quarta-feira, 17 de maio de 2017

Clube da luta [Resenha]

onde comprar: Amazon//Saraiva//Livraria da Folha 

"Considerado um clássico moderno desde a sua publicação em 1996, esse livro consagrou o autor como um dos mais importantes e criativos da atualidade, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O clube de luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi adaptado para os cinemas em 1999, e consegue transmitir para as telas toda a sua atmosfera, o mundo caótico do personagem e o humor negro do autor, em uma trama recebida com muitos elogios de crítica e público."

Esse livro ficou bastante conhecido depois que foi adaptado para os cinemas. O filme é protagonizado por dois dos meus atores favoritos, mas eu não vou citá-los aqui para que as pessoas que ainda não tiverem lido o livro possam idealizar a aparência dos personagens, sem a influência da imagem do filme.

Nosso protagonista é um cara solitário, cansado, escravo do trabalho e da sociedade em que vive. Ele está descontente com a vida que vem levando, mas não sabe como mudar. Aliás, acredito que ele nem tenha tentado mudar, conscientemente. Então, de repente, ele conhece um cara que vira sua rotina de cabeça para baixo. Tayler Durden é lindo, confiante, inteligente e audacioso, tudo o que o narrador da história não é. Eles se encontram por acaso numa praia, e a partir dali, Tyler passa a fazer parte da vida do protagonista.

Uma característica interessante do personagem principal é que ele participa de vários grupo de apoio, mesmo não tendo nenhuma doença grave. Ele acha que estar ao lado de pessoas à beira da morte, ou que já tenham chegado muito perto dela, é libertador. E isso também o ajuda a dormir, pois ele tem uma insônia terrível que o deixa várias noites em claro. É nesse ponto que começam as comparações com Tyler: enquanto ele só trabalha a noite, o narrador só consegue trabalhar durante o dia.

Ele é muito metódico, e isso pode ser percebido quando ele descreve o conteúdo de sua mala de viagem - ele viaja bastante a trabalho. Tyler é o oposto, vive numa bagunça organizada e se vira com qualquer coisa em qualquer lugar.

Numa noite em que o narrador perdeu sua casa num incêndio, ele se encontra com Tyler num bar e pede para morar com ele. Tyler permite, mas em troca pede um favor: que o protagonista lhe dê um soco na cara, o mais forte que conseguir. Nasce, assim, o clube da luta.

Enquanto o narrador luta com Tyler ou com os outros participantes que vão se juntando ao clube, ele se sente livre de tudo aquilo que o incomoda, que o impede de viver plenamente. Mesmo estando sempre com o rosto machucado e cheio de hematomas, ele se sente completo.

Tyler cria algumas regras para o clube da luta, que vão sendo seguidas e repetidas por cada um dos rapazes que entram para o clube. Além disso, ele também vai, aos poucos, recrutando milhares de pessoas para a fabricação de sabão, que na verdade é um explosivo, e arquiteta o plano de instituir o caos no mundo chamado Projeto Desordem e Destruição. O narrador fica observando aqueles homens que são seguidores dos ideais de Tyler, sem entender como eles podem ter sido tão influenciados.

No meio de tudo isso ainda tem Marla, a mulher por quem o protagonista se apaixona logo no começo do livro, num dos grupos de apoio que ele frequenta. O curioso é que Marla também vai a vários desses grupos, mas não é doente. Eles passam a se relacionar, mas Tyler meio que rouba Marla do amigo, e ele fica ainda mais confuso, acreditando estar num triângulo amoroso.

A verdade por trás de todo o mistério de Tyler está presente em diversos momentos do livro, discreta, escondida pela habilidade do autor em contar segredos sem revelá-los totalmente. É essa capacidade de Chuck que torna a história tão interessante; claro que a trama é incrível, com muitos pontos crítico e algum momentos em que, se o leitor não estiver atento, pode se perder na narrativa, pois há uma mistura entre passado e presente.

O final é muito bem construído, e o óbvio fica ainda mais óbvio, e, se o leitor ainda não tinha se atentado às dicas no decorrer da leitura, ele agora recebe a verdade como um verdadeiro soco no cara. Se você já viu o filme, tudo fica mais explícito, mas se não, é totalmente possível perceber de onde vem Tyler Durden e toda a sua confiança. É isso que deixa a história tão ímpar.

Recomendo a leitura para quem gosta de narrativas diretas, que mostram a realidade como ela é, e que também usa inúmeras metáforas para fazer isso. Também podem gostar de leitura pessoas que procuram algo novo e diferente, ou que querem sair da sua rotina de leitura.


Clube da luta
Chuck Palahniuk
272 páginas
editora Leya
nota no Skoob: 4.5
nota do blog: 4.5


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um pouquinho de...

"Ligo para Tayler.
O telefone toca na casa alugada de Tayler na Paper street.
Por favor, Tyler, me livre desta roubada.
E o telefone continua chamando.
O porteiro se inclina sobre o meu ombro e diz:
- Muitos jovens não sabem o que querem de verdade.
Preciso que me resgate, Tyler, por favor.
E o telefone chama.
- Os jovens pensam que querem o mundo inteiro.
Me livre das mobílias suecas.
Me livre da arte rebuscada.
E o telefone chama outra vez e Tyler atende.
- Se não sabe o que quer - o porteiro continua -, acaba tendo um monte de coisas que não quer.
Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.
Me salve, Tyler, de ser completo e perfeito.
Tyler e eu combinamos de nos encontrar em um bar.
O porteiro me pede um telefone em que a polícia poder á me encontrar. Ainda estava chovendo. Meu Audi ainda estava no estacionamento, mas o tocheiro alógeno Dakapo tinha atravessado o vidro da frente.
Tyler e eu nos encontramos, tomamos várias cervejas e ele diz que sim, eu podia me mudar para a casa dele, mas teria que lhe fazer um favor. 
No dia seguinte a minha mala chegaria com o mínimo, seis camisas e seis pares de cuecas.
Lá. bêbado em um bar onde não havia ninguém nos olhando ou ligando para nós, perguntei a Tyler o que queria que eu fizesse.
Tyler respondeu:
- Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir."

(capítulo 5, páginas 52 e 53)



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sábado, 6 de maio de 2017

Top Comentarista maio + resultado abril










Olá amigos leitores! Ainda tem alguém ai? Sei que ando meio sumida do blog, e que preciso postar mais resenhas, mas por favor, me perdoem. Estou um tanto quanto atarefada, e pretendo voltar a falar com vocês mais frequentemente, ok?

Então vamos falar de coisa boa: presentes! Como vocês sabem, quem mais comenta por aqui concorre ao prêmio do mês, e em abril os leitores tiveram uma vida bem fácil, afinal, foram pouquíssimos posts para comentar, não é mesmo? Sorte de quem foi persistente e continuou acompanhando o blog.

Foram 9 leitoras lindas de viver que comentaram em todos os posts de abril, e cada uma recebeu um número, conforme mostra a figura abaixo. Os números foram inseridos no site random.org, que fez o sorteio de forma randômica, e o resultado foi:



Número 10, Mariana Ogawa. Parabéns, Mariana! Depois de conferir que você cumpriu todas as regras, estou te mandando um e-mail para que você me passe o endereço de envio. Espero que goste do livro e continue nos acompanhando por aqui ;)




E no mês de maio o prêmio para o Top Comentarista será um pouquinho diferente: um pôster da série Perdida, da Carina Rissi, e um kit com 10 marcadores bacanas. Já adianto a vocês que também não teremos tantos posts quanto eu gostaria, já que estou finalizando meu livro e o tempo vai continuar escasso. Então, aproveitem e comentem em tudo que aparecer por aqui, que o prêmio é lindão.

Ah! não se esqueçam de seguir as regras:


Comentar nesta postagem com nome de seguidor, e-mail válido e perfil no Facebook ou Twitter  para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato com o vencedor. 

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- E claro, comentar em todas as postagens do mês.

Lembrando que:
  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de participantes, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org ou no sorteador.com;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do e-mail, e o blog não se responsabiliza por atrasos ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.


Conto com a visita de vocês durante mais esse mês de muito estudo e trabalho para mim, e várias resenhas legais para vocês, seus lindos!




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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um pouquinho de...

"Júlio não sabe, só sabe que anda, anda como se as pernas não lhe pertencessem, e quando ele se dá conta é como se elas não pertencessem mesmo a seu corpo, porque não as sente, seus sentidos estão tomados de assalto pelo ambiente. Os ouvidos, pelos vocais de Robert Smith, porque agora você se lembra que o que sai das carrapetas do DJ não é fado, bolero ou tango, mas o bom e velho britpop dos eighties, para ser específico 'Charlotte Sometimes', a canção do The Cure que sempre invadiu seus ouvidos com uma sensação arrebatadora, mas que agora é perturbadora, incômoda, labiríntica, como se tirasse os seus pés do chão, não de arrebatamento extático, mas como se fosse um ataque de labirintite, um terremoto dos sentidos, um impacto profundo no ouvido interno, um soco na cara da realidade que quase faz com que seus olhos saltem de tão arregalados para tentar ver além do véu de Maya que embaça tudo à sua frente, e enquanto isso ele anda por entre as pessoas no ambiente apertado e sufocante."

(páginas 2 e 3 - este conto já foi resenhado no blog, leia clicando aqui)


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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Charlotte sometimes [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto do autor veterano de dicção científica Fábio Fernandes, originalmente publicado em Interface com o Vampiro. Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória - ou será a memória de outra pessoa?"

Esse foi o conto mais envolvente que li essa semana. Já começa como se o leitor estivesse dentro de um sonho, dando exatamente aquela sensação de entrar numa cena, do nada, e de repente se dar conta de que está lá. O protagonista acha que está numa boate, mas se lembra de que aquele lugar fechou há muito tempo, então ele fica em dúvida sobre se o que está vivendo é real ou ilusão. Ele também reencontra uma mulher que, depois descobrimos, não poderia estar ali. E o ritmo da narrativa também é frenético e confuso, não permitindo que o leitor faça  a distinção entre realidade ou sonho.

Gostei muito da escrita do autor e da velocidade que ele deu à narrativa. Tudo é muito rápido, caótico, desconexo. As coisas que acontecem são estranhas, mas também podem ser muito reais, e isso é que faz do conto uma ótima leitura. O autor utilizou muito bem o ambiente da boate para dar aquele clima meio enevoado e sombrio que o sonho transmitia, e o final é exatamente como sair dele de repente. Dá até aquela vontade de fechar os olhos e tentar voltar para a mesma parte que estava antes de acordar.


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Despertar de um sonho [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto de Melissa Sá, autora da distopia Metrópole. Ilio é uma pessoa especial, podendo manipular a realidade com o poder da mente. Mas quando o mesmo sonho intenso lhe invade as noites, despertar para a dura realidade de um mundo morto só é possível pois nele pode estar uma revelação do futuro."

Esse conto é quase um spin-off da série Metrópole, então, quando comecei a ler fiquei um pouco perdida. Foi como cair de paraquedas em algo que já estava em andamento, mas aos poucos a leitura vai envolvendo e a coisa começa a clarear. Os personagens estão vivendo num mundo pós-guerra, embaixo da terra, pelo que demonstra a descrição do lugar, e todos trabalham numa sociedade organizada por habilidades. Por exemplo, a amiga de Ilio, Sara, tem facilidade para cuidar de pessoas, por isso, é aprendiz de curandeira. Mas Ilio parece um tanto divergente, e não emprega seu dom no trabalho: ele é telepata, mas prefere atuar na limpeza. Sua telepatia mostra, sempre no mesmo sonho, uma garota que ele não conhece, e que, de repente aparece no lugar. O problema é que ela parece não conhecê-lo, enquanto ele acredita que ela é especial.

A história é curta, porém, complexa, com Sara meio atrapalhada e Ilio cheio de conflitos internos e externos. Ele tem um rival chamado Hector, que o humilha em certo momento do conto, deixando claro que não o deseja ali, talvez por inveja de seus poderes psíquicos. Isso mostra a habilidade da autora, já quem em poucas páginas conseguiu criar um conflito entre os personagens e lançar no leitor a curiosidade sobre quem é a menina misteriosa dos sonhos de Ilio e se eles vão ser importantes um para o outro. Acredito que isso se deva resolver em Metrópole.


Despertar de um sonho
Melissa de Sá
13 páginas
editora Draco
nota no Skoob: 4.1
nota do blog: 4.3


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