quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ele é o cara #27

Ele, que ocupa o mesmo lugar que Augustus Waters no meu coração, tem que ser o cara da semana especial "Métrica": Will Cooper.


Will ainda não tem um rosto ou uma imagem, por isso fiquei com essa, divulgada pela editora. Parece que um estúdio já comprou os direitos de filmagem do livro, então, em breve, saberemos quem foi o escolhido para viver esse personagem tão intenso.

Uma das minhas preocupações ao escrever esse post foi não soltar nenhum spoiler da estória, para que minha amiga Sandra possa manter a expectativa da leitura, rsrs. Para quem ainda não conhece o livro, é melhor mesmo não saber muito a respeito da trama, e, quem já leu, entende do que estou falando.

Um rapaz de 19 anos, que está começando a sua vida tranquilamente, de repente se vê obrigado a assumir grandes responsabilidades para quais ainda não está preparado. Isso, certamente, é difícil para qualquer um, e também foi para Will, mas ele encarou de frente o desafio de cuidar do irmão mais novo, trabalhar e estudar, tudo isso enquanto sofria uma grande decepção amorosa e tentava encontrar seu lugar no mundo.

Quando as coisas parecem estar se encaminhando para uma certa tranquilidade, eis que surge Layken, carinhosamente chamada de Lake por sua mãe, e entra na vida de Will como uma tempestade de verão, rapidamente e derrubando algumas estruturas à sua volta. Claro, ela se apaixona por ele no instante em que o conhece.


Lake poderia ser uma adolescente normal, mas, assim como Will, teve grandes perdas e precisa ser o ponto de apoio de sua família, aquela pessoa forte em quem todos podem confiar.

A história de vida de Will é uma grande lição. Mas ela também é um aviso: viva intensamente todos os momentos ao lado de quem você ama, e deixe as pessoas importantes em primeiro lugar na sua lista de prioridades.

Além de ser lindo e fofo, inteligente e responsável, Will também escreve poesia. Ok, ele não só escreve como também as declama, e esse é um aspecto importante na construção do personagem: torna-o sensível e deixa todos os seus sentimentos à flor da pele, mesmo quando ele os tenta esconder. Esse seu lado poeta lhe permite enxergar a vida sob uma ótica diferente e, como todo poeta, ele canaliza seus desejos e frustrações em seus poemas, usando essa forma tão peculiar de arte para extravasar todas as suas emoções.


Will é doce e tenho certeza que muitas leitoras idealizaram um grande amor com as mesmas características dele: fisicamente perfeito, de opinião forte mas extremamente carente. Apaixonado por Lake ele tenta sempre protegê-la e fazer coisas que a deixem feliz, mas fica claro que ele também precisa de colo às vezes, e de um gesto de carinho para alegrar seu coração.


Um personagem tão complexo e cativante tem seu lugar garantido no coração das leitoras e aqui no blog também. Mas não se enganem, ele não é minimamente parecido com Travis Madox, de "Belo desastre"; ele lembra um pouco o Gus, com semelhanças e diferenças que remetem à mensagem transmitida pelo personagem de John Green, seus defeitos e qualidades. Ele é o cara!


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Semana especial "Métrica" - resenha


"O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz, por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor."

Como é bom se surpreender com um livro! Eu estava lendo comentários sobre "Métrica" no Twitter e em blogs de colegas, então fui procurar conhecê-lo. Ainda bem que não li nenhuma resenha a respeito dele, pois comecei a leitura achando que seria mais uma estória adulta, sensual e erótica - engano total. O livro é delicado e emocionante, tal qual "A culpa é das estrelas", e essa foi uma surpresa muito agradável.

Depois de perder o pai de repente, vítima de um infarto fulminante, Layken muda-se com sua mãe e irmão para uma pequena cidade, bem distante e diferente do Texas, onde ela cresceu. A princípio, ela luta contra essa mudança e não aceita a nova condição de sua família, tendo ficado responsável por ajudar a cuidar e entreter Kel, seu irmãozinho de 9 anos. A mãe passa a trabalhar como enfermeira no turno da noite, e Layken leva e busca Kel no colégio, além orientá-lo no dever de casa, alimentá-lo e lembrá-lo do banho.

Assim que chegam na nova casa, enquanto Layken ainda está dentro do caminhão de mudanças, uma rapaz se aproxima e começa a falar com ela. Claro que ele é lindo e maravilhoso, com um belo corpo e olhos incríveis, e isso faz com que a garota se interesse por ele de imediato. Will tem 21 anos e também tem um irmão pequeno, Caulden, com quem Kel fez amizade rapidamente. O novo vizinho se oferece para ajudar no que for necessário e a partir daí, Will e Lake parecem se conhecer a vida toda, eles se dão muito bem desde o primeiro momento e vão cada vez mais se identificando e descobrindo gostos em comum, como a banda The Avett Brothers.

Eles têm um primeiro encontro mágico, digno dos melhores romances, e isso me encantou (sabem que eu sou fã de romances né, rs). É gostoso acompanhar o desenvolvimento do relacionamento deles e como Lake vai aos poucos descobrindo o verdadeiro amor.

Como não poderia deixar de ser, nem tudo são flores, e Lake acaba descobrindo da pior maneira que o casal não poderá ficar junto. Não vou contar o motivo, para que vocês possam ter a mesma sensação que tive ao ler o livro, mas posso dizer que Will tem motivos muito fortes para deixar o amor um pouco de lado. Ele precisa ser responsável e manter a cabeça sempre no lugar para que não tenha problemas no trabalho nem prejudique seu irmão.

Em alguns momentos dá vontade de pegar Will e falar umas boas verdades para ele, mas, logo em seguida ele se redime do que tinha feito antes, apresentando suas razões para certas atitudes ou simplesmente se deixando levar pela paixão que sente por Lake, e se permitindo ficar com ela por alguns instantes. Aliás, Lake também não é fácil: talvez pela pouca idade ou pela grande perda que sofreu, ela tem dificuldade para entender a situação de Will e suas escolhas, se mostrando uma simples adolescente rebelde em algumas situações, tendo reações típicas de uma menina mimada.

No decorrer da estória, Layken encontra uma melhor amiga, Eddie, que é bem maluca e impetuosa. É ela quem se aproxima de Lake no primeiro dia de aula e já oferece número de celular, perfil em redes sociais e todos os meios possíveis da amiga encontrá-la quando precisar. Essa relação faz bem a Lake, que acaba precisando desabafar com Eddie sobre o drama que está vivendo com Will, e os conselhos da amiga lhe fazem muito bem. Para se ter uma noção do perfil de Eddie, ela foi vendida pela mãe, já passou por vários lares adotivos, mas, apesar da vida difícil, está sempre sorrindo e feliz com o que tem agora.

O mais bacana desse livro é que ele envolve poesia, e, como vocês já devem saber, eu escrevo poesia. Will faz parte de um grupo que se encontra uma vez por semana para declamar seus poemas, e ele leva Lake para conhecer esse lugar. 

Os poemas têm grande importância no desenvolvimento da estória, e acho que isso me fez gostar ainda mais do livro. Além disso, em cada início de capítulo há um pequeno trecho de uma música dos Avett Brothers, que eu não conhecia e fui ouvir. Gostei, e ambientou ainda mais o romance.

Esse livro é muito emocionante, e totalmente diferente do que eu imaginei: chorei muito, acho que mais do que quando li "A culpa é das estrelas", e não conseguia parar de ler: foi a primeira noite de sono que perdi com uma leitura. Ia lendo e chorando, e sorrindo, e me emocionando, e ficando triste por estar acabando. Essa mistura de sentimentos fez com que eu me apaixonasse pelo livro, depois, fiquei dias refletindo sobre a estória e seu conteúdo humano. Acima do romance, a autora passa uma mensagem (sem ser chata ou piegas) de que devemos aproveitar cada momento de nossa vida, seja ele bom ou ruim, pois ela pode mudar de repente e sem aviso.

Recomendo que todos leiam, mas preparem seus corações e seus lenços para enxugar as lágrimas, o livro é realmente uma lição de vida disfarçada de romance, mas esse romance é carregado de descobertas, renúncias, perdas, aprendizados e muita poesia. Já está entre os meus preferidos de todos os tempos e eu fico pensando nele o tempo todo, querendo voltar e reler as melhores partes (ou seja, tudo).

Métrica
Colleen Hoover
editora Galera Record
304 páginas

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Semana especial "Métrica" - Um pouquinho de...


"Will para de mexer no projetor, se levanta e vai até o quadro. Pega um pedaço de giz, escreve algo e dá um passo para o lado.
The Avett Brothers
Will aponta para o nome no quadro.
- Alguém já ouviu falar deles?
Ele olha para mim e balança sutilmente a cabeça, dizendo que não quer que eu fale.
- Parece familiar - diz alguém no fundo da sala.
- Bem - diz ele, andando pela sala - São filósofos que falam e escrevem palavras de extrema sabedoria, fazendo a pessoa pensar mais sobre as coisas.
Tento conter a risada. Mas em boa parte ele tem mesmo razão.
- Uma vez perguntaram a eles exatamente isso. Acho que estavam fazendo uma leitura. Alguém fez uma pergunta sobre a poesia deles, se era difícil ter de reviver as palavras toda vez que se apresentavam. A resposta foi que, apesar de o ideal ser eles superarem aqui (a pessoa ou o evento que inspirou as palavras naquela época), isso não significa que uma pessoa que estiver escutando não tenha passado pela mesma coisa.
E daí? E daí a dor sobre a qual você escreveu no passado não é o que você está sentindo hoje? O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos - é por isso que se escreve poesia."

capítulo 14
página 136

sábado, 3 de agosto de 2013

1, 2, 3... PIN!

Arte representando a Eólica, taberna onde Kvothe toca algumas noites em "O nome do vento", de Patrick Rothfuss


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sexta de música #32


Os roqueiros também amam. E também são românticos ao compor suas canções. Hoje farei uma lista com as 5 músicas mais doces e apaixonadas do rock'n'roll, para provar que os roqueiros-cara-de-mal também têm coração:

Slipknot - Snuff

Essa música está no álbum "All hope is gone", de 2009 e é bem melódica, diferente das canções pesadas da banda, e explora bastante a boa voz de Corey Taylor, vocalista, além de ter belíssimos solos de guitarra e proporcionar ao ouvinte aquela sensação crescente, como se ela começasse num momento de calmaria e fosse subindo para um grande desespero. O vídeo dela também é ímpar, e é quase um curta-metragem. Aqui nesse site o blogueiro Vyktor Berriel explica o vídeo através de suas próprias impressões ao assisti-lo. Algumas teorias dizem que Corey compôs a música com base na história dele com a ex-esposa, Scarllet, como que para mostrar que, apesar deles terem terminado, a presença dele estará junto dele eternamente.


"... ainda pressiono suas cartas em meus lábios/e as estimo em partes/de mim, que saboreiam cada beijo/eu não poderia encarar uma vida sem a sua luz/mas tudo foi dilacerado/quando você se recusou a lutar..."

Slipknot - Vermillion, pt. 2

Como fica claro pelo título da canção, ela é continuação de Vermilion pt.1, e ambas fazem parte do álbum "Volume 3: subliminal verses", lançado em 2005. Ela continua a estória contada na primeira parte e as duas se complementam. Nessa parte 2 (que na minha opinião é muito melhor que a 1) a banda caprichou na melodia, deixando-a envolvente, usando duas guitarras acústicas e um violoncelo. Os vocais se sobrepõem e dão um toque celestial à canção, quase como um coral. Também tem influência da relação de Corey com Scarllet e supõe-se que ele fala aqui sobre amar e perder. Em suas próprias palavras: "Vermilion pt. 1 é sobre se rasgar, e a expectativa e o nervosismo. A parte 2 é o que vem depois, as peças que juntamos mais tarde, e talvez a culpa por termos que viver nisso". O vídeo também é perturbador, mas é impossível não gostar.


"... ela é tudo pra mim/o sonho não correspondido/uma canção que ninguém canta/o inalcançável/ ela é um mito que eu tenho que acreditar/tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão/e eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer/quando ela me entristece..."

Ramones - Here today, gone tomorrow

Até os compositores do mais puro punk rock podem expressar seu amor através de uma baladinha romântica. Que o diga os Ramones que, depois de 2 discos de punk, com riffs de guitarra simples e poderosos, começaram a esmorecer um pouco em "Rocket to Russia" (1977), incluindo no álbum músicas mais tranquilas e com alguma influência pop. "Here today, gone tomorrow" é uma das mais românticas da banda e a letra é um misto de declaração de amor com a descoberta de que esse amor é impossível, mostrando até um certo conformismo com a sua não concretização:

"... oh oh oh, oh oh oh/eu te amo/mas eu disse a ela porque nós não podemos dar certo/eu ainda quero você, mas simplesmente não aguento/o momento chegou, nós temos que nos separar/alguém tem que pagar o preço...".


Pitty - Equalize

No Brasil também temos exemplos de rockeiros que abriram seu coração e colocaram em suas canções seu sentimento mais puro. Em 2003, Pitty lançou seu primeiro álbum, "Admirável Chip Novo" que conquistou imediatamente muitos fãs, e nele estava a balada "Equalize". A música acabou se tornando o single de maior sucesso da cantora, por causa de romantismo escancarado, mas dito com palavras simples, que poderiam muito bem ser aquilo que você estava tentando dizer a alguém, mas não sabia como. O vídeo também é muito bem feito e traz apenas Pitty, em várias situações corriqueiras (ela até está usando o banheiro com a porta aberta em uma das cenas). Segundo a cantora, as imagens deveriam retratar uma garota simples e que tem desejos e medos como todo mundo, que, ao começar a ouvir "Equalize" passa a viajar pela música. Provavelmente tem muito sentimento e desejo da própria cantora nessa canção, pois, em diversas oportunidades, ela disse ficar sem graça ao apresentá-la ao vivo. Quem mandou abrir o coração assim?


Pitty ainda tentou algo parecido em seu segundo álbum com a canção "Na sua estante", mas, apesar de fazer um bom sucesso, ela não conseguiu acompanhar a performance da anterior.

"... até parece que você já tinha/o meu manual de instruções/porque você decifra os meus sonhos/porque você sabe o que eu gosto/e porque quando você me abraça/o mundo gira devagar..."

Metallica - Loverman

A banda regravou essa música de Nick Cave & The Bad Seeds deixando-a com o mesmo aspecto sombrio da original. Apesar de a princípio a canção assustar um pouco, ela fala de amor, mas uma maneira um pouco mais dark que as anteriores. Pela letra pode-se perceber que o compositor quis mostrar que sua paixão é tão intensa que está acima de qualquer coisa, mesmo que ele seja apenas amante da mulher, e não seu companheiro. O amante é o demônio que espreita por trás da porta:

"... há um demônio te esperando lá fora (até quando)/amante! desde que o mundo surgiu/para sempre, amém, até a eternidade/tire a roupa eu estou chegando/ohh, eu sou seu amante/porque eu sou o que eu sou, o que eu sou, o que eu sou..."

É preciso levar em conta que a música foi escrita por Nick Cave, e esse era seu estilo.


À sua maneira os caras mais durões do rock vão abrindo seus corações e mostrando ao mundo que também têm muita sensibilidade. Curtiram? Deixem seus comentários =)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Extras - resenha


"No quarto livro da série, a Era da Perfeição ficou no passado. A libertação promovida graças aos esforços de Tally Youngblood deu fim a uma cultura onde a beleza e as modificações cerebrais, que transformavam todos em avoados, eram a base do sistema. Nesse novo mundo onde Aya Fuse - não apenas uma feia de 15 anos, mas uma Extra - tenta sobreviver: existe uma coisa muito mais importante e poderosa do que a beleza - a fama. Ocupando o 451.611o. lugar em uma tabela que mede a popularidade das pessoas, Aya é só uma Extra nesse complexo sistema social. Mas a descoberta de um grupo de misteriosas meninas que se arriscam a surfar em trens magnéticos pode ser a oportunidade perfeita para  alcançar o seu ligar no topo. Uma matéria tão boa que irá despertar o interesse de todo mundo, incluindo alguém há muito desaparecido."

Fiquei um tanto quanto decepcionada ao começar a ler esse último volume da série "Feios" e ver que Tally não fazia parte do enredo; era estranho começar uma nova estória do zero depois de ter lido três livros com os mesmos personagens. Enfim, fui me acostumando com esse recomeço e passei a encarar o livro como algo totalmente independente dos anteriores, para tentar aumentar meu interesse no decorrer da leitura.

Depois de Tally conseguir livrar o mundo da escravidão da beleza e sumir com David, cada cidade foi assumindo sua própria identidade e criando seu sistema de gestão. Onde Aya Fuse morava o que valia mesmo era a popularidade que uma pessoa tinha: quanto mais famosa, mais importante. Para conseguir aumentar seus pontos no ranking de popularidade, cada pessoa tinha um canal próprio, que todo mundo poderia assistir, onde exibiam matérias sobre os mais diversos assuntos e, se fosse algo realmente interessante, o autor da matéria passaria a ser mencionado em muitas conversas e teria seu canal excessivamente acessado.

Também não havia sistema monetário, as pessoas recebiam méritos por seus feitos e com eles podiam adquirir as coisas que precisavam, desde roupas até uma câmera flutuante pessoal, que seguia o dono para qualquer lugar, pronta para filmar tudo o que estivesse acontecendo para ser exibido depois nos canais. 

Tudo o que Aya  queria na vida era ser famosa: queria que seu canal ficasse popular, com matérias que chamassem a atenção de todos e, principalmente, queria passar o irmão no ranking. Hiro era muito popular e suas matérias eram muito assistidas e comentadas, tanto que ele morava numa das mansões da cidade que só poderiam ser habitadas por quem tinha uma posição boa e muitos méritos.

Aya costumava ir disfarçada a festas de pessoas populares sem ser convidada, e foi numa dessas festas que ela encontrou pela primeira vez a oportunidade de seguir as Ardilosas, um grupo de garotas que fazia todo tipo de manobras arriscadas para se divertir, mas que não queria ficar conhecida. Aliás, a maioria das pessoas acreditava que elas não passavam de uma lenda, já que ninguém as via, nunca.

Seguindo o grupo, Aya descobriu que elas surfavam num trem magnético e imediatamente imaginou que revelar a verdadeira identidade das meninas e mostrar ao mundo a existência delas a deixaria entre os mil mais famosos. Na noite em que seguiu as Ardilosas, Aya acabou sendo descoberta por elas e as convenceu de que queria entrar para o grupo e que não era uma divulgadora de matérias. As Ardilosas detestavam divulgadores.

Certa noite as meninas convidaram Aya para surfar no trem magnético, e durante o surfe ela se divertiu tanto que acabou ficando em dúvida se deveria realmente publicar a matéria e acabar perdendo a amizade daquele grupo que acabara de recebê-la.

No meio do trajeto, o trem para repentinamente dentro de uma montanha e da parede dela uma porta secreta se abre, mostrando criaturas estranhas, parecidas com ETs, num depósito de tubos de metal. As Ardilosas decidem investigar para descobrir o que realmente tem por trás daquela porta. Essa era a oportunidade que Aya esperou pela vida inteira: ela filmaria tudo com uma câmera escondida e divulgaria sua matéria, custasse o que custasse. Ela consegue, inclusive, filmar detalhes dos imensos tubos de metal que estão armazenados dentro da montanha e o lugar por onde eles teoricamente seriam lançados. Ao mostrar para o irmão e o melhor amigo dele, Ren, as imagens, eles chegam a conclusão de que todos aqueles tubos só podem servir para destruir cidades, sendo lançados de dentro da montanha e caindo sobre elas para dizimar toda a população mundial. Os três divulgam a matéria e imediatamente Aya fica muito famosa.

Mas a fama tem um preço alto, como já tinham advertido as Ardilosas, que, depois de terem sua identidade revelada na matéria de Aya, saíram da cidade para viver em outro lugar onde não fossem conhecidas. A partir do momento que alcança o topo do ranking de popularidade, Aya e seus amigos não têm mais um segundo de sossego e todas as câmeras da cidades estão sobre eles. Então, inesperadamente, ela recebe um ping da pessoa mais famosa do mundo, a número um do ranking, Tally Youngblood. Ela avisa que está indo buscar Aya.

A partir daí começa o caos na vida da jovem Aya: ela tem que fugir da cidade com Tally antes que os extraterrestres que ela viu na montanha venham atrás dela e de seus amigos, mas ela não quer fugir justamente agora que alcançou a fama tão desejada. Tally continua cruel como uma Especial, e está determinada e descobrir qual o plano dos ETs. Desde que desapareceu com David ela passou a defender o planeta de tudo o que pudesse prejudicá-lo. Com a ameaça de destruição pelos tubos de metal, ela tinha que agir e defender a Terra.

O grupo de Aya e o de Tally é capturado pelas criaturas, foge, se perde numa selva e vão atrás dos ETs para impedir a destruição, e, enquanto passam pelas maiores dificuldades imagináveis vão se conhecendo e se entendendo. É interessante ver que Tally ainda luta consigo mesma para reprogramar seu cérebro e deixar de ser avoada, sem perder as habilidades de Especial. Ela e Shay ainda são amigas, mas continuam agindo em alguns momentos como Perfeitas.

Quando o grupo se separa e Tally vai atrás das criaturas, Aya sente que não pode perder a chance de fazer uma nova matéria, ainda melhor que a primeira, e também sai para descobrir o que os ETs estão realmente querendo com tanto metal.

Entre conflitos e um toque de romance (Aya está apaixonada por Frizz, um garoto que passou por uma cirurgia cerebral que o impede de mentir) a menina vai percebendo que ser famosa não é tão interessante quanto ela imaginava e que nem tudo que parece prejudicial e ameaçador será usado como arma letal.

Aya conquista a confiança de Tally e de seu irmão quando consegue desvendar o verdadeiro plano dos ETs e, de quebra, consegue a matéria. Uma divulgadora será sempre uma divulgadora.

O autor encerra a série com muitas críticas à sociedade, como vem fazendo desde o primeiro livro, mas na minha opinião, não conseguiu manter a série interessante do começo ao fim. Esse quarto livro é meio desnecessário e sua estória só serviu para mostrar que, por mais que algumas pessoas tentem defender e salvar o planeta, a maioria só se importa consigo mesma. Sempre haverá no mundo pessoas fúteis, egoístas e outras que só querem tirar proveito do que veem pela frente. Como desfecho de uma série que começou tão empolgante e inovadora, o livro deixa a desejar, não dando muito enfoque na personagem de Tally e não conseguindo se aprofundar na nova protagonista, Aya, que não conseguiu me conquistar.

Extras
Scott Westerfeld
editora Galera Record
416 páginas