domingo, 10 de julho de 2016

Arquivo Serial: Scream















Um brinde aos saudosos fãs do terror adolescente dos anos 90. Scream, produção original Netflix, chega com duas facadas na garganta dos amantes desse gênero, marcado por clichês e vilões que custam a permanecer mortos.
Daisy, Daisy. Give me your answers, do…

Criado em 1996 por Wes Craven, Pânico (Scream) explodiu no mundo com uma perspectiva diferente de terror. Apesar do assassino mascarado, o grupo de adolescentes e a estranha preferência por facas às armas de fogo, a franquia estreou com originalidade na construção dos personagens e roteiro.

Em uma breve sinopse da película original, a jovem Sidney Prescott começa a receber estranhas ligações anônimas, perguntando sobre filmes de terror, ao mesmo tempo que, na pacata cidade onde morava, assassinatos começam a acontecer de forma serial.

Bem tradicional, correto? Mas Craven tinha uma fórmula que faria o filme entrar para a história do cinema e ganhar mais três sequências de sucesso. Diálogos sobre filmes de terror dentro de um filme de terror nunca tinha sido feito e isso passou uma conexão muito forte para os telespectadores. A evolução dos personagens e as características pessoais, cada um a sua maneira, é tão bem feita que a tensão sobre cada morte chegava com 220 volts de adrenalina.

É claro que, há 20 anos tudo isso soava muito mais harmonioso, então, ao assistir novamente os filmes, prestem atenção aos detalhes dos diálogos e não na tecnologia usada, na realidade das cenas, e não fique se perguntando por que ninguém acende a luz quando entra em um cômodo.

Uh, those are slasher movies. You can't do a slasher movie as a TV series.


Voltando a série criada pela Netflix, Scream trás a tona toda essa carga psicológica e dramática criada por Wes Craven transportando tudo para a atualidade. O roteiro, que poderia parecer uma cópia do passado, chega com originalidade, atualidade e, surpreendentemente, suga sua atenção. 

Um assassinato aconteceu na cidade de Lakewood há quase 20 anos e as consequências estão acontecendo agora. Além do plot principal, a produção trabalha muito bem com as motivações pessoais de cada personagem. Relações abusivas, cyberbulling, preconceitos, tudo o que é necessário para impulsionar e amarrar cada episódio está presente. No final das contas, o assassino é mais um fio condutor para as revelações do que o único atrativo.

Em minha não-tão-relevante opinião, o brilho da série está nas referências que não se limitam apenas à franquia Pânico: Helloween, A Hora do Pesadelo, Carrie, Psicose... alusões a clássicos do terror que trazem uma prazerosa nostalgia. Uma honrosa homenagem ao gênero que marcou história com facadas, serras elétricas e a estranha sensação de estar sendo seguido na cozinha.


O último capítulo da primeira temporada, chamado Revelations, é uma homenagem ao criador Wes Craven, que trabalhou como produtor, mas faleceu dois meses após a estreia. 

Scream está em sua segunda temporada na Netflix e os episódios são lançados semanalmente. Ainda não houve articulações para uma terceira.

Aqui fica nossa singela homenagem ao mestre do terror. 



Obrigado pelos monstros.



Wesley Earl Craven (1939 - 2015)





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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sábado, 9 de julho de 2016

Momento HQ - O Monstro do Pântano, Nunca Confie em John Constantine

Sejam bem vindos novamente, caros leitores. Depois de pouco mais de um ano, estamos voltando com a sua dose semanal de artes narrativas sequenciais divididas por quadros. Peço desculpas pela ausência, porém, como todo herói de quadrinhos, o retorno é sempre surpreendente (clichê, mas sempre surpreendente).

Bom, confesso que pouco li nesse ano que passei estudando, então a primeira resenha após o retorno será um clássico de grande valia, mas esquecido pela maioria: O Monstro do Pântano. Criado por Bernie Wrightson e len Wein há quase 50 anos, produzida pela DC Comics desde então e imortalizado por Allan Moore. Posso garantir que essa não será a única resenha sobre o Verdão, então vamos começar pelos Novos 52 - Nunca Confie em John Constantine.

Alec Holland é um extraordinário cientista botânico perto de se tornar o mais respeitado profissional da área devido a pesquisas e descobertas sobre a possível transformação de desertos em florestas. Junto com sua esposa, algum experimento - assim ele imagina - sai do controle em seu laboratório e uma explosão mata os dois, porém, a força do Verde traz o Dr. Holland de volta a vida como o avatar que manterá o equilíbrio da flora no planeta.


Nunca Confie em John Constantine é o primeiro quadrinho após o reboot dos novos 52 e traz a saga do Monstro e seus dilemas pessoais confrontados com o dever de manter a paz e a estabilidade da natureza. Momentos em que é necessário tirar vidas, ou destruir o que mantém uma aldeia longe da miséria, apenas porque não é natural a origem daqueles alimentos.

Depois de se transformar em um semideus do meio ambiente, o impasse imposto pelo subconsciente talvez seja seu maior conflito, até quando a mente do, uma vez humano, Dr. Alec Holland, ainda terá espaço junto com o avatar Monstro do Pântano?

Na revista, o encontro com John Constantine é o ápice da história. Depois de sentir que algo está errado com o Verde, que alguém está sugando sua energia, o Monstro do Pântano viaja até a Escócia, onde encontra o mago inglês em uma pequena cidade. Ali eles enfrentarão ameaças que fazem o problema da União Europeia parecer brincadeira de criança. Além do mais, desde a Liga da Justiça Dark que a junção entre os dois sempre renderam grandes aventuras.

Confesso que não é fácil de ler as histórias do Monstro do Pântano, mas vale cada segundo que passamos com o quadrinhos nas mãos. Apenas lembrem-se, o Verde está em todo lugar, e aquele que ousar ignorá-lo, será cobrado. Agora levantem-se desse computador e águem as plantas.



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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A substituta [Resenha]

onde comprar: Arwenstore

"Nathan Robins é um cara de sorte. É famoso, rico, bem apessoado e casado com Park Jihyun, uma mulher adorável e bem-sucedida, que o ama muito. No entanto, todas essas coisas não impedem que Jihyun seja diagnosticada com um câncer em estágio terminal, meses após o casamento. A vida de Nate passa por uma grande reviravolta a partir disso. Sem perspectivas, ele toma decisões erradas que o levam cada vez mais para baixo. Ele não consegue aceitar que existe uma razão para tudo o que está acontecendo. Sob sua perspectiva, a narrativa nos leva a descobrir o que é enxergar a luz quando se está na escuridão."

Quando a felicidade é extrema, é normal esperar que algo ruim vai acontecer? No caso de Nathan, isso se mostrou verdadeiro e, logo após casar com a mulher de sua vida, ele vê tudo desmoronar rapidamente, assim que ela descobre que está com câncer em estágio terminal. Não é spolier, mas Jihyun morre, e deixa Nate num estado de tristeza profunda, sem que ele consiga enxergar uma solução para sua situação.

É nesses momentos de desespero que tomamos as piores decisões de nossas vidas, e com Nate não foi diferente: ele tentou o suicídio, foi salvo pelos pais, caiu em depressão e passou a ter alucinações terríveis, das quais saía fisicamente prejudicado. Seus pais cogitam buscar ajuda psicológica, mas ele se recusa, e a cada dia o buraco em que ele está vai ficando mais fundo, quase impossível sair.

Até que, depois de uma conversa informal com seu melhor amigo, ele tem a brilhante ideia de buscar uma sósia de Jihyun. Para isso, ele contrata um especialista do FBI, e pede que ele encontre a menina mais parecida fisicamente com sua esposa falecida. Nate acredita que, se envolvendo com uma mulher exatamente igual a Jihyun, ele vai conseguir superar parte da dor de perdê-la tão cedo. O tipo de atitude que se toma com base na depressão e no desespero.

Nate acha a menina, ela se chama Anabelle, e é igualzinha a Jihyun - por fora, já que na personalidade, são bastante diferentes. Ele se aproxima dela como quem não quer nada, e eles acabam namorando. Mas claro que não é a mesma coisa, e Nate custa a admitir que seu plano é falho e que as coisas podem dar muito errado.

Mas não pense que ele melhora quando está com Annie, pelo contrário: ele continua tendo visões de Jihyun, e sente que, apesar de estar gostando da substituta, ainda falta alguma coisa naquela relação. Falta algum coisa na sua vida, na verdade.

Depois de muitos tropeços, decisões erradas, brigas, bebedeiras e quase morte, a luz no fim do túnel começa a aparecer, e Nathan começa a acreditar que pode por sua vida nos eixos novamente. Mas com muito sofrimento e superação, o tempo todo.

Apesar desse tom sofrido, o livro é bem divertido, cheio de passagens engraçadas, com uma narrativa muito leve e que cativa o leitor. Os personagens, apesar de serem superstars ricos e levem uma vida cheia de luxo, lá no fundo, se parecem com pessoas comuns, com medos e anseios exatamente iguais aos nossos.

A autora conseguiu conduzir o drama do protagonista muito bem, explorando ao máximo seu sofrimento e sua dor, para depois mostrar que a felicidade está mais perto do que se imagina, quando sabemos onde e como buscá-la. O tom da narrativa não deprime, mas nos faz ver o outro lado da fama, nos mostra que nem tudo glamour quando se é um cantor de sucesso, e que, mesmo tentando manter a imagem de pessoa perfeita, aquele seu ídolo maravilhoso tem defeitos e também erra.

Comecei a ler A substituta sem saber nada sobre a estória, e o que eu acreditava que ia acontecer com o lance da substituição foi totalmente inesperado. A leitura foi muito prazerosa e me surpreendeu com o desfecho que a autora deu para toda a problemática de Nathan. Acredito que, acima de tudo, ela quis incentivar a superação, mostrando que, mesmo depois de muitas dificuldades, é possível se reerguer. Indico o livro para todos.


A substituta
Clara Brandão
227 páginas
Editora Arwen
Nota no Skoob: 3.8
Nota do blog: 4.0
(livro cedido pela Editora em parceria)



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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

terça-feira, 5 de julho de 2016

Top comentarista julho + resultado junho










Olá amigos leitores! Pra começar bem esse post, quero dar um recadinho a vocês: o top comentarista vai mudar em julho para Comentarista Premiado. Ao invés de comentar em todos os posts, vocês vão ter que comentar só naquele ou naqueles que realmente gostarem e quiserem comentar. Ao final do mês, farei um sorteio e um de vocês ganhará o prêmio. Ok? Ok.

As regras vão mudar só um pouquinho. Ainda vai ser necessário curtir fanpage do blog sim, e deixar um e-mail válido nos comentários desse post para validar a participação. Depois, cada comentário feito vai receber um número, e no final eu jogo todos eles no random.org e faço o sorteio. 

Acredito que será melhor para vocês, que não se sentirão obrigados a comentar em tudo, mesmo naqueles posts que não despertaram tanto seu interesse, e para mim, que não vou ter aquele trabalhão para contabilizar tudo e realizar o sorteio.

Por fim, quero agradecer imensamente as duas guerreiras que passaram esse mês acompanhando meus posts e comentando religiosamente. Mas como o prêmio é para uma só pessoas, precisei realizar o sorteio. Vamos ao nome da ganhadora:



Vitória e Larissa comentaram 15 vezes cada uma, e receberam um número para sorteio. Como pode ser visto na imagem, a vendedora foi a Vitória, que estará recebendo em breve um e-mail do blog. Parabéns Vi, e, novamente, obrigada pela participação de ambas.

Em julho o comentarista mais sortudo vai levar para casa nada mais, nada menos que um desses livros aqui:




Quem ganhar vai poder escolher entre Fantasya, de Tiago Anderson, ou Contos de imaginação e mistério, de Edgar Alan Poe.

Lembrando que:

- é obrigatório curtir a fanpage do blog (clique aqui). Eu confiro todos!
- deixe um e-mail para contato nos comentários desse post, para que você seja encontrado caso ganhe o sorteio;
- confira no final do mês qual ou quais foram seus números da sorte (tipo loteria, rsrs), e torça para ser o ganhador.

Todos os posts do mês de julho estão valendo, inclusive aqueles que saíram antes desse (deem uma olhadinha nos anteriores), e que a sorte esteja com vocês!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Lançamentos de julho - Editora Arwen

Que tal conhecer os super lançamentos da Arwen para esse mês? Eu já quero todos!


O medalhão de Isis - C. Camargo
O medalhão de Ísis é o primeiro livro da trilogia sobre o guerreiro Faris e a princesa Ahlam, em suas viagens pelo Egito em busca de peças de um antigo artefato de Ísis - deusa do amor. Ambientada no Oriente Médio do século IV, a trama traz mitos, tradições, deuses, guerras e fatos históricos em meio a traições, aventura e romance.
















O mestre das cordas - Philipe Alencar
As terras de Arkandur formam o último continente, o único lugar onde a humanidade perseverou e vive em paz com os sábios conhecidos como magos. No entanto, tudo muda quando rituais neucromânticos começam a espalhar caos e horror pelos Três Grandes Reinos. Os reis, receosos e pressionados por seus conselheiros, decidem assinar a lei que proíbe permanentemente a prática de magia. Os magos passam a ser caçados não somente pelas tropas reais, mas também pela sombra cavalaria da Justiça Armada Noturna, cujas espadas são tão gélidas quanto suas almas.









A protegida - Bia Braz
O atentado no trem de Londres em 2005 marcou a sociedade inglesa. Anos depois, o receio de novos ataquem mantém o país em cautela. Lisy adotou uma nova identidade para fugir de ameaças, adotando uma vida com regras mais rígidas e menos liberdade, porém, segura. Katzen é uma jovem rebelde, inconformada com prisões impostas, que desafia a proteção e diverte-se anonimamente em festas de um clube, tentando recuperar a liberdade roubada. Ela se torna objeto desejo de um famoso jogador de futebol da cidade e, disposta a viver o momento, entra nesse romance quente sem exigir nada de volta, guardando para si suas expectativas e emoções. O arrogante e superior jogador enreda-se num mundo de intrigas, ameaças, preconceito, violência e perigo ao envolver-se com mulheres que o atraem de maneiras diferentes, mas são inalcançáveis. Sedutor, fascinante e cheio de reviravoltas, esse livro irá despertar sorrisos e revoltas no leitor, com muito romance, entrega e companheirismo.



De olhos fechados - Tatiane Tálita
Quando a jovem e doce advogada recém-formada, Manoela Vieira foi para a Conferência de Direito Penal, na Suíça, literalmente esbarrou em destino: o infame e enigmático Enzo Barbieri, um homem muito poderoso e cheio de mistérios. Sem conseguir resistir à imensa atração, a jovem Manoela embarca em um romance intenso, arrebatador e quente. Pensando, por alguns instantes, estar vivendo uma história de amor... Mal sabia Manoela que estava caindo em uma armadilha. Mal sabia ela que sempre esteve de olhos fechados. Do céu ao inferno, Manoela vai descobrir que monstros não nascem, são criados e que nada é o que parece. 
"O amor é para os fracos e tolos. Com toda certeza, não sou nenhum dos dois" - Enzo Barbieri






O destino das sombras - Gabrielle Mammana
Lucy acreditava ser apenas mais uma órfã inglesa que vivia na miséria e nas sombras de sua irmã mais velha, até que, sob circunstâncias misteriosas, acaba sendo sequestrada por dois jovens que a levam para uma ilha chamada Zarton. Sem entender exatamente o motivo, Lucy percebe-se no meio de uma ventura envolvente e alucinante, onde o que está em jogo é a sua vida. Confusa com todos os acontecimentos que passam a fazer parte de sua rotina, ela se vê apaixonada por Alec, um jovem que decide ajudá-la e se torna amiga de Aphri, uma garota tagarela e divertida. Viajando pelas terras errantes de Zarton, Lucy descobre que sua mãe biológica é a rainha usurpadora do trono e que pretende oferecê-la em sacrifício, uma vez que ela é a princesa perdida de Zarton. Ela também terá que aprender a lidar com seus  estranhos dons, que a tornam uma domadora de sombras e luzes. Lucy sempre sonhou viver uma grande aventura, e, quando se vê diante dela, se questiona se vale mesmo a pena tomar decisões erradas para abraçar o seu destino.


Vocês podem correr agora mesmo para o site da Arwen e adquirir todos os livros, com preços especiais de pré-venda, clicando aqui. Esses livros estão custando menos de 30 reais, e vocês ainda podem parcelar em 3 vezes! Não dá para perder!

Vejo vocês no Twitter para falar sobre a #MLI2016.


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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domingo, 3 de julho de 2016

Fala, Rafa! - Lembranças



Eu ainda me lembro do dia em que conheci alguém capaz de mudar a minha vida. 
Naquele dia eu pedi ao garçom dois drinks, sempre achei que gostava dos mais doces até experimentar os mais amargos, sentir aquele líquido escorrendo até o meu estômago me faz lembrar de quando ligo no último volume o som do meu carro, e coloco na nossa trilha sonora, escolho sempre aquela música de plurais, porque ouvir ela nos faz lembrar de quando eu resolvi trocar o chá pelo café, ó companhia gostosa, louca que me fez sair do trilho. 
Posso lembrar que no começo, me senti estranha, e a culpa não era da dor de cabeça, muito menos do vinho que tomei antes da nossa primeira noite, a culpa era desconhecida, e de desconhecido também tinha a gente. 
Abandonei os cigarros e tudo que não me fazia bem, porque dessa vez eu tinha encontrado um prazer melhor, tão mais vistoso que o salto mais caro do nosso shopping preferido. 
Hoje o porteiro até disse que minha pele está bonita, mal sabia ele que o cosmético que usei nela foi produzido na indústria do amor. 
E falando em amor, já não sinto saudades, de distância agora só me lembro dos metros da sala de estar até a janela do meu quarto. 
Lembro que eu tinha medo de olhar para fora, as estrelas me assustavam, não sei bem o porquê, mas hoje admiro cada uma delas, porque percebi que o céu depende delas para ser claro e lindo, e em todas as noites fecho os meus olhos e torço para cair alguma delas na palma da minha mão, pois gostaria de presentear a pessoa mais importante da minha vida. 
Ahh, eu posso, e como posso, lembrarei para sempre do dia em que a conheci, foi ao amanhecer, logo após receber um telefonema com uma voz dizendo "Estou indo embora" foi aí que tive a honra de ter te conhecido, não vou me arrepender de quando tropecei no tapete do quarto e vi o seu reflexo no espelho, naquele momento enxerguei a alma capaz de me deixar de pé, seu rosto era igual ao meu e apenas uma da gente me fez perceber que minha própria companhia é definitivamente nossa maior alegria.






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Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes