Olá leitores! Hoje vou assumir o lugar do João como comentaristas de quadrinhos aqui, e falar um pouco sobre essa HQ nacional bafônica que vocês precisam conhecer.
Steampunk Ladies - vingança a vapor foi escrita por Zé Wellington, que venceu o Troféu HQ Mix 2016 como Novo Talento Roteirista, e os desenhos feitos por Di Amorim e Wilton Santos, e conta a estória de Rabiosa, uma linda jovem que busca vingança para a morte de seu pai. No meio do caminho ela encontra Sue, uma mocinha de contos de fadas que vai contra tudo o que se espera das mulheres da época, e entende muito de armas. Juntas, elas lutam para atingir seus objetivos e quebrar todo tipo de preconceito que existe contra as mulheres.
Ambientada num cenário western repleto de invenções ao estilo steampunk, a HQ faz uma homenagem a ambos os gêneros, e ainda mostra que mulher pode fazer tudo o que ela quiser. E em mulheres bem poderosas aqui: se Rabiosa está sedenta por vingança e fará de tudo para acabar com aqueles que mataram seu pai, a malvada Lady Delillah é ambiciosa e não tem medo de nada, só quer poder e dinheiro. Todas são muito sexy e os desenhos exploram bastante as belas curvas de seus corpos. Mas apesar dessa objetificação das mulheres, a intenção do enredo é mostrar a força do feminino e o poder da mulherada que luta por aquilo que quer.
Como um bom steampunk, temos personagens com partes mecânicas e armas sofisticadas, enquanto o lado western é bem representado pela locomotiva a vapor, bandidos de chapéu e laço e muitos cavalos.
O argumento é sólido, afinal, uma vingança sempre rende boas estórias, mas, infelizmente, o roteiro não é excepcional. Os diálogos são bons e os personagens bem construídos. É fácil identificar a motivação de cada um e entender suas ações, mas o roteiro poderia ter sido melhor desenvolvido. Isso não desabona a estória, que continua boa de ler e envolvente.
O forte são os desenhos; personagens bem expressivas, que, em alguns momentos, passam para o leitor aquilo que estão pensando apenas pelo olhar, e as partes mecânicas muito detalhadas, dando um ar futurista ao ambiente desértico. Com cores que lembram imediatamente um filme western antigo, os ilustradores conseguiram transportar o leitor para aqueles cenários. É só esperar Clint Eastwood aparecer, rs.
Há um confronto interessante entre Rabiosa, Sue e os bandidos que querem assaltar a locomotiva, e as moças lutam de igual para igual, até que encontram a malvada mór, Lady Delillah, muito cruel e violenta, o que rende boas cenas de luta.
O final é... bem, tem tiro, porrada e bomba, e Rabiosa e Sue acabam com as roupas rasgadas e descabeladas, mas tudo dá certo.
A leitura é rápida e muito agradável, e a HQ não deve nada a qualquer uma que vem de fora. Deem uma chance para o trabalho dos quadrinistas nacionais, sem preconceito, e conheçam a boa arte que vem sendo feita no país. A edição da Draco também merece destaque, é uma HQ de qualidade, e isso fica evidente desde a capa.
Leiam, entrem no mundo de Rabiosa (esse nome é demais!) e Sue, e as acompanhe nessa vingança a vapor. Mas corram, que o próximo trem já vai partir!
Conheçam mais sobre o trabalho do Zé Wellington no site dele (aqui) e comprem a HQ da Draco nesse link.
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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen


















