segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um pouquinho de...

"Ligo para Tayler.
O telefone toca na casa alugada de Tayler na Paper street.
Por favor, Tyler, me livre desta roubada.
E o telefone continua chamando.
O porteiro se inclina sobre o meu ombro e diz:
- Muitos jovens não sabem o que querem de verdade.
Preciso que me resgate, Tyler, por favor.
E o telefone chama.
- Os jovens pensam que querem o mundo inteiro.
Me livre das mobílias suecas.
Me livre da arte rebuscada.
E o telefone chama outra vez e Tyler atende.
- Se não sabe o que quer - o porteiro continua -, acaba tendo um monte de coisas que não quer.
Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.
Me salve, Tyler, de ser completo e perfeito.
Tyler e eu combinamos de nos encontrar em um bar.
O porteiro me pede um telefone em que a polícia poder á me encontrar. Ainda estava chovendo. Meu Audi ainda estava no estacionamento, mas o tocheiro alógeno Dakapo tinha atravessado o vidro da frente.
Tyler e eu nos encontramos, tomamos várias cervejas e ele diz que sim, eu podia me mudar para a casa dele, mas teria que lhe fazer um favor. 
No dia seguinte a minha mala chegaria com o mínimo, seis camisas e seis pares de cuecas.
Lá. bêbado em um bar onde não havia ninguém nos olhando ou ligando para nós, perguntei a Tyler o que queria que eu fizesse.
Tyler respondeu:
- Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir."

(capítulo 5, páginas 52 e 53)



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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

sábado, 6 de maio de 2017

Top Comentarista maio + resultado abril










Olá amigos leitores! Ainda tem alguém ai? Sei que ando meio sumida do blog, e que preciso postar mais resenhas, mas por favor, me perdoem. Estou um tanto quanto atarefada, e pretendo voltar a falar com vocês mais frequentemente, ok?

Então vamos falar de coisa boa: presentes! Como vocês sabem, quem mais comenta por aqui concorre ao prêmio do mês, e em abril os leitores tiveram uma vida bem fácil, afinal, foram pouquíssimos posts para comentar, não é mesmo? Sorte de quem foi persistente e continuou acompanhando o blog.

Foram 9 leitoras lindas de viver que comentaram em todos os posts de abril, e cada uma recebeu um número, conforme mostra a figura abaixo. Os números foram inseridos no site random.org, que fez o sorteio de forma randômica, e o resultado foi:



Número 10, Mariana Ogawa. Parabéns, Mariana! Depois de conferir que você cumpriu todas as regras, estou te mandando um e-mail para que você me passe o endereço de envio. Espero que goste do livro e continue nos acompanhando por aqui ;)




E no mês de maio o prêmio para o Top Comentarista será um pouquinho diferente: um pôster da série Perdida, da Carina Rissi, e um kit com 10 marcadores bacanas. Já adianto a vocês que também não teremos tantos posts quanto eu gostaria, já que estou finalizando meu livro e o tempo vai continuar escasso. Então, aproveitem e comentem em tudo que aparecer por aqui, que o prêmio é lindão.

Ah! não se esqueçam de seguir as regras:


Comentar nesta postagem com nome de seguidor, e-mail válido e perfil no Facebook ou Twitter  para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato com o vencedor. 

Curtir a fanpage do blog no Facebook clicando aqui;

- E claro, comentar em todas as postagens do mês.

Lembrando que:
  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de participantes, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org ou no sorteador.com;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do e-mail, e o blog não se responsabiliza por atrasos ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.


Conto com a visita de vocês durante mais esse mês de muito estudo e trabalho para mim, e várias resenhas legais para vocês, seus lindos!




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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um pouquinho de...

"Júlio não sabe, só sabe que anda, anda como se as pernas não lhe pertencessem, e quando ele se dá conta é como se elas não pertencessem mesmo a seu corpo, porque não as sente, seus sentidos estão tomados de assalto pelo ambiente. Os ouvidos, pelos vocais de Robert Smith, porque agora você se lembra que o que sai das carrapetas do DJ não é fado, bolero ou tango, mas o bom e velho britpop dos eighties, para ser específico 'Charlotte Sometimes', a canção do The Cure que sempre invadiu seus ouvidos com uma sensação arrebatadora, mas que agora é perturbadora, incômoda, labiríntica, como se tirasse os seus pés do chão, não de arrebatamento extático, mas como se fosse um ataque de labirintite, um terremoto dos sentidos, um impacto profundo no ouvido interno, um soco na cara da realidade que quase faz com que seus olhos saltem de tão arregalados para tentar ver além do véu de Maya que embaça tudo à sua frente, e enquanto isso ele anda por entre as pessoas no ambiente apertado e sufocante."

(páginas 2 e 3 - este conto já foi resenhado no blog, leia clicando aqui)


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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Charlotte sometimes [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto do autor veterano de dicção científica Fábio Fernandes, originalmente publicado em Interface com o Vampiro. Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória - ou será a memória de outra pessoa?"

Esse foi o conto mais envolvente que li essa semana. Já começa como se o leitor estivesse dentro de um sonho, dando exatamente aquela sensação de entrar numa cena, do nada, e de repente se dar conta de que está lá. O protagonista acha que está numa boate, mas se lembra de que aquele lugar fechou há muito tempo, então ele fica em dúvida sobre se o que está vivendo é real ou ilusão. Ele também reencontra uma mulher que, depois descobrimos, não poderia estar ali. E o ritmo da narrativa também é frenético e confuso, não permitindo que o leitor faça  a distinção entre realidade ou sonho.

Gostei muito da escrita do autor e da velocidade que ele deu à narrativa. Tudo é muito rápido, caótico, desconexo. As coisas que acontecem são estranhas, mas também podem ser muito reais, e isso é que faz do conto uma ótima leitura. O autor utilizou muito bem o ambiente da boate para dar aquele clima meio enevoado e sombrio que o sonho transmitia, e o final é exatamente como sair dele de repente. Dá até aquela vontade de fechar os olhos e tentar voltar para a mesma parte que estava antes de acordar.


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Despertar de um sonho [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto de Melissa Sá, autora da distopia Metrópole. Ilio é uma pessoa especial, podendo manipular a realidade com o poder da mente. Mas quando o mesmo sonho intenso lhe invade as noites, despertar para a dura realidade de um mundo morto só é possível pois nele pode estar uma revelação do futuro."

Esse conto é quase um spin-off da série Metrópole, então, quando comecei a ler fiquei um pouco perdida. Foi como cair de paraquedas em algo que já estava em andamento, mas aos poucos a leitura vai envolvendo e a coisa começa a clarear. Os personagens estão vivendo num mundo pós-guerra, embaixo da terra, pelo que demonstra a descrição do lugar, e todos trabalham numa sociedade organizada por habilidades. Por exemplo, a amiga de Ilio, Sara, tem facilidade para cuidar de pessoas, por isso, é aprendiz de curandeira. Mas Ilio parece um tanto divergente, e não emprega seu dom no trabalho: ele é telepata, mas prefere atuar na limpeza. Sua telepatia mostra, sempre no mesmo sonho, uma garota que ele não conhece, e que, de repente aparece no lugar. O problema é que ela parece não conhecê-lo, enquanto ele acredita que ela é especial.

A história é curta, porém, complexa, com Sara meio atrapalhada e Ilio cheio de conflitos internos e externos. Ele tem um rival chamado Hector, que o humilha em certo momento do conto, deixando claro que não o deseja ali, talvez por inveja de seus poderes psíquicos. Isso mostra a habilidade da autora, já quem em poucas páginas conseguiu criar um conflito entre os personagens e lançar no leitor a curiosidade sobre quem é a menina misteriosa dos sonhos de Ilio e se eles vão ser importantes um para o outro. Acredito que isso se deva resolver em Metrópole.


Despertar de um sonho
Melissa de Sá
13 páginas
editora Draco
nota no Skoob: 4.1
nota do blog: 4.3


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

The Schroedinger Show [Resenha]


"Conto de ficção científica de Carlos Orsi, autor de As dez torres de sangue. Quando a avançadíssima indústria cultural do futuro resolve explorar os paradoxos da mecânica quântica, toda a galáxia treme."

O conto, que faz parte dos Contos do Dragão da Editora Draco, retrata uma época futurista, onde a ciência e a física estão muito mais evoluídas que hoje, e a tecnologia é muito avançada. Um astro pop muito famoso toma conhecimento da experiência do Gato de Schrödinger, que basicamente trata de um paradoxo: o gato na caixa pode estar vivo ou morto ao mesmo tempo, só se descobre a verdade quando a caixa é aberta (O Sheldon fala sempre dela em The Big Bang Theory, mas você também pode ler mais sobre o assunto clicando aqui). Então esse super astro que, aparentemente, é um pouco mimado, no sentido de sempre conseguir o que quer, decide por à prova o experimento e anuncia que fará um Schrödinger Show, estando ao vivo em diversos planetas da galáxia ao mesmo tempo, o que causou furor não só entre seus fãs mas também entre a comunidade científica. Chegaram a falar sobre golpe, alegando que o cantor só queria arrecadar mais dinheiro, já que não tem como estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. O final disso tudo deu o que falar.

Gostei muito do conto, desse ar futurista e do uso de gírias como se elas fossem um movimento retrô que estaria na moda. Mas fiquei muito curiosa para conhecer mais desse universo e para saber outros detalhes do pop star convencido. O conto é bem curtinho, e deixa um gosto de quero mais. O autor poderia ter aproveitado a boa ideia e desenvolvido a história, pois a impressão que fica é de que tudo termina muito de repente. Se essa foi a intenção dele, está de parabéns.


The Schroendinger Show
Carlos Orsi
editora Draco
7 páginas (conto)
nota no Skoob: 2.7
nota do blog: 3.0



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