançou "The spaghetti incident?", álbum com covers de músicas punk, que não teve tanto sucesso quanto os anteriores. Axl incluiu no disco, por conta própria, uma faixa escondida chamada "Look at your game, girl", que foi escrita por um assassino condenado, Charles Manson, como uma mensagem á sua ex-namorada. Isso causou muita controvérsia e, finalmente, a banda se comprometeu a doar qualquer direitos da canção para o filho de uma das vítimas do assassino.

Como o sucesso não é para qualquer um, acabou prejudicando a convivência dos caras da banda e Slash, em outubro de 96, deixou o grupo, após Axl demitir os demais membros e contratar outros sem consultá-lo. Logo em seguida, Duff também deixou a banda e os únicos membros da era Use your illusion remanescentes passaram a ser Dizzy Reed e o próprio Rose.

A partir de então, a banda perde grande parte de seu sucesso junto ao público e entra num grande período de ostracismo, passando a anunciar o lançamento de um álbum chamado "Chinese democracy", que ficaria na promessa por 15 anos.

Axl vez ou outra se juntava com outros músicos e saía com o Guns em turnê, mas nenhuma conseguiu o mesmo sucesso que as primeiras, realizadas com a formação original. Isso sem falar de seus eternos atrasos, que acabaram até virando motivo de piada para comediantes e até para alguns músicos.

Em 2004, além de se juntar a Slash e Duff para tentar impedir a Geffen Records de lançar uma coletânea com suas músicas, Axl também emprestou a voz para o game "Grand Theft Auto: San Adreas", dublando o personagem Tommy 'The nightmare' Smith. E em 2007, ele gravou backing vocals para duas músicas do amigo Sebastian Bach, pelas quais recebeu o crédito de co-autor. 


Finalmente, no ano de 2008, Axl lança o álbum "Chinese democracy", mas não faz nada para promovê-lo, ficando totalmente sumido por dois meses, e só apareceu para falar que não havia recebido apoio da gravadora para fazer a divulgação do disco.

Sua mais recente polêmica foi em 2011, quando o Guns foi indicado para o "Hall da Fama do Rock and Roll": ele usou o Twitter para agradecer ao evento e a seus fãs, dizendo que a nomeação vinha graças a eles. Mesmo declarando por carta, três dias antes da premiação, que compareceria ao evento, ele não foi, e isso rendeu algumas piadas durante a cerimônia, apresentada por Chris Rock. Depois ele disse que esse evento não parecia ser um lugar onde ele fosse bem-vindo ou respeitado. Abaixo, o vídeo da premiação:



Axl Rose merece ser "o cara"? Talvez não 100%, mas pelo conjunto de sua obra com a banda ele tem seu nome marcado na história. Afinal, todo mundo conhece a música "Patience" e quando a ouve é impossível  não acompanhar aquele assovio melódico da introdução... Isso sem falar da interminável, porém perfeita, "November rain" e as clássicas "Paradise City" e "Welcome to the jungle".


Hoje, Rose está assim, e nem de longe lembra aquele cara que corria e pulava no palco, não faz mais aquela dancinha tão imitada e tão admirada pelas fãs, nem tão pouco possui a mesma potência vocal dos tempos áureos do Guns, mas o que conta é tudo aquilo que ele fez na carreira, e as grandes canções que ele escreveu e que fazem parte da história do rock and roll mundial.

Uma das músicas mais tocadas nas rádios, na época do seu lançamento, foi "Knocking on heaven's door", regravação da música de Bob Dylan, lançada originalmente em 1973, que vocês podem curtir no vídeo:



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Filhos da Terra - resenha


"Filhos da Terra é um romance como poucos na literatura brasileira. A narrativa do personagem Iusfen conduz a leitura num ritmo crescente até o final. Os irmãos que se apaixonam pela mesma mulher, a moça tão bonita que precisa ser escondida dos olhos dos homens, o construtor perseguido pelo vento e o assassino míope formam histórias antológicas que se entrelaçam num épico memorável."

Ganhei esse livro do meu marido há uns 10 anos atrás, e já o li duas vezes. A estória é incrível e conta a dura vida de alguns imigrantes italianos que vieram para o sertão de São Paulo para trabalhar com café e, que, num momento tinham tudo, mas de repente não tinham mais nada. 

Iusfen é o mais novo de 9 irmãos, e seu pai, Mauro Marzo, tentando fugir da miséria que tomava conta da Itália no final do século 19, chega à terra prometida para o cultivo do café.

Ainda criança, Iusfen ouve de uma velha cigana, que ele acredita ser uma bruxa, que ele será o último de sua linhagem e sua família não deixará descendentes. Esse é o enigma que segue por todo o livro e que dá o tom mágico e romântico à estória. 

Thales consegue envolver o leitor com pequenas estórias paralelas, mas que são interligadas entre si, de cada irmão e de alguns personagens secundários que vão surgindo durante a narrativa, mas que também ganham a sua importância no desenvolvimento da trama. Apesar de o ritmo parecer lento, ele foi planejado para ser exatamente assim; com descrições minimalistas de lugares e pessoas, para que cada leitor se sinta parte daquela família e queira seguir até o final de sua leitura para saber como será o final de cada personagem, alguns heróis e outros nem tanto.

Os irmãos de Iusfen têm seu espaço e sua própria estória em desenvolvimento; aqui, acompanhamos cada passo da vida deles, crescemos e caímos junto com eles, torcendo e acreditando nos ideais de cada um. Guilherme, o filho mais velho, é advogado com ideais românticos que o deixam um tanto quanto deslocado no mundo sem lei em que vivem, e que acaba perdendo o amor de sua vida, Luisa, para o irmão e rival Geraldo, por força de um acordo entre as famílias. Geraldo é engenheiro e acredita ser perseguido pelo vento, que quer acabar com sua obra e sua felicidade. Mariana, a irmão tão linda que enlouquece os homens com sua beleza, se vê obrigada e entrar para um convento tentando fugir de sua maldição. As jovens irmãs Argia e Alzira são assediadas por um capataz no meio do cafezal e planejam matá-lo. Já Angelim, o irmão mais criativo da família e cria vários mecanismos para tornar mais fácil o trabalho no cafezal, se envolve numa confusão e acaba capturando um perigoso assassino míope, procurado pelo delegado da cidade. Ele vira herói e, como recompensa, ganha a confiança do delegado, que lhe permite frequentar sua casa e namorar uma de suas filhas. O único problema é que ele se apaixona pela irmã dela, e não sabe como resolver a situação sem trair ninguém.

Com tantos personagens passionais, vivendo intensamente suas vidas sem medo do futuro e sem saber para onde serão levados por suas experiências, nos sentimos muito próximos dessas pessoas, nos envolvemos com elas intensamente, torcendo para que seu final seja feliz. Isso deixa a narrativa ainda mais rica e interessante.

O autor revelou escrever esse livro inspirado pelas estórias que o avô lhe contava, e ele realmente lembra um pouco uma dessas fábulas que nossos avós nos contam na infância.

O livro tem alguns trechos cheios de significado, como pequenos conselhos, inseridos naturalmente sem deixar a narrativa com cara de auto-ajuda. Além disso, o final é uma metáfora do tempo, contundente, carregada de realismo e que nos faz pensar na nossa própria existência, ao mesmo tempo em que faz uma homenagem à literatura.

A leitura é envolvente e apaixonante, com forte presença da natureza, personagens marcantes com seus dramas psicológicos e seus caprichos, perfis psíquicos bem definidos, conflitos sociais e muito individualismo. Todos esses elementos formam uma narrativa mágica, que nos transporta da riqueza e da ostentação até a falência completa dessa família italiana, tão especial e tão comum, como as nossas próprias famílias.

Em seu blog, o autor fala sobre o longo processo que foi escrever esse livro, desde o primeiro momento em que começou a registrar as estórias contadas pelo avô, até finalizar a obra, anos depois. Lá também é possível ler ótimas crônicas e contos escritos por ele, além de conhecer seus outros livros. Clique aqui  para acessar o site.

Filhos da Terra
Thales Guaracy
Editora Mandarim
460 páginas

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Capas

Procurado e-books para comprar, vi alguns livros da Meg Cabot, e percebi que nunca li nada dela, talvez por sempre vê-la como a autora da série "O diário da princesa", e nunca ter procurado conhecer o melhor o seu trabalho. Enfim, baixei alguns livros da Meg que me interessaram e, como ela fez aniversário semana passada (dia 1/2), achei bacana fazer esse post com algumas das capas mais fofas das suas obras:


Série The Heather Wells Mistery: "Tamanho 42 não é gorda", "Tamanho 44 também não é gorda" e "Tamanho não importa".


Da série Insatiable: "Insaciável" e "Mordida".


E "Sorte ou azar?"

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Filmando #5 - O clube de Leitura de Jane Austen

Hoje vou misturar um pouco de música, literatura e cinema! Sim, isso é possível. Assisti ao filme "O clube de leitura de Jane Austen" e me surpreendi: não esperava que fosse tão bom! Tem romance, drama e um toque de comédia. Além de muitos comentários sobre os livros de Austen :)


O filme é de 2007 e foi dirigido por Robin Swicord, que tem em seu currículum o roteiro de nada menos que "O curioso caso de Benjamim Button" (2008), "Memórias de uma gueixa" (2004) e "Da magia à sedução" (1998).

O longa conta a história de cinco mulheres, de personalidade totalmente diferentes e cheias de problemas psicológicos-existenciais-amorosos, e que resolvem se juntar em um clube de leitura para discutir os seis livros de Jane Austen. Cada uma ficará responsável por um livro e elas se reunirão mensalmente para debaterem suas visões da leitura. Mas, obviamente, falta uma pessoa no grupo, e uma delas resolve convidar um rapaz que acabou de conhecer, a fim de apresentá-lo para uma das mulheres do grupo, que acaba de se separar do marido.



É interessante ver como, a cada livro lido, os problemas das mulheres vão aparecendo nas reuniões, como uma analogia à história em debate. O roteiro foi adaptado do romance homônimo, escrito por Karen Joy Fowler, que eu não conhecia e agora fiquei muito curiosa para ler. A autora trabalhou bem fazendo essa relação entre os dramas no dia a dia dessas mulheres (que podem ser comuns a qualquer uma de nós) com as situações descritas por Austen em seus romances. Aos poucos, ou melhor, a cada leitura, elas vão descobrindo seus próprios sentimentos e aprendendo a lidar com eles. A reação de cada membro do clube aos acontecimentos de suas vidas é semelhante a dos personagens da ficção e eles vão aos poucos desenvolvendo características parecidas com as pessoas de cada livro.



Ao analisarmos cada membro do clube de leitura, isso fica muito claro: Bernadette, foi quem deu a ideia para formação do grupo, representa Mrs. Gardiner em "Orgulho e Preconceito", já Sylvia, que foi traída pelo marido e acaba de se separar, é comparada a Fanny Price, de "Mansfield Park", enquanto Jocelyn, uma mulher aparentemente forte e independente, que nunca se casou e prefere viver só com seus cachorros, é muito parecida com a personagem título do romance "Emma". Prudie, uma professora de francês, casada com um homem que tem gostos bem diferentes dos dela e se apaixona por um de seus alunos adolescentes, reflete a personagem Anne Elliot, de "Persuasão" e Allegra, uma jovem bonita e corajosa, que é lésbica e se apaixona facilmente, se parece muito com Marianne de "Razão e Sensibilidade". Grigg, o único homem do grupo, meio estabanado e apaixonado por ficção científica, nunca tinha lido nenhum livro de Jane, mas aceitou entrar para o clube para ficar mais perto de Jocelyn, aparece como uma representação de todos os personagens masculinos incompreendidos criados por Austen.

A trilha sonora do filme dá um toque de classe à produção, por ser bem leve e atual. O responsável por ela foi Aaron Zigman (que também fez "Alpha Dog",em 2006), e ele incluiu aqui "You're all I have", de Snow Patrol, "Save me", de Aimee Mann e "So sorry", de Feist (aquela do vídeo fofo e todo colorido de "1234"), que vocês podem conferir agora:


Destaque para a atuação de Maggie Grace, interpretando Allegra, a mais jovem do grupo, e que é muito radical: a certa altura, seus pais conversam e reconhecem que ela é mais moleque que seus irmãos. Ela foi parte do elenco da 1a. temporada de "Lost", como Shannon, irmã de Boone (Ian Somerhalder *.*), além de ter feito a Irina nas duas partes de  "Amanhecer"

Como de costume, deixo aqui para vocês o trailer do filme, é muito bacana e vale a pena assistir =D





sábado, 2 de fevereiro de 2013

Li até a página 100 e... #7



Os espiões
Luis Fernando Veríssimo
editora Objetiva
144 páginas

Primeira frase da página 100: 

"... Ariadne permanecera na arquibancada junto com a mulher do Fabrizio, as duas descritas por Dubin como 'um loiraçal."

Do que se trata o livro?

Um homem desmotivado e sem objetivos, trabalha numa editora onde não aceita nenhum manuscrito enviado por novos escritores, até receber o primeiro capítulo de uma intrigante estória: a misteriosa Ariadne contava, quase como num diário, seu relacionamento com um amante, que aparentemente foi assassinado, e seu desejo por vingança. Então, o editor se apaixona pela estória e pela autora desconhecida e tenta a todo custo protegê-la, inclusive, espionando sua vida e de seu marido.

O que está achando até agora?

Muito bom. O livro todo tem toques brilhantes de humor, o que deixa a leitura leve e descontraída.

Melhor quote até aqui:

Escolhi dois, mas queria ter escolhido mais, o livro é cheio de passagens inteligentes e hilárias.

"Dubin é um oficialista, diz que há leis para o uso da vírgula que devem ser respeitadas. Eu sou relativista: acho que vírgulas são como confeitos de bolo, a serem espalhadas com parcimônia nos lugares onde fiquem bem e não atrapalhem a degustação, Não é raro eu re-revisar uma revisão do Dubin e cortar as vírgulas que acrescentou ou acrescentar esparsas vírgulas minhas em desafio às regras, onde acho que cabem."

"Naquela sexta-feira levei o manuscrito para o bar do Espanhol, para ter o parecer do professor Fortuna. Tese do professor: a literatura, como a estiva e a Fórmula 1, não é para mulheres. A todos os meus exemplos de grandes escritoras ele sacudia a cabeça de um lado para o outro com um sorriso demoníaco. Dizia que só o que as mulheres conseguem com sua literatura é enlouquecer a si próprias e quem está por perto. Dizia que as mulheres escritoras já arruinaram a vida de mais homens do que as putas e as cartas."

Algum personagem merece destaque?

O "Professor Fortuna"; um bêbado que está sempre no bar, com a mesma roupa e a barba por fazer, e que diz falar 7 idiomas e entender de todos os assuntos, inclusive arte e literatura.

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"- O que você está fazendo no jornal afinal?"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sexta de música #12

A indicação musical dessa semana é o último trabalho do cantor Phil Collins, "Going Back", lançado em setembro de 2010, com regravações de sucessos da Motown Records dos anos 60.


Além da capa gracinha, as releituras das músicas ficaram ótimas: têm swing e são muito envolventes. Não há como ouvir o álbum e não ficar com vontade de sair dançando! Logo na primeira faixa ouvimos "Girl (Why you wanna make me blue)", originalmente gravada pelo grupo The temptations, e o ritmo é tão envolvente que, no mínimo, você vai querer acompanhar estalando os dedos.

A segunda canção, "(Love is like a) Heatwave", é envolvente e tem uma letra romântico-inocente, típica das baladas da década de 60. A versão original é de Martha & Vandellas, e Phil reproduziu quase que totalmente o arranjo nessa sua gravação, deixando-as bem parecidas. 

Em "Uptight (everything's alright)", de Bill Cosby, terceira faixa do trabalho, há uma leve desaceleração do ritmo com relação ao original.

Na baladinha romântica "Some of your lovin" é possível constatar porque o cantor fez tanto sucesso nos anos 80 cantando exatamente esse tipo de música (como "One more night" - 1985 - e "Against all odds" - 1984); ele tem uma voz suave que combina com esse estilo de canção. Impossível ouvir e não se imaginar dançando nos bailes dos anos 60.

O trabalho conta ainda com versões dos sucessos "Papa was a Rolling Stone", do The Temptations, "Loving you is sweeter than ever", do grupo Four Tops e "Going to a go-go", gravada originalmente pelos "The Miracles", e depois regravada também por Elton John e Rolling Stones.


Em algumas músicas a voz rouca de Phil diferencia bastante das gravações originais, onde alguns cantores possuíam um timbre mais agudo, mas isso não diminui a qualidade das canções, pelo contrário, dá uma roupagem totalmente nova a elas, trazendo-as para mais próximo da nossa realidade musical atual.


Infelizmente, para tristeza dos fãs, Phil Collins anunciou em maio de 2008 que iria encerrar sua carreira de músico, devido a alguns problemas de audição, nas cordas vocais e sequelas de uma cirurgia na coluna vertebral que o deixou sem sensibilidade nas pontas dos dedos, impedindo-o de tocar bateria. Ele só fez esse último trabalho como uma homenagem aos músicos dos anos 60, dos quais ele é muito fã. 


Enfim, mais um vídeo para meus leitores queridos curtirem e embalarem essa senta-feira meio enjoadinha, rs. "(Love is like a) Heatwave" é, sem dúvidas, a minha preferida desse álbum.