Saudações, quadrinhólatras! Hoje vamos falar de uma
das histórias mais marcantes, icônicas e, para muitos, a melhor saga de todos
os tempos. Vamos voltar ao passado, nos vingar no presente e nos reencontrar no
futuro. Vamos falar de arte, drama, terror e piadas. Hoje é o dia de A Piada
Mortal.
Vamos acabar matando um ao outro, não?
Escrito originalmente em 1988 por Allan Moore e
desenhada por Brian Bolland, a saga recria a origem do Coringa, mostrando-o como
um fracassado comediante dos anos 80 passando por inúmeras dificuldades para
sustentar sua mulher grávida de seis meses. Até que surge uma proposta de um
roubo que o deixaria rico.
será só desta vez... daí posso mudar de bairro e começar uma vida
nova...
O quadrinho vem com duas linhas temporais distintas
e extremamente bem colocadas para o leitor. O passado mostrando como o vilão
era apenas mais um infeliz e ordinário cidadão tendo que sobreviver diariamente
dominado pelo Estado, e a linha do presente relata como o Coringa fugiu do
Asilo Arkhan com o plano de sequestrar o comissário Gordon para provar que
qualquer um pode ficar louco com um dia ruim.

Até então nenhuma novidade, afinal, sabemos que as
histórias do homem-morcego são sempre surpreendentes, portanto vamos nos
aprofundar nessa obra para entender um pouco mais sobre sua fama.
É essa distância que me separa do mundo. Apenas um dia ruim.
A audácia e criatividade de Allan Moore se
apresentam através da história, mas dessa vez, não foi como a Saga do Monstro
do Pântano ou Watchmen: Moore se limitou a pouco mais de 40 páginas e mesmo
assim trouxe um enredo brilhante, com diálogos curtos e contundentes que ecoam até
hoje pelo mundo. O monólogo final do vilão é tão atual que é fácil se colocar
dentro da narrativa. As cenas são fortes, não há pudores nas conversas e tudo
acontece simultaneamente. A HQ é isenta de censura em todos os sentidos, mas
não perde a essência singular do Batman.
Todavia, caros leitores, estamos falando de
histórias em quadrinhos, não adianta o roteiro ser perfeito, é necessário uma
arte que se expresse sem usar palavras. A escolha de Bolland para ser o
responsável pelo desenho foi essencial para que a história ficasse perfeita em
todos os sentidos. Durante os flashbacks o tom melancólico e noir do preto e
branco são perfeitos para dividir as linhas temporais, porém, o toque genial
foram os itens em tons de vermelho nas cenas.
Por que você não vê o lado engraçado?
Allan Moore, junto com o Coringa, quiseram mostrar
que qualquer um pode enlouquecer tendo um dia ruim. Para aqueles que adoram
teorias conspiratórias, eu tenho uma: a história foi escrita em 88, um ano
antes do fim absoluto da guerra fria. Fato. No monólogo principal, o Coringa
cita que qualquer um pode enlouquecer em um dia ruim, mas não significa que
isso os torna melhores ou piores, apenas os faz humanos. Logo a seguir o vilão
fala que a última grande guerra aconteceu por uma banalidade sobre postes
telegráficos e que tudo pelo que lutamos não passa de uma insanidade.
Loucura da minha cabeça? Ora, somos todos loucos. E
quando você achar que está em um de seus melhores dias, é porque a alucinante
psicose já tomou conta de sua lucidez.
Este post é válido para o Comentarista Premiado, participe!
João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.



