onde comprar: Caligo Editora
"O romance de estreia de Fernando de Abreu Barreto carrega todas as características que são marcantes no autor: o texto direto e cru, o controle da tensão e a criação de personagens sólidos e profundos. Thriller ágil, que envolve o leitor nas primeiras páginas, o livro rompe a barreira do gênero e se insere entre os títulos de alta literatura brasileira, arrancando elogios de autorres contemporâneos consagrados, como Carola Saavedra."
Essa é uma daquelas estórias que envolvem o leitor desde o início, com um protagonista misterioso e psicologicamente perturbado.
Um condutor de metrô do Rio de Janeiro não gosta de pessoas nem da claridade do sol, por isso, ele passa muito tempo dentro dos túneis, mesmo quando não está trabalhando, para fugir da luz do sol. E esse foi um dos pontos que me conquistou rapidamente durante a leitura, pois me identifiquei com o protagonista, já que também não sou fã de sol e calor.
"O inverno acabou bem antes de a primavera chegar, perversidade de quem rege o cosmos, tenha ele o nome que queiram dar. É a temperatura, a luminosidade refletida no concreto, tantos sorrisos distribuídos pelas ruas, que me fazem querer desaparecer." (página 29)
Além dessa característica muito peculiar, principalmente para um carioca, que geralmente ama o verão e suas praias, o personagem também vive sob um dilema psicológico por não se encaixar em nenhum lugar do mundo, não conseguir saber quem ele realmente é. Se por um lado ele leva uma vida comum, trabalhando e ganhando dinheiro para seu sustento, por outro, ele é um monstro escondido na pele de um cidadão de bem, mas que acredita não agir por maldade, e sim, por necessidade.
O próprio protagonista vai nos revelando os fatos que o convenceram de que ele é um ser único, desde a sua infância, quando ainda morava com a avó, e, após a morte dela, quando passou a viver num orfanato. Ele tentava manter distância das pessoas, mas ironicamente, precisava delas para sobreviver. Como um animal, ele via os seres humanos como uma presa, e essa era a única relação que queria ter com eles.
Acreditando que realmente pertence a uma espécie diferente de ser, ele comete crimes, e acredita estar acima de qualquer suspeita. Ele também acha que, se um dia for descoberto, poderá justificar seus atos com base em seu instinto animal, apesar de temer não ser compreendido, pois, apesar de sua loucura, ele sabe que os homens temem aquilo que não conhecem.
"Soube, pela primeira vez, que ninguém compreenderia o que sou. Mais que conhecer a natureza da minha espécie, ninguém entenderia minhas motivações. Nenhum homem aceitaria a existência de um animal cujo impulso é devorá-lo sem atribuir a ele o rótulo de besta que deve ser abatida." (página 98)
O livro é curtinho, mas é muito denso. E isso não quer dizer que a estória é pesada, pelo contrário, ela é de fácil leitura, e o enredo é muito interessante, por ser diferente e surpreendente. Em vários momentos fiquei me perguntando se o personagem realmente acreditava ser um animal, ou se tudo não era apenas um sonho maluco que seria revelado no final.
Conheci esse livro através do Livrocast, onde o Marcelo entrevistou o autor, e imediatamente o comprei, para saber como a estória terminava: não me decepcionei. Fiquei impressionada com a escrita do autor, e modéstia à parte, em alguns trechos achei que se aproximava de alguns contos escritos por mim. Assim como o Livrocast indicou o livro, eu também o indico para todos os leitores, tenho certeza de que não vão se arrepender de dar uma chance a um autor nacional inteligente e que criou uma estória cheia de personalidade.
A forma da sombra
Um condutor de metrô do Rio de Janeiro não gosta de pessoas nem da claridade do sol, por isso, ele passa muito tempo dentro dos túneis, mesmo quando não está trabalhando, para fugir da luz do sol. E esse foi um dos pontos que me conquistou rapidamente durante a leitura, pois me identifiquei com o protagonista, já que também não sou fã de sol e calor.
"O inverno acabou bem antes de a primavera chegar, perversidade de quem rege o cosmos, tenha ele o nome que queiram dar. É a temperatura, a luminosidade refletida no concreto, tantos sorrisos distribuídos pelas ruas, que me fazem querer desaparecer." (página 29)
Além dessa característica muito peculiar, principalmente para um carioca, que geralmente ama o verão e suas praias, o personagem também vive sob um dilema psicológico por não se encaixar em nenhum lugar do mundo, não conseguir saber quem ele realmente é. Se por um lado ele leva uma vida comum, trabalhando e ganhando dinheiro para seu sustento, por outro, ele é um monstro escondido na pele de um cidadão de bem, mas que acredita não agir por maldade, e sim, por necessidade.
O próprio protagonista vai nos revelando os fatos que o convenceram de que ele é um ser único, desde a sua infância, quando ainda morava com a avó, e, após a morte dela, quando passou a viver num orfanato. Ele tentava manter distância das pessoas, mas ironicamente, precisava delas para sobreviver. Como um animal, ele via os seres humanos como uma presa, e essa era a única relação que queria ter com eles.
Acreditando que realmente pertence a uma espécie diferente de ser, ele comete crimes, e acredita estar acima de qualquer suspeita. Ele também acha que, se um dia for descoberto, poderá justificar seus atos com base em seu instinto animal, apesar de temer não ser compreendido, pois, apesar de sua loucura, ele sabe que os homens temem aquilo que não conhecem.
"Soube, pela primeira vez, que ninguém compreenderia o que sou. Mais que conhecer a natureza da minha espécie, ninguém entenderia minhas motivações. Nenhum homem aceitaria a existência de um animal cujo impulso é devorá-lo sem atribuir a ele o rótulo de besta que deve ser abatida." (página 98)
O livro é curtinho, mas é muito denso. E isso não quer dizer que a estória é pesada, pelo contrário, ela é de fácil leitura, e o enredo é muito interessante, por ser diferente e surpreendente. Em vários momentos fiquei me perguntando se o personagem realmente acreditava ser um animal, ou se tudo não era apenas um sonho maluco que seria revelado no final.
Conheci esse livro através do Livrocast, onde o Marcelo entrevistou o autor, e imediatamente o comprei, para saber como a estória terminava: não me decepcionei. Fiquei impressionada com a escrita do autor, e modéstia à parte, em alguns trechos achei que se aproximava de alguns contos escritos por mim. Assim como o Livrocast indicou o livro, eu também o indico para todos os leitores, tenho certeza de que não vão se arrepender de dar uma chance a um autor nacional inteligente e que criou uma estória cheia de personalidade.
A forma da sombra
Fernando de Abreu Barreto
editora Caligo
116 páginas
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 4.6
















