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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um pouquinho de...

"Ligo para Tayler.
O telefone toca na casa alugada de Tayler na Paper street.
Por favor, Tyler, me livre desta roubada.
E o telefone continua chamando.
O porteiro se inclina sobre o meu ombro e diz:
- Muitos jovens não sabem o que querem de verdade.
Preciso que me resgate, Tyler, por favor.
E o telefone chama.
- Os jovens pensam que querem o mundo inteiro.
Me livre das mobílias suecas.
Me livre da arte rebuscada.
E o telefone chama outra vez e Tyler atende.
- Se não sabe o que quer - o porteiro continua -, acaba tendo um monte de coisas que não quer.
Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.
Me salve, Tyler, de ser completo e perfeito.
Tyler e eu combinamos de nos encontrar em um bar.
O porteiro me pede um telefone em que a polícia poder á me encontrar. Ainda estava chovendo. Meu Audi ainda estava no estacionamento, mas o tocheiro alógeno Dakapo tinha atravessado o vidro da frente.
Tyler e eu nos encontramos, tomamos várias cervejas e ele diz que sim, eu podia me mudar para a casa dele, mas teria que lhe fazer um favor. 
No dia seguinte a minha mala chegaria com o mínimo, seis camisas e seis pares de cuecas.
Lá. bêbado em um bar onde não havia ninguém nos olhando ou ligando para nós, perguntei a Tyler o que queria que eu fizesse.
Tyler respondeu:
- Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir."

(capítulo 5, páginas 52 e 53)



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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Clímax [Resenha]

onde comprar: Fnac//Amazon//Americanas 


"Penny Harrigan é uma jovem recém-formada em Direito, que trabalha no maior escritório de advocacia de Manhattan. Vinda do meio-oeste, ela mora em um apartamento no Queens com duas colegas, e há tempos não tem sinal de vida amorosa. Por isso, imagine o choque que leva quando C. Linus Maxwell - ou ClíMax, o megabilionário famoso por casos com as mulheres mais lindas e cobiçadas do planeta - a convida para jantar? Pois ele não só a leva ao restaurante mais badalado de Nova Iorque, como também a uma cobertura de Paris, onde, caderneta à mão, começa a conduzi-la por dias e dias de ápices insonháveis de prazer orgásmico, Vai reclamar? Sim: Penny descobre que é a cobaia na etapa final de pesquisa e desenvolvimento da Beautiful You, uma linha de apetrechos sexuais que serão vendidos às mulheres do mundo todo, numa cadeia multinacional de lojas."

Nunca tinha lido nada do Chuck, e sempre ouvi ótimas opiniões sobre seus livros, então resolvi começar por esse, e não por Clube da luta, e não me decepcionei: ele realmente escreve muito bem, e sua narrativa é fluida e inteligente.

Com uma protagonista que não tem nada de boba e inocente, mas está um tanto quanto decepcionada com o rumo que sua vida está levando, Chuck satiriza as personagens insossas dos chick-lits que dominam o mercado desde o surgimento de Christian Grey. Peny é uma advogada que não consegue passar no exame da Ordem, por isso não é respeitada no escritório onde trabalha, sendo, na maioria das vezes, vista como a garota responsável pelo café.

Seus sonhos são ambiciosos: ela quer se realizar profissionalmente e segui o exemplo das mulheres que sãos seus ídolos, fazendo algo importante para as outras mulheres do mundo. Mas isso se mostra mais difícil do que ela imagina. No âmbito pessoal, ela quer achar um amor sim, mas há muito tempo não tem um relacionamento.

Então ela é abordada por C. Linus Maxwell, um milionário poderoso que a chama para sair, contrariando todas as suas expectativas. Após o primeiro encontro, todos os jornais e revistas já estão falando deles, e ela acha que vai ser o fim. Mas Max volta a convidá-la com frequência, e eles ficam cada vez mais juntos. Depois de transarem pela primeira vez, Penny percebe algo estranho: ele não faz sexo, ele estuda e analisa o corpo dela, como se fosse uma experiência. O que, mais tarde, ela descobre ser verdade.

Max está criando uma linha de produtos eróticos nunca antes vista, que vai levar as mulheres a orgasmos super intensos, como elas jamais poderiam sonhar. E Penny nada mais é do que uma cobaia, com quem Max faz seus testes e aperfeiçoa seus produtos. Após 136 dias, ela a dispensa, e lhe dá uma grande soma em dinheiro para que ela nunca fale com ninguém sobre o que fizeram juntos.

A linha de produtos Beautiful You cai como uma bomba no mercado: as mulheres ficam totalmente dependentes dos brinquedos, abandonam trabalho, família e toda a sua vida pregressa para ficaram trancadas nos quartos usando as criações de Max. O mundo real vira um caos, já que os homens se desesperam e não sabem mais o que fazer para trazer de volta suas mulheres.

O cenário passa a ser quase pós-apocalíptico: com mulheres viciadas nos orgasmos proporcionados pelos brinquedos de Max, caminhando pelas ruas como zumbis, enquanto outras se exaurem sozinhas em seus quartos, sem comer ou dormir.

Penny se sente responsável pela situação e tenta resgatar as mulheres desse transe, mas não consegue fazer nada; as dependentes do prazer se voltam contra ela, enquanto os homens querem atacá-la, já que ela parece ser a única que não está viciada nos brinquedinhos. As ruas ficam perigosas para Penny, e isso a impede de seguir seu plano.

Para piorar, ela descobre que através desses apetrechos, Max está implantando nas mulheres nanorrobôs, que viajam por sua corrente sanguínea e dão a ele total controle sobre o que elas pensam. Apavorada com a situação, já que ela mesma foi uma vítima do plano malígno de Max, ela vai atrás da mentora sexual dele para tentar aprender algo que o impeça de dominar o mundo.

A narrativa de Chuck é brilhante, e ele tem o dom de descrever lugares e situações com poucas palavras, mas que criam uma imagem na cabeça do leitor. Seus personagens são muito bem construídos, e todos têm a personalidade bem definida. Além disso, a estória é atemporal, mas ao mesmo tempo faz referências à fatos contemporâneos, como a recente febre causada pela saga Crepúsculo. Aliás, o autor deve detestar os livros de Meyer, pois fala sobre eles diversas vezes num tom totalmente irônico.

Eu estava achando o livro perfeito, até o seu desfecho, quando ele deixou de fazer sentido. Achei o final, e os acontecimentos que levaram a ele, bem fraco. Depois de ler quase 200 páginas de uma estória empolgante e inovadora, esperava que o autor fosse dar a sua protagonista um final mais digno. Talvez esse seja o estilo do Chuck, ou talvez minha expectativa fosse alta demais, mas o fato é que não gostei conclusão.

O livro é divertido, inteligente, intrigante e gostoso de ler. Recomendo para todos que procuram uma leitura ágil e fluida, e que gostam de um estilo narrativo moderno, sem floreios e com personagens marcantes.

Clímax
Chuck Palahniuk
editora Leya
224 páginas
nota do Skoob: 3.5
nota do blog: 3.5



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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O espadachim de carvão e as pontes de Puzur [Resenha]

onde comprar:Amazon//Americanas//Submarino//Extra

"Lutando para se adaptar ao mundo dos mortais, Adapak se refugia no navio de Sirara, farto de lidar com os segredos do passado. Mas quando um antigo diário cai em suas mãos, o Espadachim de Carvão acaba por mergulhar nos registros de alguém responsável por influenciar não somente sua vida, mas a historia de Kurgala - uma menina forçada a acompanhar a jornada de um ladrão desesperado, disposto a violar as regras mais antigas que Os Quatro Que São Um deixaram para trás. Quem foi Puzur? O que procurava? Enquanto viaja pelas páginas do tempo, Adapak desconhece que sua curiosidade está prestes a colocá-lo sob a ameaça de algo que ele mesmo possa ter desencadeado."

Nesse retorno a Kurgala, acompanhamos o desenvolvimento de Adapak e de sua relação com Sirara, enquanto ele se esconde no porão de um navio, e tenta se adaptar à sua nova vida. Ele ainda tem as espadas e ainda consegue usar os Círculos para lutar, mas já não dispõe das facilidades e do conhecimento que tinha em sua antiga casa.

Da mesma forma que fez no primeiro livro (leia a resenha), aqui o autor também alternou os capítulos com dois tempos distintos: o passado, contando a história de Puzur e suas pontes, que podem transportá-lo rapidamente para lugares diferentes, e o presente, onde Adapak tenta descobrir, através da leitura de antigos arquivos, quem foi Puzur e de onde vieram suas espadas.

Esse recurso de interromper uma linha de pensamento para dissertar sobre outro personagem ou lugar totalmente diferentes é muito interessante, pois faz com que o leitor realmente dedique sua atenção à leitura, e transforma cada capítulo numa estória quase completa, que termina e depois recomeça no próximo capítulo, prorrogando o clímax por mais tempo.

Puzur é um personagem interessante. Num primeiro momento, ele é apenas um ladrão que quer colecionar cada dia mais relíquias poderosas e se drogar, mas conforme sua estória vai sendo contada, percebemos que ele é bem mais que isso, principalmente por causa de sua amizade com Laudiara, uma humana que estava no lugar errado e na hora errada e acaba prisioneira de Puzur.

No desenvolvimento da narrativa a participação de Laudiara se mostra muito importante, e em alguns momentos é revoltante a forma como Puzur a trata, sem nenhum tipo de consideração ou cuidado. Mas depois é fácil entender suas atitudes, tanto que a própria Laudiara o perdoa.

Esse livro é mais fininho que o primeiro, e aqui não tem tanta explicação sobre o universo criado por Affonso Solano, mas, apesar disso, achei a narrativa um pouco lenta e arrastada. Isso não a deixa menos interessante, mas pode fazer com que alguns leitores desistam no meio do caminho. Mas eu realmente espero que isso não aconteça e que vocês consigam chegar ao final do livro, pois os dois últimos capítulos fazem toda a leitura valer a pena.

O final é emocionante, e deixa coisas para serem resolvidas no próximo livro, o que me surpreendeu e agradou ao mesmo tempo. Estou realmente curiosa para saber como Adapak vai se virar, e se Puzur e Laudiara vão voltar a aparecer. Espero que o terceiro livro não demore.


O espadachim de carvão e as pontes de Puzur
Affonso Solano
editora Leya
192 páginas
nota do Skoob: 4.2
nota do blog: 4.0


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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Affonso Solano e Raphael Draccon autografam seus novos livros

Foi um final de semana movimentado! E foi uma grande alegria estar novamente na presença de escritores tão incríveis!



















Na sexta-feira, estive mais uma vez com Raphael Draccon - sempre um fofo - que estava autografando seu novo livro, Cidades de Dragões, Legado Ranger II.

Estou ansiosa para começar a ler esse livro, porque adorei o primeiro e quero saber como os Rangers vão se virar agora, num ambiente bem diferente do anterior (leia a resenha de Cemitérios de dragões aqui).



No bate-papo antes da sessão de autógrafos, um leitor perguntou ao Draccon se ele tinha um personagem preferido nessa estória, e ele disse que tem uma afeição especial pela Ashanti, por toda a sua história de vida e o peso que o sofrimento dela no passado tem em suas ações no presente. Ela também é a minha preferida! Acho a Ashanti demais, e quero que ela lute muito nesse segundo livro.

A Carolina Munhóz também estava na Livraria Leitura, autografando O mundo das vozes silenciadas, mas, como não li o primeiro livro e nem tenho a intenção de ler esse segundo, não tive nenhum contato com ela nesse dia. Fica pra próxima.



Depois, no domingo, voltei à livraria para finalmente conhecer Affonso Solano, autor de O espadacim de carvão (resenha aqui). Ele está lançando o segundo volume da série, intitulado O espadachim de carvão - as pontes de Puzur.

O Affonso é muito legal, e eu adorei conhece-lo. Além de autografar os livros, ele desenhou as três espadas de Adapak, e me explicou a origem do nome delas.

Entreguei um marcador de páginas do blog para ele, que acabou personalizando o autógrafo com uma brincadeira com o nome do blog, vejam:



Foi muito legal passar um tempinho com o Solano, e ver de perto aquele bigode maneiro que ele vem cultivando, rsrsrs. Tiramos uma foto bacana, invocando a magia dos Círculos, e claro que a cara dele ficou mais divertida que a minha.



Apesar do calor e da imensa fila, na qual fiquei por quase uma hora e meia, valeu a pena. Essa já era a quarta vez em que eu tentava conseguir um autógrafo dele, e deu certo. Acho que Os Quatro Que São Um me ajudaram dessa vez.



E como nem só com escritores se faz um grande evento, também pude reencontrar alguns amigos de fila, rsrs, aqueles que estão sempre nas sessões de autógrafos e lançamentos de livros, e também fazer novas amizades com blogueiras da região. Adoro esses encontros para confraternizar com vocês!

Então queridos leitores, não percam tempo: se ainda não conhecem nenhum dos livros citados aqui, acessem os links abaixo e adquiram já seus exemplares, e conheçam essas duas estórias fantásticas, que não devem nada para as de autores internacionais. Temos que valorizar mais nossos autores =)

Cidades de Dragões - onde comprar:
Livraria Pergaminho, Extra, Livraria Cultura

O espadachim de carvão, as pontes de Puzur - onde comprar:
Americanas, Livraria da Folha, Amazon



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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sei Que Eu Sei News #17


Notícias literárias pululando pela blogosfera essa semana!

A Intrínseca revelou a sua capa para o já clássico "Quem é você, Alasca?", de John Green:


A editora adquiriu os direitos de publicação que eram da Martins Fontes e, com certeza, vai explorar mais esse sucesso do queridinho João Verde.

E o enquanto Sr. George R. R. Martin está finalizando o sexto volume de sua saga "Guerra dos Tronos", a Leya anunciou que vai publicar um conto do escritor, ambientado no mesmo universo que GoT.

"O dragão de gelo" foi escrito em 1980 e, dizem, é um esboço do que viria a ser o maior sucesso do escritor, que nunca confirmou essas especulações. O livro é voltado para o público infantil e serrá lançado pela editora próximo ao dia das crianças, com ilustrações de Luis Royo, artista espanhol que já fez as capas das edições americanas dos livros de Martin.




E para aguçar ainda mais a curiosidade dos fãs de "The walking dead", a AMC, que já tinha soltado alguns teaser dias atrás, liberou hoje um trailer da 5ª temporada da série, que mostra rapidamente o início do conflito entre o grupo de Rick e o pessoal do Terminus, exatamente onde terminou a temporada anterior:

 
The Walking Dead 5ª Temporada Trailer: "Nunca... por WalkingDeadBr

Lembrando que a 5ª temporada começa em 12 de outubro nos EUA e 14 de outubro aqui, pela Fox.


fontes: Veja, Magnatas.net, Burn Books

quinta-feira, 27 de março de 2014

Espíritos de gelo - resenha


"Um homem acorda acorrentado, com os braços para cima, em uma sala escura, com dois torturadores vestidos com detalhes masoquistas ao lado e um interrogador baixinho, vestido com roupas sociais e uma camisa surrada do Black Sabbath. Eles o informam que ele acordou em uma banheira sem um rim e sofreu um choque amnésico, que o impede de lembrar os detalhes. Assim sendo, eles partem do princípio de que  outros choques traumáticos podem desbloquear essas memórias, se necessários. E se iniciam as piores partes. O livro faz referências à lenda urbana da banheira de gelo, às lendas ao redor da história do rock'n'roll e até às motivações e psicologia ao redor da criação das lendas urbanas."

Esse foi o primeiro livro do Draccon que li e já me encantei! A escrita dele é moderna e a leitura flui muito bem.

Sem nenhuma explicação, um homem acorda num lugar estranho, amarrado, e com três pessoas que ele nunca viu, uma lhe fazendo perguntas e as outras duas lhe espancando a cada resposta que eles julgam incompleta ou irônica. O torturador quer que ele conte o desfecho de uma história da qual ele não consegue se lembrar, e usa as mais diversas formar de causar dor, dizendo que isso o ajudará a recordar tudo o que aconteceu. Eles estão numa sala escura, quente, abafada, fedida e com chão úmido, que me lembrou bastante o quarto de torturas do livro "1984".

"Lá dentro daquela sala se escutavam gritos que vinham de fora e, por mais longe que as outras salas estivessem, pareciam vir de dentro; porque pareciam vir de nós mesmos."

Aos poucos o método realmente vai fazendo efeito e o homem preso começa a narrar sua história desde que conheceu uma linda mulher chamada Mariana Slaviero até o momento em que foi encontrado numa banheira cheia de gelo com apenas um rim. Não é spoiler dizer que o protagonista se lembra de como acabou naquela situação, já que a história narrada por ele é muito mais intrincada do que podemos imaginar.

Nosso protagonista se envolve com Mariana e descobre que a moça faz parte de um tipo de seita, para onde ela quer levá-lo também: o grupo de participantes, guiados por um guru esquisito, se encontra no templo em busca de prazer sexual profundo, além do normal alcançado pelas pessoas. Ali praticam sexo transcendental e esperam atingir um nível de satisfação quase espiritual. Quase todo o foco da trama está nas atividades desse grupo, e é ali que acontece o fato principal que leva o protagonista a perder um rim e não se lembrar de como aconteceu.

É interessante a forma como o autor conduz a narrativa, usando como linha temporal os lugares onde cada fato aconteceu (cativeiro, mansão, motel, ponte etc), deixando implícito para o leitor quando a cena está acontecendo no tempo presente e quando o narrador está contando algo do passado.

Além disso, o livro é muito atual, cheio de citações de filmes, livros e, principalmente, bandas de rock contemporâneas; diferente de outros autores, Raphael Draccon fala claramente sobre essas referências, e não as usa de forma metafórica, exigindo que o leitor as decifre pelo contexto da estória. Ele cita Neil Gaiman, Irmãos Grimm, O Senhor do Anéis, Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, Rolling Stones, Black Sabbath, Rain Man, Beatles, Sr. Miyaghi e até Edward Cullen, e essas referências não ficam forçadas. Elas se encaixam no enredo de forma natural e, muitas vezes, dão um toque descontraído à narrativa.

Alguns dos diálogos entre o protagonista e seu torturador são muito interessantes, quando eles debatem de forma divertida temas sérios e profundos, e isso contribui para que a leitura seja dinâmica e prazerosa.

O final do livro é muito bacana: além de fechar a estória com acontecimentos totalmente plausíveis, o autor ainda disserta sobre lendas urbanas e a forma como elas se espalham. E também dá para tirar uma lição do desfecho da trama.

Draccon conseguiu me convencer com sua escrita atual e sua forma inteligente de contar uma boa estória. Em alguns momentos seu estilo me lembrou um pouco o de Tony Bellotto, e isso me fez gostar ainda mais da leitura. O ponto forte da narrativa com certeza são as referências, mas a estória como um todo é muito boa, e é totalmente possível terminar a leitura em apenas um ou dois dias, já que o enredo prende a atenção do leitor, que fica, a cada capítulo, esperando descobrir como se resolve o mistério que nem o próprio protagonista consegue lembrar.

Espíritos de gelo
Raphael Draccon
editora Leya
176 páginas
nota do blog: 4.7
nota do Skoob: 3.8
compre pelos links: Cultura, Submarino, Saraiva ou Americanas

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A filosofia de Tyrion Lannister - resenha



"'A filosofia de Tyrion Lannister' é o presente perfeito para os fãs da série da HBO, Game of Thrones. Uma coleção de frases espirituosas de um dos mais sagazes e carismáticos personagens de todos os tempos. Os invejosos dos Sete Reinos podem chamá-lo de 'meio homem', mas ninguém jamais acusou Tyrion Lannister de ter uma inteligência pela metade. Sua língua afiada salvou sua pele mais vezes do que o colocou em perigo. Esta edição especial e totalmente ilustrada guarda seus mais profundos ensinamentos para as gerações futuras, trazendo todo seu conhecimento sobre os mais variados temas, como: a arte da persuasão, as delícias da mesa, saúde, a política real e, claro, os atrativos do sexo oposto."

Como bem resumiu a sinopse acima, esse livro é inteiramente dedicado aos fãs de GoT e, principalmente, aos admiradores da sagacidade do personagem Tyrion Lannister, o anão renegado pelo próprio pai e famoso entre as mulheres. Ele não mede as palavras e é muito inteligente, e como ele mesmo gosta de dizer, ele tem que se destacar com a inteligência, já que não é respeitado por sua altura, nem tampouco por seguir as tradições de sua família.

O livro é uma compilação das melhores frases do Imp, separadas por tema - aqueles preferidos do pequeno Lannister: sabedoria, família, comida, bebida, mulheres, música e até como salvar sua pele.

Quase no mesmo estilo que o "Minutos de sabedoria", de Carlos Torres Pastorino, esse livro parece conter uma frase de efeito perfeita para cada situação vivida por Tyrion na saga de George R. R. Martin; com sua perspicácia e petulância, o anão consegue se safar das situações mais complicadas e até ajudar aqueles que gosta apenas usando a oratória.

Alguns exemplos de sentenças registradas nesse livro, e que poderão se tornar frases célebres se usadas corretamente pelos leitores e fãs de Tyrion:

"Todos os anões são bastardos, mas nem todos os batardos têm de ser anões."
"Palavras são vento."
"Assassinar familiares é um trabalho duro. Dá sede."
"Todo tolo gosta de ouvir que é importante."
"Dizem que sou meio homem. O que isso faz de vocês?"




O destaque desse livro é sem dúvida o projeto gráfico: impecável, com capa dura, ilustrações de página inteira abrindo cada novo tema, com um toque de humor e outras pequenas em cada rodapé; algumas páginas têm em sua borda um estilo pergaminho e algumas são marrons, alternando com a cor branca das demais. Tudo isso dá ao livro um ar de item de colecionador, seguindo o cuidado que a editora Leya sempre tem com suas publicações.



Cada página traz uma frase, como pequenas gotas de sabedoria, algumas cômicas, outras nem tanto, mas todas legitimamente criações de Tyrion Lannister.



Como o livro é curtinho, a leitura é bem rápida, dinâmica e prazerosa. Imperdível para os fãs da série, e bastante interessante para quem ainda não está 100% envolvido com Game of Thrones e quer conhecer um dos personagens mais envolventes da trama.

A filosofia de Tyrion Lannister
George R. R. Martin
editora Leya
160 páginas
nota: 5
nota no Skoob: 3.9

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Cheiro de livro novo #13

Muitos muitos livros novos essa semana =)



Há alguns dias ganhei uma promoção no blog No mundo dos livros,e recebi esse pacote lindo da Darkside Books,   editora especializada no gênero terror, e que me mandou "Psicose" e uma biografia de Stephen King.



E eles não capricharam só no envelope; os livros são incríveis, capa dura, com acabamento impecável, e que ganharam o posto de mais lindos na minha estante:



A editora ainda mandou uns mimos bacanas, como esses marcadores, um adesivo e um aviso de não perturbe para colocar na porta enquanto estiver lendo (faltou a foto desse, mostro depois):




Agora vamos às compras. Começando por "A filosofia de Tyrion Lannister", da editora Leya; achei lindo, desde a capa até as ilustrações nos rodapés das páginas. Não vou dar muitos detalhes sobre ele agora, vou deixar para falar bastante na resenha, que será postada em breve.



Quem resiste a um bom livro por um ótimo preço? Eu não, então comprei esse box lindinho da trilogia Hannibal, e paguei baratinho no Submarino:




A caixa é pequena, mas de ótima qualidade, e os livros têm as capas com imagens emblemáticas dos filmes:


Completando a coleção de livrinhos da J.K. Rowling, chegou "Animais fantásticos e onde habitam": já li e logo vou resenhar para vocês ;)



Depois que comecei a ler "Bento", de André Vianco, fiquei encantada por seus vampiros e decidi começar a comprar todos os seus livros. O primeiro foi "Os sete", acho que é seu primeiro livro também.



E de tanto ouvir elogios a Neil Gaiman, comprei esses dois dele. Dizem que são os melhores, vamos ver...



E fechando muito bem a semana de compras, chegou finalmente o meu "A batalha do apocalipse". A propaganda do Jovem Nerd surtiu efeito, e eu quero muito ler esse livro, mas, preciso arrumar um tempinho para me dedicar às suas mais de 500 páginas.


É isso. Espero voltar em breve com muitas novidades para compartilhar com vocês.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Um pouquinho de...



"Minha mente é a minha alma. Meu irmão tem a sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar para se manter afiada."

página 28 - Sobre o poder das palavras

terça-feira, 25 de junho de 2013

As capas mais legais da minha estante

Olá leitores! Hoje quero compartilhar com vocês 5 capas que eu acho mais bonitas e interessantes dentre os livros que tenho na minha estante. Quando tive a ideia do post, já planejei escolher apenas cinco, e tinha pelo menos 3 em mente, mas na hora de selecionar foi difícil... Bem, vamos a elas:


O quinto volume de "As crônicas de gelo e fogo" tem uma capa incrível, em tons de vermelho e com o dragão de Daenerys, uma das minhas personagens preferidas.


"Lonely hearts club" de Elizabeth Eulberg e sua versão da clássica foto dos Beatles atravessando a Abbey Road também é muito legal. Foi a capa que me chamou a atenção e me fez querer ler esse livro.


A capa desse livro é muito bonita: "A breve segunda vida de Bree Tanner" tem o fundo escuro que destaca a areia vermelha da ampulheta caindo, e as letras prateadas seguem o mesmo estilo das usadas nos livros da saga Crepúsculo. Analisando o todo, é uma das que mais gosto.


Comprei esse livro no Submarino só para completar a minha coleção de grandes clássicos e, assim que ele chegou, me encantei com sua capa. Acho que é porque adoro roxo, rs. Além disso, os detalhes em preto e laranja remetem a um clima de Halloween, que traz à lembrança coisas assustadoras.  E a arte da capa é perfeita, mais um ótimo trabalho da editora Leya.


Para finalizar, essa capa psicodélica de "No buraco", do Tony Bellotto, que mistura itens contidos na própria estória, e que tem um buraco no meio... isso mesmo, essa parte redonda em preto, onde está o título do livro, é vazada, como tentei mostrar na foto a seguir. 


Muito legal e inusitado. Espero que tenham gostado. Até!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sexta de música #26

Acredito que para os fãs de Game of Thrones o final da 3a. temporada da série exibida pela HBO foi um tanto quanto surpreendente. Pelo menos para quem (como eu) ainda não leu os livros (só li o primeiro). Não vou poder me aprofundar muito nos motivos que causaram tanta surpresa para não criar spoilers, mas, se você assistiu, sabe do que estou falando.


Com tanta coisa me incomodando após esse final tão incrível quanto decepcionante, só conseguia pensar no que mais pode sair da cabeça de George R. R. Martin, o criador dos personagens mais intensos da literatura, mas também o seu algoz.


Esse cara não se apega a nenhuma de suas criações, e é capaz de acabar com todos eles quando você menos espera. Então, quando ler os livros ou assistir à série, esteja preparado para tudo.


Como sempre faço relação entre a literatura e a música, fiquei imaginando qual seria uma canção com a cara de Martin: que trilha sonora ele ouviria enquanto estava imaginando a saga Game of Thrones? Será que ele é louco? Ou estaria apenas sob o efeito de drogas poderosas? A música que retrata o frenêsi que envolve o nascimento e a morte desses personagens tinha que ser bem agitada, beirando a insanidade, daquelas que te fazem querer pular sem parar. Vejam se concordam comigo:


Olha a referência ao pássaro que está sempre rondando o jovem Bran (rsrs).

Fazendo um contraponto a toda essa agitação do punk rock dos Ramones, vamos imaginar que um dos personagens agora pudesse se expressar através de uma única música, uma que disesse tudo aquilo que ele estava sentindo no exato momento em que a 3a. temporada da série terminou. Estou me referindo a Robb Stark: ele poderia usar uma das viagens psicodélicas do Pink Floyd para desabafar e colocar para fora todo o seu sofrimento. E ele teria quase 10 minutos para fazê-lo:


"Us, and them
and after all we're ordinary men.
Me, and you
God only knows it's not what we choose to do..."

"Nós e eles
e afinal somos todos homens comuns
eu e você
só Deus sabe que não é isso que teríamos escolhido..."

É isso aí, a casa Stark sempre nos emocionando com seus dramas... e suas péssimas escolhas.