Já assistiram ao filme "Somos tão jovens"? Se não, corram pro cinema mais próximo agora mesmo!
O filme, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura (o mesmo de "Gatão de meia idade", de 2006), conta o início da carreira do cantor Renato Russo, desde que ele fundou, com os irmãos Fê e Flávio Lemos, o Aborto Elétrico, e que, depois de sua saída, viria a se tornar a banda Capital Inicial. Exatamente a parte da história que os fãs do cantor não conheciam.
Renato tem um problema ósseo raro, chamado epifisipolise, que o obriga a fazer uma cirurgia. Após esse procedimento, ele tem que ficar meses de cama e sem se movimentar, depois passa a usar uma cadeira de rodas e enfim, evolui para o apoio de muletas. Nesse tempo de confinamento, ele começa a se imaginar como músico, e também inicia a composição de algumas canções. Quando ele se recupera totalmente, alguns amigos o apresentam ao punk que vinha da Inglaterra, e ele se apaixona pelo estilo.
Ao se juntar aos irmãos Lemos, Renato se torna o vocalista da banda Aborto Elétrico e eles passam a frequentar o cenário musical de Brasília e suas composições começam a ficar famosas entre as pessoas que costumam ir aos shows. Depois de muitos desentendimentos, a banda acaba e Renato passa a se apresentar sozinho, se auto denominando O Trovador Solitário.
Algum tempo depois, o cantor se junta a Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá e funda a Legião Urbana que todos nós conhecemos.
Como o foco do filme é na adolescência de Renato e seu desenvolvimento como artista, não pensem que vão ver cenas da banda já no auge de sua carreira, ou de quando ele descobriu que tinha o vírus HIV. O longa mostra um lado do cantor que era até agora desconhecido da maioria de seus fãs, antes de ser adorado pelas multidões que iam a seus shows, e isso desmistifica um pouco o ídolo, mostrando que ele um dia foi um cara como outro qualquer, cheio de sonhos e desejos, dúvidas e necessidades típicas dos jovens. Claro que ele era uma pessoa diferenciada, pois ninguém consegue elevar suas músicas a um nível tão alto se não for especial.
O mais bacana no filme é que, mesmo sabendo que aquele cara que está na tela não pode ser o Renato, o ator Thiago Mendonça personificou tão bem o cantor que quase nos leva a crer que era o próprio que estava cantando ali.
Aliás, o trabalho de Thiago é digno dos maiores elogios: para quem, como eu, cresceu ouvindo a Legião e conhecia bem o trabalho de Renato Russo, é gratificante ver como ele conseguiu trazer de volta à vida o ídolo de uma geração inteira. A vos de Thiago é muito parecida com a de Renato, os movimentos, os trejeitos, o modo como ele caminha, é tudo incrível! Com destaque para as cenas de dança, que ficaram perfeitas demais, parece mesmo que estamos vendo Renato Russo dançando.
Minhas cenas preferidas são: quando Renato está cantando "Fátima", ainda no começo do Aborto Elétrico - como eu gosto muito da música, fiquei imaginando o momento real de sua criação e como ela foi crescendo e se tornado o grande clássico que é hoje; o dia em que o cantor, num bate papo informal com a mãe, revela que pode gostar mais de meninos que de meninas; e a melhor de todas, que me deixou muito emocionada, é quando ele canta "Ainda é cedo". Não posso dizer o motivo da minha emoção, mas o momento ficou perfeito dentro do filme.
Outro ponto que merece destaque na produção é que as músicas não foram pré gravadas em estúdio, elas são realmente tocadas e cantadas por Thiago Mendonça no set de filmagem, e isso imprimiu ainda mais realismo às cenas.
Pode ser que algumas pessoas não gostem do ponto em que o filme termina, por acreditarem que iam ver mais alguma coisa sobre como a Legião alcançou tanto sucesso, ou sobre o final trágico da vida de Renato, mas eu achei que o filme ficou perfeito, contando apenas a parte da história que os fãs ainda não conheciam, e apresentado para as novas gerações o grande talento musical de Renato.
Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora do filme é muito boa, contendo desde Sex Pistols até a clássica "Música Urbana" do Capital Inicial. Também é gostoso conhecer o início da vida de "Veraneio vascaína", ainda com o Aborto Elétrico e "Tédio com um T (bem grande pra você)". Ok, vou parar de falar se não vou entregar o filme todo.
Não estou aqui para analisar os aspectos técnicos do filme, pois não entendo muito disso. Só quero compartilhar com vocês a alegria que senti ao sair do cinema satisfeita com o que vi e ouvi, e encantada e admirada com a performance de Thiago Mendonça.
Não deixem de assistir. E preparem-se, pois no final desse mês ainda tem "Faroeste Caboclo". Guenta coração!



.jpg)





Está rolando sorteio nos blogues papo de Mãe e Educar-O primeiro passo.
ResponderExcluirTenha um domingo abençoado.
Bju