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sábado, 30 de julho de 2016

Momento HQ no cinema: A Piada Mortal - A Animação

Bom dia, boa tarde e boa noite a todos. Sei que o assunto aqui é HQs, mas não podemos deixar passar em branco a estreia da animação de A Piada Mortal nos cinemas. Portanto espere pelo inesperado e pense no que nos separa dos maníacos.

Sam Liu, diretor da animação, mostrou que um roteiro originado de um quadrinho, não precisa de adaptação – pelo menos não quando se trata de um clássico.

A Piada Mortal foi lançada durante a Comic Con San Diego e teve um único dia de apresentação nos cinemas do mundo. Aqui no Brasil, o dia 25 de julho teve o filme transmitido em apenas alguns cinemas das principais metrópoles. O lado positivo é que em algumas semanas o blu-ray chegará às lojas e ao alcance de quem perdeu a oportunidade.

Não é a primeira vez que Sam Liu tem a missão de dar vida às páginas de um clássico da DC Comics. Em 2011, Grandes Astros foi para a TV e foi muito bem aceito. Crise nas Duas Terras, Batman: Ano Um, A Morte do Superman... animações que foram muito bem adaptadas para a televisão. Porém, falar sobre A Piada Mortal é como tabu entre os religiosos DCnautas. A incrível obra de Allan Moore sobre o homem morcego e sua versão sobre a origem do Coringa.




Pois bem, queridos conservadores, temos pontos ambíguos sobre a animação. Sam Liu precisava de uma introdução, que serviu mais para prolongar o filme. O foco inicial cai todo sobre Barbara Gordon e um amor platônico para com o Batman. Ambos estão juntos em um caso, quando Barbara deixa a emoção tomar conta, e a linha que dividia a razão dos heróis é quebrada.


Em minha singela opinião, o objetivo do primeiro ato, que é nos conectar com a protagonista não é bem elaborado. Na verdade é bem simplista e destoa absurdamente das próximas partes. Essa introdução deveria entregar a motivação do Coringa e dar sequência ao plano do vilão, mas a impressão é que a edição foi mal feita. Falta ali uma única cena, um pequeno nó para amarrar perfeitamente este estímulo.

Passado o primeiro ato, a cena seguinte mostra o Batman em frente ao Asilo Arkhan, como se a imagem fosse tirada das páginas da HQ. E então o filme realmente começa.

A primeira fala dos quadrinhos é o que nos engaja em continuar a ler aquela história. E a constante dos diálogos é o esplendor de toda a narrativa. Bom, meus amigos, quando o Batman começa a discursar dentro da cela onde o Coringa deveria estar, o cinema todo foi inflamado. Sam Liu não saiu do script por nenhum segundo. A adaptação de roteiro aconteceu sim, mas apenas adicionando cenas. Tudo o que está nas páginas é possível ver na tela.




A partir desse ponto é impossível não se emocionar. Se deixar levar pela loucura e sofrer junto com os fatos. Entender o ponto que o Coringa quer chegar e ter a mais absoluta certeza de que os heróis precisam agir dentro da lei, ou não seriam diferentes dos lunáticos vilões.

Apesar de sentir falta das páginas em preto e branco, é bem visível a mudança do tom de cores quando o passado é retratado.

Quando chega ao momento da piada mortal, já não é possível se lembrar da fraca introdução. Talvez seja bom, pois não houve impacto na sequência, porém depois que a adrenalina foge de suas veias, o sentimento é de que poderia ter sido melhor, afinal temos que esperar 40 minutos para ver o Coringa.

Entre um fraco primeiro ato e uma genial solução, a animação merece uma nota 8,0 e precisa ser vista por todos. Aguarde o lançamento em vídeo e tenha sua própria experiência entre a loucura e a sanidade. Pense bem: qual dos dois loucos te define?

Enquanto o filme não chega às mãos de todos os fãs, assistam o trailer e sintam um pouco do que foi essa adaptação para o cinema:





Lembrem-se: a HQ também já foi resenhada no blog, e vocês podem conferir esse review clicando aqui.


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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sábado, 16 de julho de 2016

Momento HQ: A Piada Mortal























Saudações, quadrinhólatras! Hoje vamos falar de uma das histórias mais marcantes, icônicas e, para muitos, a melhor saga de todos os tempos. Vamos voltar ao passado, nos vingar no presente e nos reencontrar no futuro. Vamos falar de arte, drama, terror e piadas. Hoje é o dia de A Piada Mortal.

Vamos acabar matando um ao outro, não?


Escrito originalmente em 1988 por Allan Moore e desenhada por Brian Bolland, a saga recria a origem do Coringa, mostrando-o como um fracassado comediante dos anos 80 passando por inúmeras dificuldades para sustentar sua mulher grávida de seis meses. Até que surge uma proposta de um roubo que o deixaria rico.

será só desta vez... daí posso mudar de bairro e começar uma vida nova...

O quadrinho vem com duas linhas temporais distintas e extremamente bem colocadas para o leitor. O passado mostrando como o vilão era apenas mais um infeliz e ordinário cidadão tendo que sobreviver diariamente dominado pelo Estado, e a linha do presente relata como o Coringa fugiu do Asilo Arkhan com o plano de sequestrar o comissário Gordon para provar que qualquer um pode ficar louco com um dia ruim.



Até então nenhuma novidade, afinal, sabemos que as histórias do homem-morcego são sempre surpreendentes, portanto vamos nos aprofundar nessa obra para entender um pouco mais sobre sua fama.

É essa distância que me separa do mundo. Apenas um dia ruim.

A audácia e criatividade de Allan Moore se apresentam através da história, mas dessa vez, não foi como a Saga do Monstro do Pântano ou Watchmen: Moore se limitou  a pouco mais de 40 páginas e mesmo assim trouxe um enredo brilhante, com diálogos curtos e contundentes que ecoam até hoje pelo mundo. O monólogo final do vilão é tão atual que é fácil se colocar dentro da narrativa. As cenas são fortes, não há pudores nas conversas e tudo acontece simultaneamente. A HQ é isenta de censura em todos os sentidos, mas não perde a essência singular do Batman.


Todavia, caros leitores, estamos falando de histórias em quadrinhos, não adianta o roteiro ser perfeito, é necessário uma arte que se expresse sem usar palavras. A escolha de Bolland para ser o responsável pelo desenho foi essencial para que a história ficasse perfeita em todos os sentidos. Durante os flashbacks o tom melancólico e noir do preto e branco são perfeitos para dividir as linhas temporais, porém, o toque genial foram os itens em tons de vermelho nas cenas.

Por que você não vê o lado engraçado?

Allan Moore, junto com o Coringa, quiseram mostrar que qualquer um pode enlouquecer tendo um dia ruim. Para aqueles que adoram teorias conspiratórias, eu tenho uma: a história foi escrita em 88, um ano antes do fim absoluto da guerra fria. Fato. No monólogo principal, o Coringa cita que qualquer um pode enlouquecer em um dia ruim, mas não significa que isso os torna melhores ou piores, apenas os faz humanos. Logo a seguir o vilão fala que a última grande guerra aconteceu por uma banalidade sobre postes telegráficos e que tudo pelo que lutamos não passa de uma insanidade.

Loucura da minha cabeça? Ora, somos todos loucos. E quando você achar que está em um de seus melhores dias, é porque a alucinante psicose já tomou conta de sua lucidez.






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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh