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domingo, 4 de junho de 2017

Fala, Rafa! - Amor pelo céu



Eles falavam sobre eternidade na noite em que se conheceram. Ela vestia um casaco de veludo vermelho porque estava frio, e ele uma boina preta. Ela era apenas uma garota na cafeteria, até o minuto que percebeu ter esquecido a carteira em casa, ficando sem jeito em ter uma ideia de como pagar a dívida da bebida.
- Cobra o café dela na minha conta. Escutou a moça.
- Obrigada. Respondeu.
E tudo poderia ter acabado ali, se eles não tivessem trocado número de telefone.
Logo, o primeiro encontro foi marcado, o parque da cidade era o lugar escolhido por decisão unânime.
No carrinho de algodão doce a garota resolveu perguntar:
- Qual o seu nome?
- Gael, e o seu é Rita, não é? - Respondeu ele.
- Como você sabe? - Indagou, inconformada.
- É que estou lendo seu colar. - Disse o jovem rindo.
E seguiram então, Gael, Rita e seu algodão doce. A sobremesa foi escolhida apenas porque aquela doçura de alimento lembrava as nuvens, e Rita era apaixonada pelo céu. O estágio quase perfeito entre os dois foi interrompido por uma questão feita por Gael:
- Hey, porque você está andando com um estranho?
- Sinto que te conheço há muito tempo, eu acredito em outras vidas, sabia? - Ela respondeu.
- Fico feliz em saber disso. - Ele completou, confortavelmente.
- E tem mais uma coisa, adoro aproveitar o momento e você tem criado muitos bons momentos ao meu lado. - Rita acrescentou.
- Aé? Pois então agora teremos o melhor de todos. - Gael finalizou.
Rita foi agarrada e levada no colo até o brinquedo mais bonito do parque; ele a fez fechar os olhos, enquanto estivesse no alto, pediu para que pensasse em coisas boas e ela era capaz de sentir um enorme frio na barriga. Naquele instante Rita não ficou mais nervosa do que no momento em que seus olhos tocaram os de Gael, após ele descobrir seu rosto, sentiu o próprio corpo balançar e uma vontade imensa de nunca mais fechar os olhos, ela reparou que a pupila dele brilhava, parecendo que tinha luz da lua, e claro, Rita era completamente apaixonada pelo céu.
Nesse tempo ela preferiu segurar firme em suas mãos, pois precisava se sentir segura, apertou forte e planejou não soltar mais.
A paisagem que os cercava era digna de ser lembrada para sempre; pontinhos coloridos e vozes de gritos felizes, ainda estão dentro de alguma memória. Rita se sentiu bem em poder acha-lo, diferente de todos os outros que já conheceu, e plena em saber que também conseguiu ser especial para Gael. Assustada com o que estava sentindo, até tentou fugir como as gaivotas fogem pelo céu no pôr do sol, porque você sabe, ela é apaixonada pelo céu.
Mas não conseguiu ir, e em pouco tempo desistiu dessa ideia, logo quando foi assaltada, quando ele lhe roubou um beijo, ela se rendeu entregando tudo o que podia, sobre um sofá, duas taças de vinho e pouca claridade, estendeu sutilmente seus dedos em suas costas, e fez o queixo de Gael morar em sua nuca.
Era só para Rita e Gael ter apenas uma hora na noite, mas eles se permitiram compartilhar xícaras de café todos os dias. Em questão de tempo, e a partir de um juramento momentâneo, repetiram um para o outro a frase, "Sim, eu aceito" e como todas as histórias, o sim foi o começo deles.
Durante alguns dias tiveram o prazer de acordar com o barulho da vizinha ao lado, que adorava faxinar seu apartamento pela manhã, e juntos imaginavam que logo estariam incomodando os novos vizinhos, martelando quadros na parede da casa nova, como haviam planejado.
Atualmente, Rita se lembra de como chegou até aqui, a mente só consegue pensar na hora do almoço surpresa que ganhou, flores cheirosas e comida caseira estavam no cardápio. Tudo finalizou com a frase que Gael disse: ‘’Até o jantar, meu amor’’.
O esperando até o anoitecer, um sorriso preocupado em sua alma a entristeceu, quando conseguia sentir cheiros pelo quarto, uma escova de dente junto a dela, e a boina preta pendurada no espelho. Enquanto de modo efêmero, com saudades, buscava a presença do amado. Rita estava na janela, tomando um chá quente, vestindo um casaco sem cor, em seu lar, Gael estava na direção de seus olhos, em forma de corpo luminoso, com capacidade de desfocar tudo ao seu redor. Rita via-o claramente em formato de estrela, naquela imensidão ela não poderia negar que doía tê-lo como sina, mas sabia que constelações constroem sempre lindo destinos, e tudo bem vê-lo apenas no alto em plena culminância, afinal, Rita sempre foi apaixonada pelo céu.





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Rafa Peres, cronista, estudante de jornalismo, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

domingo, 28 de maio de 2017

Fala, Rafa! - Os 90



Ao longo da minha vida de tédio, despertei uma grande vontade: chegar aos 90.
Saindo do elevador em meu prédio, fui surpreendida com a porta da vizinha aberta, e ela estava gritando:
 - Socorro!
Corri apressada para dentro do apartamento dela e perguntei:
- Dona Marlene! O que houve?
- Peru. - Foi o que ela me respondeu.
- Senhora? O que está acontecendo?
- Que foi menina? Que falta de educação entrar assim na casa dos outros.
- Pera lá. Só estou preocupada com alguém que grita "socorro" e "Peru". Pode me explicar o que está acontecendo?
- Não está vendo? - Disse ela com um superaparelho tecnológico na mão. - Estou jogando caça-palavras online, e tenho que achar a palavra de emergência que começa com "S" que é socorro, e saber o nome de algum país que começa com "P" daí veio o Peru.
- Ah, desculpa o incômodo. Achei que estivesse precisando de ajuda.
- Oitenta e Nove! E tá, tá desculpada. - Falou ela apressadamente.
- Ih, melhor eu ir, já que está tudo bem. - Saí andando para fora da casa ao ser surpreendida novamente.
 - Socorro, Peru, Noventa! Ganhei!
Não resisti, dei meia volta e peguei, com fúria total, aquele tablet da mão dela. Em aberto estava seu jogo e uma mensagem escrita em destaque: "Uau! Você atingiu 90 pontos!"
- Ah, Parabéns! – E foi repetindo essa palavra que devolvi seu aparelho e com um semblante de alívio no rosto por poder ir em paz para minha casa, mas em mais uma tentativa de ir embora ela gritou:
- Aniversário! - E eu continuei andando e ignorando-a, porque certamente era só mais um item que faltava naquela nova fase do caça palavras.
Mais tarde no sofá de casa, escutei um monte de vozes misturadas cantando aquela famosa canção, que quase todo mundo sabe, de "Parabéns pra você" e, no mesmo instante, percebi que era o aniversário da minha companheira de paredes.
Depois do barulho, fui surpreendida com alguém batendo em minha porta. Abri e era ela: a senhorinha que joga na internet com um pedaço de bolo na mão. Abracei-a e ouvi sobre sua passagem por 80 primaveras, respondi:
- Desejo que sua nova fase no jogo da vida seja tão próspera quanto a sua brincadeira virtual.
Desde então fico imaginando que antes eu só pensava em aprender tricô na velhice, mas agora me pergunto: será que também chegarei aos 80 mexendo em um tablet? Suponho que não serei a vovó que dará ponto cruz, porque estou prestes a também ser uma ''vovó.com''. Bom, que pelo menos eu consiga 90 pontos em algum desafio. E olha, depois dizem que a geração de jovens é que está avançada.




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Rafa Peres, crônista e futura jornalista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Fala Rafa: Festa Inesquecível



Estou na passarela e acabo de esbarrar em alguém, alguém que samba como a globeleza; no doce embalo, sambei também. Taquei confetes ao vento e, sem querer, uma pedra na folia. Puts, era fantasia, para todos os lados purpurina pintava, no meio de todo o alvoroço só escutei baixinho no meu ouvido:
- Tudo bem ter acertado uma pedra em mim, mas e agora, você quer dançar comigo?
Gritei bem alto "Quero" só para ter certeza de que nem a batida da bateria iria atrapalhá-lo em me ouvir.
Num doce embalo a noite se tornou inesquecível, porque era só eu e você, nós éramos a folia.
Fevereiro me trouxe alegria, a poeira do carnaval. Tive seus olhos costurados nos meus, dois botões escuros faziam a sua face, como nos meus sonhos. Pulei marchinhas no mesmo compasse que seus pés mexidos ao lado dos meus.
No sábado foi folia.
No domingo foi folia.
Na segunda foi folia.
Na terça você foi.
E foi para um bloco diferente dos meus, para onde eu não posso ir dançar, mas em meu pensamento te trouxe para cá, para o meu lado, esquecendo sua ausência e lembrando só do calor que sua presença tinha, busquei você e te coloquei na minha sensação, no melhor bloco de todos, o que não vai acabar nunca. Agora você está no meu bloco de notas.
Quem me considera apegada fale agora ou cale-se para sempre.
Mas antes... Existe mesmo alguém que consegue esquecer de todos os carnavais da sua vida?
Se sim, atire agora a primeira pedra na folia.




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domingo, 22 de janeiro de 2017

Nude


- Para, para.
- Parar o quê?
- Isso.
- Mas é pra você.
- Tira o relógio.
- Pronto, o tempo é todo nosso agora.
- As meias, não ficaram boas nessa parte.
- Posso tirar?
- Tira também.
- Coloca tamb...
- Shiu! Não posso colocar nada agora, só tirar.
- Então chega mais perto.
- Tá enxergando?
- Essas reticências no seu olhar?
- Não seu bobo
- essa interrogação no seu texto
- Ah, você que faz a exclamação.
- Me ama?
- Te amo!
- Perfeito.
- Agora sim.
- Ficou como?
- Ainda não arrumei o que você escreveu.
- Pera, como está?
- Está assim:
"O relógio da rotina dura menos que as meias brancas de nossas crianças. Mesmo assim, será que te amo?"
- Amor, deixa assim.
- Eu que escrevi.
- Mas tá quase nada.
- Tá um nude.
- É essa a ideia?
- Sim, aí está a gente, o nude de nós.
- Transparentes.
- Parentes.
- Gostei da explicação.
- Agora faz um favor?
- Já escreveu na sua agenda?
- Sim.
- No bloco de notas do seu celular?
- Sim.
- Falta em um lugar.
- Qual?
- Na minha boca.
- Oh.
- Ah.
- Você quer nude?
- Da sua alma sim.
- Então feche os olhos.
- Fechei.
- Pode ser em shot?
- Só se for.
- Agora!

imagem: tomge



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domingo, 15 de janeiro de 2017

Fala, Rafa! - E viveram felizes para sempre


- Boa noite filha, tenha bons sonhos.
- Princesa.
- Príncipe.
- Acredita em fadas?
- Acredito em tudo que tem asas.
- O que te leva a isso?
- Você.
- Por causa de você não aguento as borboletas, principalmente as do estômago.
- Linda!
- Lindo!
- Você promete estar comigo na saúde e na doença?
- Até que a morte nos separe.
- Só consigo lembrar disso.
Éramos nós
Agora só
Eu 
e
Você
Se
Parados
Estou na janela te esperando
Ando
Andei
E você?
Por onde está?
Estou
Estou te ligando.
Enquanto isso
Ando
Ando
Ah, cansei
Já ouvi dizer que o que é de verdade
não nos força para um 
Esforço.
Torci sozinha
Agora vou seguir.
Príncipe
Princesa
A parte que ninguém conta
Uma coisa é certa:
Felizes para sempre
Só são
Antes da história acabar.
O final é um ponto.
Se eu ainda acredito em fadas?
Claro, alguém já me mostrou que elas existem.
Quem?
Ponto.
Vou pintar alguma história de amor para você ler,
Porque a minha já está pronta
Pronto não se desfaz
Só faz
E fez 
Eu fiz
Você se
Foi
Ponto.

imagem: Lillucyka


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domingo, 8 de janeiro de 2017

Fala, Rafa! - O lago passageiro


Hoje sou eu que estou mergulhando, e não é em uma piscina rasa como as que já existem, nem em um mar de água salgada, como nas praias, hoje estou mergulhando em um lago que se renova a cada estação. Não sei o nome do lago só o que ele carrega em sua profundidade, nas entranhas de cada gotícula de água. Sua superfície e profundidade é como uma metáfora, aqui dentro consigo ouvir vozes, ver cores, cheirar aromas, e sentir gostos. O mais impressionante é que estou nesse lugar pela primeira vez, antes vivia dentro de uma bolsa com um líquido amarelo. Acabei de lembrar que antes eu não tinha nascido.
Mas que se dane o antes, só o agora importa, seja lá o que passei, daqui pra frente posso escolher o que quero passar, posso sentir - que emoção! - tenho todos os átomos a meu favor. Hoje é o meu dia e estou com disposição para inventar o que já existe e reparar no que ninguém repara, só para dar sentido nesse lago que acabei de entrar.
A mágica aqui é gritar "Hoje será melhor do que ontem", e pular. Nosso maior segredo é apenas um: aprender a viver no lago da via láctea, ele fica na travessia do mundo, dentro do planeta Terra e só entra quem tem vida.
Eu tenho!
Entrei.
Sou alguém extremamente humano, sou alguém que nasce e se decide a cada manhã e, mais importante ainda, acredite se quiser, eu sou você.
Por favor, represente a si mesmo, é só mergulhar, na piscina rasa, no mar conhecido ou no lago do recomeço. Você só deve escolher e

mergulhar!

imagem: SublimeBudd


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domingo, 30 de outubro de 2016

Fala, Rafa! - Permita-se a reinventar-se



A partir de ontem está proibido não ser hoje, estou dizendo para você não tomar seu café preto de costume, tome algo laranja, rosa, azul ou de alguma cor que não seja preta, não coloque a mesma roupa da semana passada, vista aquela roupa que você não veste há muito tempo.
Esqueça os costumes, permita-se a reinventar-se.
Aquele livro antigo da sua prateleira, folheie ele mas depois ligue a sua tevê e coloque em algum canal atualizado.
Não ande de carro, ande a pé, repare nos barulhos, nas pessoas, repare no que você está fazendo agora. Pise descalço, sujar-se não é pecado, pecado é a mesmice, o certo é o que te faz bem, te faz evoluir, evolua-se para si mesmo, se ouse a descobrir porque nos seus oito anos a nuvem era de algodão e a lua de bolacha, e agora o céu é só algo que está ali todos os dias.
Desligue-se do acordar, trabalhar, dormir, ligue-se no agora, pois amanhã já é depois.
Vá, vá experimentar beijo na chuva, provérbio chinês, cultura africana, Caetano, e o bar novo que abriu perto da sua casa.
Ande de um pé só e grite que é feliz, questione, pergunte, surpreenda, revolucione, não dependa de um espelho para reparar na sua beleza, inspire-se, belo é um ser que faz acontecer, aconteceu a sua saúde e só falta acontecer o seu agora.
É tudo tão da mesma maneira, escandalize o presente, deixe o futuro fazer parte da sua vida, escute música clássica e depois ouça um funk dos anos 80, rebole sem imitações, seja impressionante, ignore todas as críticas.
Não seja petulante, coloque margaridas no seu quintal. Abra o armário da cozinha, do quarto, do banheiro e procure o inusitado, agarra o que é novo, e depois reivindique um outro novo, experimente as sensações, após a busca, me procure, já está tarde e eu que ontem era moderna, hoje me tornei principiante, acabei de acordar louca para uma novidade.



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sábado, 15 de outubro de 2016

Fala, Rafa! - pro-fes-sor (do latim professor, -oris): aquele que ensina



Hoje eu acordei e, ao tomar um banho, tomei um choque na pelinha do meu dedo logo quando abri o chuveiro, de cara saquei, algum fio está desencapado. Aprendi isso com algum PROFESSOR DE FÍSICA.

Escolhi um pão não muito queimada e quentinho para a minha primeira refeição do dia, depois pensei em comer uma barra de chocolate branco (meu preferido), mas lembrei que algum PROFESSOR DE BIOLOGIA me disse que glicose em excesso não é saudável e o café da manhã tem que ser algo do tipo alguma gruta acompanhado de alguns outros alimentos mais ricos em proteínas e vitaminas.

Corri tanto para pegar o ônibus que com certeza meus batimentos cardíacos por minuto era mais que 80, ainda considerando o normal para alguém que praticou alguma atividade que exigiu esforço físico, aposto isso, pelo menos foi o que eu entendi de alguma aula que tive com algum PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA. (Após chegar a tempo, só desejei um copo de água em estado líquido com quadradinhos de moléculas em estado sólido lá dentro, água+gelo=combinação perfeita, devo um valor imenso para alguma PROFESSORA DE QUÍMICA que passou na minha sala de aula). Ufa!!!

Dei 5 reais pro motorista do ônibus, a passagem é R$ 3,60, logo meu troco deveria ser R$ 1,40 e recebi apenas R$ 1,30, mas claro, alertei o motorista, não foi a toa que deixei de dormir na aula do PROFESSOR DE MATEMÁTICA quando ele estava ensinando subtração. Lá dentro finalmente, reparei que as pessoas eram brancas, negras, pardas, e com diferentes sotaques, acho que isso diz respeito a colonização, lembro bem que aqui no Brasil tudo que era índio teve que ter contato com portugueses cara de pão (essa parte do pão não foi a PROFESSORA DE HISTÓRIA quem falou), daí também tem a questão da imigração e migração, um tal de vai pra nascer e fica pra morrer que também pode ser a causa dessa miscigenação toda. Adoro essa palavras MIS-CI-GE-NA-ÇÃO, quem é PROFESSOR DE GEOGRAFIA gosta de repeti-la várias vezes.

Bom, é tudo muito detalhado se parar para pensar, veja bem, algum PROFESSOR DE SOCIOLOGIA e algum outro PROFESSOR DE FILOSOFIA me fizeram analisar que, eu ando de ônibus (e pago para isso), já a sociedade anda de revolução (chega em qual lugar quiser e nem usa dinheiro para isso), e o tal titio Karl Marx concorda comigo (ou eu com ele), pois em uma frase já escreveu "As revoluções são a locomotiva da história", achei belo, com sentido.

Para dar o sinal que eu precisava descer, apertei o botão de cor laranja e em seguida me lembrei que alguma PROFESSORA DE ARTE me disse que o  laranja é uma cor secundária. Ai que alívio, finalmente, cheguei ao ponto que eu queria, no lugar que eu precisava, NA ESCOLA, e agora ficarei desprovida de presença, ou sem o eufemismo que alguma PROFESSORA DE PORTUGUÊS me ensinou. Agora estou indo embora, e como alguma PROFESSORA DE INGLÊS me ensinou, preciso dizer para você que está lendo "bye bye", ainda preciso estudar, segundo o que os PROFESSORES me contaram, a gente não deve nunca parar de aprender, e se você leciona e leu até aqui o meu texto, te desejo prosperidade e um feliz dia.




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domingo, 3 de julho de 2016

Fala, Rafa! - Lembranças



Eu ainda me lembro do dia em que conheci alguém capaz de mudar a minha vida. 
Naquele dia eu pedi ao garçom dois drinks, sempre achei que gostava dos mais doces até experimentar os mais amargos, sentir aquele líquido escorrendo até o meu estômago me faz lembrar de quando ligo no último volume o som do meu carro, e coloco na nossa trilha sonora, escolho sempre aquela música de plurais, porque ouvir ela nos faz lembrar de quando eu resolvi trocar o chá pelo café, ó companhia gostosa, louca que me fez sair do trilho. 
Posso lembrar que no começo, me senti estranha, e a culpa não era da dor de cabeça, muito menos do vinho que tomei antes da nossa primeira noite, a culpa era desconhecida, e de desconhecido também tinha a gente. 
Abandonei os cigarros e tudo que não me fazia bem, porque dessa vez eu tinha encontrado um prazer melhor, tão mais vistoso que o salto mais caro do nosso shopping preferido. 
Hoje o porteiro até disse que minha pele está bonita, mal sabia ele que o cosmético que usei nela foi produzido na indústria do amor. 
E falando em amor, já não sinto saudades, de distância agora só me lembro dos metros da sala de estar até a janela do meu quarto. 
Lembro que eu tinha medo de olhar para fora, as estrelas me assustavam, não sei bem o porquê, mas hoje admiro cada uma delas, porque percebi que o céu depende delas para ser claro e lindo, e em todas as noites fecho os meus olhos e torço para cair alguma delas na palma da minha mão, pois gostaria de presentear a pessoa mais importante da minha vida. 
Ahh, eu posso, e como posso, lembrarei para sempre do dia em que a conheci, foi ao amanhecer, logo após receber um telefonema com uma voz dizendo "Estou indo embora" foi aí que tive a honra de ter te conhecido, não vou me arrepender de quando tropecei no tapete do quarto e vi o seu reflexo no espelho, naquele momento enxerguei a alma capaz de me deixar de pé, seu rosto era igual ao meu e apenas uma da gente me fez perceber que minha própria companhia é definitivamente nossa maior alegria.






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domingo, 13 de março de 2016

Check in no afeto


De quantos olhares precisa para se apaixonar?

No meio da multidão a pressa é tanta que se torna impossível enxergar algum rumo, já é hora do embarque e eu adorei o seu casaco preto. Foi assim que nos conhecemos, e ainda não a conheço. O avião decola e nos corredores dele só consigo sentir o seu perfume. Dizem que é ficção sentir sem nunca ter tocado, mas só acredita nisso quem nunca foi amado, o amor transborda nos olhos, o amor é cinza como o cérebro (a respeito do meu daltonismo que me perdoem os doutores). O livro que você está lendo é o mesmo que li na semana passada, nele diz que o imprevisível é que dá sentido a vida, eu acreditei, quando terminei de ler olhei para os lados. Neste momento estará olhando ao seu redor, creio que já constou as páginas cheias. Seu próximo feito é sorrir. E sorriu. Que sorriso lindo. Não sou um maníaco mas foi assim que conheci a mãe dos meus filhos, sorrindo, porque é sorrindo que se termina e começa boas histórias.

Sr Comandante, não deixe o avião pousar ainda não conquistei o coração dela. Pensará eu.

Quanto tempo ainda falta para eu continuar nas nuvens? Pensará eu. Que belo tênis o daquele rapaz. Não é desperdício reparar nos pés, pois os pés é que são o nosso sustento, mas que se dane a sustentabilidade, que audácia é essa de reparar na poltrona ao lado? Foi assim que nos conhecemos, e ainda não o conheço.

Por causa dela, precisarei tomar um ar, acenderei um cigarro no banheiro que balança, só não mais que meus sentimentos com turbinas. A física diz que toda ação causa uma reação.

A minha foi quando a encarei.
A minha foi quando eu reparei que um dos meus assentos estava vazio.

<<A nossa reação foi essa>>

- Me permita a companhia cara tripulante? Só se for do meu lado pensará ela.
- Sim eu permito. Respondeu
E ocupei o espaço ao lado dela.

Toda proeza se inicia com o ‘’Sim eu permito’’ e todo avião pousa quando chega ao seu destino, mas ele não deixa nunca de fazer viagens.
- Quer me dar as mãos?
- Quero.

E estamos como passageiros de poltrona até hoje. Só que dessa vez, como companheiros no sofá da nossa casa.



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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Fala, Rafa! - Conto sem fada


A Disney é realmente um lugar encantador, que arranca suspiros da galerinha do mundo. Hoje em dia até a Branca de Neve é princesa! Mas escolher entre as mais bonitas é que é difícil. Se tratando de príncipe então, é com um pedacinho de cada um que todas as meninas sonham em se casa., Aliás, quase todas. Eu, por exemplo, não me encaixo ai. 

Gostaria de contar agora a minha mais leve e profunda confissão. 

Melhor que guardar o sapatinho de uma moça, escalar suas tranças, morrer pela amada, ou com um beijo desfazer algum feitiço é SABER TOCAR A ALMA DAS PESSOAS COM AS PALAVRAS.

E só o Pequeno Príncipe entende disso.

O meu arrancador de sorrisos confortáveis. Aquele que me enche de sentimentos bons, sem que eu precise entrar em um conto de fadas.

Depois que li a frase abaixo, nunca mais a esqueci.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

E foi inspirada por ela que resolvi escrever, em forma de conto, uma jornada que combina:

"Em uma noite decidi ir sentir o vento, que estará afora... Acabei voando, e dentre as nuvens pulei, ao invés de sentar só corri. 
Contei as estrelas e guardei no bolso a menor, taquei nela um desejo.
Fiz do céu uma piscina e junto com os bons pássaros cantei.
Encontrei uma andorinha má que tentou me arrastar para baixo, botou na minha bagagem ambição, depois disso cai no chão, levantei após trocar toda a mochila por madeiras, que foram necessárias para a construção de uma ponte em cima de um lago escuro.
Andei o monte e escalei, só não desisti por que dentro do meu bolso tinha algo guardado que era além da dor, por ser motivador assim bem de repente, me deixei cativar...
Fechei a janela e voltei a dormir.
No dia seguinte a minha estrela guardada deixou de ser apoio e passou a ser um sonho.''


Sonho este que ficará solto na sua imaginação. Janela, noite, manhã. Abra a sua, sonhe o seu, e não se esqueça da responsabilidade do amanhecer, que é breve.





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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Fala, Rafa! - A ironia de cada matrimônio



Os olhos dela tropeçaram no dele assim que o carro bateu. Sem receio, estava tudo numa boa, apenas um arranhão.
- Prazer, Carlos!
- Laura.
- Podemos fazer o orçamento na cafeteria da rua?
- Podemos.
Ele queria ter dito "Não me arrependi não senhora". Mas só disse: Pago tudo sim senhora.
Ela esqueceu a carteira em cima da mesa. Quando ele a entregou, as mãos demoraram para se soltar.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Ela passou a acreditar em amor à primeira vista, toda vez que reparava no retrovisor arranhado. As flertadas dele não foram em vão.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Todos os dias eram bonitos, ele abria a porta do carro pra ela e não reclamava quando ela entrava em uma loja de roupas.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
O jantar de sexta era tudo por conta dele, ela só tinha trabalho em escolher qual batom usar.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
O cinema de quinta não era clichê, nariz com nariz e delicadeza no toque era tão bom quanto o escuro da sala que cheirava a pipoca.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Eu poderia ressaltar mais lembranças mas acabei de lembrar do meu pai dizendo "É meu filho, eu só queria que ela estivesse aqui, para vocês ouvirem o sim que eu ouvi. Sua mãe nos deixou saudades"
Isso é tudo o que só eu lembro do meu pai, o Alzheimer prejudicou suas memórias mais lindas.
- Amor?!
- Fala Fabi
- Solta o porta retrato dos seus pais e me dá ele aqui, preciso tirar o pó dele.
- Aqui está querida, e depois faz um favor? Tire a gelada do freezer.
- Mas você não pode fazer isso?Estou ocupada com a faxina!
- Vem tirar essa toalha molhada de cima da cama!
- Olha a pasta de dente fora do armário.
- Porque você botou a forminha de gelo pra gelar se ela está vazia?
- Abaixa esse tevê.
- Querida a minha casa é a sua casa também, saiba lidar.
- Se você repetir isso, peço o divórcio.
Fabi aceitou se casar e talvez não viveu feliz para sempre mas, assim como Laura, teve inúmeros minutos eternos.


imagem:  mighty5cent


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domingo, 31 de janeiro de 2016

Fala, Rafa! - O apreço da rotina


Acenei e entrei no taxi branco, sentei no banco de couro e reparei que o motorista ouvia jazz e tinha no tapete do carro um ingresso de show - talvez algum outro passageiro tenha deixado por lá. 
Olhando na janela, começo a enxergar as pessoas como vultos, não sei se o gorro amarelo da menina loira foi comprado em uma loja barata ou ganhado de alguém especial, mas caiu super bem.
Recebo um sms no meu celular, era um "Boa noite" do meu atual pretendente, quem sabe aquilo foi da boca pra fora ou apenas do coração?
Levitei minha sobrancelha ao olhar uma criança no farol, me oferecendo uma rosa. O vidro estava fechado.
O barulho das buzinas estressadas incomodam minha mente, acho que os faróis altos impedem todos os juízos das pessoas.
Mais tarde, chegando em casa vejo que todos estão concentrados em smartphones, e então cumprimento o grupo da família.
Já deitada em minha cama, minha mãe pergunta como foi meu dia, e então eu conto que presenteei um motorista com um ingresso e não gastei um centavo, confessei que não deveria mesmo ter comprado o gorro amarelo porque a partir daquela promoção, muitas pessoas iriam o adquirir, ela sorriu e disse "Eu bem que avisei, os brincos de pétalas seriam melhor". Também disse que liguei para o Fred (meu namorado) três vezes e ele não atendeu, só não me ignorou mais que minha própria família que só me avistou depois de um "Olá" com voz ardida, assim que cheguei em casa. Mencionei que hoje consegui dizer a frase "Tome aqui um trocado garoto" a propósito mãe, coloque essa rosa na água por favor?! Ah, após essas desventuras liguei meus fones de ouvido, e me embalei em uma música gringa. Tudo que ela consegue me responder é um "Uau que dia intenso, chegou esse envelope pra você, tenha bons sonhos querida" nos despedimos com um beijo recíproco na testa.
Abri o envelope e era Fred dizendo "Amor, estou embarcando e provavelmente ficarei sem sinal, obrigada por abrir o vidro do táxi e receber a minha rosa, paguei aquele menino para fazer isso por mim, o observei do outro lado da calçada, e moça, obrigada por não mudar a sua rota, e parar sempre naquele semáforo, só pra constar você estava linda hoje. Te amo!"
Me senti uma tola por ter esquecido a data da ida dele até a cidade da avó, e uma traíra por duvidar de um simples "Boa Noite".
Fechei os olhos e sintonizei fortemente uma vontade de acordar amanhã, melhor do que hoje. E o melhor que eu digo, é o de saber declarar considerações.
O abajur desligou sozinho, após eu interligar meus pensamentos com meus sonhos.




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Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes