No último dia 12 a minha banda preferida de todos os tempos, Titãs, lançou seu mais recente trabalho, batizado de "Nheengatu", onde é possível perceber uma volta da banda às suas origens mais rock'n'roll, com guitarras pesadas e letras de protesto e que criticam o modelo de sociedade, remetendo ao seu álbum clássico, "Cabeça Dinossauro", de 1986, e se distanciando bastante de "Sacos Plásticos", de 2009, muito criticado por mostrar um lado dos Titãs mais pop do que verdadeiramente rock.
Segundo explicação do próprio quarteto, a palavra Nheengatu que dá nome ao álbum "significa Língua Geral, compilação que os jesuítas fizeram no século XVII dos diferentes dialetos indígenas brasileiros para que os índios e portugueses se entendessem". Ao ouvir o CD fica claro o motivo de terem escolhido esse termo: as faixas também são como um mix de linguagens distintas, mas que juntas formam um retrato da sociedade em que vivemos, falando sobre assuntos que podem causar em alguns momentos espanto ou revolta, passando desde a homofobia, a pedofilia até os diálogos vazio praticados diariamente nas redes sociais. Não poderia ser mais atual.
Com esse trabalho fica claro que os tiozões ainda têm muita lenha para queimar, e que jamais abandonaram sua essência rock, ainda que por vezes tenham se distanciado um pouco do gênero. A guitarra de Tony Bellotto continua afinada e a bateria de Mario Fabre dá o tom rebelde às canções. Se revezando nos vocais e nas composições, Tony, Brito, Branco e Paulo Miklos dão conta do recado e conseguem presentear seus fãs com um álbum crítico e inovador.
Destaco três faixas que me chamaram bastante a atenção e que, acredito, estarão entre as mais comentadas desse CD:
Ouvindo "Fardado" é impossível não lembrar de "Polícia", talvez por terem o mesmo vocalista ou talvez por abordarem um mesmo assunto, ainda que a primeira seja quase uma antítese da segunda, onde, lá na distante década de 80, Sérgio Brito gritava "polícia pra quem precisa", e agora, depois de tanto tempo, ele pede que o policial use a farda para servir e proteger.
O tom sombrio da faixa "Pedofilia" é de dar arrepios: com uma voz gutural, Brito canta "ele disse eu tenho um brinquedo, vem aqui vou mostrar pra você", e a canção toda segue nesse ritmo agoniante, como se uma criança estivesse contando sobre o abuso sexual que sofreu, e agora só conseguisse sentir nojo de si mesma. É a realidade nua e crua sendo exposta, chocando os ouvintes, com a intenção de alertar e proteger contra esse crime imbecil.
De cara a minha preferida foi "Fala Renata", com seu riff de guitarra marcante e, mais uma vez a voz singular de Brito, a música tem refrão fácil de cantar e que com certeza vai fazer sucesso nos shows, além de ser uma crítica inteligente e divertida às conversas sem conteúdo que atualmente pontuam as redes sociais.
Além de todas as faixas impactantes, os Titãs incluíram no repertório um cover de Walter Franco, cantor famoso na década de 70, "Canalha", que casou perfeitamente com a proposta do álbum.
Ouçam agora todas as faixas do CD "Nheengatu":
1. Fardado
2. Mensageiro da desgraça
3. República dos bananas
4. Fala, Renata
5. Cadáver sobre cadáver
6. Canalha
7. Pedofilia
8. Chegada ao Brasil (Terra à vista)
9. Eu me sinto bem
10. Flores pra ela
11. Não pode
12. Senhor
13. Baião de dois
14. Quem são os animais?
Além de todas as faixas impactantes, os Titãs incluíram no repertório um cover de Walter Franco, cantor famoso na década de 70, "Canalha", que casou perfeitamente com a proposta do álbum.
Ouçam agora todas as faixas do CD "Nheengatu":
1. Fardado
2. Mensageiro da desgraça
3. República dos bananas
4. Fala, Renata
5. Cadáver sobre cadáver
6. Canalha
7. Pedofilia
8. Chegada ao Brasil (Terra à vista)
9. Eu me sinto bem
10. Flores pra ela
11. Não pode
12. Senhor
13. Baião de dois
14. Quem são os animais?
No canal oficial do Titãs no Youtube tem uma entrevista bacana com eles, explicando faixa a faixa o CD e também falando um pouco sobre a criação das músicas. Passem por lá ;)
Não se esqueçam de comentar e deixar suas opiniões sobre as músicas. Quero saber o que vocês acharam.











































