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quinta-feira, 23 de julho de 2015

A playlist de Hayden [Resenha]


"Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente. Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava."

Imaginem chegar a casa de seu melhor amigo, depois de uma noite confusa em que vocês se desentederam, pronto para pedir desculpas, e encontrá-lo morto. Pois é assim que começa a estória de Sam: ele é a primeira pessoa a ver o corpo sem vida de Hayden, seu único amigo, e entra em pânico.

Sam não entende porque o amigo decidiu tirar a própria vida, e se sente totalmente culpado por isso, lembrando da discussão que tiveram na noite anterior à sua morte. Ele também não entende bem o motivo por terem brigado, já que Hayden demonstrou um comportamento estranho aquela noite, mas não deu nenhum sinal de que estava prestes a se suicidar.

Para piorar a situação de Sam, Hayden deixou para ele um pendrive com uma playlist e um bilhete que dizia "Ouça, você vai entender", mas que no fundo não explicava nada. Sam passa a ouvir incessantemente as músicas separadas pelo amigo, mas não consegue encontrar nenhuma resposta ali, e isso o deixa muito frustrado.

Com a confusão do funeral e a falta que sentia do amigo, Sam fica vários dias sem dormir, e começa a ver coisas, como um mago, que era o personagem de Hayden no game que eles jogavam online, que falou com ele pelo chat e depois se materializou em seu quarto. Sam acredita que está ficando louco pela falta de sono.

Do nada surge uma garota que diz ter sido amiga de Hayden, e que agora quer se aproximar de Sam. Ela é bonita e inteligente, divertida e diferente das outras meninas do colégio, e, mesmo sem querer, Sam acaba se interessando por ela. Além disso, ele acredita que ela poderá ajudá-lo a descobrir porque Hayden se matou.

Muitos motivos podem ter levado a essa decisão de Hayden, e um deles é o bullying que sofria pela turma do próprio irmão mais velho. E isso também é uma das razões que fazem Sam ficar ainda mais culpado pela perda do amigo, já que, reanalisando os fatos, ele percebe que nunca defendeu Hayden contra os ataques do irmão e seus amigos.

A trama do livro é bem interessante, com vários detalhes na personalidade dos personagens que fazem com que o leitor faça conexões, tentando ele mesmo descobrir o que realmente aconteceu na festa que levou Hayden a se suicidar. Além do relacionamento de Sam com sua família, também é possível acompanhar a interação dele com uma nova turma de amigos, direcionado por Astrid. É uma situação estranha para ela, que até então teve apenas um amigo, mas ele vai se adaptando aos poucos.

O que mais gostei no livro foi o crescimento e o desenvolvimento emocional de Sam perante às dificuldades. Ele vai juntando as peças e decifrando o que aconteceu na festa em que brigou com Hayden, e entendendo que nem tudo foi culpa sua, e que, na verdade, ele não conhecia realmente o amigo como achava que conhecia. E no fim das contas, será que ele também não guardava nenhum segredo de Hayden?

Apesar de o livro focar na playlist desde o título até a divisão dos capítulos em uma música temática para cada um, eu não consegui fazer relação entre as músicas da playlist e os acontecimentos que levaram ao suicídio de Hayden. Gostei muito da playlist, mas, infelizmente, o objetivo da autora não foi totalmente atingido aqui. Se alguém já tiver lido o livro e entendido qual é a realação, por favor, deixe nos comentários.

E se vocês ainda não leram A playlist de Hayden, comecem agora mesmo, vale a pena entender um pouco mais o bullying praticado pelos adolescentes, e discutir o assunto para que ele não se torne comum em nossas vidas.

A editora Novo Conceito disponibilizou um site com todas as músicas citadas no livro. Ouçam, e tentem entender clicando aqui.


A playlist de Hayden
Michelle Falkoff
editora Novo Conceito
288 páginas
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 4.0


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Colin Fischer [Resenha]

onde comprar: Fnac//Americanas//Submarino//Extra 

"Resolvendo o crime. Uma expressão facial por vez. O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a muito interessante população loca. Quando um revolver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. Afinal de contas, a arma está suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê..."

Difícil começar a falar sobre esse livro, porque ele me despertou sentimentos ambíguos: gostei do protagonista, Colin, e achei que ele é bem carismático, mas não consegui me encantar pelo enredo. Tanto que demorei para terminar a leitura, pois não me sentia motivada a continuar.

Quando li a sinopse, achei que se trataria de uma investigação, claro que ao estilo adolescente, acompanhada pela diretora da escola, onde Colin usasse todas as suas anotações para chegar ao culpado. O menino escrevia tudo em seu inseparável Caderno, desde seus sentimentos até cada uma das características das pessoas ao seu redor. Ele também desenhava as diferentes expressões faciais e seus significados. Então seu Caderno era um arquivo completo sobre os alunos da escola, e com certeza teria uma informação que poderia ajudar a encontrar a pessoa que atirou no refeitório.

Mas não é exatamente assim que a coisa se desenrola: Colin realmente usa suas anotações para chegar ao culpado, mas faz isso sozinho e à revelia, já que a diretora pede para que ele se afaste e deixei os policiais fazerem seu trabalho. Achei a narrativa meio confusa, não consegui me ligar ao personagem, participar da procura com ele, nem tampouco me empolgar com suas descobertas. Achei o mistério mal desenvolvido.

A parte legal do livro é a explicação sobre o que é a Síndrome de Asperger, e de como devemos tratar o portador da doença. Ele não é aberração, só uma pessoa sistemática, detalhista e muito inteligente, que gosta de suas coisas sempre do seu jeito. No caso de Colin, ele odeia ser tocado - não deixa nem a mãe encostar nele sem autorização -, mantém tudo sempre no mesmo lugar em seu quarto, não se separa do Caderno e é bastante metódico com tudo, inclusive com relação às poucas pessoas com quem consegue conversar.

Colin está entrando no ensino médio, e para os americanos essa é uma fase bastante traumática para os jovens, onde sofrem os mais diversos tipo de bullying e têm que se adaptar a nova realidade, saindo do ensino fundamental, onde são crianças, e indo para outro nível, onde já são tratados como quase adultos. Para Colin isso é amplificado, já que a Síndrome de Asperger faz com que ele se isole das outras pessoas e sofra ainda mais com isso.

Já nas primeiras páginas os autores conseguem nos dar um panorama do seu sofrimento, quando, ao chegar na escola, ele é recebido por Wayne Connelly, o garoto que todos temem, e que coloca sua cabeça dentro da privada do banheiro. É impossível ficar imune à personalidade de Colin, e o leitor torce para que ele consiga decifrar o mistério e parar de ser tachado como maluco pelo restante da escola.

A relação de Colin com sua família é bastante interessante: seus pais são compreensivos e já criaram todo um sistema para compreendê-lo e suprir suas necessidades, sem lhe causar traumas. Quanto a seu irmão, a convivência é um pouco mais complicada, já que ele acredita que os pais sempre estão a favor de Colin em detrimento daquilo que ele quer. Mas esse sentimento é unilateral, pois Colin gosta do irmão, à sua maneira, e acredita ter uma boa amizade com ele.

O destaque da narrativa é certamente a maneira que os autores encontraram para convencer o leitor de que o portador dessa Síndrome não é um idiota, e que basta conhecê-lo para entender seu jeito de agir.

Pesando aquilo que considerei pontos negativos e pontos positivos, achei o livro médio, infelizmente. Eu tinha uma grande expectativa com ele, principalmente pela imagem da capa, tão dinâmica e diferente, mas não foi atendida.

Colin Fischer
Ashley Edward Miller e Zack Stentz
176 páginas
editora Novo Conceito
nota do Skoob: 3.9
nota do blog: 3.0

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A mais pura verdade [Resenha]


"Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha. Mas, em certo sentido, um sentido muito importante, Mark não tem nada a ver com as outras crianças. Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram. Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier. Nem que seja a última coisa que ele faça."

Quando a Novo Conceito me enviou a degustação desse livro, eu fiquei decepcionada por ter terminado aquelas poucas páginas sem saber o que ia acontecer com Mark, e de tanta ansiedade para descobrir o final da sua aventura, nem esperei eles me mandarem o livro completo, fui na loja e comprei. E valeu a pena.

Mark é um menino que tinha uma vida como a de qualquer criança, até que foi diagnosticado com câncer. A notícia abalou a família e sua melhor amiga Jessie, que ele conhece desde sempre, e com quem compartilha tudo. Então, entre os longos tratamentos no hospital, a perda dos cabelos e alguns períodos de melhora na doença, ele se interessa em conhecer o Monte Reinier, que seu avô vivia dizendo que um dia iria escalar.

Além da montanha, ele gosta de fotografia, também influenciado pelo avô, e de escrever haicais. Ele tem uma máquina fotográfica antiga, daquelas de filme, que pertenceu ao avô, e um caderno onde escreve seus haicais.

Mark está triste por causa da doença, se sentindo culpado por fazer os pais sofrerem, e com medo de morrer. Então, ele decide encarar logo a morte e acabar com tudo de uma vez. Para isso, ele planeja escalar, sozinho, o Monte Reinier. Sabendo que ninguém vai deixá-lo ir, ele foge, levando consigo apenas o necessário para completar a aventura: a câmera, o caderno, dinheiro, algum suprimento em barras de cereal, cordas, e seu cachorro, Beau.

Durante o trajeto, ele passa por situações muito complicadas, que o desafiam a continuar: desde sentir muita dor de cabeça e vomitar por causa do efeito dos remédios até ser assaltado na rua e ficar sem nenhum dinheiro para continuar a viagem. Mas mesmo assim ele segue em frente, e durante seu trajeto até a montanha acompanhamos sua reflexão sobre a vida.

Se por um lado torcemos para ele consiga chegar ao seu objetivo, por outro temos medo de que ele chegue lá e não consiga sobreviver - o que seria uma morte muito triste. Também sofremos com a angústia dos pais de Mark, por não saber onde o filho está, e com o drama de Jessie, que sabe que o maior sonho do amigo é chegar ao Reinier, mas também tem consciência de que isso poderá matá-lo. E como se não fosse o suficiente, ela não consegue decidir se o melhor a fazer é avisar os pais de Mark que sabe para onde ele está indo, ou se deve apenas esperar que o pior aconteça.

Essa poderia ser apenas mais uma estória de uma criança com câncer, mas o autor conseguiu tirar o foco da doença e chamar nossa atenção para os sentimentos de Mark: aos poucos ele vai percebendo tudo que está deixando para trás, e, em alguns momentos, chega a avaliar se vale mesmo a pena viajar para os braços da morte certa. O livro é sobre algo muito maior que uma doença, é sobre vida.

Um ponto alto da narrativa é a relação de Mark com Beau. O cachorro é totalmente fiel ao amigo, assim como acontece na realidade, e está sempre ao seu lado, para o que der e vier. Enfrenta a fome e o frio, mas não o abandona, e muitas vezes é a presença de Beau que permite que Mark continue sua caminhada.

Outra coisa que chamou minha atenção foi a disposição dos capítulos, que se revezam entre a narrativa de Mark a caminho da montanha e da agonia das pessoas que ficaram para trás, sem notícias suas - mãe, pai e amiga. Gosto dessa fórmula, que mistura momentos diferentes da estória, e mostram dois lados da mesma situação, narrados por personagens diferentes: além de permitir que o leitor veja os acontecimentos por ângulos diferentes, também faz com que ele se atenha mais ao que lê, tendo que parar numa determinada cena, entrar em outra, e depois retomar aquela que ficou para trás. Isso exige atenção do leitor, e deixa a leitura mais interessante.

Há momentos muito tensos na viagem de Mark até a montanha, e em determinadas situações eu cheguei a acreditar que seria o fim. Mas mesmo com algum sofrimento, a leitura é agradável, e bastante simples. A certa altura comecei a pensar que tudo aquilo é impossível de acontecer, que nenhuma criança jamais faria o que Mark fez, fugindo de casa assim, deixando os pais tão aflitos, mas depois me lembrei de que se trata de uma ficção, e que em ficção tudo é possível.

Esse é um livro sobre o valor das pequenas coisas da vida, dos momentos que podem não significar muito, mas que têm sua importância. Ele alterna momentos tristes e divertidos, na medida certa, e pode agradar a maioria dos leitores. Recomendo que leiam e vivam cada capítulo junto com os personagens, para sentir exatamente o que eles sentem e entender os motivos que levaram Mark a tomar a decisão de fugir em busca de um sonho (quase) impossível.

A mais pura verdade
Dan Gemeinhart
editora Novo Conceito
224 páginas
nota do Skoob: 4.4 
nota do blog; 4.5 


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

sábado, 4 de abril de 2015

Top Comentarista abril + resultado de março



Definitivamente dizendo adeus ao mês mais longo de todos os tempos, vou divulgar o resultado do Top Comentarista de março. Como eu havia dito antes, esteva fácil ganhar "Homens, mulheres e filhos", já que poucas pessoas estavam participando. 

Muitos leitores comentaram, mas só três foram elegíveis para concorrer ao prêmio, empatados com 26 comentários. Ao lado de cada nome está o número com o qual ele entrou no sorteio, realizado pelo site random.org:


E quem ganhou foi... 


Ana I. J. Mercury!!!! Ela cumpriu todas as regras e foi a sortuda de março.

Não ganhou? Nãoa tem problema! O Top Comentarista de abril já está valendo (inclusive nos posts anteriores a este), e o prêmio será:




"A mais pura verdade", de Dan Gemeinhart, o cobiçado lançançamento da Novo Conceito, do qual eu já falei um pouquinho aqui. Para ganhar é muito simples, basta se atentar às regrinhas:


- Comentar nesta postagem com nome de seguidor, email válido e perfil no Facebook ou Twitter para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato caso você seja o vencedor; 

- Curtir a fanpage do blog no Facebook clicando aqui;

- E claro, comentar em todas as postagens do mês, mesmo as que saíram antes desta (exceto posts de sorteio).

Lembrando que:

  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de comentários, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do email, e o blog não se responsabiliza por perdas ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.

Então comecem a comentar e torcer para ser o ganhador desse mês. Boa sorte a todos!



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um pouquinho de...

"- Tem mesmo que ser do Radiohead?
- Qual é o probelma com o Radiohead? - perguntou Hayden, mas eu sabia o que ele iria dizer. Já havíamos tido essa mesma discussão milhões de vezes.
- Algumas músicas deles são boas - eu disse. - Mas, sério, o que os diferencia do Coldplay? Caras brancos e ingleses que frequentaram universidades caras e que provavelmente são inteligentes demais para o seu próprio bem. Só que as garotas acham o Chris Martin gato e o Thom Yorke esquisito, por isso o Coldplay vende zilhões de álbuns e o Radiohead atinge geeks como a gente. Alguma coisa nessa história não me soa bem."

(página 15, capítulo 1)




nota pessoal: eu não gosto do Radiohead e adoro o Coldplay, e não tem nada a ver com aparência dos vocalistas (apesar do Thom Yorke ser mesmo esquisito, rsrs), mas sim, com o estilo das músicas de cada banda. Prefiro o romance do Coldplay à melancolia do Radiohead, por isso, achei o quote interessante.



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

domingo, 22 de março de 2015

O que eu achei de: A playlist de Hayden

Mais uma vez a Novo Conceito nos enviou a degustação de um lançamento próximo, o intrigante livro A playlist de Hayden, de Michelle Falkoff, que será lançado em abril.




De cara já posso dizer que esse é o tipo de estória que eu sempre quis escrever. Cada capítulo tem uma música no título que combina com o conteúdo dessa parte da narrativa. Achei a ideia brilhante.

Além da parte musical, a trama em si é muito envolvente: eu estou morrendo de curiosidade para saber o que a playlist vai revelar a Sam, e mais, qual o mistério por trás do enigmático jogador de Mage Warfare, o Arquimago_Ged.

A estória gira basicamente em torno do suicídio de Hayden, que era o único amigo de Sam: ambos tinham dificuldade em se relacionar com outros adolescentes, não tinham outros amigos na escola, e sofriam bullying. Talvez esse tenha sido o motivo maior para que Hayden se matasse, mas pelos 8 capítulos lidos, ainda não dá para ter certeza.

Ambos os personagens são nerds típicos, e isso fica bem claro logo no início, quando Sam comenta sobre o lençol de Star Wars do amigo. Eles vivem numa loja no shopping que só pelo nome já mostra que é dedicada aos assuntos preferidos dos nerds: Companhia de Comércio Intergaláctica. Ali era praticamente o refúdio dos meninos, já que nenhum valentão da escolha requentava aquele lugar.

Quando Sam encontrou o corpo de Hayden, também descobriu que o amigo tinha lhe deixado um pendrive com músicas, e um bilhete que dizia simplesmente: Para Sam. Ouça. Você vai entender. Bastante perturbador e ao mesmo tempo curioso. Se não bastasse todo o sofrimento de perder o melhor amigo, Sam ainda passa dias e dias ouvindo aquelas músicas e tentando decifrar a mensagem que Hayden tentava lhe passar.




Se isso ainda não deixou a narrativa interessante para você, some a toda essa confusão a aparição de uma garota bastante singular, que diz também ser amiga de Hayden, mas cuja a existência ele nunca tinha citado. E pior, Sam parece gostar dela.

O livro tem todos os elementos necessários para prender o leitor e se tornar a leitura da vida de muita gente. Na contracapa existe uma informação de que o livro contém mistério, drama e amor. Na minha opinião, essas palavras deveriam vir em forma de alerta em letras imensas nas primeiras páginas. Só assim seria possível se preparar para o que pode acontecer com Sam ao longo de sua busca por respostas.



Esse é mais um daqueles livros que vai furar a fila de leitura assim que possível, pois eu não vejo a hora de descobrir quais as outras músicas que vão revelar a Sam as os motivos para o suicídio de Hayden e se seu amigo era realmente quem ele pensava que era. Pois como diz o subtítulo do livro, você nunca conhece uma pessoa até ouvir o que ela gosta.



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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terça-feira, 3 de março de 2015

O que eu achei de: A mais pura verdade

A editora Novo Conceito enviou uma amostra do primeiro livro de Dan Gemeinhart, A mais pura verdade, e eu venho contar para vocês o quão promissor ele parece ser.

O enredo gira em torno de Mark, um garoto debilitado por uma doença e que sonha em escalar o Monte Rainier. Para alcançar seu objetivo, ele foge de casa levando apenas algum dinheiro, seus remédios, uma máquina fotográfica analógica e seu cachorro, Beau.

Ao longo dos primeiros capítulos, ele começa a sua jornada a caminho da montanha, mas atravessa algumas situações inesperadas, que podem prejudicar seus planos. Apesar dos percalços, Mark vai fazendo uma viagem que o leva a refletir sobre as coisas que realmente importam em sua vida e ao autoconhecimento.

Deixando tudo para trás, inclusive os pais e a melhor amiga, Jesse, ele pretende poupá-los do desgaste e do sofrimento que é conviver com uma criança doente, mas aos poucos ele acaba percebendo que talvez não tenha sido totalmente justo fazer isso com aqueles que amava. Ainda assim, ele segue adiante.

A amizade de Mark com Beau é simplesmente encantadora, e o cachorro conhece seu dono como ninguém, sendo capaz de sentir tudo o que o menino sente e de consolá-lo nos momentos mais difíceis da viagem.

O que eu mais gostei no livro foi o fato de os capítulos serem separados por meio capítulos, assim: entre o capítulo 1 e o 2, temos o 1 1/2, onde o cenário da narrativa muda do momento atual de Mark para a sua família e sua amiga em casa, desesperados por notícias dele. Achei muito  inteligente a ideia dessa divisão dos capítulos, intercalando a adrenalina de saber se a viagem de Mark dará certo, ou o que ele encontrará na próxima esquina, com a dor da ausência sentida pelos seus pais. Esse paralelo deixa tudo mais interessante e prende a atenção do leitor, pois é quase como se pudéssemos ver os dois lados da história acontecendo ao mesmo tempo.

Na capa também há um detalhe importante: a representação de uma enorme rachadura no solo, separando Beau e Mark, como uma metáfora para uma possível separação real entre os dois no decorrer da narrativa, como se o cachorro representasse o tudo aquilo que está ficando para trás de um lado e Mark estivesse sozinho do outro.


O que deu para perceber nessas quase 100 páginas é que o livro será todo emocionante. E não poderia ser diferente: não há como ficar imune a decisão de uma criança doente de fugir de casa para poupar os pais do sofrimento de perder um filho tão jovem. É bom preparar as lágrimas e não ficar fazendo comparações com outros sick-lits famosos, pois o livro de Dan tem tudo para proporcionar uma experiência única ao leitor. Não vejo a hora de saber como vai terminar a aventura de Mark e Beau. E essa é a mais pura verdade, como diria nosso protagonista.




Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen