"O clássico de Stephanie Meyer revisitado 10 anos depois. Novamente, os leitores vão se apaixonar pela arrebatadora história de amor de Bella e Edward... ou, quem sabe, será uma primeira vez. A edição especial de aniversário inclui um conteúdo extra e exclusivo: Vida e morte, nova versão em que a autora inverte o gênero dos principais personagens. Os leitores vão se maravilhar com a experiência de ler a icônica saga de amor agora pelos olhos de uma adolescente que se apaixona por uma sedutora vampira. Numa publicação ao estilo vira-vira, a edição comemorativa traz mais de 400 páginas de conteúdo extra, além da nova capa, com Crepúsculo de uma lado e Vida e Morte de outro. Os milhares de fãs de Bella e Edward não vão querer perder a oportunidade de ver seus tão queridos personagens em novos papeis."
Em comemoração ao aniversário de uma década da primeira edição de Crepúsculo, a autora decidiu reescrever a mesma história, invertendo os gêneros dos personagens: quem era homem agora é mulher, e vice-versa - com exceção dos pais de Bella, que continuam como antes.
A princípio essa nova versão pode causar estranheza, e confesso que passei boa parte do livro pensando nos personagens como Bella e Edward, repetindo as falas com suas vozes originais, e até consultando o primeiro livro para conferir se alguns trechos estavam diferentes. Isso dificultou demais a leitura para mim, e a coisa demorou a engrenar: fiquei quase 3 semanas com ele, e não sentia vontade de continuar lendo. Várias vezes pensei em desistir, afinal, já conhecia muito bem a história, mas por uma razão inexplicável, continuei. Valeu a pena.
Fica tudo confuso com os gêneros invertidos, em diversos momentos parece que determinada fala não combina com o personagem que a diz, ou algumas atitudes não são características de um homem ou uma mulher. Por exemplo: quando Bella visita os Cullen pela primeira vez, Alice desce as escadas saltitando para encontrá-la na sala, e aqui, essa mesma cena foi utilizada para Archie (versão masculina de Alice) e isso não me parece uma atitude que um homem adulto teria, demonstrar a alegria de conhecer alguém saltitando pela escada.
E não foi só isso, algumas falas da própria Edythe (Edward) não soam bem quando ditas por uma mulher, ainda que ela seja uma vampira forte e poderosa. A relação entre ela e Beau (Bella) parece meio forçada, estranha, mesmo com o cuidado que a autora teve ao transferir para Beau algumas responsabilidades que seriam masculinas, como abrir as portas para a namorada. Ainda assim, para quem leu Crepúsculo e é fã da história, isso não cai bem, já que sabemos que vampiros são muito rápidos e até possessivos, portanto, Edythe não esperaria Beau se movimentar lentamente como humano para realizar esses pequenos gestos.
"Passei por ela e corri para abrir a porta, ignorando o que ela tinha dito sobre papéis antiquados. Eu sabia que ela era mais rápida do que eu podia imaginar, mas a sala com um monte de gente dentro olhando a obrigou a agir como se fosse uma semelhante. Ela me lançou um olhar estranho quando segurei a porta, como se estivesse tocada pelo gesto, mas irritada ao mesmo tempo. Decidi ignorar a parte irritada e passei correndo por ela para também segurar a porta do carro." (página 143)
Acredito que a autora teve bastante trabalho para fazer essa inversão de gêneros, e não fez apenas a substituição dos nomes, como vi algumas resenhas insinuarem, mas acho que ela poderia ter dedicado esse tempo a escrever uma história nova, no mesmo universo, para deixar os fãs ainda mais satisfeitos.
Não sei se a intenção era mesmo presentear os fãs, me parece mais uma oportunidade de explorar um livro de sucesso, mas ela disse no prefácio que queria o desafio de reescrever a história sob outra perspectiva. Deu certo? Em partes. Eu achei muito lenta e cansativa, mas o final faz valer as quase trezentas páginas de repetição.
Quando eu já tinha certeza que não teria nenhuma coisa boa a falar desse livro, os dois capítulos finais vieram para surpreender e mudar totalmente minha opinião. A autora ousou em alterar bastante a versão original, e acertou. O destino de Beau e Edythe é bem diferente do casal da trama original, e ainda consegue deixar o leitor pensando no que poderia ter acontecido se a autora continuasse escrevendo mais cem páginas a partir dali.
Se você gosta da história e quer conhecer esses novos personagens, vá em frente, se dedique, atravesse as centenas de páginas de lentidão para chegar ao último capítulo com uma novas possibilidades para um final feliz. E não se preocupe, a tendência é que ela não tente fazer isso com todos os quatro livros da série.
Não posso deixar de comentar que nessa primeira edição existem muitos erros, talvez de revisão, que mantêm o artigo masculino ao mencionar Edythe. Marquei vários deles, mas um erro me chamou muito a atenção: há uma frase no final em que usam a palavra vilãos, quando o correto seria vilões, e isso certamente não é uma confusão da tradução. A editora poderia ter prestado mais atenção à revisão final antes de publicar.
Vida e morte
Em comemoração ao aniversário de uma década da primeira edição de Crepúsculo, a autora decidiu reescrever a mesma história, invertendo os gêneros dos personagens: quem era homem agora é mulher, e vice-versa - com exceção dos pais de Bella, que continuam como antes.
A princípio essa nova versão pode causar estranheza, e confesso que passei boa parte do livro pensando nos personagens como Bella e Edward, repetindo as falas com suas vozes originais, e até consultando o primeiro livro para conferir se alguns trechos estavam diferentes. Isso dificultou demais a leitura para mim, e a coisa demorou a engrenar: fiquei quase 3 semanas com ele, e não sentia vontade de continuar lendo. Várias vezes pensei em desistir, afinal, já conhecia muito bem a história, mas por uma razão inexplicável, continuei. Valeu a pena.
Fica tudo confuso com os gêneros invertidos, em diversos momentos parece que determinada fala não combina com o personagem que a diz, ou algumas atitudes não são características de um homem ou uma mulher. Por exemplo: quando Bella visita os Cullen pela primeira vez, Alice desce as escadas saltitando para encontrá-la na sala, e aqui, essa mesma cena foi utilizada para Archie (versão masculina de Alice) e isso não me parece uma atitude que um homem adulto teria, demonstrar a alegria de conhecer alguém saltitando pela escada.
E não foi só isso, algumas falas da própria Edythe (Edward) não soam bem quando ditas por uma mulher, ainda que ela seja uma vampira forte e poderosa. A relação entre ela e Beau (Bella) parece meio forçada, estranha, mesmo com o cuidado que a autora teve ao transferir para Beau algumas responsabilidades que seriam masculinas, como abrir as portas para a namorada. Ainda assim, para quem leu Crepúsculo e é fã da história, isso não cai bem, já que sabemos que vampiros são muito rápidos e até possessivos, portanto, Edythe não esperaria Beau se movimentar lentamente como humano para realizar esses pequenos gestos.
"Passei por ela e corri para abrir a porta, ignorando o que ela tinha dito sobre papéis antiquados. Eu sabia que ela era mais rápida do que eu podia imaginar, mas a sala com um monte de gente dentro olhando a obrigou a agir como se fosse uma semelhante. Ela me lançou um olhar estranho quando segurei a porta, como se estivesse tocada pelo gesto, mas irritada ao mesmo tempo. Decidi ignorar a parte irritada e passei correndo por ela para também segurar a porta do carro." (página 143)
Acredito que a autora teve bastante trabalho para fazer essa inversão de gêneros, e não fez apenas a substituição dos nomes, como vi algumas resenhas insinuarem, mas acho que ela poderia ter dedicado esse tempo a escrever uma história nova, no mesmo universo, para deixar os fãs ainda mais satisfeitos.
Não sei se a intenção era mesmo presentear os fãs, me parece mais uma oportunidade de explorar um livro de sucesso, mas ela disse no prefácio que queria o desafio de reescrever a história sob outra perspectiva. Deu certo? Em partes. Eu achei muito lenta e cansativa, mas o final faz valer as quase trezentas páginas de repetição.
Quando eu já tinha certeza que não teria nenhuma coisa boa a falar desse livro, os dois capítulos finais vieram para surpreender e mudar totalmente minha opinião. A autora ousou em alterar bastante a versão original, e acertou. O destino de Beau e Edythe é bem diferente do casal da trama original, e ainda consegue deixar o leitor pensando no que poderia ter acontecido se a autora continuasse escrevendo mais cem páginas a partir dali.
Se você gosta da história e quer conhecer esses novos personagens, vá em frente, se dedique, atravesse as centenas de páginas de lentidão para chegar ao último capítulo com uma novas possibilidades para um final feliz. E não se preocupe, a tendência é que ela não tente fazer isso com todos os quatro livros da série.
Não posso deixar de comentar que nessa primeira edição existem muitos erros, talvez de revisão, que mantêm o artigo masculino ao mencionar Edythe. Marquei vários deles, mas um erro me chamou muito a atenção: há uma frase no final em que usam a palavra vilãos, quando o correto seria vilões, e isso certamente não é uma confusão da tradução. A editora poderia ter prestado mais atenção à revisão final antes de publicar.
Vida e morte
Stephanie Meyer
editora Intrínseca
391 páginas
nota no Skoob: 3.9
nota do blog: 3.5
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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen



