A blogosfera ficou agitadíssima quando o filme "Os instrumentos mortais - Cidade dos ossos" estreou nos cinemas, e eu fui conferir. Infelizmente, não achei que merece tanto burburinho.
Algumas pessoas me disseram que preciso me distanciar do livro e analisar apenas o filme em si. Acho mesmo que estar com a estória original tão fresca na memória atrapalhou meu julgamento da adaptação. Fiquei esperando acontecer algumas coisas que gostei no livro, mas elas simplesmente não estão no filme.
Entendo que ao passar a estória do livro para os cinemas é necessário fazer várias adaptações no original para conseguir um roteiro consistente e transformar as mais de 400 páginas escritas por Cassandra Clare num longa com duração de duas horas, mas acho que limaram demais o conteúdo do livro e modificaram muitas coisas que, ao meu ver, não deveriam ter sido modificadas.
Não estou nem considerando o fato de não ter me identificado com os atores escolhidos, pois acho que o filme não ficou ruim por causa deles, que até tiveram boas atuações. A atriz Lily Collins conseguiu representar bem a protagonista Clary Fray, mantendo suas características e não fugindo muito do básico para um filme desse tipo; ela tem boas expressões faciais que mostram claramente diversos sentimentos da personagem e combinou muito bem com o que eu imaginava ser a Clary. Meu descontentamento é com o restante do elenco, por exemplo, Magnus Bane (Godfrey Gao) de olhos puxados e nenhuma imponência como o bruxo mais poderoso da estória; Hodge, o tutor dos Caçadores de Sombras, vivido por Jared Harris, não inspira nenhuma confiança ou sabedoria, como pode ser o ponto de apoio de Jace e seus amigos?
Por falar neles, Isabelle (Jemima West) e seu irmão Alec (Kevin Zegers) ficaram muito aquém de seus correspondentes no livro, um pouco pelo fraco roteiro e um pouco por sua atuação simples, que não se destaca em nenhum momento do filme. É óbvio que, quando lemos um livro, criamos mentalmente o rosto e as características de cada personagem, e ao vê-los ganhar vida nas telas dos cinemas, essa imagem dificilmente corresponde com aquela que imaginamos, mas, na maioria das vezes, acabamos substituindo nossa criação pelo rosto do ator escolhido e fica tudo bem. Sabendo disso, estava preparada para aceitar de braços abertos o Jace do filme, mas não consegui me identificar com Jamie Campbell Bower (só com seu sotaque britânico, rs).
Grande parte da estória do livro, sua essência, está no filme, mas algumas cenas sofreram tantas adaptações que, para mim, foram deixando o filme mais pobre, tirando o brilho do original e me fazendo perder um pouco o interesse por ele.
Senti falta da forte presença dos vampiros na festa de Bane, e da situação que criaram com Simon, melhor amigo de Clary: esse foi um momento importante no livro pois, além de mostrar o quão forte é a lealdade da protagonista, também introduziu os lobos no enredo, que são de grande importância na conclusão dessa primeira parte da estória. Durante o resgate de Simon, Jace e Clary passam por diversas situações que fortalecem seu relacionamento e são importantes para criar o laço de confiança necessário para o futuro dos dois.
Também não me agradou a conclusão do filme, quando Valentine faz a grande revelação a Jace e Clary: tudo pareceu ser apenas jogado na cena, como se não houvesse mais tempo para contar a estória, e fosse preciso correr para acabar logo o filme. Tudo o que acontece nesse momento é bastante diferente do livro, e não sei se, futuramente, nos próximos filmes, não será necessário fazer adaptações ainda maiores para encaixar as peças da estória.
Não sei se alguém que não conhece o livro vai gostar do filme, mas, para aqueles que perguntam minha opinião, digo que a adaptação é fraca, e vale a pena pegar a sessão mais barata do cinema, para não desperdiçar dinheiro. A qualidade visual do filme deixa a desejar e parece ter sido produzido com baixo orçamento: algumas cenas são escuras demais (até para um filme de deveria se passar num universo sombrio) e parece que o filme foi feito como uma aposta, se render alguma coisa, investirão mais no próximo, se não, não terão perdido muito.
O filme tem dois pontos positivos: as cenas de luta são incríveis e conseguem empolgar depois de tantos momentos lentos, e os Irmãos do Silêncio representam com perfeição as criaturas criadas pela autora do livro, e conseguem transmitir aquela sensação de medo e frio que pensei que sentiria perto de um deles, quase como os dementadores da série Harry Potter.
Uma coisa me deixou triste e preocupada: algumas pessoas, inclusive dentro do cinema, dizendo que esse filme é igual "Crepúsculo". Por favor, não cometam esse sacrilégio! Um filme não tem nada a ver com o outro, apesar de "Cidade dos Ossos" também mostrar vampiros e lobisomens, o enfoque aqui é totalmente diferente, e essas criaturas estão mais para o estilo clássico do que para os brilhos e egos criados por Stephanie Meyer.
Como nada é totalmente ruim, vale assistir ao filme, até para poder emitir uma opinião. A minha é que "Cidade dos Ossos" poderia ter ficado muito melhor.