"Este livro, estreia impressionante de um jovem talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado no hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora."
Esse livro pode ser chocante para algumas pessoas. Mas também pode ser visto por alguns leitores como uma narrativa ousada, mas que não assusta. Claro que o assunto é polêmico: um pastor evangélico que se descobre gay e que narra suas desventuras em busca da satisfação pessoal e a dúvida sobre se o que faz é certo ou errado. Só isso já daria uma boa discussão, mas o autor vai além, e conta em detalhes algumas das situações mais intensas vividas por seu personagem.
O protagonista escancara todos os seus sentimentos mais íntimos, enquanto questiona o posicionamento da igreja frente a natureza humana, ao ser diferente e tentar ser aceito sem transgredir suas regras. O próprio autor em algumas entrevistas revelou que passou um longo período de sua vida dentro da igreja, bastante atuante, até que começou a perceber que, em alguns casos, a única coisa que importava para a instituição igreja era que o fiel seguisse suas ordens, agisse sob seus termos, e anulasse sua verdadeira identidade para viver de acordo com o que a igreja prega. Foi que ele passou a questionar se isso era certo.
É possível identificar no personagem essa insatisfação com a igreja, e uma tentativa de alinhar aquilo que ele acredita, ou seja, sua fé em Deus, com aquilo que ele precisa fazer, que é assumir seus desejos mais primitivos, e só assim ser totalmente feliz. Esse medo de estar vivendo em pecado enquanto sente que está se satisfazendo plenamente martiriza o pastor o tempo todo, e faz com que ele questione suas próprias escolhas. Mas também não o impede de buscar o prazer a qualquer preço.
Mas certamente o que vai chocar o leitor são os detalhes mínimos da vida sexual do pastor: desde o descobrimento da sua homossexualidade até a primeira vez que ele tem uma relação com outro homem. Ele também fala sobre as dificuldades em manter um relacionamento com a esposa, sem que ela perceba que ele é gay. Com ela o pastor teve filhos e passou alguns anos tentando viver como manda a sociedade, mas como não conseguia fugir de sua natureza homossexual, ele mantinha casos extraconjugais.
O ponto forte do livro é sem dúvida o estilo narrativo adotado pelo autor: ele escreve no estilo diário, fazendo registros sem uma linha temporal definida, ou seja, hora ele usa o tempo presente, falando sobre como está o pastor naquele exato momento em que escreve suas memórias, sentindo que seus dias estão chegando ao fim, hora ele afla no passado, contando coisas que já aconteceram, desde a sua infância até agora. Intercalando os tempos, aparentemente sem critério algum, o autor conseguiu construir sua própria linha temporal, amarrando um capítulo no outro, de forma que eles façam sentido entre si e que a estória vá se desenvolvendo até o que seria o fim da linha para o pastor.
Por ser um livro de estreia, ele merece respeito. A narrativa é inteligente e dá para perceber que o autor teve grande cuidado ao conceber essa obra. A polêmica maior fica por conta de quem segue uma religião e pode discordar das atitudes do pastor, o que não é o meu caso. Talvez por isso eu tenha conseguido enxergar a estória com o olhar de um leitor, e não de um membro atuante desse ou daquele seguimento religioso. Cada leitor vai perceber a estória de uma perspectiva própria, e por isso é recomendado que todos o leiam, independente da sua crença, e que tenham a mente aberta, sabendo que se trata de uma obra literária.
Esse livro pode ser chocante para algumas pessoas. Mas também pode ser visto por alguns leitores como uma narrativa ousada, mas que não assusta. Claro que o assunto é polêmico: um pastor evangélico que se descobre gay e que narra suas desventuras em busca da satisfação pessoal e a dúvida sobre se o que faz é certo ou errado. Só isso já daria uma boa discussão, mas o autor vai além, e conta em detalhes algumas das situações mais intensas vividas por seu personagem.
O protagonista escancara todos os seus sentimentos mais íntimos, enquanto questiona o posicionamento da igreja frente a natureza humana, ao ser diferente e tentar ser aceito sem transgredir suas regras. O próprio autor em algumas entrevistas revelou que passou um longo período de sua vida dentro da igreja, bastante atuante, até que começou a perceber que, em alguns casos, a única coisa que importava para a instituição igreja era que o fiel seguisse suas ordens, agisse sob seus termos, e anulasse sua verdadeira identidade para viver de acordo com o que a igreja prega. Foi que ele passou a questionar se isso era certo.
É possível identificar no personagem essa insatisfação com a igreja, e uma tentativa de alinhar aquilo que ele acredita, ou seja, sua fé em Deus, com aquilo que ele precisa fazer, que é assumir seus desejos mais primitivos, e só assim ser totalmente feliz. Esse medo de estar vivendo em pecado enquanto sente que está se satisfazendo plenamente martiriza o pastor o tempo todo, e faz com que ele questione suas próprias escolhas. Mas também não o impede de buscar o prazer a qualquer preço.
Mas certamente o que vai chocar o leitor são os detalhes mínimos da vida sexual do pastor: desde o descobrimento da sua homossexualidade até a primeira vez que ele tem uma relação com outro homem. Ele também fala sobre as dificuldades em manter um relacionamento com a esposa, sem que ela perceba que ele é gay. Com ela o pastor teve filhos e passou alguns anos tentando viver como manda a sociedade, mas como não conseguia fugir de sua natureza homossexual, ele mantinha casos extraconjugais.
O ponto forte do livro é sem dúvida o estilo narrativo adotado pelo autor: ele escreve no estilo diário, fazendo registros sem uma linha temporal definida, ou seja, hora ele usa o tempo presente, falando sobre como está o pastor naquele exato momento em que escreve suas memórias, sentindo que seus dias estão chegando ao fim, hora ele afla no passado, contando coisas que já aconteceram, desde a sua infância até agora. Intercalando os tempos, aparentemente sem critério algum, o autor conseguiu construir sua própria linha temporal, amarrando um capítulo no outro, de forma que eles façam sentido entre si e que a estória vá se desenvolvendo até o que seria o fim da linha para o pastor.
Por ser um livro de estreia, ele merece respeito. A narrativa é inteligente e dá para perceber que o autor teve grande cuidado ao conceber essa obra. A polêmica maior fica por conta de quem segue uma religião e pode discordar das atitudes do pastor, o que não é o meu caso. Talvez por isso eu tenha conseguido enxergar a estória com o olhar de um leitor, e não de um membro atuante desse ou daquele seguimento religioso. Cada leitor vai perceber a estória de uma perspectiva própria, e por isso é recomendado que todos o leiam, independente da sua crença, e que tenham a mente aberta, sabendo que se trata de uma obra literária.
Ovelha, memórias de um pastor gay
Gustavo Magnani
editora Geração Editorial
232 páginas
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 3.5
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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen























