segunda-feira, 15 de julho de 2013

Um pouquinho de...


"- Oh, oh! Mais uma cartinha? Quantas já escreveu para Cristiano? Cinco? Dez?
- Cala a boca!
O inimigo rachado ria-se sério, como se fizesse de cada escárnio uma bofetada. Esbofeteada, surrada por ela mesma, Isabel punha no papel todo o tormento e toda a paixão que a perseguiam, que aumentavam a cada dia e a cada carta que renovava o namoro de Rosana e Cristiano. O mesmo papel que, mais uma vez seria entregue pela amiga ao seu querido. E que serviria para aumentar a paixão de um lado e o tormento de outro.
'Ah, tormento que eu não posso confessar...
o que eu escrevo é verdade, eu não minto,
eu declaro tudo aquilo que eu sinto,
e é a outra que teus lábios vão beijar...
Sei que quantomais verdade tem no escrito,
mais distante eu te ponho dos meus braços,
pois desenho o paralelo de dois traços
que na certa vão perder-se no infinito.
Estes versos feitos pra te emocionar
justificam todo o amor que tens por ela
e as carícias que esses dois amantes trocam,
E eu te excito, sem que venhas a notar
que esses lábios que tu beijas são os delas,
mas são minhas as palavras que te tocam...'
- Não! Onde estou com a cabeça? Não posso entregar isto! Cristiano não pode saber que... Nunca! Eu prometi. Preciso escrever outra carta. Outra carta... Ah, Cristiano, eu morro..."


A marca de uma lágrima
página 29

sábado, 13 de julho de 2013

Dia mundial do rock \m/

Hoje não é sexta de música aqui no blog, mas peço licença aos leitores pois 'É dia de ROCK, bebê!!!!!"


Estamos comemorando o Dia Mundial do Rock e, apesar de a MTV achar que o rock morreu,  nós rockeiros continuamos aqui para provar o contrário! Nenhum estilo musical morre: assim como tudo na vida, a música também vive de ciclos, vários já passaram e continuarão passando eternamente. Ás vezes um certo estilo fica meio de lado, apreciado apenas por aqueles admiradores mais fervorosos e fiéis, enquanto outra moda fica em evidência, e o rock está passando por essa fase agora. Além disso, o sucesso desse ou daquele estilo depende das pessoas que o ouvem. Por exemplo: rock para mim é aquele que eu cresci ouvindo, que eu curtia quando tinha 15 anos, mas, para quem tem essa idade hoje, o rock pode ser a música feita por Fresno, NXZero, Simple Plan, Cine e até Restart. Cada um tem um gosto ;)


Mas como vocês podem ler ai no meu perfil, eu gosto de rock, e hoje contar para vocês quais as minhas bandas preferidas e fazer a elas uma pequena homenagem.


Podem me julgar, mas não curto muito Metallica, não gosto do Iron Maiden, Pink Floyd, Doors, Black Sabbath nem Led Zeppelin. Ok, eles têm uma ou outra música que me chama a atenção, mas no geral, não fazem meu estilo.

Prefiro músicas mais rápidas, daquelas que levantam a plateia nos shows, que nos fazem querer pular em casa quando as ouvimos. Nesse estilo posso citar Ramones, Clash, Sex Pistols, Green Day, Slipknot e System of a Down.


Outras bandas está há muito, muito tempo na estrada, e vêm fazendo parte de toda a minha vida, como Rolling Stones, Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers e U2 (de quem o fdp Sambô estragou para sempre a clássica 'Sunday Bloody Sunday'):


E aquelas que não estão mais enter nós? Também têm seu espaço na história do rock e no meu coração: Nirvana, Beatles, Guns'n'Roses e Rage Against the Machine:


E não posso deixar de falar das bandas nacionais que moram no meu coração: Titãs, Raimundos, Ira!, Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Camisa de Vênus e Engenheiros do Hawaii:


Vou finalizar a homenagem com um vídeo de uma banda que eu adoro e que vem mostrando há alguns anos porque merece ser uma das mais importantes do cenário rock atual. O Foo Fighters, com seu vocalista Dave Grohl não só ocupou o espaço deixado pelo Nirvana quando Kurt Cobain morreu como conquistou novos fãs, e sabe fazer rock como poucos:


O site "O guia dos curiosos" tem várias curiosidades sobre o Dia Mundial do Rock e outras coisas interessantes sobre o universo rockeiro, como a origem de algumas bandas, casos de plágio e a linha do tempo do rock. Vale a pena conferir e ficar bem informado (clique aqui, aqui, aqui e aqui).

É isso. Para todos aqueles que curtem o bom e velho roc'n'roll, hoje é um dia de festa, e espero que tenham gostado dessa pequena homenagem feita aqui. Como dizem os Rolling Stones: "I know, it's only rock and roll (but I like it)".






sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sexta de música #29

Sabe quando você ouve uma música que conhece há tempos, mas que passou anos sem ouvir e de repente se dá conta de que ela sempre fez parte da sua vida? Passei por isso essa semana: fui a um espetáculo de dança e um grupo de bailarinos usou na sua performance a música "Somebody to love", do Queen, e eu pensei "adoro essa música, mas há quanto tempo não a ouvia!". 


O studio "A Cia. da Dança", com seu coreógrafo Zeca Rodrigues, usou a versão feita pelo pessoal da série "Glee", que eu não conhecia, mas também achei muito boa:


Então fui pesquisar: a música, composta por Fred Mercury, foi gravada no álbum "A day at the races", de 1976, quinto trabalho de estúdio do Queen, que também trazia a faixa "Tie your mother down".


O legal dessa música é que ela é muito versátil, exatamente por ter esse ar de coral gospel, com os backing vocals dando suporte a voz inconfundível de Fred Mercury e também por seu ritmo crescente que vai envolvendo o ouvinte e para, de repente, deixando apenas os sussuros das vozes de apoio entoando o refrão: "... find me somebody to love..."


A letra também ajuda a dar essa sensação de estar numa capela americana ouvindo o coral local. à música. Acompanhem um trecho dela:


Outra versão que ficou muito interessante foi a feita para o filme "Happy Feet" (Warner Bros. Pictures, 2006) e interpretada pela atriz Britany Murphy:


Em um concerto realizado em 1992 em homenagem a Fred Mercury, George Michael também interpretou essa canção, num Wembley lotado de fãs da banda Queen:


É certo que o Queen tem seu lugar de honra na história do rock, mas essa música em especial me traz algumas recordações da infância e da adolescência, quando ainda sonhava em viver da dança, e dava meus primeiros passos no mundo literário, escrevendo textos inocentes e poemas apaixonados.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Quem é você, Alasca? - resenha



"Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras - e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola a procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez. 'Quem é você, Alasca?' narra de forma brilhante o impacto indelével que uma vida pode ter sobre outra. Este livro marca a chegada de John Green como uma voz importante na ficção contemporânea."

Quando terminei a leitura não sabia o que dizer. Na verdade, um pouco depois da metade do livro, após o ápice da estória, eu parei de ler e fui refletir sobre o que já tinha acontecido e, principalmente, sobre o que ainda poderia estar por vir.

Com um começo meio lento, a narrativa vai se desenvolvendo aos poucos, com acontecimentos que, à primeira vista, parecem não ser muito relevantes, mas todo e qualquer detalhe da estória, por mais ínfimo que seja, será muito importante no final.

Miles foi para o colégio Culver Creek a fim de mudar sua vida e encontrar o seu "Grande Talvez", e assim que chegou conheceu seu colega de quarto, o Coronel, que sempre tentava parecer forte e decidido, mas que no fundo é apenas mais um jovem confuso e carente. Depois, o Coronel o apresenta a Alasca, uma garota super descolada, por quem Miles se apaixona imediatamente, e mais tarde descobre que a menina mescla momentos de uma segurança inabalável com outros de total confusão de sentimentos e afastamento da realidade.

A convivência dos três é permeada por transgressões às rígidas regras do colégio, como beber, fumar ou ficar nos quartos uns dos outros depois do horário permitido, e de momentos descontraídos, quando fazem aquilo que se espera de jovens da sua idade: conversam sobre o futuro, jogam video game e fazem tentativas frustradas de entender o amor.

O sentimento de Miles por Alasca aumenta a cada dia, mas a menina sempre deixa bem claro que tem um namorado, que mora longe, mas que é totalmente fiel a ele. Por isso, ele sabe que só terá dela a amizade.

Miles coleciona últimas palavras de pessoas famosas, e essa é uma das suas características mais marcantes, além de ser um nerd inseguro e sem amigos. Mas aos poucos ele vai encontrando a si mesmo, com os ganhos e as perdas que a amizade do Coronel e de Alasca lhe proporcionam. Na verdade, todos os personagens têm o seu momento de descoberta, quando refletem sobre a própria vida e seus sentimentos mais profundos durante uma brincadeira inocente de perguntas e respostas, e é a partir daí que a estória começa a ficar mais interessante e o leitor passa a entendê-los melhor.

John Green já mostra nesse romance de estreia seu estilo simples de conquistar o leitor, com um personagem que à primeira vista parece sem graça, mas que se revela um grande pensador, uma pessoa capaz de falar sobre nossos maiores medos ou nossas grandes dúvidas existenciais de maneira leve, mas que nos fazem refletir sobre nossa própria realidade. Acho que aqui ele já tinha alguma ideia na cabeça para "A culpa é das estrelas", e já começou a testar nossa capacidade de nos emocionarmos com suas personagens.

Pelo título do livro tive a impressão de que a estória giraria em torno da Alasca, ou seria muito focada no romance entre ela e Miles, mas não: John Green usa a  instabilidade dessa personagem para desenvolver os outros, criando uma trama cheia de momentos de reflexão, e que exalta a amizade acima de tudo, a união e a cumplicidade entre Miles e Coronel e o aprendizado que essa convivência lhes proporciona.

O livro tem linguagem simples e a leitura é rápida. Mas preparem-se para fortes emoções e até algumas lágrimas, reações que vêm se tornando típicas nos romances de John.

Quem é você, Alasca?
John Green
editora Martins Fontes
229 páginas

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ele é o cara #24

Os escritores nacionais nem sempre são reconhecidos como merecem, e muitos têm trabalhos tão incríveis que podem marcar para sempre a vida dos leitores, assim como aconteceu com "A culpa é das estrelas", de John Green. Um escritor que conseguiu fazer isso com seu livro de estreia foi Marcelo Rubens Paiva, e ele é nosso cara de hoje:


Se você ainda não leu "Feliz ano velho", recomendo que o faça rapidamente. O livro fala sobre o acidente sofrido por Marcelo quando estava na faculdade, que o deixou paraplégico. A narrativa mostra como é possível continuar vivendo, ainda que com muitas dificuldades, depois de perder o movimento das pernas. É emocionante e deixa a todos uma lição de vida.


Eu sempre ouvia comentários sobre esse livro, e tinha uma curiosidade enorme para saber do que ele falava realmente, já que eu não conseguia relacionar o título com uma história triste. Então, um dia o encontrei na biblioteca municipal, e acho que devo ter terminado de ler em 2 ou 3 dias. Fiquei durante muito tempo refletindo sobre o que aconteceu com o Marcelo e como seria a minha vida se o acidente tivesse acontecido comigo. Será que eu teria a mesma força de vontade que ele teve? Se hoje em dia já é complicado para cadeirantes se locomoverem nas ruas, imagine em 1979... 

Mesmo dizendo várias vezes que não é exemplo algum, nem mesmo herói de ninguém, acho que para a maioria dos leitores de "Feliz ano velho" ele passa a ser uma referência sim, de força, superação e bom humor.

O livro já foi adaptado várias vezes para o teatro e também ganhou sua versão para os cinemas em 1987.


Esse livro foi o best seller da década de 80 e ganhou um prêmio Jabuti, além de ter sido traduzido para vários idiomas. 

Quando sofreu o acidente, Marcelo cursava Engenharia Agrícola na Unicamp, mas não terminou o curso. Mais tarde, ele se formou em Comunicação pela Universidade de São Paulo, e, aqui mora minha inveja eterna, em Teoria Literária, também pela Unicamp.

Seu segundo livro também é um clássico da nossa literatura: "Blecaute", lançado em 1986, conta uma estória alucinante onde todas as pessoas estão paralisadas e restam apenas 3 adolescentes vivos no mundo. Eles passam por vários momentos engraçados, mas também por situações muito complicadas, além de viverem numa busca contínua por outras pessoas vivas.


Então eu tinha acabado de ler "Feliz ano velho" e já comecei "Blecaute": loucura total! Viajei na estória de Rindu, e, acho que acontece com todo leitor, fiquei mais uma vez me imaginando no lugar daqueles três sobreviventes com uma São Paulo inteira a seu dispor, sem saber como aproveitar tudo aquilo e enlouquecendo com tanta solidão. Então, se você ainda não leu, pare tudo agora e leia!

Outros livros escritos por Marcelo são: "Ua:brari" (1990), "As fêmeas" (1992), "Bala na agulha" (1994), "Não és tu, Brasil" (1996), "Malu de bicicleta" (2004, adaptado para o cinema em 2010), "O homem que conhecia as mulheres" (2006), "A segunda vez que te conheci" (2008) e "E ai, comeu?" (2012) que também fez muito sucesso nas telonas.


Marcelo também escreve para o teatro: são suas as peças "Mais que imperfeito" e "Closet show", e também adaptou seu livro "O homem que conhecia as mulheres". Já atuou em alguns espetáculos, como  "No retrovisor", dirigido por Mauro Mendonça Filho e "Amo-te". Também dirige algumas peças, por exemplo "A noite mais fria do ano", e "O predador entra na sala".

O autor também já escreveu para a revista Veja como crítico literário, foi colunista na Vogue e na Folha de S. Paulo, e, atualmente, tem uma coluna no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo todo sábado.


Marcelo mantém um blog, onde fala sobre os mais diversos assuntos, sempre irreverente e muito atual. Clique aqui  e conheça.

Representando muito bem a literatura nacional, Marcelo Rubens Paiva está entre os escritores mais lidos do país, e também é um dos meu favoritos. Por isso, tem espaço garantido aqui no blog como "o cara"  :)


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um pouquinho de...


"Podemos fazer muitas críticas ao Alabama, mas uma coisa é certa: as pessoas lá não morrem de medo de fritura. Em minha primeira semana na Creek, o refeitório serviu galinha frita, filé de galinha frito e quiabo frito - o que marcou minha primeira incursão no delicioso mundo dos legumes fritos. Não me surpreenderia se também tivessem fritado folhas de alface. Mas nada se iguala ao bufrito, um prato criado pela Maureen, a cozinheira espantosamente (e compreensivelmente) obesa de Culver Creek. O bufrito, um burrito de feijão frito, era a prova definitiva de que a fritura sempre melhorava a comida. Naquela tarde, sentado com o Coronel e mais cinco rapazes desconhecidos numa mesa redonda do refeitório, enterrei os dentes no invólucro tostadinho do meu primeiro bufrito e tive um orgasmo gastronômico."

Quem é você, Alasca?
página 19