quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Halloween dos Simpsons


Aqui no Brasil o Halloween não é uma data comemorativa oficial, mas muita gente gosta e tá cheio de festinha a fantasia por ai nessa época - eu mesmo não dispenso uma -,  e até a blogosfera também costuma fazer suas menções à festa americana.

Para marcar a data por aqui, vamos ver alguns episódios de Os Simpsons especiais de Halloween, que são muito aguardados pelos fãs do desenho, desde que apareceu pela primeira vez em 1990. A série é chamada de "Treehouse of Horror" e os episódios envolvem a família em situações de horror, ficção científica ou sobrenatural, algumas vezes fazendo paródias ou homenagens a filmes e outras produções desses gêneros.


Chama bastante a atenção nesses episódios especiais a abertura, que geralmente mostra a família morrendo e seu sangue forma a título do especial, ou Bart usando giz vermelho sangue para escrever repetidamente o nome do episódio no quadro negro. Há ainda alguns casos em que figuras famosas do terror e convidados especiais  fazem aparições, como uma múmia ou o Frankstein.

Há também a peculiaridade dos créditos no final: a partir do segundo episódio a equipe de produção achou que ficaria legal usar nomes assustadores para o produção e o elenco, e a brincadeira pegou. Desde um simples "Bat Groening" a um complexo "David²+S.²=Cohen", os nomes assustadores se tornaram uma marca da série Treehouse of Horror, e quando Al Jean resolveu tirá-los dos episódios 12 e 13, recebeu inúmeros pedidos dos fãs para voltar a usá-los, o que acabou fazendo.



Já foram feitas diversas referências a programas de TV, filmes, peças de teatro e até novelas nos episódios da série, como por exemplo "Além da Imaginação", "O Exorcista" e "A Mosca". O poema de Edgar Allan Poe, "O Corvo" foi lido certa vez por James Earl Jones (que fez a voz de Darth Vadder em "Star Wars") enquanto os personagens o representavam.

As paródias são muito engraçadas e eles já fizeram de "Sr. & Sra. Smith", "Transformers", "Crepúsculo", "Jumanji" e "Sweeney Todd".

Qualquer especial ou filme que envolva Os Simpsons é sucesso certo, então vamos logo aos vídeos. No primeiro, um teaser da brincadeira que fizeram com "Crepúsculo", em seguida a dramatização de "O Corvo". Depois um trechinho da paródia de "Dexter" e para finalizar a abertura do episódio de 2013, feita por Guilhermo Del Toro:










quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Machu Picchu - resenha


"O Rio de Janeiro vive o maior congestionamento de sua história. Em meio às filas intermináveis de carros, Zé Roberto e Chica, cada qual num canto da cidade, tentam voltar para casa, onde vão comemorar seus dezoito anos de casamento. É a oportunidade perfeita para ambos repassarem os últimos meses de suas vidas. Para Zé Roberto, isso significa pensar em W19, a garota que conheceu no Facebook e com quem vem praticando sexo virtual há algum tempo. Sem nunca tê-la encontrado pessoalmente, ele nutre uma saudável obsessão pela menina, com quem agora quer se encontrar. Chica não é muito afeita às redes sociais, de modo que seu caso com Helinho, colega de trabalho, se dá entre lençóis e não por uma câmera de computador. Mas ela está confortável: em casa, o marido que ama, a família e a vida que escolheu; no escritório, o amante divertido e bom de cama, que pode ou não estar apaixonado por ela. Junte a isso um filho maconheiro, uma ex-mulher psicótica, uma filha ausente e meio perdida e uma afilhada misteriosa. Essas são as peças de que Tony Bellotto precisa para armar uma comédia de costumes incomum e perfeita para os nossos tempos. Seguindo a trilha de seus últimos romances, Bellotto cria um divertido painel da nova família brasileira, desconjuntada e esquizofrênica como costumam ser as melhores famílias. Com seu tabuleiro montado, o autor transforma o jantar de aniversário de casamento num acerto de contas cômico e frenético, um grande teatro do absurdo, tão surpreendente quanto próximo de todos nós."

O romance entre Zé Roberto e Chica começou de forma inesperada e foi perfeito. O casamento também não era ruim: tinham um filho e acabaram ficando também com a primeira filha de Zé Roberto, que ele teve acidentalmente com uma linda modelo, mas totalmente maluca. Essa mesma mulher, anos mais tarde, teve outra filha com um homem misterioso, que vivia no mar, e então Anita também foi morar com a família.

Chica é bióloga, tem um ótimo emprego e uma família feliz. Até que encontra Helinho, colega de trabalho, com quem se envolve e acaba tendo um caso. Ela às vezes se sente mal com isso, mas não pensa em terminar o casamento de tanto tempo para assumir seu amante. A situação está boa assim: ela e o marido têm um bom relacionamento, a vida sexual não é ruim, e ela ainda realiza suas fantasias com Helinho, por quem pensa estar apaixonada. E acredita que essa paixão fez seu estado de espírito melhorar.

Já Zé Roberto é exatamente aquele cara que curtia bastante a vida de solteiro e sonhava em ser fotógrafo, mas se casou e acabou abrindo mão do sonho para se tornar advogado, como queria seu pai. Essa decisão nem sempre lhe causava arrependimentos, e ele também estava feliz com o casamento e a família meio torta que construiu com a esposa. Então, num dia como outro qualquer ele recebe um email de W19, uma jovem linda e que parece se interessar por ele, além de, coincidentemente, possuir os mesmos gostos musicais que Zé. A partir daí, ele, que nunca foi muito afeito a tecnologias, cria uma conta no Skype para conversar com a menina, e começam a praticar sexo virtual: ela se exibe em frente a câmera enquanto ele se masturba escondido em seu escritório.

No dia em que completariam 18 anos de casados, cada um volta para casa em seu próprio carro, a fim de chegar a tempo para o jantar de comemoração, mas pegam o pior congestionamento da história da cidade do Rio e ficam parados no meio do caminho. Essa é hora perfeita para começarem a rever seu casamento e repensar se o que estão fazendo é certo ou errado.
Ambos os personagens passam por seus  momentos de reflexão, tentando entender por que estão agindo assim, e procurando uma forma de justificar suas traições, sem que tenham que abandoná-las e sem que elas interfiram no bom andamento do casamento. Essas são as melhores partes do livro, em que o autor consegue criar um retrato das famílias atuais e fazer algumas críticas ao modelo social em que vivemos, onde, na maioria das vezes, cada um pensa apenas em si mesmo e em sua satisfação pessoal, mas tenta manter a imagem de que tem uma família perfeita e que não comete erros, além de estar sempre compartilhando sua felicidade.
Para engrossar ainda mais o caldo da estória, temos os filhos, cada qual com sua peculiaridade: Claudinha, a mais velha, filha apenas de Zé Roberto com a ex-modelo, está namorando um pagodeiro e anda meio distante da família; Rodrigo fuma maconha e acredita que ninguém sabe, até que seu pai o flagra no ato, mas, ao invés de brigar com o menino, se junta à ele e começam a fumar juntos; e a estranha Anita, que diz ter uma conexão quase espiritual com o pai, e vive entrando em contato com ele mentalmente, descrevendo com detalhes os lugares por onde ele está velejando.

O clímax da narrativa se dá quando o casal consegue chegar em casa para o esperado jantar de aniversário, e nada dá certo: a visita inesperada da mãe de Anita acaba com os planos dos protagonistas, com a desculpa de estar ajudando Zé Roberto e Chica a colocarem tudo em pratos limpos para reestruturar o casamento.

Entre drama e comédia, o autor consegue encaixar todas as peças, levando os personagens a encarar seus medos, seus defeitos e a tentar encontrar soluções para seus problemas, ainda que tenham que pagar um alto preço por isso. O final é divertido e só na última página o leitor descobre o que Machu Picchu tem a ver com o enredo do livro.

Mais um ótimo romance escrito por Tony Belloto, com linguagem simples, leitura rápida e parágrafos que intercalam os pensamentos dos personagens, dando ritmo a estória e prendendo a atenção do leitor, que mais uma vez não consegue para antes de chegar ao final. O livro é curtinho e sua mensagem é direta: estamos nos sentindo sozinhos em meio a uma multidão e precisamos voltar a viver em sociedade.

"Machu Picchu"
Tony Bellotto
editora Cia das Letras
120 páginas
nota: 4
nota no Skoob: 3.6


terça-feira, 29 de outubro de 2013

TAG Incentivo à leitura

Hoje é o Dia Nacional do Livro, e nenhuma data melhor do que essa para indicar bons livro e incentivar a leitura.



Recebi do blog Sigo Lendo a indicação para participar da TAG Incentivo à Leitura, onde preciso recomendar ao leitores um livro que eu tenha gostado. Depois disso, devo convidar outros 10 blogs para darem continuidade a brincadeira. Então vamos lá:

Indicação: Já falei por aqui que sou fã do trabalho do Marcelo Rubens Paiva, e até já comentei um pouco sobre esse livro nesse post. Blecaute é um livro incrível e que prende o leitor até o último parágrafo. Depois de sofrer junto com Rindu o livro todo, no final o autor ainda incluiu um clímax inesperado, que a maioria das pessoas não consegue esperar e quer ver imediatamente o desfecho da estória. Não vou dar nenhum spoiler, leiam para descobrir do que estou falando ;)

 Sinopse: "Três amigos - os inseparáveis Rindu e Mário, junto com a estudante de Letras , Martina - saem em uma expedição às cavernas do Vale do Ribeira. A aventura desanda em desastre. Após um cochilo num dos  salões da Gruta da Rainha , os exploradores se veem presos na caverna. Um dos riachos internos enche e bloqueia a saída. Sem saber o que  fazer, Rindu, Mário e Martina aguardam as águas baixarem. Três ou quatro dias depois, eles conseguem emergir da caverna para fazer uma absurda constatação: todas as pessoas à sua volta ficaram 'duras', paralisadas como estátuas de cera ou bonecos de plástico. Um estranho fenômeno ocorreu e os amigos se tornam os únicos habitantes do planeta".








Para comprar é clicar nestes links: Americanas ou Submarino


Os blogs indicados para continuar a TAG são:

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um pouquinho de...


"Não sei que tipo de exaustão, ou talvez de fascínio, as mulheres lhe causaram, mas o fato é que quando eu tinha uns doze anos meu pai foi se desinteressando progressivamente das mulheres, ou melhor, se interessando por elas de uma forma inusitada: raspou o cavanhaque e começou a se travestir. Naquele tempo não se falava de crossdressing, homem que se vestia de mulher fora do Carnaval era traveco mesmo. Foi assim que aconteceu, de uma hora para outra, sem mais nem menos. Não houve nenhuma explicação plausível, nenhum período de depressão, nenhum amigo bonitão frequentando nossa casa. De repente, meu pai começou a se vestir de mulher, ir ao cabeleireiro e fazer coisas que as mulheres fazem."

página 38
capítulo 23

domingo, 27 de outubro de 2013

Sei Que Eu Sei News #2


A editora Intrínseca anunciou que vai publicar no Brasil o livro "Destrua este diário", da artista canadense Keri Smith, que traz sugestões lúdicas e inusitadas que incentivam o leitor a dar asas a sua criatividade e fazer com o livro coisas que seriam impensáveis para a maioria das pessoas:


A ideia aqui é estragar o livro, de várias maneiras diferentes, desde colar chicletes mastigados a escrever infinitas vezes a mesma palavra numa página inteira.


A primeira versão do livro foi lançada nos Estados Unidos e virou mania entre os leitores, que abusaram do Tumblr e do Youtube para mostras suas criações. Algumas coisas simples como despeje, derrame, cuspa, jogue café ou use o livro como tênis parece ter incentivado inúmeros leitores a assumir seu lado mais 'artístico':


Aqui o livro será lançado em 9 de novembro.


Outra notícia interessante que saiu essa semana envolve as comemorações dos 50 anos da criação da personagem Mônica (que já foi homenageada aqui).

A personagem mais famosa de Maurício de Souza vai ganhar uma exposição onde vestirá criações de estilistas renomados como Alexandre Herchcovitch, Tufi Duek, Karl Lagerfeld e Adriana Degreas. Junto com a Mônica também estarão Cebolinha e Magali, desfilando em 10 painéis que mostram também imagens de modelos com a mesma roupa, para comparar.


A exposição termina hoje, 27/10, na Livraria da Vila, em São Paulo.

Enquanto isso, a banda brasileira P9, indicada ao EMA desse ano, faz uma participação na revista em quadrinhos Luluzinha Teen.


 Na edição 54 que vai às bancas amanhã, dia 28/10, a boyband é contratada pelo vilão da estória para fazer um show em Liberta, mas, ao chegarem lá, descobrem que outra banda, a Loki, formada pelos personagens da revista, também foi chamada para se apresentar no mesmo horário. Então os dois grupos têm que resolver quem toca, e, para isso, decidem fazer uma batalha de bandas.

As pniners não podem perder, pois, além da estória, a revista ainda traz uma entrevista exclusiva com os meninos da banda.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sexta de música #41 - A arca de Noé, de Vinícius de Moraes


Vinícius de Moraes aplicou suas habilidades de escritor e compositor para falar também às crianças. Em 1975 ele lançou o livro "A arca de Noé", apenas com poemas infantis. Esse livro foi transformado em disco no ano de 80, com vários artistas interpretando as canções. O álbum fez tanto sucesso que acabou virando um programa infantil na TV Globo.

Um dos poemas desse livro é "O peru":

"Glu, glu, glu"
Abram alas pro peru!

O peru foi ao passeio
pensando que era pavão
tico-tico riu-se tanto
que morreu de congestão

O peru dança de roda
numa roda de carvão
quando acaba fica tonto
de quase cair no chão

O peru se viu um dia
nas águas do ribeirão
foi-se olhando- foi dizendo
que beleza de pavão

Foi dormir e teve um sonho
logo que o sol se escondeu
que sua cauda tinha cores
como a desse amigo seu."



Vinícius faleceu durante o processo de criação do segundo disco, em que estava trabalhando com o amigo Toquinho. Mas agora, durante as comemorações do centenário do poeta, sua filha está relançando "A arca de Noé", em parceria com Adriana Calcanhoto, e com diversos cantores, entre eles, Chico Buarque, que é o único a participar das duas versões do álbum.

Uma curiosidade sobre essa versão moderna do disco é que a música "A casa" não foi regravada, pois, segundo Adriana, "ela é o Vinícius, e sua interpretação tem a síntese  do que ele quer dizer com todos os poemas", por isso elas decidiram por manter a música original aqui.

Então vamos curtir algumas canções desse trabalho do poetinha, que vêm embalando brincadeiras de pais e filhos há tantos anos:
1. A casa - Toquinho
2. O pato - MPB4
3. A formiga - Clara Nunes
4. Arca de Noé - Toquinho
5. O gato - Marina
6. A porta - Fábio Junior
7. O relógio - Castelo Rá-Tim-Bum