Olá, ávidos leitores. Deixaremos de lado por um instante os heróis que nos inspiram por
décadas, e vamos falar sobre uma HQ diferente. A realidade do mundo também pode ser
contada em quadrinhos, aliás, é muito mais divertida e interessante quando
contada em quadrinhos. Hoje nós voltaremos 80 anos para contar a história de um
homem sobrevivente ao holocausto. Hoje vamos fala de Maus.
A mistura entre não-ficção e HQ sempre nos proporciona histórias
fantásticas, falaremos de muitas aqui em nosso momento, mas hoje quero chamar a
atenção para o relato sobre Vladek, polonês, judeu e sobrevivente da segunda
guerra mundial. Seu filho, Art Spigelman, cartunista norte americano, descreveu
a vida de seus pais em uma emocionante história em quadrinhos.
Existem milhões de relatos de sobreviventes do holocausto, portanto, essa ideia pode não ter sido a mais original dos últimos anos. Porém a
maneira como Art descreve cada capítulo e os diálogos são tão inspiradores que
esse trabalho lhe rendeu o mais importante prêmio do jornalismo: Maus é a primeira graphic novel a ganhar um prêmio Pulitzer.
O relato começa com nosso protagonista, Vladek Spiegelman morando de New York com sua
segunda esposa, Mala. Vladek recebe a visita de seu filho, Art, que diz estar
escrevendo um relato sobre a história de sua família a partir do início dos anos 30, quando moravam ainda na
Polônia. É então que Vladek passa a contar, com detalhes, como foram os anos
até a guerra chegar e passar por eles, por meio de um surpreendente depoimento.
A arte é toda monocromática, dando um aspecto arcaico às páginas, e criando um efeito de um documentário gravado em preto e branco. Como o
roteiro gira em torno de uma entrevista entre pai e filho, duas linhas temporais
são apresentadas e estão bem estabelecidas. Porém, a veracidade do conto se
encontra nos detalhes que Spiegelman teve o esmero de trazer. Primeiro, a
representação de animais no lugar dos humanos é um toque sutil e de muita
audácia. Os judeus são ratos – daí vem o nome, "maus" significa ratos em alemão –, os alemães são representados por gatos, e os outros poloneses em geral são
porcos.
Além disso, Art mostra o diálogo como um não-nativo americano deveria
falar. Existem erros no vocabulário de Vladek que passam uma veracidade
inacreditável àquela conversa. Juntamente com episódios que vão além da
entrevista em si. O relato humaniza os personagens mostrando também um pouco da
vida pessoal de cada um naquele momento.
Para aqueles que são apaixonados por história, Maus é um prato cheio
para enxergar a segunda guerra sob um outro prisma. O avanço das tropas alemãs,
a polícia nazista e como os poloneses viam o terceiro Reich é uma
experiência incrível. Os diálogos são bem simples e detalhados, portanto a
leitura é prazerosa e contínua, quase que ininterrupta. Definitivamente, esse
livro está entre os mais interessantes sobre a segunda guerra mundial e deve
fazer parte da coleção de todos que apreciam uma boa aula de história.
Portanto, procurem um anexo escondido em seus vizinhos, nunca confiem num homem usando casaco Hugo Boss e reveja quais marcas o seu próprio passado
guarda em segredo.
João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh




João, eu não sou muito de HQ, mas amoooooo ler tudo sobre a segunda guerra ( e outras guerras também), e fiquei encantada com essa HQ, preciso ler urgente, e compreender mais essa nova perspectiva da história e fatos verídicos.
ResponderExcluirbjs
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