Preparem-se, caçadores da lei. Estamos entrando em um ambiente hostil
e impiedoso. Um local onde a deslealdade percorre sem pudores ao encontro de
quem precisa de um abraço gélido de esperança. Que as acusações sejam feitas,
não importa quem está certo ou errado, somos todos inocentes, até que se prove o contrário.
How To Get Away With Murder - além de ser um título longo demais para
escrever - traz uma abordagem nova ao conceito das séries. Uma visão singular de
como a lei é aplicada independente da índole do réu e como usar os mais ousados artifícios
legais à próprio favor. Em poucas palavras, cinco estudantes de direito são
convidados para estagiar com um de seus professores, uma das maiores defensoras
criminais do país.


Existe muitos aspectos que te fazem lembrar de um certo seriado
médico. Um excelente profissional que nem sempre age com ética, mas sempre
consegue o que precisa para o momento, ajudado por brilhantes novatos que são
muito mais do que meros coadjuvantes. A partir de certo ponto, os dilemas
individuais passam a ser mais interessantes do que o tema proposto.
Uma receita que rendeu oito temporadas e milhões de fãs à House, não
poderia ter resultado diferente se empregada com sabedoria e na dosagem correta, o que ocorre em
How To Get Away With Murder.

Nossa protagonista, Annalise Keating (Viola Davis), além de advogada criminalista de defesa, é uma professora universitária e isso dá margem para o maior atrativo da primeira temporada. Enquanto Annalise leciona sobre os métodos e processos criminais para seus estudantes, nós – enquanto espectadores - assistimos à mesma aula. Nesse momento, mesmo que indiretamente, a quarta parede é quebrada e temos a impressão de que a professora está falando conosco enquanto tomamos nossas próprias notas mentais.
Além da alta carga de suspense que a série injeta em nossas veias, a
fantástica atuação de Viola Davis no papel principal traz cenas dramáticas que
podem te levar às lágrimas sem o forçado e corriqueiro clichê.
Eu destacaria também o papel interpretado por Jack Falahee como Connor
Walsh, um dos estudantes. Connor não deveria, mas consegue roubar a cena dentre
os coadjuvantes. O que nos leva ao ponto negativo da série. Apesar dos
excelentes plots e atuações, eu, particularmente, tenho problemas com algumas
motivações que servem de base para a trama. O desenvolvimento dos personagens
poderia ser melhor explorado, mas com apenas 15 episódios, esse trabalho
ficou para a segunda temporada em diante. Enfim, nada que tire o brilho do
seriado.
Criado por Peter Nowalk, How to Get Away with Murder já tem seu lugar
como uma das melhores séries dos últimos anos. Para os fãs, resta aguardar até
o final de setembro, quando a terceira temporada estreará nos Estados Unidos.
Chamem suas testemunhas de confiança, preparem uma apelação e sempre tenham bons álibis. A suprema corte é um local sombrio, onde vencer ou perder não depende de estar certo ou errado.
JOÃO
OLIVEIRA



