quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Reverso [Resenha]


"Megan gostaria de ter deixado todos os seus medos do outro lado do espelho, presos com Megami e sua perigosa obsessão. Mas ela sabe que nada é tão fácil e, rápido demais, o espelho cobra seu preço também deste lado. Megan se vê dentro do seu maior pesadelo, um que conhece muito bem. E agora, além de lutar contra Megami, precisa fazer uma terrível escolha que definirá o seu futuro e o das pessoas ao seu redor. Em meio a tantos segredos e dúvidas, Megan deve descobrir a verdade sobre Megami e, acima de tudo, sobre si mesma. Reverso é a conclusão da história em Inverso, a jornada de uma garota em busca de sua própria identidade. Para proteger quem mais ama, Megan enfrentará seus maiores temores e irá compreender seus sentimentos mais profundos. Mas será que ela é assim tão diferente da garota que a encara do outro lado do espelho?"

Na continuação de Inverso (leia resenha aqui), reencontramos Megan e seu conflito com o mundo que existe do outro lado do espelho. Depois de perder a mãe para um câncer e passar a viver apenas com o pai e a irmã mais nova, ela descobre que pode ter uma vida totalmente diferente se atravessar o espelho do antigo quarto da mãe. Lá, do outro lado, tem uma família igual a sua, onde a mãe ainda vive, e uma menina que é totalmente o oposto de Megan, Megami, que parece ser má e cheia de problemas.

O conflito está na decisão que Megan tem que tomar: se atravessar novamente o espelho, poderá ter tudo o que sempre quis: a mãe presente, o pai e a irmã, como uma família feliz. Apesar daquela família estar em conflito, Megan acredita que eles podem voltar a viver em harmonia. Porém, para isso, ela terá que deixar o pai e a irmã de verdade aqui, desse lado do espelho, e seu melhor amigo da vida toda, Daniel.

Para reforçar suas dúvidas, Megan descobre que tem um câncer exatamente igual o da mãe, no cérebro, inoperável. Ela e o pai passam a viver na expectativa de que ela se cure, e não acabe morrendo como aconteceu com sua mãe. Mas enquanto Megan tenta lutar contra a doença, Megami continua a chamá-la pelo espelho, oferecendo uma vida sem a doença, enquanto ela assumiria o lugar de Megan  e passaria a viver em paz com a família que restou.

"- É câncer, certo? Eu tenho a porcaria de um tumor na droga da minha cabeça.
Ela sentiu os olhos do pai sobre si, mas fingiu não ver. Não naquele momento. Megan não poderia encarar aqueles olhos desesperados; começaria a chorar ali mesmo e a última coisa que desejava naquele momento era chorar. Precisava ser prática e objetiva, coisa que sabia que sua mãe nunca tinha sido." (página 36)

Enquanto o tumor cresce e faz Megan desejar atravessar o espelho para se livrar dele, ela começa a ler o antigo diário da mãe, onde ela conta em detalhes algumas das passagens que fez para o outro lado, da vontade que tinha de também viver lá, onde era saudável, mas que a troca teria um preço muito alto, que ela não estava disposta a pagar.

A realidade atinge Megan em cheio, e ela tenta a todo custo encontrar uma solução tanto para sua doença e morte eminente, quanto para os problemas de Megami, para que ela a deixe em paz aqui desse lado. Megan descobre que também teria que abrir mão de alguém que ama muito para colocar as coisas em seu lugar e voltar a viver com saúde, mas ela tem medo. É lindo ver o crescimento da personagem, reconhecer sua superação e a vontade que ela tem de continuar vivendo, a qualquer preço.

"Assim que Megan atravessasse o espelho, jamais veria novamente o rosto de sua mãe daquele jeito. Tão próximo. Jamais sentiria seu toque novamente. Jamais ouviria sua voz.
Megan perderia sua mãe, para sempre." (página 137)

O problema é que qualquer decisão que ela tome irá afetar as pessoas ao seu redor, e também a sua versão que mora dentro do espelho. O leitor sofre junto com a protagonista enquanto ela tem que decidir que direção tomar, e também pode sentir o drama que cerca Megami, do outro lado do espelho.

A superação e o autoconhecimento dão o tom à narrativa, e o leitor torce para que Megan consiga tomar a melhor decisão possível, apesar das perdas que poderá ter. Reverso é uma história complexa, cheia de sentimentos, drama e amor, mas que se torna simples e próxima de alguns sentimentos que temos no nosso dia a dia. A escrita da autora é bem fluida, o que torna a leitura tão agradável que, quando o leitor percebe, já está no fim do livro. Recomendo a leitura para todos que gostam de uma boa trama, cheia de sofrimento e com final feliz.


Reverso
Karen Alvares
editora Draco
148 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 4.8


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um pouquinho de...

"- Isso não foi muito legal.
Ela olhou para mim com surpresa.
- O que você quer dizer?
- Essa coisa que você faz, com as covinhas e a hipnose, sei lá. Aquele cara podia ter se machucado ao tentar voltar até a porta.
Ela deu um meio sorriso.
- Eu faço uma coisa?
- Como se você não soubesse o efeito que tem nas pessoas.
- Acho que consigo pensar em alguns efeitos... - A expressão dela ficou sombria por um segundo, mas se abriu, e ela sorriu. - Mas ninguém nunca tinha me acusado de hipnose por covinhas.
- Você acha que as outras pessoas conseguem o que querem com tanta facilidade?
Ela inclinou a cabeça para o lado e ignorou minha pergunta.
- Funciona em você, essa coisa que você acha que eu faço?
Eu suspirei.
- Sempre."

(página 133)



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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Li até a página 100 e... #27



*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto





Primeira frase da página 100:

"Depois de meia hora de bate-papo, algumas meninas queriam, algumas meninas queriam andar até as piscinas de maré baixa próximas, mas a maioria dos garotos queria ir até a única loja do vilarejo para comprar comida." 

Do que se trata o livro?

É uma nova versão de Crepúsculo, exatamente igual a primeira, só que com os gêneros invertidos, ou seja, Edward é mulher e Bella é homem. Todos os outros personagens também sofreram a mesma mudança, com exceção dos pais de Bella (ou Beau, no caso).

O que você está achando até agora?

Muito lento. Não sei se é porque já li várias vezes Crepúsculo, e acabei cansando da história, ou se é por que fico o tempo todo imaginando que está errado ler Edythe no lugar onde deveria estar Edward. A verdade é que já faz uma semana que comecei a leitura e ainda estou na página 110. Alguns trechos que foram criados para Bella e agora são de Beau soam um pouco estranhos, pois continuam totalmente femininos, apesar de serem narrados por um homem.

Melhor quote até aqui:

"- Francamente, Edythe. - Senti um arrepio subir pelo corpo ao dizer o nome dela em voz alta, e odiei isso. - Eu não consigo entender você. Pensei que não quisesse ser minha amiga.
- Eu disse que seria melhor se não fôssemos amigos, e não que eu não queria ser." 

Algum personagem merece destaque?

Não consigo destacar nenhum, já que todos eles já foram vividos anteriormente, ainda que com gênero diferente.

Vai continuar lendo?

Sim, mas lentamente.

Última frase dessa página:

"Fiquei com alguns arranhões leves nas palmas das mãos, mas não saiu muito sangue."


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sexta de música #115 - Amor que não se pede

Olá leitores! Como eu já tinha comentado algumas vezes por aqui, eu escrevi um romance, que já está em fase de revisão, e, se tudo der certo, em breve será publicado! Apresento-lhes Amor que não se pede:


Essa é a carinha dele, por enquanto. Digo isso por que ele ainda está sendo publicado, capítulo por capítulo, no Wattpad, quase como uma forma experimental, então, pode ser que, quando ele vier a ser publicado, a capa sofra alterações. Mas ela é fofa assim, não é?

Como algumas pessoas ainda não sabem nada sobre o livro, vou fazer uma sinopse para vocês: "Clarissa acredita ter encontrado sua alma gêmea até que, na noite de sua despedida de solteira, conhece aquele que vai virar sua vida de cabeça para baixo. Um amor novo, obsessivo, surpreendente, que ela não esperava sentir, nem nunca pediu para viver."


Além desse post ter a função de apresentar meu livro oficialmente para todos meu queridos leitores, também foi feito para compartilhar com vocês a playlist com algumas músicas que são citadas ao longo da história e outras que me inspiraram a escrevê-la. Elas também estão disponíveis para ouvir no Spotify, clicando aqui.

E não deixem de ler o meu livro galera, pelo menos deem uma passadinha pelo Wattpad, votem no livro, isso ajuda muito! Cliquem aqui e sigam direto para lá, ouvindo a playlist abaixo:





Espero que curtam as músicas, a história, o romance, e que voltem para me contar o que acharam.


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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mais leve que o ar [Resenha]

onde comprar: Loja da Lote 42

"Há algo fascinante, romântico e trágico no Reino de Amberlin. A jovem druida Melissa se apaixona por Pablo, um talentoso inventor que ousou fazer o homem voar, proeza que nem mesmo o mais poderoso feitiço poderia conceber. Magia, amor e mistério amarram a aventura de Mais leve que o ar" de Felipe Sali, autor prodígio da internet que agora expande seu horizonte no universo do papel."

Esse é um livro romântico, no sentido mais amplo da palavra. Uma narrativa leve, doce, terna, que envolve o leitor desde a primeira linha.

No Reino de Amberlin, as mulheres são proibidas de praticar sua magia em público, por isso, vão a um mosteiro para estudar e praticar. A protagonista, Melissa, tem o dom de conjurar flores, e a parte das jovens que frequentam o mosteiro. Fora isso, e o fato de ter sete irmãs, sua vida é bem pacata e normal, até o dia em que ele conhece Pablo, um garoto misterioso e intrigante, que aparece do nada e chama a sua atenção imediatamente.

O que ela não sabe - e, aparentemente, só ela - é que Pablo é da realeza de Amberlin. Filho do rei, ele assumiu o papel do pai na administração quando esse ficou muito doente e debilitado. Mas quando ele está com Melissa, nada disso parece importar, pois ele é tão simples e atencioso que nem parece viver num mundo totalmente diferente do dela. Melissa não fica deslumbrada pela riqueza do garoto, nem pelo poder que ele exerce sobre todas as pessoas, e isso torna a relação deles muito especial.

Melissa e Pablo passam a se encontrar todos os dias, e ele revela para ela seus maiores segredos: está construindo uma máquina voadora, que é o projeto de sua vida, e tem um dragão anão chamado Magrelo, que vive escondido num canto escondido da propriedade real. Assim, eles passam a compartilhar as situações mais fofas e românticas já imaginadas, e vão construindo uma relação de confiança, amizade e amor.

"- Eu tenho. A meu ver, você deve fechar os olhos para escrever bem.
- Escrever de olhos fechados?
- Sim.
- Como?
- Vou provar isso com uma experiência."
(página 70)

Pablo é uma pessoa especial, que só quer ser feliz, ver as pessoas bem, e realizar seu sonho de voar. Ele praticamente não dá a minima para toda a pompa real, e os momentos que passa com Melissa são aqueles em que ele pode ser ele mesmo, sem medo de que tenha alguém olhando ou que esteja quebrando algum tipo de protocolo.

Por outro lado, Melissa se apaixona cada dia mais pela personalidade de Pablo, e entende totalmente seu amor pela máquina que está construindo. Mas a certa altura, ela conhece a única mulher que pode abalar seu namoro com Pablo: a princesa Isabel, mulher linda e perfeita, que foi criada com ele e que ainda nutre algum sentimento pelo príncipe.

Há esse conflito amoroso movendo o enredo e uma outra trama paralela, que envolve a briga pela máquina voadora de Pablo. Alguns outros reinos querem usá-la numa guerra, e essa é a única coisa que ele proíbe veementemente. Esses dois conflitos serão decisivos para o fechamento da história, logo depois que uma grande tragédia atinge os personagens.

Esse é um livro que faz chorar, então, se preparem. O namoro de Melissa e Pablo é lindo, e cada minuto que eles passam juntos parece poético e perfeito. Mas há um mundo ao redor deles, e nele as pessoas são ambiciosas e más. O amor pode ser suficiente para manter a paz? A máquina voadora poderá trazer apenas alegria, como sonha seu idealizador?

"Existe uma coisa da qual esses bastardos podem ter certeza: a minha máquina voadora nunca servirá à guerra. Nunca colocarão as mãos nela." (página 65)

A cada página o leitor entre num universo totalmente diferente, mas que tem pequenos toques da nossa realidade, com algumas críticas leves à fatos e costumes arraigados na nossa cultura, como por exemplo, a crença de que a mulher é frágil e precisa ser totalmente submissa ao homem. Mas isso é apenas uma alfinetada básica, não sendo o foco principal na trama. O importante na obra de Felipe Sali é como o amor vence barreiras, e como ele pode ajudar uma pessoa a se conhecer realmente. O amor constrói o que há de mais belo no mundo, mas precisa ser vivido.

Essa foi a segunda vez que li Mais leve que o ar; conheci a obra quando ela ainda estava apenas no Wattpad, e me apaixonei imediatamente. A história tem um ar poético que eu adoro, e cheia de ternura em cada parágrafo. Cada encontro entre Pablo e Melissa é uma viagem, e dá vontade de viver um amor como o deles.

"Eu contei qual era a minha cor preferida - violeta.
Ele contou que construiu esse balão sozinho.
Eu contei que pretendo me tornar professora.
Ele me contou uma piada.
Eu ri.
Ele falou que gostava dos meus olhos.
Eu agradeci.
Ele falou que estava com vontade de me beijar.
Eu beijei."
(página 18)

A escrita de Sali é exatamente como eu imagino que ele seja, doce, cheia de amor. Mas além de carregar a narrativa de beleza, ele consegue usar muito bem o método show, don't tell (mostre, não conte), principalmente no final, quando não é preciso ser dito o que está para acontecer, pois está descrito nas entrelinhas e nas atitudes das personagens.

O trabalho da Lote 42 está fascinante: desde a arte da capa, que é cheia de detalhes da máquina voadora, até o interior, com a diagramação das páginas, as divisões entre os capítulos e a transição da primeira para a segunda parte. Além disso, a capa é dobrável, e dentro dela há uma imagem linda de todo reino de Amberlin.

Vale a pena a leitura de cada página, lentamente, para que se possa absorver todo o amor e a poesia dessa história única e atemporal, que eu tenho certeza que vai conquistar todos os leitores. 


Mais leve que o ar
Felipe Sali
editora Lote 42
160 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 5.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Novembro, 9 [Resenha]


"Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história  de amor mesmo se terminar em corações partidos?"

Toda vez que pego um livro da Colleen, começo a ler com a expectativa muito alta, e ela nunca me decepciona. Mais uma vez, com Novembro, 9, passei uma madrugada inteira enfeitiçada pelas palavras dela, pela história triste e encantadora que ela criou, e novamente pensei que tudo o que eu quero é também conseguir criar um romance assim.

A protagonista foi vítima de um incêndio, que queimou boa parte de seu corpo, inclusive um lado do rosto, deixando-a com cicatrizes que ela tenta a todo custo esconder. Por isso, sua autoestima não existe mais, e ela se acha feia e quase inútil para qualquer outra coisa, até para continuar seu antigo trabalho de atriz.

O acidente ocorreu no dia 9 de novembro, quando ela tinha dezesseis anos, e agora, com dezoito, Fallon ainda culpa o pai pela tragédia que a desfigurou. No dia do segundo aniversário do incêndio, ela conhece aquele que ia mudar totalmente sua vida, da forma mais inusitada possível: Ben, o jovem escritor que tem a sua idade, e que a faz começar a ver sua própria condição de forma diferente.

Ben é um fofo, como costumam ser os homens nos romances da Colleen, e é impossível não se apaixonar por ele: seguro, diz a coisa certa na hora certa, valoriza a beleza interior de Fallon e não liga para suas cicatrizes. Além disso, ele beija muito bem, e a trata como se ela fosse a mulher mais linda do universo.

"Ele me beija como se quisesse que este beijo fosse lembrado. Por qual de nós dois, não sei, mas deixo que ele receba o máximo que pode deste beijo e dou o máximo que tenho. E é perfeito. Ótimo. Ótimo de verdade." (página 83)

Mesmo estando ainda insegura com sua aparência, Fallon, começa a ouvir os incentivos de Ben, e as palavras dele a ajudam a quebrar o muro que ela mesma construiu a sua volta, isolando-a do mundo. Mas, como nada é perfeito, eles se encontram exatamente na véspera da mudança dela para o outro lado do país, e eles sabem que a despedida será inevitável. Mas a energia entre eles é tão boa que acabam fazendo um trato: voltar a se encontrar no mesmo dia, hora e local pelos próximos cinco anos, sem manter nenhum tipo de contato até lá. Enquanto isso, Ben promete que vai escrever a história deles e pede que Fallon viva a vida normalmente, se valorize e nunca deixe ninguém menosprezar sua aparência.

É estranho, mas nos dois primeiros anos, o reencontro dá certo, e eles vão se apaixonando cada vez mas, ainda que lutem bastante contra isso. Como cinco anos é muito tempo, coisas inesperadas acontecem, e acabam atrapalhando os planos do casal. Ainda assim, eles vão mantendo uma relação que envolve paixão e algumas perguntas que nunca têm respostas. Aos poucos, conforme vão amadurecendo, começam a enxergar tanto a beleza quanto a loucura do namoro estranho que vivem, mas não querem desistir de levar o combinado até o fim, quando terão vinte e três anos.

Como o livro é narrado em primeira pessoa, intercalando um capítulo na visão de cada personagem, a dinâmica de leitura fica ainda mais interessante, pois é possível conhecer os dois lados da história, e entender os sentimentos de Fallon e Ben, assim como suas reações às dificuldades pelas quais passam o tempo todo.

Ao longo da leitura, uma mistura de sentimentos toma o leitor: a paixão dos personagens, a dor de Fallon por causa de sua aparência e do acidente que impediu que ela voltasse a atuar, a ansiedade pelo reencontro e a torcida para que o final seja feliz. Mas além de tudo isso, há trechos que dão um chacoalhão na gente. A essência da história é que devemos agradecer a vida a cada dia, e aproveitar o milagre que nos foi concedido.

O final é uma agonia só. Enquanto Fallon descobre todos os segredos de Ben e se decepciona ao imaginar que foi usada o tempo todo, podemos conhecer a versão dele dos fatos, e tudo é muito bem explicado e aceitável, tornando impossível que o leitor não deseje um felizes para sempre.

"Rio, aliviado, porque ela... simplesmente existe. E porque temos sorte suficiente de existir na mesma época, na mesma região do mundo, no mesmo estado. E depois de todos esses anos, surpreendentemente eu não mudaria nada do que, no fim das contas, nos uniu." (página 254)

Eu amei o toque de poesia que a narrativa tem, e também as referências ao livro Um dia, que também conta a história de um casal que se reencontra sempre na mesma data. A escrita da Colleen é muito fluida e envolvente, e não dá mesmo para largar o livro antes do final. A verdade é que sou apaixonada pelos romances da autora, e sempre recomendo para todos que querem ler uma boa história de amor, sofrimento, drama e final feliz. Cinco estrelas merecidíssimas.


Novembro, 9
Colleen Hoover
editora Galera Record
352 páginas
nota no Skoob:
nota do blog: 5.0


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