segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um pouquinho de...

"A única coisa que parecia nunca mudar era a cidade na hora da transição entre a tarde e a noite. Sempre ficava sombria, distante, ignorando o que se passava. Eram milhares de lares em toda a cidade, e alguma coisa estava acontecendo em todos eles. Havia um tipo de história em cada uma, mas independente. Ninguém mais sabia. Ninguém mais se importava, Ninguém mais sabia sobre Sarah Wolfe e Bruce Patterson, nem ligava para o tornozelo de Steven Wolfe. Ninguém mais, lá fora, rezava por eles ou rezava repetidas vezes por Rebecca Conlon. Ninguém.
Então percebi que havia apenas um eu. Havia apenas um eu que  podia se preocupar com o que estava acontecendo aqui, no interior das paredes da minha vida. Outras pessoas tinham os próprios mundos com os quais se preocupar e, no fim, tinham que cuidar delas mesmas, assim como nós."

(páginas 74/75, capítulo 6)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Misery [Resenha]


"Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz e se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery - Louca Obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo."

Depois que li a biografia de Stephen King, fiquei louca para ler todos os livros dele, e comecei logo por "Misery", que estava sendo relançado pela Suma de Letras, com essa capa linda. E que livro incrível!

Desde o primeiro parágrafo, o autor nos introduz num clima de agonia terrível, que perdura durante toda a leitura, e só vai crescendo a cada capítulo.

Uma mulher maluca, que se diz fã número um do escritor Paul Sheldon o encontra desmaiado dentro de seu carro após sofrer um acidente. Uma pessoa normal chamara a emergência, mas não uma louca como Annie Wilkes; ela pega Paul e leva para sua própria casa, onde, sob o pretexto de cuidar dele, o mantém refém, fazendo uso de remédios fortes e muita loucura.

Paul machucou muito as pernas no acidente e não consegue andar, então se vê obrigado a viver na mesma casa que Annie. Ela é uma ex-enfermeira misteriosa, que sofre de uma doença mental que a afasta de tudo e faz com que ela não se relacione com pessoas. Annie tem surtos que a deixam fora do ar em alguns momentos.

Essa doença não a impede de perpetrar as maiores maldades contra Paul, o que, aliás, conduz toda a trama: enquanto Annie prende Paul em sua casa, sob o pretexto de cuidar de seus ferimentos, ela exige que ele escreva um livro novo, só para ela. Paul tem uma série de livros muito famosa, cuja protagonista se chama Misery, que, no último volume, acabou morrendo no parto. Annie, como uma fã ardorosa, não aceitou a morte da personagem, e agora exige que Paul continue a estória, de forma bem convincente, fazendo com que Misery retorne.

De início, Paul não quer escrever, pois ele quer sair desse universo de Misery e criar novas estórias. Mas aos poucos ele acaba tendo ideias para um novo romance e acaba escrevendo novamente sobre Misery.

Mas claro que Paul não quer ficar prisioneiro de Annie, e tenta algumas coisas para sair da casa, mas a enfermeira é mais maluca do que qualquer um pode imaginar, e faz todo o tipo de coisa que possa humilhar Paul e mantê-lo sob sua custódia. Ela começa fazendo com que ele tome uma água suja e vai até mutilar o corpo do escritor, a fim de que ele termine o romance que está escrevendo para ela.

Só dizendo isso talvez eu não consiga transmitir para vocês o clima apavorante que ronda todo o livro: King desenvolve um drama psicológico que vai aumentando a cada página e nos mostrando o que de pior um ser humano pode passar nas mãos de outro, obcecado e sem escrúpulo nenhum. A certa altura do livro, o próprio Sheldon se cansa das ameaças de Annie, e acaba se entregando e vivendo cada minuto apenas para esperar sua morte. Ele até pede para que ela o mate logo, terminando de vez com seu sofrimento. E assim, o leitor também vai sofrendo com ele, e se vê desesperado para que o sofrimento de Paul termine, de um jeito ou de outro.

É impossível não odiar Annie Wilkes: depois de conhecer seu lado psicopata, o leitor não consegue sentir pena por sua deficiência, e a raiva toma conta. A agonia se dá a cada capítulo, pois ela vai ficando cada vez mais cruel e fria, aumentando o grau de maldade e torturando ainda mais o pobre escritor, que já não consegue ao menos saber se está são ou se está ficando louco também.

O ponto forte do livro é a combinação sutil entre todo o sofrimento e alguns momentos de alívio cômico, que vêm apenas para dar ao leitor um segundo para respirar, e, sem que ele perceba, vem mais maldade. King criou uma trama tão inteligente que mesmo que o leitor tente imaginar o próximo passo de Annie, ele vai se surpreender com o quanto ela pode ser má.

Em alguns momentos eu acreditei que Paul ia conseguir se vingar de Annie, mas a cada vez que parecia que ele ia conseguir, vinha outra ação intempestiva da enfermeira que derrubava qualquer teoria que eu pudesse ter imaginado.

Todo o clima de sofrimento e agonia torna o livro impossível de ser deixado de lado, e eu só queria ler sem parar, até conhecer o desfecho da estória. E quando cheguei ao final, me surpreendi novamente, e tive que deixar o livro de lado por alguns minutos antes de ler o último capítulo. Fiquei tão chocada com o que aconteceu quando faltavam umas 3 páginas para acabar, que achei que seria melhor refletir um pouco sobre antes de chegar ao final de verdade. Essa é uma reação a um final espetacular, que fecha toda a estória de forma brilhante, como poucos escritores conseguem fazer. A única vez que isso tinha acontecido comigo foi com "Blecaute", onde o próprio autor deixa o recado no final, pedindo para o leitor fechar o livro e esperar uma hora antes de ler as derradeiras páginas.

Se todos esse elementos não tornam "Misery" um livro perfeito, acho que preciso rever meus conceitos quanto a uma boa leitura. Sei que tem muita gente que torce o nariz para a escrita de King, mas eu não consegui ficar imune a todo o suspense que ele transferiu para essas páginas. Além disso, no decorrer da estória é possível viajar nas reflexões que Paul Sheldon faz sobre o sentido da vida e todas as suas atitudes antes do acidente, quando era apenas um escritor metido e que não dava valor a pequenas coisas, como por exemplo, sair para tomar um café.


Misery
Stephen King
editora Suma
326 páginas
nota do blog: 4,5
nota do Skoob: 4,6

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Robin Williams e suas adaptações literárias

Olá queridos leitores! Nessa singela homenagem ao ator Robin Williams, que foi para o céu no último dia 11, minha intenção era falar apenas sobre "Sociedade dos Poetas Mortos", filme sobre o qual fiz uma linda apresentação na faculdade, depois de estudá-lo minuciosamente. Eu queria transcrever aqui para vocês uma parte desse estudo, mas alguns contratempos me impediram de fazê-lo. 


Então, só para não deixar de falar um pouco sobre esse ator incrível, vamos conhecer alguns de seus filmes que são adaptações de livros, e que talvez vocês (assim como eu) ainda não sabiam:

1. O Homem Bicentenário: baseado no conto "The Bicentennial Man an Other Stories", de Isaac Asimov e Robert Silverberg, esse filme mostra a busca pela liberdade do robô protagonizado por Williams, e sua imensa vontade de se tornar humano.


2. Hook - A Volta do Capitão Gancho: Peter Banning, que já foi Peter Pan, está com quarenta anos e deixou sua família em segundo plano, dedicando-se totalmente ao trabalho, até que Capitão Gancho, interpretado por Dustin Hoffman, sequestra seus filhos e o obriga a voltar para Neverland.


3. Jumanji: baseado no livro homônimo, publicado em 1982, o filme mostra Robin e duas crianças que acabam ficando presas dentro de um jogo de tabuleiro. Esse jogo tem temática selvagem, e os personagens precisam enfrentar animais ferozes e elementos da natureza que aparecem a cada vez que alguém joga os dados.


4. Uma Babá Quase Perfeita: sim, esse filme também foi baseado em um livro, escrito por Anne Fine. Um homem separado e desesperado para ficar perto de seus filhos se disfarça de mulher e vai trabalhar como babá na casa da ex-esposa, usando o nome de Sra. Doubtfire.


5. Tempo de Despertar: no livro escrito por Oliver Sacks, o Dr. Malcolm Sayer (Williams) vai trabalhar num hospital psiquiátrico onde todos os pacientes estão adormecidos, e ele acredita que pode reanimá-los.


Esses e outros filmes de Williams são baseados em livros, como "A gaiola das loucas", e o próprio "Sociedade dos poetas mortos", que é o meu preferido. Ele também fez parte do elenco do "Hamlet", onde representou Orisco, no filme de 1996.


Não se esqueçam, antes de ir embora, comentem, compartilhem, e façam essa blogueira feliz ;)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Destruir esse livro ou terminar esse diário? A vez dos livros interativos.

Olá leitores! Vocês viram que "Destrua este diário" está fazendo escola? Pois é. Semana passada vi no Submarino um livro chamado "Uma página de cada vez", onde o autor Adam J. Kurtz, que é artista gráfico, propõe ao leitor/usuário que teste sua criatividade e reflita sobre a própria vida através das páginas de sua criação, através de brincadeiras e provocações divertidas.


Claro que fiquei curiosa para ver quais seriam as sugestões do autor para leitor fazer essa reflexão, mas também me lembrei da máxima usada por aquele apresentador de TV, "nada se cria, tudo se copia". "Uma página de cada vez" lembra muito o diário de Keri Smith, com a única diferença que aqui nada será destruído.

Como a sinopse do livro no Skoob diz, a brincadeira pode ser "uma pergunta, uma sugestão de desenho ou um pedido para que você crie uma lista de músicas para seu amor verdadeiro ou das melhores fatias de pizza que comeu na vida", ou "cole objetos inusitados nas páginas do livro e compartilhe nas redes sociais algumas das anotações feitas nele".

Gostaram? Ficaram curiosos? Se quiserem comprar aproveitem esse link aqui.

Outro livro que me chamou a atenção e que segue a mesma linha autoajuda/passatempo foi "Termine este livro", da mesma criadora de "Destrua este diário":


Dessa vez, Keri pede ao leitor que ele se torne o próprio autor do livro, ao fornecer informações e caçar pistas para desvendar um mistério. Aqui o objetivo também é a reflexão, além da "interação entre o leitor e a obra", segundo a editora Intrínseca, responsável pelo lançamento aqui no Brasil.

O livro está em pré-venda e vocês podem comprá-lo clicando aqui. Leiam a sinopse abaixo:

"Um livro de conteúdo profundamente misterioso foi abandonado em um parque. As páginas, soltas, foram embaralhadas pelo vento, e a capa, quase ilegível, exibia as palavras Manual de Instruções. Keri Smith, autora de 'Destrua este diário', oferece ao leitor um novo desafio - decifrar o que há por trás dessa história e completar o conteúdo desconhecido da obra. E é claro que Smith não deixaria o leitor desamparado: a fim de realizar a missão, ele passará por um treinamento intensivo nas artes da espionagem e aprenderá a desvendar códigos secretos, reconhecer padrões ocultos no ambiente e usar a criatividade para dar a objetos comuns, utilidades extraordinárias."

Vejam alguns trechos do livro:

Interessante, não? No mínimo dá vontade de saber como será esse treinamento, rs.

E para quem é muito fã de "Destrua este diário" e gosta de ter todas as versões de um mesmo livro, a Intrínseca lançou mais essas duas capas diferentes, que ficaram bem bacanas:


Curtiram? Então não deixem de comentar no final do post, ok?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um pouquinho de...

"Por que isso não podia ter acontecido com ele?
Porque escritores se lembram de tudo, Paul. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar da história de cada cicatriz.
Arte é a persistência da memória."

(página 229, capítulo III)

domingo, 10 de agosto de 2014

2 x Frozen

E parece mesmo que eu fui a única pessoa no mundo que não gostou de "Frozen" :(


O  grupo editorial Random House vai publicar quatro livros derivados do longa da Disney, destinado ao público infantil.

Os dois primeiros serão sobre as princesas Anna e Elsa, e estão previstos para serem lançados em janeiro de 2015: "All hail the queen" (Todos saudem a rainha) e "Memory and magic" (Memória e mágica). Os demais ainda não têm nome nem nada programados.

Além dos livros, Anna e Elsa também vão aparecer, na versão carne e osso, na série "Once upon a time", da ABC.


"Frozen" arrecadou mais de 1,2 bilhão em bilheterias apenas nos EUA, e também vendeu mais de três milhões de cópias de sua trilha sonora. Acho que também fui só eu que detestei aquela musica!

Embalados pelo sucesso do filme congelante da Disney, muita gente fez vídeos, desenhos, fanfics e outros tantos tipos de arte baseados nos personagens do longa, e rolou até uma paródia do trailer de "Cinquenta tons de cinza", com Anna e Hans vivendo Anastasia e Christian. Assistam, ficou muito legal:


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