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terça-feira, 27 de junho de 2017

Clube dos herdeiros #1 [Resenha]


"Hoje deve ser seu dia de sorte. Sim, é com você que estou falando! Ao abrir esse livro, você ganhará um passe livre, uma tão cobiçada credencial, um passaporte com visto para um mundo que mal se vê pela fechadura. Você poderá conhecer cada um dos membros da nova aristocracia do Rio de Janeiro e saber o que realmente se passa na vida, na cabeça e no coração deles (e eu aposto como você jurava que isso nem existia!). Só me sinto na obrigação de alertar você a respeito do principal perigo, que ameaça aqueles que se julgam sortudos por cruzar essa linha: você vai descobrir que as coisas podem não ser como você imaginava e ter vontade de correr de volta para o seu mundo seguro, que antes parecia tão medíocre. Mas não precisa correr tanto. No meio do caminho sei que você vai dar meia-volta e perceber que não vai a lugar algum. O Clube dos Herdeiros pode não ser nada parecido com um conto de fadas... mas não há como não se apaixonar perdidamente por ele! Pense bem antes de aceitar o convite: existem festas que duram a vida inteira."

Uma viagem pelo mundo do glamour e da ostentação, esse livro transporta o leitor para dentro da alta sociedade carioca, mas ao mesmo tempo, apresenta personagens humanos, bem próximos daquilo que imaginamos ser as pessoas mais humildes, e nas as mais abastadas. De cara conhecemos Manuela, a típica patricinha que só pensa em festas e curtição. Ela adora a praia e bate cartão por lá diariamente. Sua melhor amiga desde a infância é Helena, também de família rica e que, a princípio, parece ser apenas uma sombra de Manuela, um apoio para as aventuras daquela, porém, aos poucos vamos percebendo que Helena é muito mais interessante que isso.

As meninas gostam de ir a baladas chiques e aos shows mais caros e reservados, e é numa dessas ocasiões que Manu vê pela primeira vez o garoto que vai mudar seus conceitos sobre muitas coisas. Apesar da troca de olhares, eles não têm muito tempo para conversar e nem sabem o nome um do outro, mas o destino trata de fazer o caminho deles se cruzar novamente e eles começam a namorar sério. A primeira barreira entre Manuela e Pedro é a classe social: ele é tijucano, o que para um carioca do Leblon é o outro lado do mundo. Mas isso eles vão ultrapassando aos poucos e mantendo o namoro em segurança. Mais tarde, uma questão mais profunda, que envolve caráter acaba mostrando para Pedro que Manuela não era exatamente como ele imaginava.

Do outro lado, Helena namora Guilherme há alguns anos e, apesar de gostar muito dele, sabe que falta alguma coisa para que aquele amor seja como um conto de fadas. Na verdade, percebemos ao longo da narrativa que Helena não é tão fútil quanto demonstra: ela trabalha e é bastante responsável enquanto seu namorado nem terminou a faculdade e só quer saber de curtição. A única coisa que Guilherme parece levar a sério é seu amor por Helena, até que, a certa altura, descobrimos que nem isso era tão importante para ele.

Em meio a fofocas, armações e até supressão de fatos importantes, tanto as amizades quanto os namoros vão ruindo, e o leitor descobre que nada sobrevive a uma mentira (ou duas). Apesar de lutar contra seus sentimentos, as protagonistas aprendem que tudo pode mudar, mesmo quando acreditamos que nosso destino já está traçado. A nossa felicidade depende de nós mesmos, e das atitudes que tomamos para alcançar essa felicidade.

O que inicialmente parecia ser uma história de meninas que não têm nada na cabeça nem no coração, se mostrou ser uma lição importe para os leitores. Numa relação, seja ela qual for, a sinceridade é importante, e não podemos colocar nossos interesses sempre à frente dos outros, pois todos têm sentimentos e merecem receber o melhor de nós. O livro fala sobre amor, amizade, sinceridade, altruísmo, decepção, descoberta e crescimento. Há momentos fofos e românticos entre Pedro e Manuela, enquanto outros, como algumas atitudes de Guilherme, revoltam o leitor. Mas no final tudo se ajeita, as coisas acabam se resolvendo, mesmo que seja as custas de muito sofrimento.

Aliás, o final é muito emocionante, e eu adoro esses encerramentos que deixam algo para a imaginação do leitor. Depois de acompanhar todo o crescimento das protagonistas e o caminho que as levou a se tornarem quem realmente são, fica a expectativa de saber se, no futuro, elas vão conseguir ser felizes com aquilo que conquistaram.

O livro tem uma linguagem fácil, a escrita é rápida e fluida e o enredo é muito envolvente. É impossível não se imaginar naquele universo, convivendo com os personagens, tanto que, quando terminei de ler, senti falta das meninas e queria saber o que eles estariam fazendo naquele momento. Quando um autor consegue fazer com que o leitor se sinta tão próximo de seus personagens assim, acredito que o objetivo tenha sido alcançado. Leitura super indicada para todos, é um livro leve e divertido, cheio de referências à cultura pop, com personagens muito bem construídos e arcos narrativos bem definidos, com um bom gancho no final. Os herdeiros vão conquistar você também.


Clube dos herdeiros #1 - como nossos pais
Fabiana Madruga
editora Draco
144 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 5.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Nada se compara a você

onde comprar: Editora Arwen

"Em Bonequinha de Luxo, Holly Golightly teve a sorte de encontrar Paul Varjak. Mesmo sendo uma garota tímida, Kathy Selden conseguiu conquistar o coração do bonitão Don Lockwood em Dançando na chuva. Infelizmente, Tessa não tem a mesma sorte que suas heroínas cinematográficas: aos 24 anos de idade ela coleciona decepções amorosas. Don é charmoso, bem-sucedido e cabeça dura, mas, diferente de Tessa, ele anda se escondendo do cupido. Um dia ele chega à terrível conclusão que relacionamentos casuais não são mais satisfatórios e, pela primeira vez, deseja sentir algo real. Quando os dois se conhecem a química e a atração é inegável. Don se impressiona com os dóceis porém intensos olhos azuis de Tessa, e ela sente a necessidade de se apoderar dos lábios indomáveis de Don. Então, eles resolvem se entregar ao desejo e mal sabem que estão prestes a mudar a vida um do outro para sempre, nessa história narrada sob o ponto de vista do casal. Esse conto real sobre relacionamento nos dias atuais fará o leitor se identificar com os pensamentos dos personagens, afinal, existe um pouco de Don e Tessa dentro de cada um de nós."

Todos os leitores que acompanham minhas resenhas aqui no blog sabem que eu adoro romances, e que tenho até muita tolerância com alguns deles, que não parecem ser muito interessantes no início, mas que acabam surpreendendo no final. Bem, tive que ter muita paciência com esse aqui, pois, ao longo de suas mais de quinhentas páginas, não apresenta nem romance nem ação.

Nada se compara a você é um título que vem carregado de promessas de apresentar uma história muito romântica, acompanhado pelo subtítulo (As vezes, quando menos se espera, o amor acontece) e a sinopse que avisa se tratar de uma história cheia de desejo e amor. Certo, não sei se criei alguma expectativa exagerada, mas não vi esse romance todo no livro. Talvez eu esteja exigindo da história algo que ela não é, mas sinceramente, esperava um romance mais profundo, mais romântico mesmo.

Tessa se deu mal  em todos os relacionamentos que teve. Inclusive, no último namoro, narrado no livro, ela foi trocada por uma promoção que o namorado teria na empresa em que trabalha. Era de se esperar que ela sofresse (pelo menos um pouco) e que se afastasse por algum tempo dos homens. Se não se afastasse, pelo menos fosse mais seletiva, ou mais exigente com quem se aproximasse dela. Mas na primeira vez que ela sai com as amigas para uma balada, ela já se encanta por Don e permite que ela a leve para casa. Tudo bem, ela manteve uma certa distância e eles não fizeram sexo por um bom tempo, mas a partir do momento em que se viram na balada ela já gostou dele e começaram a se relacionar.

Sei que existe amor à primeira vista, principalmente em romances, mas a premissa da personagem era ter sofrido muito com finais de namoros traumáticos e estar escaldada com relacionamentos complicados. Espera-se que, com essas características, a mocinha pelo menos dificulte a aproximação de outro homem.

Por outro lado, Don é um cafajeste, daqueles que Tessa só quer distância. Mas, magicamente, assim que ele olha para ela, sente que deve endireitar. Ele para de ficar com mulheres por apenas uma noite e meio que se guarda para Tessa, mesmo sem saber se a relação vai dar em alguma coisa. Concordo que isso é possível, o cara se apaixonou e só quer aquela mulher, mas a construção dos personagem não fortalece essa mudança.

Então o casal está namorando, e o romantismo não é tão intenso quanto eu esperava. Eles descobrem que se amam, conhecem as famílias um do outro, planejam seu futuro, passam algum tempo juntos, mas não conseguem satisfazer a minha sede de romance. Acho que a descrição da sinopse se concretiza ao longo das páginas, ou seja, "a história é um conto real sobre relacionamento nos dias de hoje". E isso pode ser um ponto positivo. A narrativa opta por mostrar o dia a dia na evolução do namoro, desde aquela primeira fagulha de paixão até a rotina de se amar na saúde e na doença, e não foca no romantismo de um conto de fadas.

Como tudo depende de quem está lendo, esse não é o meu tipo de romance preferido, por isso, demorei tanto para ler o livro. Gosto daqueles casos de amor arrebatadores, que doem quando a gente lê. E esse livro não tem essa característica. Apesar do final feliz, o caminho que leva até ele é muito longo e cheio de obstáculos, que dispersam a atenção do romance principal, mas que mostram muito do que é a vida real de um casal comum.

Apesar de não possui o brilho e o fogo de um romance arrebatador, esse livro tem suas qualidades, e mostra a cumplicidade entre o casal apaixonado, diante de diversas situações que põem à prova seu amor. Acredito que a principal característica dele é mostrar exatamente esse lado sem glamour do amor, os obstáculos e as dificuldades por que passam a maioria das pessoas em busca do seu felizes para sempre.

Nada se compara a você
Alex Well
512 páginas
editora Arwen
nota no Skoob: 3.9
nota do blog: 3.5


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um pouquinho de...

"Ligo para Tayler.
O telefone toca na casa alugada de Tayler na Paper street.
Por favor, Tyler, me livre desta roubada.
E o telefone continua chamando.
O porteiro se inclina sobre o meu ombro e diz:
- Muitos jovens não sabem o que querem de verdade.
Preciso que me resgate, Tyler, por favor.
E o telefone chama.
- Os jovens pensam que querem o mundo inteiro.
Me livre das mobílias suecas.
Me livre da arte rebuscada.
E o telefone chama outra vez e Tyler atende.
- Se não sabe o que quer - o porteiro continua -, acaba tendo um monte de coisas que não quer.
Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.
Me salve, Tyler, de ser completo e perfeito.
Tyler e eu combinamos de nos encontrar em um bar.
O porteiro me pede um telefone em que a polícia poder á me encontrar. Ainda estava chovendo. Meu Audi ainda estava no estacionamento, mas o tocheiro alógeno Dakapo tinha atravessado o vidro da frente.
Tyler e eu nos encontramos, tomamos várias cervejas e ele diz que sim, eu podia me mudar para a casa dele, mas teria que lhe fazer um favor. 
No dia seguinte a minha mala chegaria com o mínimo, seis camisas e seis pares de cuecas.
Lá. bêbado em um bar onde não havia ninguém nos olhando ou ligando para nós, perguntei a Tyler o que queria que eu fizesse.
Tyler respondeu:
- Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir."

(capítulo 5, páginas 52 e 53)



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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Charlotte sometimes [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto do autor veterano de dicção científica Fábio Fernandes, originalmente publicado em Interface com o Vampiro. Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória - ou será a memória de outra pessoa?"

Esse foi o conto mais envolvente que li essa semana. Já começa como se o leitor estivesse dentro de um sonho, dando exatamente aquela sensação de entrar numa cena, do nada, e de repente se dar conta de que está lá. O protagonista acha que está numa boate, mas se lembra de que aquele lugar fechou há muito tempo, então ele fica em dúvida sobre se o que está vivendo é real ou ilusão. Ele também reencontra uma mulher que, depois descobrimos, não poderia estar ali. E o ritmo da narrativa também é frenético e confuso, não permitindo que o leitor faça  a distinção entre realidade ou sonho.

Gostei muito da escrita do autor e da velocidade que ele deu à narrativa. Tudo é muito rápido, caótico, desconexo. As coisas que acontecem são estranhas, mas também podem ser muito reais, e isso é que faz do conto uma ótima leitura. O autor utilizou muito bem o ambiente da boate para dar aquele clima meio enevoado e sombrio que o sonho transmitia, e o final é exatamente como sair dele de repente. Dá até aquela vontade de fechar os olhos e tentar voltar para a mesma parte que estava antes de acordar.


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Despertar de um sonho [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto de Melissa Sá, autora da distopia Metrópole. Ilio é uma pessoa especial, podendo manipular a realidade com o poder da mente. Mas quando o mesmo sonho intenso lhe invade as noites, despertar para a dura realidade de um mundo morto só é possível pois nele pode estar uma revelação do futuro."

Esse conto é quase um spin-off da série Metrópole, então, quando comecei a ler fiquei um pouco perdida. Foi como cair de paraquedas em algo que já estava em andamento, mas aos poucos a leitura vai envolvendo e a coisa começa a clarear. Os personagens estão vivendo num mundo pós-guerra, embaixo da terra, pelo que demonstra a descrição do lugar, e todos trabalham numa sociedade organizada por habilidades. Por exemplo, a amiga de Ilio, Sara, tem facilidade para cuidar de pessoas, por isso, é aprendiz de curandeira. Mas Ilio parece um tanto divergente, e não emprega seu dom no trabalho: ele é telepata, mas prefere atuar na limpeza. Sua telepatia mostra, sempre no mesmo sonho, uma garota que ele não conhece, e que, de repente aparece no lugar. O problema é que ela parece não conhecê-lo, enquanto ele acredita que ela é especial.

A história é curta, porém, complexa, com Sara meio atrapalhada e Ilio cheio de conflitos internos e externos. Ele tem um rival chamado Hector, que o humilha em certo momento do conto, deixando claro que não o deseja ali, talvez por inveja de seus poderes psíquicos. Isso mostra a habilidade da autora, já quem em poucas páginas conseguiu criar um conflito entre os personagens e lançar no leitor a curiosidade sobre quem é a menina misteriosa dos sonhos de Ilio e se eles vão ser importantes um para o outro. Acredito que isso se deva resolver em Metrópole.


Despertar de um sonho
Melissa de Sá
13 páginas
editora Draco
nota no Skoob: 4.1
nota do blog: 4.3


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

The Schroedinger Show [Resenha]


"Conto de ficção científica de Carlos Orsi, autor de As dez torres de sangue. Quando a avançadíssima indústria cultural do futuro resolve explorar os paradoxos da mecânica quântica, toda a galáxia treme."

O conto, que faz parte dos Contos do Dragão da Editora Draco, retrata uma época futurista, onde a ciência e a física estão muito mais evoluídas que hoje, e a tecnologia é muito avançada. Um astro pop muito famoso toma conhecimento da experiência do Gato de Schrödinger, que basicamente trata de um paradoxo: o gato na caixa pode estar vivo ou morto ao mesmo tempo, só se descobre a verdade quando a caixa é aberta (O Sheldon fala sempre dela em The Big Bang Theory, mas você também pode ler mais sobre o assunto clicando aqui). Então esse super astro que, aparentemente, é um pouco mimado, no sentido de sempre conseguir o que quer, decide por à prova o experimento e anuncia que fará um Schrödinger Show, estando ao vivo em diversos planetas da galáxia ao mesmo tempo, o que causou furor não só entre seus fãs mas também entre a comunidade científica. Chegaram a falar sobre golpe, alegando que o cantor só queria arrecadar mais dinheiro, já que não tem como estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. O final disso tudo deu o que falar.

Gostei muito do conto, desse ar futurista e do uso de gírias como se elas fossem um movimento retrô que estaria na moda. Mas fiquei muito curiosa para conhecer mais desse universo e para saber outros detalhes do pop star convencido. O conto é bem curtinho, e deixa um gosto de quero mais. O autor poderia ter aproveitado a boa ideia e desenvolvido a história, pois a impressão que fica é de que tudo termina muito de repente. Se essa foi a intenção dele, está de parabéns.


The Schroendinger Show
Carlos Orsi
editora Draco
7 páginas (conto)
nota no Skoob: 2.7
nota do blog: 3.0



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quarta-feira, 5 de abril de 2017

A garota do calendário - março [Resenha]


"Mia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato. A missão da Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser... Mia vai passar o mês de março em Chicago com o empresário Anthony Fasano, que a contrata para fingir ser noiva dele. A princípio Mia não entende por que um homem tão lindo e másculo precisa de uma falsa noiva."

Mais uma etapa cumprida na jornada de Mia em busca de zerar a dívida de seu pai e salvar a vida dele. Num resumo rápido, a série fala sobre a jovem atriz Mia, que acaba se tornando acompanhante de luxo para levantar dinheiro e pagar o agiota que deu uma surra em seu pai e deixou-o em coma. Para conseguir esse milhão de dólares no prazo máximo dado pelo agiota, um ano, ela vai passar cada mês com um cara diferente, que a contrata para os mais diversos fins. Até agora, em janeiro e fevereiro, ela serviu de falsa namorada para Wes e musa inspiradora para Alec. Agora, em março, Mia foi contratada para posar de noiva do famoso herdeiro dos restaurantes Fasano, Anthony.

Assim que chega à casa do novo contratante, ela se depara com um deus grego de corpo perfeito, moreno, musculoso, alto, tudo que ela poderia querer num homem e, apesar de não ser obrigada a ter relações sexuais com os clientes, ela logo se imagina na cama com ele. Mas, como num banho de água fria, Mia imediatamente descobre que ele é gay, e vive com seu parceiro Hector.

O conflito se dá quando, ao conhecer a família de Anthony, desempenhando o papel para o qual foi contratada, ou seja, de falsa noiva, ela se vê numa situação muito mais complicada do que poderia prever. Hector é amigo da família e está sempre junto com eles, vendo o falso casal fazer planos para o futuro, quando era ele quem queria fazer tudo isso.

Mia se sente mal por estar no meio do relacionamento dos dois, e resolve tentar ajudá-los a se assumir. Mas para Anthony isso não é tão simples, já que, como único filho homem, tem o dever de ter filhos para continuar o nome da família. Ninguém sabe da sua orientação sexual, e ele tem medo de se sair do armário e decepcionar sua mãe, além de por a perder todos os negócios dos Fasano.

Aos poucos, Mia vai ganhando a confiança deles e fazendo-os ver que não é tão complicado assim se assumirem e dizerem ao mundo que estão apaixonados. Entre alguns desentendimentos e saias-justas, ela ajuda Anthony e Hector a se aproximarem ainda mais.

A parte hot dessa história fica por conta do reencontro de Mia com Wes, seu cliente de janeiro, por quem ela se apaixonou. O retorno de Wes foi bem trabalhado e deu um ar descontraído ao enredo, enquanto as cenas de sexo continuam muito quentes e bem descritivas. Há ainda alguns momentos de interação entre Mia e sua irmã, que mostram um lado mais doce e dedicado da protagonista, afastando-a um pouco do estigma de acompanhante de luxo, mostrando que, apesar de estar prestando esse tipo de serviço, ela tem uma vida, como qualquer um de nós.

É uma leitura rápida, assim como os anteriores da série já resenhados aqui, e indicado para quem quer algo descompromissado, nada muito elaborado nem cheio de tramas complicadas. O foco aqui é a evolução pessoal de Mia, sua descoberta e aceitação. Além do sexo, claro. Mas tudo isso dentro de uma narrativa simples e uma escrita muito fluida, sem  floreios. Por isso a minha nota não foi tão alta, mas, dentro do que se espera da série A garota do calendário, esse volume cumpre o seu papel a contento.

A garota do calendário - março
Audrey Carlan
editora Verus
144 páginas
nota no Skoob: 3.8
nota do blog: 3.5


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terça-feira, 28 de março de 2017

Três metros acima do céu [Resenha]


"Três metros acima do céu é um romance apaixonante e retrata uma história de amor entre dois adolescentes oriundos de contextos sociais distintos, que se conhecem na esplendorosa cidade de Roma. A intensidade da relação manifesta-se logo no primeiro encontro quando Babi, uma atraente e simpática jovem de quinze anos, conhece Step, um rapaz um pouco mais velho, com um comportamento muitas vezes agressivo e reprovável, que exerce sobre ela um invulgar fascínio. Em breve estes dois mundos (aparentemente) incompatíveis tornam-se um só, e as juras de amor eterno passam a ser a grande força motriz. Porém, Babi nunca aceitou inteiramente as atitudes violentas do namorado, nem o mundo subversivo e decadente a que Step pertence, e a relação envereda por um caminho sinuoso e inesperado."

Há tempos queria ler alguma coisa do italiano Federico Moccia, pois já tinha lido muitas resenhas positivas e assistido a alguns vídeos em que as blogueiras elogiavam bastante os livros dele, então, pesquisei qual seria a melhor leitura inicial e cheguei a Três metros acima do céu. Criei sim um pouco de expectativa, mas não exagerada, a ponto de estragar a experiência de leitura, mas, ainda assim, não achei o livro tão bom quanto esperava que fosse.

A escrita do autor é bem interessante, o que não me prendeu foi o ritmo da narrativa. Logo de cara conhecemos a jovem Babi, filha de uma família de classe média-alta, que estuda num bom colégio e é uma garota muito bem comportada. Por acaso ela conhece Step, o bad boy da história que, junto com seus amigos, costuma invadir festas e saquear as casas, dar grandes surras em qualquer pessoa que eles achem que merecem apanhar e participar de corridas clandestinas de motos. Além disso, Step não trabalha e não terminou os estudos. Mas, apesar de todas essas iniciais diferenças, Babi acaba se interessando por ele.

Vemos em diversos livros a mocinha pura e inocente que se apaixona pelo cara briguento e isso sempre traz problemas para a garota. Aqui, conforme a leitura evolui, percebemos que Step não é tão valentão quanto parece, e que ele só entrou nessa rotina destrutiva por que sofreu um trauma muito grande há alguns anos. Ele usa os músculos para resolver qualquer problema e enfrentar qualquer situação que o desagrade por que não consegue enfrentar as dificuldades de maneira civilizada, canalizando sua raiva e frustração nos socos que desfere sem pensar. 

Ao mesmo tempo em que Babi vai aceitando que sente algo por Step, e embarca com ele em algumas situações bem perigosas, ela também tenta fazê-lo ver que a vida que ele leva não vai dar em nada, e que violência não é a resposta para tudo. Ela não gosta do jeito agressivo dele, e sempre deixa isso bem claro, mas parece que Step só consegue ficar longe de confusão quando está ao lado dela.

Também há entre eles um abismo financeiro  e cultural, e isso fica logo evidente: Babi quer fazer faculdade, conquistar sua independência, enquanto Step não tem nenhum plano para o futuro. Ela já viajou para vários lugares, conhece muita coisa que ele dificilmente terá chance de conhecer, e claro que isso pesa muito. No início da relação dos dois, a paixão encobre qualquer diferença que possa existir, mas o amor não é tudo na vida, e eles vão descobrir isso.

O problema desse livro é que o inicio é lento demais e tudo demora para acontecer. Claro que o autor quis introduzir a história dos protagonistas, para ambientar bem a narrativa, mas eu achei que o começo ficou bem arrastado. A impressão que me deu foi de que Babi era muito mais patricinha do que ela realmente é, e que Step e a turma dele não passavam de um bando de desocupados que se acham mais importantes que as outras pessoas.

Quando finalmente acontece um pouco de romance, ele é delicado e me agradou bastante. O que também ficou interessante na história foi a ambientação da narrativa na cidade de Roma; o autor cita diversas ruas, praças, estabelecimentos comerciais e pontos turísticos que nos fazem viajar para a Itália através da história.

A maior virtude desse livro é mostrar que todos precisamos de um melhor amigo, aquele que topa qualquer parada e que está sempre ao nosso lado. E que toda forma de amor é válida, mesmo que não dure para sempre. Apesar de o livro não ter sido tudo o que eu esperava, no final achei que a leitura valeu a pena, e recomendo para quem gosta de romance adolescente e muitos bad boys.

Três metros acima do céu
Federico Moccia
editora Presença
352 páginas
nota no Skoob: 4.2
nota do blog: 3.8


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quinta-feira, 9 de março de 2017

Nunca, jamais #2 [Resenha]


"A segunda parte do suspense romântico de tirar o fôlego. Um garoto abre os olhos e sequer se lembra que seu nome é Silas. O telefone toca... 'Encontrou ela? ', pergunta a voz o outro lado da linha. Quem é ela? Quem sou eu? Charlie se vê presa em um lugar parecido com quartos de hospital (ou de um manicômio). Também não se lembra de nada, nem do próprio rosto. O tempo passa e ninguém vem salvá-la. Ela precisa escapar por conta própria. Aos poucos, os dois descobrem que vêm perdendo a memória em períodos cíclicos. E também que se amam imensamente. Numa corrida para descobrir a razão dos apagões em suas memórias, Silas e Charlie acabam descobrindo muito mais sobre si e os mistérios que envolvem suas famílias. Mas muito em breve vão esquecer tudo de novo. E precisam estar juntos para evitar o pior."

Há um ano li a primeira parte dessa história, e o final me deixou louca! Tem resenha aqui, e você podem ler nesse link, para entender um pouquinho sobre como começou o drama de Silas e Charlie. Eles perderam a memória e acordaram de repente sem saber quem eram, sem se lembrar de nada de sua própria vida, e sem imaginar quem são as pessoas que estão ao lados deles e que parecem conhecê-los mais que eles mesmos.

E no final da primeira parte, as autoras nos deixam numa situação bem tensa, sabendo que em breve os protagonistas vão perder a memória novamente, e sem saber o que fazer até chegar essa segunda parte. A sensação que tive é de que eu também perdi a memória naquele momento, e só acordei agora, quando li a continuação da história. Bom trabalho meninas!

Nesse segundo volume, quem acorda primeiro é o Silas, e ele fica totalmente perdido, sem saber como agir, para onde ir e em quem confiar. E o pior, ele logo descobre que Charlie é importante na vida dele e que está desaparecida, ficando a seu cargo descobrir onde a menina está. Mas como começar a procurar uma pessoa que você não sabe quem é? Tudo é muito complicado e  dolorido, o leitor consegue sentir o drama e o medo que envolvem Silas, e o desespero dele em encontrar Charlie para tentar juntar mais algumas peças do quebra-cabeças da sua vida.

"Ainda não sei no que acreditar, porém, quanto mais o tempo passa, sem que eu me lembre de nada, mais começo a considerar que talvez eu realmente tenha apenas um pouco mais de quarenta e sete horas antes que essa situação se repita." (página 16)

Por sorte, eles deixaram para eles mesmos algumas cartas explicando que suas memórias estão sumindo de tempos em tempos, e é só por isso que Silas consegue planejar como agir para descobrir onde Charlie se meteu. Mas ele não se lembra da aparência dela. Para ajudar nessa missão quase impossível, ele ganha a ajuda de seu irmão mais novo, Landon, que, a princípio, acha que Silas está louco, mas, aos poucos, vai aceitando ajudar o rapaz a se encontrar e procurar a namorada.

"- Deixe ver se entendi direito - diz ele, inclinando-se para a frente da mesa. - faz mais de uma semana que você e Charlie andam perdendo a memória. E andam escrevendo cartas para vocês mesmos." (página 115)

Enquanto isso, Charlie está presa num lugar estranho, parecido com um hospital, onde apenas uma pessoa traz sua comida e seus remédios. Ela não se lembra de estar doente nem de ter se consultado com um médico. Aliás, ela não lembra nem do próprio nome. Alguns acontecimentos fazem com que Charlie comece a ter flashes de memória, e ela percebe que precisa fugir de onde quer que esteja sendo mantida refém.

"Eu me sinto mais como uma prisioneira do que como uma paciente.
- Por que estou aqui? - pergunto.
- Não se lembra?
- Eu estaria perguntando se me lembrasse? - retruco." (página 82)

O livro é curtinho, e vai dando um desespero quando as últimas páginas vão chegando, pois nada está resolvido e a gente sabe que o final de verdade vai ficar para o próximo volume. Silas monta um plano para quando eles acordarem desmemoriados novamente, e só nos resta torcer para que, na próxima vez, eles consigam desvendar o mistério da sua amnésia e resolvam os problemas que os afligiam antes de tudo isso começar.

E se no primeiro livro o final já foi angustiante, esperem até chegar a esse: dá vontade de gritar, torturar as autoras para que elas contem logo o final da trama, ou dormir até que a Galera Record publique a terceira parte. Novamente, parece que eu perdi a memória quando li a última linha e acordei sem saber onde estava. Como lidar com essa ansiedade até o próximo livro?

Indico muito a leitura para todos os leitores do blog, porque não se trata de um romance água com açúcar, nem uma trama infanto juvenil sem graça e clichê. Não dá para ler e não torcer para que Silas e Charlie descubram logo o que está acontecendo com suas cabeças, e esse mistério envolve o leitor do início ao fim. Marquem na sua lista de futuras leituras, vocês não vão se arrepender.


Nunca, jamais #2
Colleen Hoover e Tarryn Fischer
144 páginas
editora Galera Record
nota no Skoob: 4.2
nota do blog: 4.8


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Vida e morte - Crepúsculo reimaginado [Resenha]

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"O clássico de Stephanie Meyer revisitado 10 anos depois. Novamente, os leitores vão se apaixonar pela arrebatadora história de amor de Bella e Edward... ou, quem sabe, será uma primeira vez. A edição especial de aniversário inclui um conteúdo extra e exclusivo: Vida e morte, nova versão em que a autora inverte o gênero dos principais personagens. Os leitores vão se maravilhar com a experiência de ler a icônica saga de amor agora pelos olhos de uma adolescente que se apaixona por uma sedutora vampira. Numa publicação ao estilo vira-vira, a edição comemorativa traz mais de 400 páginas de conteúdo extra, além da nova capa, com Crepúsculo de uma lado e Vida e Morte de outro. Os milhares de fãs de Bella e Edward não vão querer perder a oportunidade de ver seus tão queridos personagens em novos papeis."

Em comemoração ao aniversário de uma década da primeira edição de Crepúsculo, a autora decidiu reescrever a mesma história, invertendo os gêneros dos personagens: quem era homem agora é mulher, e vice-versa - com exceção dos pais de Bella, que continuam como antes.

A princípio essa nova versão pode causar estranheza, e confesso que passei boa parte do livro pensando nos personagens como Bella e Edward, repetindo as falas com suas vozes originais, e até consultando o primeiro livro para conferir se alguns trechos estavam diferentes. Isso dificultou demais a leitura para mim, e a coisa demorou a engrenar: fiquei quase 3 semanas com ele, e não sentia vontade de continuar lendo. Várias vezes pensei em desistir, afinal, já conhecia muito bem a história, mas por uma razão inexplicável, continuei. Valeu a pena.

Fica tudo confuso com os gêneros invertidos, em diversos momentos parece que determinada fala não combina com o personagem que a diz, ou algumas atitudes não são características de um homem ou uma mulher. Por exemplo: quando Bella visita os Cullen pela primeira vez, Alice desce as escadas saltitando para encontrá-la na sala, e aqui, essa mesma cena foi utilizada para Archie (versão masculina de Alice) e isso não me parece uma atitude que um homem adulto teria, demonstrar a alegria de conhecer alguém saltitando pela escada.

E não foi só isso, algumas falas da própria Edythe (Edward) não soam bem quando ditas por uma mulher, ainda que ela seja uma vampira forte e poderosa. A relação entre ela e Beau (Bella) parece meio forçada, estranha, mesmo com o cuidado que a autora teve ao transferir para Beau algumas responsabilidades que seriam masculinas, como abrir as portas para a namorada. Ainda assim, para quem leu Crepúsculo e é fã da história, isso não cai bem, já que sabemos que vampiros são muito rápidos e até possessivos, portanto, Edythe não esperaria Beau se movimentar lentamente como humano para realizar esses pequenos gestos.

"Passei por ela e corri para abrir a porta, ignorando o que ela tinha dito sobre papéis antiquados. Eu sabia que ela era mais rápida do que eu podia imaginar, mas a sala com um monte de gente dentro olhando a obrigou a agir como se fosse uma semelhante. Ela me lançou um olhar estranho quando segurei a porta, como se estivesse tocada pelo gesto, mas irritada ao mesmo tempo. Decidi ignorar a parte irritada e passei correndo por ela para também segurar a porta do carro." (página 143)

Acredito que a autora teve bastante trabalho para fazer essa inversão de gêneros, e não fez apenas a substituição dos nomes, como vi algumas resenhas insinuarem, mas acho que ela poderia ter dedicado esse tempo a escrever uma história nova, no mesmo universo, para deixar os fãs ainda mais satisfeitos.

Não sei se a intenção era mesmo presentear os fãs, me parece mais uma oportunidade de explorar um livro de sucesso, mas ela disse no prefácio que queria o desafio de reescrever a história sob outra perspectiva. Deu certo? Em partes. Eu achei muito lenta e cansativa, mas o final faz valer as quase trezentas páginas de repetição.

Quando eu já tinha certeza que não teria nenhuma coisa boa a falar desse livro, os dois capítulos finais vieram para surpreender e mudar totalmente minha opinião. A autora ousou em alterar bastante a versão original, e acertou. O destino de Beau e Edythe é bem diferente do casal da trama original, e ainda consegue deixar o leitor pensando no que poderia ter acontecido se a autora continuasse escrevendo mais cem páginas a partir dali.

Se você gosta da história e quer conhecer esses novos personagens, vá em frente, se dedique, atravesse as centenas de páginas de lentidão para chegar ao último capítulo com uma novas possibilidades para um final feliz. E não se preocupe, a tendência é que ela não tente fazer isso com todos os quatro livros da série.

Não posso deixar de comentar que nessa primeira edição existem muitos erros, talvez de revisão, que mantêm o artigo masculino ao mencionar Edythe. Marquei vários deles, mas um erro me chamou muito a atenção: há uma frase no final em que usam a palavra vilãos, quando o correto seria vilões, e isso certamente não é uma confusão da tradução. A editora poderia ter prestado mais atenção à revisão final antes de publicar.


Vida e morte
Stephanie Meyer
editora Intrínseca
391 páginas
nota no Skoob: 3.9
nota do blog: 3.5


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Reverso [Resenha]


"Megan gostaria de ter deixado todos os seus medos do outro lado do espelho, presos com Megami e sua perigosa obsessão. Mas ela sabe que nada é tão fácil e, rápido demais, o espelho cobra seu preço também deste lado. Megan se vê dentro do seu maior pesadelo, um que conhece muito bem. E agora, além de lutar contra Megami, precisa fazer uma terrível escolha que definirá o seu futuro e o das pessoas ao seu redor. Em meio a tantos segredos e dúvidas, Megan deve descobrir a verdade sobre Megami e, acima de tudo, sobre si mesma. Reverso é a conclusão da história em Inverso, a jornada de uma garota em busca de sua própria identidade. Para proteger quem mais ama, Megan enfrentará seus maiores temores e irá compreender seus sentimentos mais profundos. Mas será que ela é assim tão diferente da garota que a encara do outro lado do espelho?"

Na continuação de Inverso (leia resenha aqui), reencontramos Megan e seu conflito com o mundo que existe do outro lado do espelho. Depois de perder a mãe para um câncer e passar a viver apenas com o pai e a irmã mais nova, ela descobre que pode ter uma vida totalmente diferente se atravessar o espelho do antigo quarto da mãe. Lá, do outro lado, tem uma família igual a sua, onde a mãe ainda vive, e uma menina que é totalmente o oposto de Megan, Megami, que parece ser má e cheia de problemas.

O conflito está na decisão que Megan tem que tomar: se atravessar novamente o espelho, poderá ter tudo o que sempre quis: a mãe presente, o pai e a irmã, como uma família feliz. Apesar daquela família estar em conflito, Megan acredita que eles podem voltar a viver em harmonia. Porém, para isso, ela terá que deixar o pai e a irmã de verdade aqui, desse lado do espelho, e seu melhor amigo da vida toda, Daniel.

Para reforçar suas dúvidas, Megan descobre que tem um câncer exatamente igual o da mãe, no cérebro, inoperável. Ela e o pai passam a viver na expectativa de que ela se cure, e não acabe morrendo como aconteceu com sua mãe. Mas enquanto Megan tenta lutar contra a doença, Megami continua a chamá-la pelo espelho, oferecendo uma vida sem a doença, enquanto ela assumiria o lugar de Megan  e passaria a viver em paz com a família que restou.

"- É câncer, certo? Eu tenho a porcaria de um tumor na droga da minha cabeça.
Ela sentiu os olhos do pai sobre si, mas fingiu não ver. Não naquele momento. Megan não poderia encarar aqueles olhos desesperados; começaria a chorar ali mesmo e a última coisa que desejava naquele momento era chorar. Precisava ser prática e objetiva, coisa que sabia que sua mãe nunca tinha sido." (página 36)

Enquanto o tumor cresce e faz Megan desejar atravessar o espelho para se livrar dele, ela começa a ler o antigo diário da mãe, onde ela conta em detalhes algumas das passagens que fez para o outro lado, da vontade que tinha de também viver lá, onde era saudável, mas que a troca teria um preço muito alto, que ela não estava disposta a pagar.

A realidade atinge Megan em cheio, e ela tenta a todo custo encontrar uma solução tanto para sua doença e morte eminente, quanto para os problemas de Megami, para que ela a deixe em paz aqui desse lado. Megan descobre que também teria que abrir mão de alguém que ama muito para colocar as coisas em seu lugar e voltar a viver com saúde, mas ela tem medo. É lindo ver o crescimento da personagem, reconhecer sua superação e a vontade que ela tem de continuar vivendo, a qualquer preço.

"Assim que Megan atravessasse o espelho, jamais veria novamente o rosto de sua mãe daquele jeito. Tão próximo. Jamais sentiria seu toque novamente. Jamais ouviria sua voz.
Megan perderia sua mãe, para sempre." (página 137)

O problema é que qualquer decisão que ela tome irá afetar as pessoas ao seu redor, e também a sua versão que mora dentro do espelho. O leitor sofre junto com a protagonista enquanto ela tem que decidir que direção tomar, e também pode sentir o drama que cerca Megami, do outro lado do espelho.

A superação e o autoconhecimento dão o tom à narrativa, e o leitor torce para que Megan consiga tomar a melhor decisão possível, apesar das perdas que poderá ter. Reverso é uma história complexa, cheia de sentimentos, drama e amor, mas que se torna simples e próxima de alguns sentimentos que temos no nosso dia a dia. A escrita da autora é bem fluida, o que torna a leitura tão agradável que, quando o leitor percebe, já está no fim do livro. Recomendo a leitura para todos que gostam de uma boa trama, cheia de sofrimento e com final feliz.


Reverso
Karen Alvares
editora Draco
148 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 4.8


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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mais leve que o ar [Resenha]

onde comprar: Loja da Lote 42

"Há algo fascinante, romântico e trágico no Reino de Amberlin. A jovem druida Melissa se apaixona por Pablo, um talentoso inventor que ousou fazer o homem voar, proeza que nem mesmo o mais poderoso feitiço poderia conceber. Magia, amor e mistério amarram a aventura de Mais leve que o ar" de Felipe Sali, autor prodígio da internet que agora expande seu horizonte no universo do papel."

Esse é um livro romântico, no sentido mais amplo da palavra. Uma narrativa leve, doce, terna, que envolve o leitor desde a primeira linha.

No Reino de Amberlin, as mulheres são proibidas de praticar sua magia em público, por isso, vão a um mosteiro para estudar e praticar. A protagonista, Melissa, tem o dom de conjurar flores, e a parte das jovens que frequentam o mosteiro. Fora isso, e o fato de ter sete irmãs, sua vida é bem pacata e normal, até o dia em que ele conhece Pablo, um garoto misterioso e intrigante, que aparece do nada e chama a sua atenção imediatamente.

O que ela não sabe - e, aparentemente, só ela - é que Pablo é da realeza de Amberlin. Filho do rei, ele assumiu o papel do pai na administração quando esse ficou muito doente e debilitado. Mas quando ele está com Melissa, nada disso parece importar, pois ele é tão simples e atencioso que nem parece viver num mundo totalmente diferente do dela. Melissa não fica deslumbrada pela riqueza do garoto, nem pelo poder que ele exerce sobre todas as pessoas, e isso torna a relação deles muito especial.

Melissa e Pablo passam a se encontrar todos os dias, e ele revela para ela seus maiores segredos: está construindo uma máquina voadora, que é o projeto de sua vida, e tem um dragão anão chamado Magrelo, que vive escondido num canto escondido da propriedade real. Assim, eles passam a compartilhar as situações mais fofas e românticas já imaginadas, e vão construindo uma relação de confiança, amizade e amor.

"- Eu tenho. A meu ver, você deve fechar os olhos para escrever bem.
- Escrever de olhos fechados?
- Sim.
- Como?
- Vou provar isso com uma experiência."
(página 70)

Pablo é uma pessoa especial, que só quer ser feliz, ver as pessoas bem, e realizar seu sonho de voar. Ele praticamente não dá a minima para toda a pompa real, e os momentos que passa com Melissa são aqueles em que ele pode ser ele mesmo, sem medo de que tenha alguém olhando ou que esteja quebrando algum tipo de protocolo.

Por outro lado, Melissa se apaixona cada dia mais pela personalidade de Pablo, e entende totalmente seu amor pela máquina que está construindo. Mas a certa altura, ela conhece a única mulher que pode abalar seu namoro com Pablo: a princesa Isabel, mulher linda e perfeita, que foi criada com ele e que ainda nutre algum sentimento pelo príncipe.

Há esse conflito amoroso movendo o enredo e uma outra trama paralela, que envolve a briga pela máquina voadora de Pablo. Alguns outros reinos querem usá-la numa guerra, e essa é a única coisa que ele proíbe veementemente. Esses dois conflitos serão decisivos para o fechamento da história, logo depois que uma grande tragédia atinge os personagens.

Esse é um livro que faz chorar, então, se preparem. O namoro de Melissa e Pablo é lindo, e cada minuto que eles passam juntos parece poético e perfeito. Mas há um mundo ao redor deles, e nele as pessoas são ambiciosas e más. O amor pode ser suficiente para manter a paz? A máquina voadora poderá trazer apenas alegria, como sonha seu idealizador?

"Existe uma coisa da qual esses bastardos podem ter certeza: a minha máquina voadora nunca servirá à guerra. Nunca colocarão as mãos nela." (página 65)

A cada página o leitor entre num universo totalmente diferente, mas que tem pequenos toques da nossa realidade, com algumas críticas leves à fatos e costumes arraigados na nossa cultura, como por exemplo, a crença de que a mulher é frágil e precisa ser totalmente submissa ao homem. Mas isso é apenas uma alfinetada básica, não sendo o foco principal na trama. O importante na obra de Felipe Sali é como o amor vence barreiras, e como ele pode ajudar uma pessoa a se conhecer realmente. O amor constrói o que há de mais belo no mundo, mas precisa ser vivido.

Essa foi a segunda vez que li Mais leve que o ar; conheci a obra quando ela ainda estava apenas no Wattpad, e me apaixonei imediatamente. A história tem um ar poético que eu adoro, e cheia de ternura em cada parágrafo. Cada encontro entre Pablo e Melissa é uma viagem, e dá vontade de viver um amor como o deles.

"Eu contei qual era a minha cor preferida - violeta.
Ele contou que construiu esse balão sozinho.
Eu contei que pretendo me tornar professora.
Ele me contou uma piada.
Eu ri.
Ele falou que gostava dos meus olhos.
Eu agradeci.
Ele falou que estava com vontade de me beijar.
Eu beijei."
(página 18)

A escrita de Sali é exatamente como eu imagino que ele seja, doce, cheia de amor. Mas além de carregar a narrativa de beleza, ele consegue usar muito bem o método show, don't tell (mostre, não conte), principalmente no final, quando não é preciso ser dito o que está para acontecer, pois está descrito nas entrelinhas e nas atitudes das personagens.

O trabalho da Lote 42 está fascinante: desde a arte da capa, que é cheia de detalhes da máquina voadora, até o interior, com a diagramação das páginas, as divisões entre os capítulos e a transição da primeira para a segunda parte. Além disso, a capa é dobrável, e dentro dela há uma imagem linda de todo reino de Amberlin.

Vale a pena a leitura de cada página, lentamente, para que se possa absorver todo o amor e a poesia dessa história única e atemporal, que eu tenho certeza que vai conquistar todos os leitores. 


Mais leve que o ar
Felipe Sali
editora Lote 42
160 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 5.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Novembro, 9 [Resenha]


"Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história  de amor mesmo se terminar em corações partidos?"

Toda vez que pego um livro da Colleen, começo a ler com a expectativa muito alta, e ela nunca me decepciona. Mais uma vez, com Novembro, 9, passei uma madrugada inteira enfeitiçada pelas palavras dela, pela história triste e encantadora que ela criou, e novamente pensei que tudo o que eu quero é também conseguir criar um romance assim.

A protagonista foi vítima de um incêndio, que queimou boa parte de seu corpo, inclusive um lado do rosto, deixando-a com cicatrizes que ela tenta a todo custo esconder. Por isso, sua autoestima não existe mais, e ela se acha feia e quase inútil para qualquer outra coisa, até para continuar seu antigo trabalho de atriz.

O acidente ocorreu no dia 9 de novembro, quando ela tinha dezesseis anos, e agora, com dezoito, Fallon ainda culpa o pai pela tragédia que a desfigurou. No dia do segundo aniversário do incêndio, ela conhece aquele que ia mudar totalmente sua vida, da forma mais inusitada possível: Ben, o jovem escritor que tem a sua idade, e que a faz começar a ver sua própria condição de forma diferente.

Ben é um fofo, como costumam ser os homens nos romances da Colleen, e é impossível não se apaixonar por ele: seguro, diz a coisa certa na hora certa, valoriza a beleza interior de Fallon e não liga para suas cicatrizes. Além disso, ele beija muito bem, e a trata como se ela fosse a mulher mais linda do universo.

"Ele me beija como se quisesse que este beijo fosse lembrado. Por qual de nós dois, não sei, mas deixo que ele receba o máximo que pode deste beijo e dou o máximo que tenho. E é perfeito. Ótimo. Ótimo de verdade." (página 83)

Mesmo estando ainda insegura com sua aparência, Fallon, começa a ouvir os incentivos de Ben, e as palavras dele a ajudam a quebrar o muro que ela mesma construiu a sua volta, isolando-a do mundo. Mas, como nada é perfeito, eles se encontram exatamente na véspera da mudança dela para o outro lado do país, e eles sabem que a despedida será inevitável. Mas a energia entre eles é tão boa que acabam fazendo um trato: voltar a se encontrar no mesmo dia, hora e local pelos próximos cinco anos, sem manter nenhum tipo de contato até lá. Enquanto isso, Ben promete que vai escrever a história deles e pede que Fallon viva a vida normalmente, se valorize e nunca deixe ninguém menosprezar sua aparência.

É estranho, mas nos dois primeiros anos, o reencontro dá certo, e eles vão se apaixonando cada vez mas, ainda que lutem bastante contra isso. Como cinco anos é muito tempo, coisas inesperadas acontecem, e acabam atrapalhando os planos do casal. Ainda assim, eles vão mantendo uma relação que envolve paixão e algumas perguntas que nunca têm respostas. Aos poucos, conforme vão amadurecendo, começam a enxergar tanto a beleza quanto a loucura do namoro estranho que vivem, mas não querem desistir de levar o combinado até o fim, quando terão vinte e três anos.

Como o livro é narrado em primeira pessoa, intercalando um capítulo na visão de cada personagem, a dinâmica de leitura fica ainda mais interessante, pois é possível conhecer os dois lados da história, e entender os sentimentos de Fallon e Ben, assim como suas reações às dificuldades pelas quais passam o tempo todo.

Ao longo da leitura, uma mistura de sentimentos toma o leitor: a paixão dos personagens, a dor de Fallon por causa de sua aparência e do acidente que impediu que ela voltasse a atuar, a ansiedade pelo reencontro e a torcida para que o final seja feliz. Mas além de tudo isso, há trechos que dão um chacoalhão na gente. A essência da história é que devemos agradecer a vida a cada dia, e aproveitar o milagre que nos foi concedido.

O final é uma agonia só. Enquanto Fallon descobre todos os segredos de Ben e se decepciona ao imaginar que foi usada o tempo todo, podemos conhecer a versão dele dos fatos, e tudo é muito bem explicado e aceitável, tornando impossível que o leitor não deseje um felizes para sempre.

"Rio, aliviado, porque ela... simplesmente existe. E porque temos sorte suficiente de existir na mesma época, na mesma região do mundo, no mesmo estado. E depois de todos esses anos, surpreendentemente eu não mudaria nada do que, no fim das contas, nos uniu." (página 254)

Eu amei o toque de poesia que a narrativa tem, e também as referências ao livro Um dia, que também conta a história de um casal que se reencontra sempre na mesma data. A escrita da Colleen é muito fluida e envolvente, e não dá mesmo para largar o livro antes do final. A verdade é que sou apaixonada pelos romances da autora, e sempre recomendo para todos que querem ler uma boa história de amor, sofrimento, drama e final feliz. Cinco estrelas merecidíssimas.


Novembro, 9
Colleen Hoover
editora Galera Record
352 páginas
nota no Skoob:
nota do blog: 5.0


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