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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Olhos de lobo [Resenha]


"Em Olhos de Lobo, a agente da polícia federal, Natália, está de volta em uma nova investigação. Agora, no Rio Grande do Sul, ela se defronta com uma série de crimes inexplicáveis. Fotografias macabras de pessoas em cemitérios aparecem a toda hora diante da policial, incriminando um assassino seria que usa técnicas de tortura nazistas. Enquanto tenta evitar novas mortes, Natália busca a ajuda de seu parceiro, Daniel Lucas (alter ego de Hector Wolfstein). No entanto, o que ela não desconfia é que ele é quem precisa de ajuda. Daniel voltou a ser assombrado por lembranças de uma passado regido pela lua cheia e de confrontos com um inimigo implacável. Conforme as fases da lua se sucedem, mais mortes acontecem, e a agente terá sia atenção levada a fatos ocorridos antes depois da Segunda Guerra Mundial, a pesquisas incomuns sobre o sangue humano, feitas na Hungria, e a criaturas que apresentam estranho brilho na íris - o que lhes dará uma aparência animal, lupina. Na busca por respostas, todos os personagens terão de revisitar antigos contos, recolhidos por dois famosos irmão no século XIX. Afinal, parece que aqueles contos folclóricos não são apenas fruto da imaginação popular."

Na continuação de Sangue de lobo, reencontramos o escritor Daniel Lucas, ou Hector, às voltas com os mesmos problemas de sempre: o fator L em seu sangue e as transformações em lobisomem que o acometem a cada lua cheia. Além dele, também está de volta a agente Natália, numa investigação de crimes em série ocorridos em Porto Alegre. Eles fazem parte de uma força tarefa especial da polícia, e voltam a trabalhar juntos para encontrar um assassino ainda mais cruel que o do primeiro livro.

Um cientista louco vem fazendo pesquisas com pessoas que também têm o fator L em seu sangue, e para se manter na clandestinidade, ele as sequestra e as mata depois que não lhe serem mais. Essas mortes configuram assassinatos em série, e por isso, Natália é chamada para a investigação. Aos poucos ela vai juntando peças que a levam a crer que as mortes estão ligadas aos lobisomens, mas não pode compartilhar suas suspeitas com ninguém além de Daniel, que está cuidando de seus próprios problemas com as transformações em lobo.

Além de ter voltado a se transformar, depois de um ritual de purificação do sangue feito no primeiro livro, Daniel também está em conflito com Ana Cristina, que está grávida dele, apesar de todos os seus pedidos para que ela não o fizesse. Isso porque ele teme que a criança também seja infectada pelo fator L, e sofra, como ele, em todas as noites de lua cheia. Para tentar evitar tudo isso, Daniel segue para a Hungria para encontrar seu médico de confiança, e pedir ajuda.

Esse mesmo médico, Dr. Lazlo, está as voltas com uma paciente no mínimo estranha: uma velha senhora, internada num asilo, sem família, e que parece estar viva há muitos anos. E é a partir da história dessa mulher que o enredo se forma. A autora utilizou lendas e alguns contos clássicos para formar a trama de Olhos de lobo, e interligar todos os personagens de forma brilhante.

Voltamos ao ano de 1810, onde uma família de jovens curiosos e inteligentes está a coletar histórias folclóricas para um livro de contos, e uma delas se mostra mais real do que eles poderiam imaginar. Uma mulher com olhos apavorantes conta para eles a história da Chapeuzinho Vermelho, mas, de uma forma inexplicável, dá a entender que a menina do manto rubro ela era mesma. Esses meninos que estão registrando os contos são os irmãos Grimm. Um dos irmãos e a essa mulher serão personagens muito importantes durante todo o desenvolvimento da narrativa.

Misturando fatos históricos com o drama dos personagens lupinos, Rosana Rios constrói uma estória que conquista o leitor rapidamente. Intercalando capítulos no passado e no presente, ela vai tecendo a trama, e apresentando personagens que viveram durante séculos em busca de poder e vingança.

Dá para ver em cada um dos flashbacks que houve muito estudo por parte da autora para situar os acontecimentos na época correta e depois, encaixá-los novamente no momento presente da estória. E esse é um tipo de narrativa que me agrada muito: usar duas linhas temporais paralelas dá uma dinâmica à, e o leitor se sente mais envolvido com a estória. A princípio, eu demorei uns 2 capítulos para me conectar com a narrativa, mas isso foi por falta de atenção minha, e não por problemas com a estória.

Achei demais a autora colocar como ponto de partida o nascimento do mito da chapeuzinho vermelho, e a criação dos primeiros contos dos irmãos Grimm, e isso deixou tudo mais interessante. Vemos com outros olhos esse conto de fadas que ouvimos desde criança, e percebemos que quem parece ser bonzinho, na verdade, é o vilão da estória.

O livro é cheio de tramas e subtramas, que juntas, trabalham para dar a estória um ápice incrível, fazendo o leitor acreditar que tudo será resolvido rapidamente. Mas algumas reviravoltas complicam tudo e, aquilo que acreditávamos ter chegado ao fim, ainda terá importância para o desfecho da estória. Há mais que um plot twist, então, preparem-se para momentos de tensão e incerteza durante a leitura.

É complicado fazer um resumo sem dar nenhum spoiler, mas o que vocês devem saber é que teremos lobisomens, cientistas loucos, personagens de contos de fadas e muitos acontecimentos inexplicáveis. Mas o mais legal nessa estória é descobrir como nasceu cada um dos lobos, tanto os que conhecemos no primeiro livro quanto os da continuação. E ver cada um desses personagens inserido em momentos relevantes para a história, como a segunda guerra mundial, deu o toque mágico que o livro precisava.

Se você acredita que todo lobo é mau e que a vovozinha foi vítima de uma criatura cruel, reveja seus conceitos, e descubra que a versão que você conhece dos contos de fadas pode não ser a verdadeira, e você tem sido iludido a vida toda. Leiam Olhos de lobo e descubra que o lobo não é tão mau quanto nos contaram que era

Olhos de lobo
Rosana Rios
editora Farol Literário (Site da editora)
440 páginas
nota no Skoob: 4.7
nota do blog: 4.7
(livro cedido pela editora em parceria)



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Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Um pouquinho de

"Bom dia, menina - disse-lhe, engrossando a voz para parecer mais velho. - Não é cedo demais para estar na estrada? Pode ser perigoso uma criança andar sozinha por aqui.
- Bom dia, senhor. Não tenho medo, e a casa de minha avó não fica distante. Sempre vou visitá-la quando minha mãe faz pão. Além disso, ela não está bem de saúde.
- Pensei que não havia outras vilas nesta direção, só a floresta - retrucou ele.
Ela sorriu com inocência.
- Não há. Vovó mora numa casa isolada à beira do bosque, sob três grandes carvalhos.
- Mesmo assim, aconselho que volte e pergunte à sua mãe se deve mesmo ir hoje. Vim do norte e sei que há um lobo feroz na região. Já matou muitos aldeões. ninguém consegue caçá-lo.
A menina hesitou. Fitou o estranho, desconfiada, notando a arma às suas costas.
                                             - Vou falar com ela, então. Bom dia, senhor..."


(página 186, capítulo 7, parte II)


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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Reformed vampire [Resenha]

onde comprar: Submarino//Americanas//Amazon 

"Reformed Vampire - grupo de apoio ao vampiro é uma história diferente de tudo o que você já leu sobre vampiros. Na verdade, você vai conhecer o lado real de ser um vampiro, aquele que ninguém conta! Eles estão quase sempre doentes ou com dor, e se reúnem em uma espécie de terapia de grupo para discutirem seus problemas e como controlar seus instintos, ou seja, o desejo de sair mordendo pessoas. Nina se tornou uma vampira quando tinha apenas quinze anos, e não envelheceu um dia desde então. Mas também não teve um dia sequer de diversão, já que sua rotina isolada dentro de casa é incrivelmente chata, sem poder fazer o que realmente tem vontade. No entanto, tudo vai mudar na vida dela e de seus amigos vampiros, quando um membro do grupo é morto de forma misteriosa. Tendo sua identidade ameaçada, terão que sair à caça do assassino, e logo se descobrirão em uma disputa com lobisomens. Será que vampiros tão frágeis poderão vencer uma batalha como esta? Sangue, desejo e instinto vêm à tona com uma bala de prata no peito, estopim de um batalha em busca de identidade."

Lá fui eu ler mais um livro de vampiros, e fui totalmente surpreendida. Reformed Vampire não era nada do que eu esperava, e a estória diferentona conseguiu me conquistar.

Os vampiros estão aqui, mas são totalmente o oposto daqueles que conhecemos na literatura anterior: eles sofrem com sua condição, não são glamorosos, nem super fortes, tampouco saem mordendo por aí apenas para saciar sua sede de sangue. Nesse livro, Nina e seus amigos vampiros estão sempre doentes, com dores pelo corpo, só podem se alimentar de porquinhos da índia criados por eles mesmos, e têm que viver escondidos, para não chamar a atenção das pessoas, ou poderão ser perseguidos e mortos.

O vampirismo é uma infecção, que é transmitida, claro, pela mordida, mas esses vampiros não mordem ninguém há muito tempo, estão em processo de reabilitação, e fazem parte de um grupo de apoio onde podem falar sobre suas vidas e suas dificuldades, além de darem força uns para os outros, para que não caiam em tentação e mordam um humano.

Além de todo esse drama, acompanhamos a vida de Nina, a última do grupo a ser infectada, com 15 anos, e que agora não sai de casa, a não ser para ir ao grupo. Para tentar se aproximar um pouco da vida que queria ter, Nina escreve livros sobre uma super vampira, linda e forte, que não tem medo de nada, e que passa por aventuras emocionantes em suas estórias. Tudo o que Nina gostaria de ser, mas não pode.

Tudo ia bem até que um dos membros do grupo, Casimir, é encontrado morto em sua casa, atingido por uma bala de prata. Ele foi atacado enquanto dormia - aliás esses vampiros não se deitam em caixões para descansar, eles simplesmente apagam quando os primeiros raios de sol despontam, e por isso, precisam estar bem protegidos nesse momento, e só despertam quando anoitece, sem saber de nada que aconteceu durante o dia. Nina descreve isso muito bem, dizendo que é como se eles realmente morressem e ressuscitassem a cada noite.

Em busca do assassino de Casimir, a fim de proteger o restante do grupo, que poderia ser atacado a qualquer momento se ele não fosse pego, Nina sai numa viagem incerta junto com o padre responsável pelo grupo de apoio e seu colega vampiro, Dave. Apesar de toda dificuldade que uma coisa assim acarreta, eles se saem bem: levam os porquinhos da índia para se alimentarem, sacos de dormir para se esconderem durante o dia, e seus inseparáveis óculos escuros, que usa a noite para proteger os olhos das luzes mais fortes.

Em seu caminho eles se deparam com um lobisomem que é mantido refém há alguns anos, e, além de tentar descobrir quem matou Casimir, eles ainda se sentem na obrigação de ajudar mais essa criatura. Isso traz inúmeros problemas para eles, até que todo o grupo se vê ameaçado pelos antigos donos do lobisomem.

Durante toda essa trajetória, conhecemos um pouco sobre cada um dos vampiros, com todas as suas particularidades, e passamos a ver sua condição de uma forma bem diferente. Além disso, a problemática na narrativa está na descoberta pelos vampiros de seus próprios sentimentos, conhecimento de seus limites, e uma mudança grande na forma de se relacionar uns com os outros.

Há um pequeno romance, que fecha com chave de ouro a estória. Nesse livro é possível encontrar um pouco de tudo: drama, medo, terror, morte, sangue, sofrimento, alegria, ciúmes, plenitude, mas tudo está tão bem trabalhado que a narrativa só poderia se tornar interessante. A leitura não é pesada, apesar dos assuntos densos, e em alguns momentos da até para se divertir com as trapalhadas de Nina e as rabugices de alguns membros do grupo de apoio.

Gostei do livro como um todo, mas o final ficou excelente. Eu realmente não esperava que terminasse dessa forma, e tive mais uma grata surpresa. Recomendo o livro para quem gosta do gênero, e para aqueles leitores que estão um pouco saturados de estórias de vampiro. Acreditem, vocês vão gostar e se surpreender também.


Reformed vampire - grupo de apoio ao vampiro
Catherine Jinks
392 páginas
Editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
nota no Skoob: 3.7
nota do blog: 4.0
(livro cedido pela editora em parceria)


Participe do sorteio de aniversário do blog clicando aqui!


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sábado, 4 de junho de 2016

Sorteio - Semana especial Sangue de lobo























Olá leitores! Como prometido, vamos sortear um exemplar de Sangue de lobo, esse livro super/mega/blaster que foi apresentado aqui nessa semana especial. 




Mas se você chegou agora e não sabe do que estamos falando, é só clicar nos links dos posts anteriores (aqui, aqui, aqui e aqui), para conhecer um pouco mais sobre essa estória. Tenho certeza que todos vão querer saber a solução para a série de mortes misteriosas e como termina a saga do lobisomem Daniel.

Para participar do sorteio, basta seguir alguns passos obrigatórios, e preencher o formulário do Rafflecopter abaixo, com todos os dados solicitados. Não se esqueçam de seguir a fanpage do blog no Facebook e o perfil no Twitter para não serem eliminados do sorteio, ok?

O sorteio começa hoje e vai até o dia 30 de junho:
- Seguir no Facebook, clique aqui;
- Seguir no Twitter, clique aqui;
- Indique um e-mail válido no formulário;
- A frase poderá ser retuitada diariamente. Não é obrigatório, mas aumenta suas chances de ganhar.



a Rafflecopter giveaway




Boa sorte a todos!



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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Sangue de lobo [Resenha]

onde comprar: Amazon//Livraria da Folha

"Um antigo original de um livro que conta uma história de mistério e morte, jaz esquecido num pequeno museu em um restaurante numa cidade doo sul de Minas Gerais. Duas jovens, Ana Cristina e Cristiana, em viagem de férias com a família de Ana, encontram-no e leem a história; elas ficam assustadas, pois o enredo do livro retrata exatamente o jogo de RPG que elas criaram com os amigos em São Paulo. E o mais curioso - a história se passa na cidade onde estão passando as férias. Foi lá que ocorreram crimes em série no início do século XX. E, no mesmo local, 100 anos depois, volta a acontecer uma sequência sinistra de mortes. As histórias do presente e do passado se misturam a partir do lobisomem Hector, um jovem inglês do passado que luta contra a maldição da lua cheia."

Esse livro é cheio de ação, mistério, assassinatos e um pouquinho de romance. Não tem como dar errado, certo? A princípio eu achei que não seria uma boa estória, mas aos poucos ele foi ficando interessante e me conquistou totalmente.

As duas adolescentes que foram criadas juntas, quase como irmãs, Ana Cristina e Cristiana, estão de férias com a família de Ana, que é muito rica, numa cidade do interior de Minas, que, à primeira vista, é tão tranquila que chega a ser maçante. Mas logo esse pacato município se mostra mais agitado e perigoso do que todos imaginavam.

Assim que chegam a Passaquatro, as meninas pegam emprestado um antigo livro, num museu da cidade, guardado por uma senhora centenária, que parece não ter mais controle sob suas faculdades mentais. Nesse livro estranho elas leem uma história exatamente igual à que estavam jogando RPG antes de sair de férias. Isso as assusta, mas elas acabam se convencendo do que é apenas coincidência.

Na verdade, esse livro reconta uma série de mortes acontecidas no início do século XX, ali mesmo em Passaquatro, quando um assassino misterioso tirou a vida de quatro garotas e, em todas elas, raspou os cabelos e colocou um véu sob  suas cabeças. Essas mortes seguiam uma ordem: o serial killer matava de acordo com uma coleção de 8 bonecas de cerâmica, cada qual com uma cor e tipo de cabelos diferentes. Como naquela época o matador só conseguiu matar quatro pessoas, ainda restavam quatro para alcançar o número total de bonecas, e as mortes começam a acontecer novamente, no presente, com o mesmo modus operandi.

Dessa forma as meninas se veem em meio a esses ataques e a investigação policial para descobrir quem está matando novamente. Em contrapartida, temos o jovem e enigmático escritor Daniel Lucas, neto de um antigo morador da cidade, que vive na Inglaterra e vem ao Brasil periodicamente para pesquisar sobre o folclore local para seus livros, e que parece ter tudo a ver com os assassinatos recentes. Ana Cristina logo se sente atraída por ele, mas não é correspondida. Pelo contrário, ele a repele por acreditar que ela não passa de uma menina mimada.

A trama gira em torno das investigações da polícia, em busca do criminoso que pode atacar novamente a qualquer momento, e o drama de Daniel, que descobrimos ser o próprio Hector, aquele que acreditam ser seu avô, e ter 120 anos. O escritor é um lobisomem, que vive há mais de um século lutando contra sua maldição. Além disso, ainda

O livro tem muitos personagens, o que de início pode confundir um pouco o leitor, mas todos eles têm muita importância para o desenvolvimento da estória, com uma participação importante dentro da trama.  O cenário criado pelas autoras serve perfeitamente como pano de fundo para a narrativa, com a mata, as grutas, a lua cheia e até uma tempestade ajudando a criar o clima de mistério e drama necessários para sustentar a estória.

Com essas características bem aplicadas, o ritmo da narrativa se mantém, e chama a atenção a estrutura narrativa criada pelas autoras, mesclando cenas de passado e presente, narrados em terceira pessoa, que a cada cena contam os acontecimentos pela perspectiva de um personagem diferente, o que transporta o leitor para aquele momentos específico, e permite que ele saiba o que acontece em diversos cenários e momentos diferentes da narrativa.

A linguagem utilizada é muito acessível, e os diálogos se desenvolvem bem. Mas o maior destaque dessa estória é sem dúvida o plot, que carrega o leitor a cada página, ansioso para descobrir seu desfecho, que é eletrizante. O ápice da narrativa é o momento em que os crimes são solucionados, mas o mistério ainda não foi totalmente desvendado, e o leitor descobre que nem todo mundo é aquilo que parece ser.

O final é feliz, mas até chegarmos a ele. muita coisa acontece, e o leitor não consegue tirar os olhos das páginas antes de alcançar o último parágrafo. Mesmo tendo demorado um pouco para engrenar a leitura no começo, gostei do modo como as autoras fecharam a trama, e deram uma conclusão para praticamente todos seus personagens, sem exageros e sem enrolação. Os últimos capítulos são agitados e tensos, e valem a pena toda a leitura.

Super recomendado para leitores que gostam de mistério e seres fantásticos, com uma pitada de sobrenatural. Sangue de lobo tem uma narrativa dinâmica e intensa, que vai agradar ao leitor contemporâneo, sedento por uma boa leitora que não tome demais o seu tempo.


Sangue de lobo
Rosana Rios e Helena Gomes
editora Farol Literário  (Facebook: FarolLiterario)
520 páginas
nota no Skoob: 4.5
nota do blog: 4.5
livro cedido pela editora em parceria


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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Olhos de lobo - a continuação de Sangue de lobo























Olá leitores! A Farol Literário realizou uma votação na sua página do Facebook, para escolher a capa da continuação de Sangue de lobo, o super aguardado Olhos de lobo. Dentre as 3 opções apresentadas - todas lindas, aliás -, a mais votada pelos leitores foi a primeira (que era a minha preferida também):




E ela será assim, toda preta, com esses olhos apavorantes nos encarando! Linda linda linda! 

Anotem aí, esse segundo volume será  lançado em julho, e vocês poderão acompanhar a continuação dessa estória incrível. Vamos divulgar tudo aqui e na fanpage do blog ;)

Continuem acompanhando as postagens especiais dessa semana, e lembrem-se que vai ter sorteio de Sangue de lobo.



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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um pouquinho de...
























"Havia apenas o predador e sua vítima.
- Por favor... não... - implorou ela no português com gosto brasileiro, submissa entre as garras que a rasgariam por inteiro - ... não me mate...
Matar?! Era o que mandava o instinto... Era a ordem imposta pela lua cheia. Ela mandava. Ela ordenava e ele obedecia.
Foi o vento que trouxe as nuvens negras. E foram elas que encontraram o brilho intenso do luar. A escuridão se tornou completa naquele trecho da praça. A vítima não se mexia, em pânico, caída de costas contra o chão imundo, seu atacante sobre ela. As garras, porém, não se decidiam a terminar o que deveriam começar. Ele aproximou o focinho assustador da vítima, os dentes perigosos próximos demais da pele morena, quase colados à fêmea que desejava com voracidade."

(capítulo 1, página 10)



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domingo, 29 de maio de 2016

Semana especial Sangue de Lobo

Olá leitores! Durante toda essa semana vamos falar muito por aqui sobre o livro Sangue de lobo, das autoras Rosana Rios e Helena Gomes. Essa estória vem me conquistando a cada página, e tenho certeza que vai ganhar vocês também.

E fiquem ligados ao longo da semana, pois vai rolar sorteio!























"Como analisar as inúmeras narrativas sobre lobisomens? Uma forma é vê-las pelos olhos das vítimas dessa fera; outra forma é tentar enxergar os fatos do ponto de vista do lobo.
Em algumas histórias do folclore mundial, a maior preocupação é de se matar os lobisomens: eles são vistos como feras antropófagas e malignas, que devem ser exterminadas. Daí a necessidade das balas de prata ou untadas com cera benta.
Em outros contos, a questão já não é essa. A licantropia é mostrada como uma desdita, uma maldição, um castigo que atormenta um homem. A ênfase nesse caso está na ambiguidade, na angústia daquele que é humano mas também é fera, e está sujeito às imposições do instinto animal, quando se transforma: mata, dilacera, não reconhece nem mesmo seus entes queridos. No momento em que se retoma sua primeira natureza (a forma humana), o sofrimento do homem-lobo é intenso, pois o humano sabe o que pode fazer quando a segunda natureza se sobrepõe à sua humanidade - e embora em algumas histórias ele se lembre do que fez, horrorizando-se, em outras ele tem ao menos a benção (embora ambígua) do completo esquecimento.
Tais narrativas propõem, então, maneiras de dar fim à sina dos lobisomens. O folclore brasileiro é incisivo nesses casos: diz que basta que se faça seu sangue correr. E o sangramento do lobisomem não implica a sua morte, ele apenas deve ser feito para que o sangue corra.
Essa crença tem muita relevância, pois indica que o Fator Lobisomem - o que quer que sejo o que o faz virar lobo - corre em seu sangue. Por mais que as histórias e depoimentos variem, está aí uma coisa de que não se pode duvidar."

(Introdução do capítulo 5, página 229)



Esse livro é cheio de ação, mortes e muita mitologia, que dão a base para as autoras construírem a estória do personagem Daniel Lucas, o lobisomem de 120 anos que, ao longo de sua existência, se viu envolvido numa série de assassinatos macabros, que afetaram diretamente sua vida. Mas também há espaço para o romance, e apesar de se transformar em lobo a cada lua cheia, Daniel é capaz de amar, e muito.

Acompanhem essa semana especial e participem do sorteio, um leitor vai levar pra casa o incrível livro Sangue de lobo.


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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um pouquinho de...

"Alba sabia muito bem como se virar sozinha na floresta. O lobisomem perdeu seu rastro duas vezes. Ao final da perseguição, encontrou-a abrigada numa gruta de difícil acesso, praticamente invisível entre as folhagens, mesmo durante o dia. Sem ter por onde escapulir, a jovem fingiu que dormia para enganá-lo.
O lobisomem concordou com o truque. A lua cheia, em sua última noite de dominação, controlava-o com cada vez menos intensidade. No céu, ela se recolhia para reencontrar seu auge apenas no mês seguinte. Enfraquecido, o lobisomem se deitou ao lado de Alba e adormeceu. Antes mesmo que o primeiro raio de sol pintasse o horizonte, um muito humano Hector se esforçava para erguer as pálpebras pesadas de sono."

(página 163, capítulo 11)



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quinta-feira, 17 de março de 2016

Se eu morrer [Resenha]

onde comprar: Amazon//Saraiva

"Depois de um longo tempo de espera para se encontrarem, Kate e Vincent veem desmoronar a perspectiva de enfim ficarem juntos. Ao serem traídos por alguém em quem achavam que podiam confiar, Kate perde Vincent. Agora o inimigo está determinado a controlar os imortais da França e até a iniciar uma guerra para conseguir o que quer. Mas Kate não desiste, ela sabe que Vincent em algum lugar e fará qualquer coisa para salvá-lo."

No final do segundo livro nos encontramos num momento muito tenso, em que Kate pensa que perdeu Vincent para sempre, depois de ser traída por uma pessoa em quem ambos confiaram durante um bom tempo. Agora, no volume final da série, começamos exatamente onde o segundo terminou (para relembrar, leia a resenha clicando aqui).

Esse terceiro livro é sem dúvidas o melhor da trilogia; já passamos pela fase das explicações e introdução ao universo dos revenants no primeiro (tem resenha aqui também!), depois atravessamos aquela fase de desenvolvimento da trama como um todo no segundo, para chegarmos a batalha decisiva, num livro onde acontecem muitas coisas o tempo todo. Por isso, ele certamente é o mais fácil de ler e mais difícil de largar.

Com personagens como Kate e sua irmã Georgia bem mais maduros, e outros como Jean Baptiste e Jules que nos mostram um pouco mais de seus verdadeiros sentimentos, é possível sentir que a autora teve um cuidado especial na sua criação, já que ela soube mostrar o desenvolvimento deles a cada parte da trilogia, e isso fica bastante nítido agora. Além disso, podemos reencontrar aqui alguns outros personagens que se ausentaram por algum tempo, mas que voltaram para desempenhar papel importante no desfecho da trama.

Todos os cenários das batalhas são descritos em detalhes, de alguém que certamente conhece bem a cidade de Paris e tem liberdade para ambientar sua estória ali. Amy Plum fala sobre pontos turísticos, paisagens e até do clima da cidade com propriedade, e isso é um ponto positivo no livro, principalmente para quem gosta e tem o sonho de conhecer a cidade luz.

A trama é bem estruturada e nesse último livro acontece uma reviravolta que pode mudar tudo o que parecia resolvido. E, ainda que o leitor consiga deduzir algumas coisas, é emocionante descobrir como elas acontecem no decorrer da leitura. O final é competente; a autora conseguiu reunir todos os elementos da estória num único cenário, e também teve coragem para sacrificar alguns deles, então, preparem-se, mortes serão inevitáveis.

Quando comecei a ler as mais de quinhentas páginas desse livro, pensei que passaria por períodos de enrolação onde nada aconteceria, mas por sorte isso não acontece: a cada capítulo um novo problema é apresentado e os personagens tentam resolvê-los antes que algo de pior aconteça. Tudo faz sentido na narrativa, cada pedacinho é importante para o todo, até chegarmos ao ápice num final emocionante.

A série Revenants precisa ser lida, e vocês vão perceber que, apesar de abordar assuntos do sobrenatural, nada é repetitivo. Mesmo tendo um romance que parece durar além da vida, e mortos-vivos como protagonistas, ele não é clichê e não desaponta o leitor.


Se eu morrer
Amy Plum 
editora Farol Literário  (Facebook: FarolLiterario)
512 páginas
nota do Skoob: 4.4
nota do blog: 4.4
(livro cedido pela editora em parceria)



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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Até que eu morra [Resenha]



"Kate e Vincent estão finalmente juntos em Paris, a cidade das luzes e do amor. Mas esse amor carrega uma questão que não pode ser ignorada: como eles poderão permanecer juntos se Vincent não resistir a se sacrificar para salvar outros mortais? A promessa de levar uma vida normal com Kate significa deixar que pessoas inocentes morram? Quando um novo e inesperado inimigo se revela, Kate descobre que há muito mais coisas em risco... e que até mesmo a imortalidade de Vincent pode estar ameaçada."

Depois de conhecer Vincent e sua tribo, Kate não poderia estar mais envolvida. Num intervalo de meses, sua vida mudou completamente: perdeu os pais num acidente nos EUA, mudou-se para Paris para viver com os avós e se apaixonou por Vincent, um revenant. Agora ela está mergulhada no sobrenatural, convivendo com seres imortais que ela nunca imaginava existir.

Como revenant, Vincent tem a missão de salvar humanos à beira da morte, mas, para isso, ele mesmo tem que passar por um processo de morte e ressuscitação, que apavora Kate, e, em nome do amor que estão vivendo, ele busca uma solução para fugir da sua própria natureza e conviver com a garota sem precisar morrer e reviver a todo momento.

Claro que tudo isso tem um preço alto a pagar, mas ele está disposto a piorar pra depois melhorar. Por outro lado, Kate não aguenta vê-lo se torturar tanto, e sai em busca de saída diferente esse problema. Nessa pesquisa, Kate acaba se envolvendo com poderes maiores do que ela esperava, e rivais dos revenants, os numa, que são criaturas extremamente perigosas. Isso pode colocar em risco não só sua vida, mas também de sua irmã e de Vincent.

Enquanto Kate fica cada vez mais preocupada com o estado de seu namorado, ela encontra apoio em Violette, uma revenant muito mais velha que os outros e que veio de longe para ajudar os imortais a resolver uma situação complicada. A pequena Violette se mostra muito amiga de Kate e a ajuda a aprender muita coisa sobre os revenants, que podem lhe ajudar no relacionamento com Vincent.

Claro que todos esses fatores se juntam e quase terminam em tragédia. E o final deixa uma situação tensa para ser resolvida no próximo livro. Isso é ao mesmo tempo um ponto positivo e negativo na estória: enquanto o desfecho cria uma expectativa enorme no leitor para descobrir o que vai acontecer com Vincent, ele também pode decepcionar os mais curiosos e ansiosos, pois tudo fica em aberto, e, aparentemente, não conseguimos ver uma saída para a situação de Kate e os revenants.

Por ser o volume dois de uma trilogia, o ritmo é bastante lento, e as coisas demoram demais a engrenar. Se no primeiro foi necessário explicar todo o universo dos revenants, aqui a autora poderia ter aproveitado para explorar mais esse assunto, com mais agilidade e inserindo novos elementos. Eu achei que faltou um pouco de dinâmica na escrita da autora, e, ainda que isso torne a leitura mais cansativa, a vontade de saber como vai terminar a disputa entre revenants e numas mantém a atenção do leitor.

A estória como um todo é muito interessante, e tenho certeza que no próximo volume da série tudo vai se acertar de forma convincente. E também espero que o ritmo narrativo mude e as coisas aconteçam mais rapidamente, sem grandes intervalos entre uma decisão e outra. Ah, e também torço para que o romance de Kate e Vincent esquente um pouco mais. Leiam e descubram o que estou querendo dizer.


Até que eu morra
Amy Plum
editora Farol Literário
429 páginas
nota do Skoob: 4.3
nota do blog: 3.9


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Jogos mentais [Resenha]


"Em um mundo futuro, viver entre o universo real e o virtual é cotidiano. Todos os dias, as pessoas se plugam a uma realidade virtual, criada por uma poderosa empresa do governo, onde podem fazer tudo: se divertir, ir às compras ou estudar. Tudo sempre perigosamente controlado. Luna, diferentemente de seus amigos e de sua família, não consegue se conectar por inteiro a essa dimensão, por isso, permanece ao mesmo tempo nos dois mundos, real e virtual. Ser diferente nesse sentido, no entanto, acaba levando-a a fazer descobertas surpreendentes e assustadoras sobre essas realidades, que mudarão por completo os rumos de sua vida."

Mais uma distopia? Sim, porém, com um diferencial muito importante: aqui não temos apenas um novo mundo, com pessoas divididas em grupos e controladas por um grande irmão, mas sim, todo um universo com tecnologia avançada, que faz o leitor querer viver sempre conectado, como os personagens do livro.

Luna vive nessa época em que todo mundo tem como única diversão - e até forma de vida - se plugar a um mundo virtual, onde pode jogar, estudar, criar novos cenários, enfim, fazer tudo o que quiser. Mas ela não é como todo mundo, ela é uma Recusadora, ou seja, não quer viver plugada, quer continuar no mundo real. Diferente das outras pessoas, não ela não tem um implante, que além de monitorar o que todos fazem, ajudam a acessar os mundos virtuais mais modernos. Por isso, ela é considerada estranha.

A empresa que toma conta de tudo isso é a PareCo, criadora dos mundos virtuais, responsáveis pelos implantes e gerenciadora das pessoas. Eles criaram um sistema em que o povo acredita que estar plugado é muito mais seguro e divertido do que viver no mundo real, e todo mundo acredita cada vez mais nisso. Mas, como em toda boa trama, aquele que tem muito poder vai querer conquistar cada vez mas, e é ai que os problemas começam.

A PareCo não é 100% honesta, mas como já tem todos na mão, não precisam se justificar e podem manipular as pessoas como bem entender. Por isso Luna acaba se tornando uma ameaça para eles. Enquanto ela for uma recusadora e não admitir viver virtualmente como os outros, ela pode ver e descobrir coisas que as outras pessoas não conseguem. Ou seja, ela pensa por si própria.

Se isso não bastasse, Luna também é filha da hacker mais famosa do mundo, Astra, que, dizem, morreu durante um jogo virtual. Luna não sabia que sua mãe também foi parte da resistência, e que, por isso, seu legado é seguir seus passos, ainda que ela demore a perceber. Acontecimentos estranhos e a descoberta de um grupo que quer lutar contra o domínio da PareCo, fazem Luna questionar suas ações até então.

Quando Luna é chamada para um teste, conhece Genko, uma hacker bonito e inteligente, por quem ela logo se encanta. Genko é um tipo especial de hacker, chamado de Phacker, que pode manipular o vácuo, uma parte do mundo virtual onde as pessoas normais não vão. Depois de conhecê-lo, Luna começa a se plugar com mais frequência e está sempre no mundo virtual, onde passa momentos incríveis com Genko.

Seu teste revelou que ela iria trabalhar na PareCo, numa divisão chamada Tanque de Pensamento, que ela acaba descobrindo, com a ajuda de Genko, se tratar de um centro de controle onde a PareCo faz diversas experiências para novos jogos. A coisa se complica, e Luna tem que lutar contra o comando da empresa para tentar libertar o mundo da opressão da PareCo.

Não é possível falar mais sem dar spoiler da estória, mas posso garantir que o livro tem ação do começo ao fim. O universo criado por Terri Tery é eletrizante, e desafio vocês a lerem e não imaginarem como seria poder viver num mundo virtual, onde tudo é possível. Todos os elementos de uma boa distopia estão presentes aqui, mas nada daquilo que já conhecemos se repete. Apesar de ser possível identificar alguns elementos de Divergente e 1984, a autora soube trabalhar essas influências e desenvolver algo totalmente original, que não vai decepcionar os fãs do gênero.

Aconselho que todos leiam Jogos Mentais, e embarquem nesse universo incrível, onde tudo é possível, e lutar pela própria vida e pela manutenção da humanidade é um desafio. Os leitores não vão conseguir se desplugar enquanto não chegarem à última página.


Jogos mentais
Teri Terry
480 páginas
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 4.2
(livro cedido pela editora em parceria)


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Momento HQ - O coração delator

Olá leitores! Com a ausência temporária do nosso colaborador responsável pelas resenhas de quadrinhos, vou aparecer por aqui de vez em quando, com minhas impressões sobre HQs.

onde comprar: Farol Literário 

O Coração Delator é um monólogo dramático sobre o que é real ou imaginário. Sobre a sanidade a loucura. Loucura que parece acionada pela superstição do mau-olhado. A narrativa vai pontuando a trama até o despertar da maldade no personagem. O conto, publicado originalmente em 1843, foi baseado em um crime ocorrido em Massachusetts (EUA) em 1830 e em uma estória de Charles Dickens, de 1841.

Então Poe juntou essas duas referências e criou um dos contos mais impressionantes da história, onde o personagem principal, narrador da estória, vai entrando aos poucos numa paranoia impressionante, que o domina e o faz comenter um assassinato.

O protagonista inicia a narrativa explicando que não é louco, apenas tem os sentidos apurados, principalmente a audição, por ser uma pessoa muito nervosa, e que, se fosse realmente louco, jamais conseguiria cometer o crime perfeito.

Ele trabalha para um senhor muito rico, mas que tem um horrível olho azul pálido com uma película branca leitosa que o deixava incomodado. O olho parecia segui-lo e observá-lo onde quer que fosse, e ficar tão nervoso com o olho, ele decidiu matar o velho.




Como parte de seu plano, ele ia todas as noites até o quarto do velho, abria a porta lentamente, apenas o suficiente para que um feixe de luz de seu lampião alcancasse o olho maldito. Mesmo assim, ele não conseguia visualizar o olho, já que o velho estava dormindo, e por isso ele estava fechado. O homem acreditava que só conseguiria  matar seu patrão se visse o olho.

Na oitava noite, quando estava no quarto, o lampião fez um barulho muito alto, e o velho acordou sobressaltado, não conseguindo saber, em meio à escuridão, se tinha alguém ali. Assim, seu coração disparado começou a incomodar o homem, que o sufoca com o colchão e realiza seu sonho: matou o velho e acabou com o olho que o atormentava.




Porém, como nenhum crime é perfeito, sua consciência o traiu: assim como no momento do assassinato, ele passa a ouvir o coração do velho batendo forte, em seu corpo morto escondido sob o assoalho. E as batidas o incomodam tanto, que ele sente como se elas ficassem cada vez mais altas, a marcar o compasso do relógio. E é isso que acaba com seu plano infalível.

Além de ser uma das melhores estórias de Poe, com todo o clima sinistro que a envolve e a dicotomia entre a sanidade e a loucura, essa edição em quadrinhos está incrível. A adaptação feita por Benjamin Harper ficou muiton fiel ao original e as ilustrações de Dennis Calero não deixam a desejar. A arte está impressionante, e consegue transmitir ao leitor exatamente as sensações que Poe quis passar quando escreveu a estória.

Mais uma vez fiquei impressionada com o bom trabalho feito pela Farol Literário nessa HQ, assim como já tinha acontecido com Hamlet: a qualidade da publicação é excelente, com a capa que já destaca o olho do personagem, a lombada quadrada, e um acabamento de deixar qualquer colecionador de quadrinhos de boca aberta.




Se vocês ainda não conhecem os textos de Poe, essa é uma boa oportunidade para inicar nesse universo de terror que vem encantando leitores há muitos anos. E por se tratar de uma HQ, a leitura é facilitada, abrindo ainda mais as portas para o leitor de primeira viagem.

E para saber mais sobre essa e outras HQs da Farol, basta clicar aqui.


O coração delator
Edgar Alan Poe
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
72 páginas
nota do Skoob: 4.7
nota do blog: 5
(livro cedido pela editora em parceria)


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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Morra por mim [Resenha]


"Depois que seus pais morrem em um acidente de carro, Kate e sua irmã, Georgia, vão morar com os avós em Paris. Enquanto Georgia encontra na balada a cura para sua tristeza, Kate é mais introspectiva e se recusa a sair e se divertir, até resolver ir para um café com seus livros para tomar um pouco de sol. Ela conhece Vincent, um belo e misterioso garoto parisiense. Ao se relacionar com o menino e descobrir sua história, Kate tem que escolher entre deixar sua paixão de lado e seguir a vida em segurança, e assumir seus sentimentos e toda a compilação que seria namorar alguém imortal e com inimigos, e mudar para sempre sua vida."

Peguei esse livro sem saber nada sobre a estória, e logo de cara ele já me agradou: é ambientado em Paris! E fica claro que a autora realmente conhece bem a cidade, já que durante a narrativa ela descreve vários lugares e pontos turísticos em detalhes, que praticamente nos transportam para lá.

A protagonista é Kate, uma jovem de 17 anos que acaba de perder os pais e se muda dos EUA para Paris para viver com seus avós, junto com sua irmã Georgia. As duas não poderiam estar reagindo a morte dos pais de maneira mais diferente: enquanto a mais velha cai na noite e não perde uma balada ou uma oportunidade de conhecer gente nova, Kate prefere ficar em casa, na companhia de seus livros e evita qualquer contato com as pessoas.

Isso começa a mudar quando Kate começa a frequentar um típico café parisiense, onde acaba encontrando um cara muito lindo. Ela não entende porque, mas aquele menino não sai da sua cabeça. Eles se encontram casualmente mais de uma vez, e começam a conversar. Algo em Vincent atrai Kate, e ela decide ver onde tudo aquilo vai dar.

Então Kate acaba gostando de Vincent, e ele corresponde esse sentimento, mas ela descobre que ele não é uma pessoa normal, e que a relação dos dois pode não dar certo. A princípio eu acreditava que Vincent seria um vampiro, já que ele apresenta algumas características desse ser, mas, para minha surpresa, ele é uma criatura diferente, que eu nunca tinha visto em nenhuma outra estória, e isso foi muito bom.

Para completar a trama, Vincent e sua família têm alguns inimigos perigosos, que podem colocar em risco a vida de Kate. Tudo isso faz a menina refletir sobre o namoro, pensando se vale mesmo a pena investir num relacionamento tão complicado. Vincent, por sua vez, tenta mudar alguns de seus costumes para convencer Kate a ficar com ele.

O livro tem uma pitada de romance, uma boa dose de ação, cenas de luta muito bem escritas e uma pegada sobrenatural que é o diferencial da estória. Li algumas resenhas muito positivas e algumas que criticaram a inocência do enredo e a falta de romance. Confesso que sou uma admiradora dos romances mais melosos, mas em Morra por mim tudo está na medida certa. Kate é uma menina sonhadora, mas bem ciente de sua realidade, e Vincent procura atender às suas necessidades e desejos.

O destaque do livro fica para os seres sobrenaturais, que são bem peculiares, e a autora usou uma mitologia própria para eles, explicando sua existência e dando a eles uma importância dentro do enredo que faz bastante sentido. A escrita é leve e desembaraçada, e apesar de alguns momentos serem bem sombrios, falando bastante de morte, no geral a leitura é bem agradável.

Gostei bastante de Morra por mim e já estou ansiosa pela continuação, para descobrir o rumo que leva o namoro de Vincent e Kate, e, principalmente, quais serão os obstáculos que eles encontrarão à frente. Super indico essa leitura para todos que gostam dessa temática sobrenatural.


Morra por mim
Amy Plum
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
424 páginas
nota do Skoob: 4.2
nota do blog: 4.5
livro cedido pela editora em parceria


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