"Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?"
Toda vez que pego um livro da Colleen, começo a ler com a expectativa muito alta, e ela nunca me decepciona. Mais uma vez, com Novembro, 9, passei uma madrugada inteira enfeitiçada pelas palavras dela, pela história triste e encantadora que ela criou, e novamente pensei que tudo o que eu quero é também conseguir criar um romance assim.
A protagonista foi vítima de um incêndio, que queimou boa parte de seu corpo, inclusive um lado do rosto, deixando-a com cicatrizes que ela tenta a todo custo esconder. Por isso, sua autoestima não existe mais, e ela se acha feia e quase inútil para qualquer outra coisa, até para continuar seu antigo trabalho de atriz.
O acidente ocorreu no dia 9 de novembro, quando ela tinha dezesseis anos, e agora, com dezoito, Fallon ainda culpa o pai pela tragédia que a desfigurou. No dia do segundo aniversário do incêndio, ela conhece aquele que ia mudar totalmente sua vida, da forma mais inusitada possível: Ben, o jovem escritor que tem a sua idade, e que a faz começar a ver sua própria condição de forma diferente.
Ben é um fofo, como costumam ser os homens nos romances da Colleen, e é impossível não se apaixonar por ele: seguro, diz a coisa certa na hora certa, valoriza a beleza interior de Fallon e não liga para suas cicatrizes. Além disso, ele beija muito bem, e a trata como se ela fosse a mulher mais linda do universo.
"Ele me beija como se quisesse que este beijo fosse lembrado. Por qual de nós dois, não sei, mas deixo que ele receba o máximo que pode deste beijo e dou o máximo que tenho. E é perfeito. Ótimo. Ótimo de verdade." (página 83)
Mesmo estando ainda insegura com sua aparência, Fallon, começa a ouvir os incentivos de Ben, e as palavras dele a ajudam a quebrar o muro que ela mesma construiu a sua volta, isolando-a do mundo. Mas, como nada é perfeito, eles se encontram exatamente na véspera da mudança dela para o outro lado do país, e eles sabem que a despedida será inevitável. Mas a energia entre eles é tão boa que acabam fazendo um trato: voltar a se encontrar no mesmo dia, hora e local pelos próximos cinco anos, sem manter nenhum tipo de contato até lá. Enquanto isso, Ben promete que vai escrever a história deles e pede que Fallon viva a vida normalmente, se valorize e nunca deixe ninguém menosprezar sua aparência.
É estranho, mas nos dois primeiros anos, o reencontro dá certo, e eles vão se apaixonando cada vez mas, ainda que lutem bastante contra isso. Como cinco anos é muito tempo, coisas inesperadas acontecem, e acabam atrapalhando os planos do casal. Ainda assim, eles vão mantendo uma relação que envolve paixão e algumas perguntas que nunca têm respostas. Aos poucos, conforme vão amadurecendo, começam a enxergar tanto a beleza quanto a loucura do namoro estranho que vivem, mas não querem desistir de levar o combinado até o fim, quando terão vinte e três anos.
Como o livro é narrado em primeira pessoa, intercalando um capítulo na visão de cada personagem, a dinâmica de leitura fica ainda mais interessante, pois é possível conhecer os dois lados da história, e entender os sentimentos de Fallon e Ben, assim como suas reações às dificuldades pelas quais passam o tempo todo.
Ao longo da leitura, uma mistura de sentimentos toma o leitor: a paixão dos personagens, a dor de Fallon por causa de sua aparência e do acidente que impediu que ela voltasse a atuar, a ansiedade pelo reencontro e a torcida para que o final seja feliz. Mas além de tudo isso, há trechos que dão um chacoalhão na gente. A essência da história é que devemos agradecer a vida a cada dia, e aproveitar o milagre que nos foi concedido.
O final é uma agonia só. Enquanto Fallon descobre todos os segredos de Ben e se decepciona ao imaginar que foi usada o tempo todo, podemos conhecer a versão dele dos fatos, e tudo é muito bem explicado e aceitável, tornando impossível que o leitor não deseje um felizes para sempre.
"Rio, aliviado, porque ela... simplesmente existe. E porque temos sorte suficiente de existir na mesma época, na mesma região do mundo, no mesmo estado. E depois de todos esses anos, surpreendentemente eu não mudaria nada do que, no fim das contas, nos uniu." (página 254)
Eu amei o toque de poesia que a narrativa tem, e também as referências ao livro Um dia, que também conta a história de um casal que se reencontra sempre na mesma data. A escrita da Colleen é muito fluida e envolvente, e não dá mesmo para largar o livro antes do final. A verdade é que sou apaixonada pelos romances da autora, e sempre recomendo para todos que querem ler uma boa história de amor, sofrimento, drama e final feliz. Cinco estrelas merecidíssimas.
Novembro, 9
Colleen Hoover
editora Galera Record
352 páginas
nota no Skoob:
nota do blog: 5.0
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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen
















