sábado, 15 de outubro de 2016

Fala, Rafa! - pro-fes-sor (do latim professor, -oris): aquele que ensina



Hoje eu acordei e, ao tomar um banho, tomei um choque na pelinha do meu dedo logo quando abri o chuveiro, de cara saquei, algum fio está desencapado. Aprendi isso com algum PROFESSOR DE FÍSICA.

Escolhi um pão não muito queimada e quentinho para a minha primeira refeição do dia, depois pensei em comer uma barra de chocolate branco (meu preferido), mas lembrei que algum PROFESSOR DE BIOLOGIA me disse que glicose em excesso não é saudável e o café da manhã tem que ser algo do tipo alguma gruta acompanhado de alguns outros alimentos mais ricos em proteínas e vitaminas.

Corri tanto para pegar o ônibus que com certeza meus batimentos cardíacos por minuto era mais que 80, ainda considerando o normal para alguém que praticou alguma atividade que exigiu esforço físico, aposto isso, pelo menos foi o que eu entendi de alguma aula que tive com algum PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA. (Após chegar a tempo, só desejei um copo de água em estado líquido com quadradinhos de moléculas em estado sólido lá dentro, água+gelo=combinação perfeita, devo um valor imenso para alguma PROFESSORA DE QUÍMICA que passou na minha sala de aula). Ufa!!!

Dei 5 reais pro motorista do ônibus, a passagem é R$ 3,60, logo meu troco deveria ser R$ 1,40 e recebi apenas R$ 1,30, mas claro, alertei o motorista, não foi a toa que deixei de dormir na aula do PROFESSOR DE MATEMÁTICA quando ele estava ensinando subtração. Lá dentro finalmente, reparei que as pessoas eram brancas, negras, pardas, e com diferentes sotaques, acho que isso diz respeito a colonização, lembro bem que aqui no Brasil tudo que era índio teve que ter contato com portugueses cara de pão (essa parte do pão não foi a PROFESSORA DE HISTÓRIA quem falou), daí também tem a questão da imigração e migração, um tal de vai pra nascer e fica pra morrer que também pode ser a causa dessa miscigenação toda. Adoro essa palavras MIS-CI-GE-NA-ÇÃO, quem é PROFESSOR DE GEOGRAFIA gosta de repeti-la várias vezes.

Bom, é tudo muito detalhado se parar para pensar, veja bem, algum PROFESSOR DE SOCIOLOGIA e algum outro PROFESSOR DE FILOSOFIA me fizeram analisar que, eu ando de ônibus (e pago para isso), já a sociedade anda de revolução (chega em qual lugar quiser e nem usa dinheiro para isso), e o tal titio Karl Marx concorda comigo (ou eu com ele), pois em uma frase já escreveu "As revoluções são a locomotiva da história", achei belo, com sentido.

Para dar o sinal que eu precisava descer, apertei o botão de cor laranja e em seguida me lembrei que alguma PROFESSORA DE ARTE me disse que o  laranja é uma cor secundária. Ai que alívio, finalmente, cheguei ao ponto que eu queria, no lugar que eu precisava, NA ESCOLA, e agora ficarei desprovida de presença, ou sem o eufemismo que alguma PROFESSORA DE PORTUGUÊS me ensinou. Agora estou indo embora, e como alguma PROFESSORA DE INGLÊS me ensinou, preciso dizer para você que está lendo "bye bye", ainda preciso estudar, segundo o que os PROFESSORES me contaram, a gente não deve nunca parar de aprender, e se você leciona e leu até aqui o meu texto, te desejo prosperidade e um feliz dia.




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Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sexta de música #114 - 20 músicas f**a de Renato Russo e a Legião Urbana

Olá leitores! Essa semana todos os fãs da Legião Urbana lembraram os vinte anos da morte de seu líder, Renato Russo, claro, com pesar pela perda, mas também celebrando o legado deixado por ele, e que vem sendo mantido através de Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, além do filho do cantor, Giuliano Manfredini.




Já falei sobre a banda algumas vezes aqui no blog, inclusive, fiz um perfil do Renato na antiga coluna Ele é o cara. Vocês podem ler tudinho clicando em: resenha Só por hoje e para sempre (link), Ele é o cara #11 (link), Faroeste Caboclo (link), Somos tão jovens (link) e As quatro estações (link).

Sou muito fã da Legião desde pequena, e me lembro exatamente onde estava quando recebi a notícia da morte de Renato. Foi muito triste, eu e meu marido ficamos muito abalados, mas a admiração pelo trabalho da banda é eterna, e, como música não tem idade, ainda hoje curtimos as canções da banda.




Aliás, a maioria das letras do Renato são atemporais, e mesmo os mais jovens, que nem chegaram a vê-lo vvincv ouvem suas músicas e se identificam totalmente, tendo aquela mesma sensação que a gente teve quando ouviu da primeira vez: essa música parece que foi feita para mim.

Como grande poeta (e louco) que era, Renato sabia traduzir para suas canções todo tipo de sentimento, desde a depressão que o atormentava em alguns momentos até o estado de maior euforia que se pode sentir quando estamos tomados pela paixão.




Por isso, hoje teremos na playlist 20 músicas, tanto de sua carreira solo quanto da Legião, para tentar diminuir um pouco a falta que ele fez nessas duas décadas de ausência.




Para quem ainda não conhece a história de Renato Russo ou da Legião, além de ler os nossos posts anteriores, com links lá em cima, procurem no Google, leiam, se informem, e se apaixonem também. Aproveitem que Dado e Bonfá está atualmente em turnê, comemorando 30 anos de banda e fazendo diversos shows pelo Brasil. Sei que não é a mesma coisa, mas dá para sentir um pouquinho do que foi a grande Legião Urbana para toda uma geração de fãs.





Alguns vídeos estão com qualidade horrível, mas, infelizmente, era o que tínhamos na época, e o que vale realmente são as músicas, ok? Se vocês preferirem, também criei a mesma playlist no Spotify, para acessarem a qualquer hora e curtirem essa vinte obras-primas de Renato Russo. Acessem clicando aqui.

Como sempre temos uma faixa bônus por aqui, escolhi essa apresentação fofa na gravação do Acústico MTV, quando Renato acreditava que a câmera estava desligada, e mostrou seu lado fã do Menudo, rsrs.




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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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legio omnia vincit

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O garoto do cachecol vermelho [Resenha]


"Melissa é uma garota linda, rica e mimada, que sempre consegue o que quer e tem todos na palma da mão. Ela acredita que a carreira de bailarina é a única coisa que realmente importa, porém, suas certezas são abaladas quando faz uma aposta com um garoto misterioso, que parece ter como objetivo virar sua vida de cabeça para baixo. De repente, Melissa se vê dividida entre dois caminhos: realizar seu maior sonho, pelo qual batalhou a vida inteira, ou viver um grande amor. Mas, não importa aonde ela vá, todas as direções apontam para o garoto do cachecol vermelho..."

Esse é um livro que desperta diversas emoções diferentes: com uma protagonista irritante, pedante e muito, mas muito mimada, e um personagem fofo, humano e paciente de outro lado, podemos amar e odiar facilmente, de uma página para a outra.

A jovem Melissa é sim muito chata e trata todo mundo mal, até a melhor amiga, mas tudo isso é compreensível, já que ela não tem pai e a mãe nunca está presente - ela é médica e está sempre viajando para atender seus pacientes. Assim, Mel fica o tempo todo sozinha em casa, supervisionada apenas pela governanta, que faz um pouquinho do papel de mãe e é a única pessoa que ela respeita.

Seu grande sonho e único objetivo na vida é ser a primeira bailarina negra do American Ballet Theatre, e por isso, ela treina incessantemente, e só se sente completa quando está dançando. Aliás, ela é uma bailarina excelente. Mas, quando não está no estúdio nem na faculdade, ela está em baladas com os amigos e, na maioria das vezes, muito bêbada para fazer algo de bom.

Melissa também tem um relacionamento com um menino de sua turma, que acha que são namorados, mas que ela não quer assumir oficialmente. Como seu objetivo é mudar para New York e estudar balé na Juilliard, ela não quer se apegar a nenhum garoto.

Por mais que eu tente expressar o quanto Melissa é chata e mimada, você não vão conseguir sentir a irritação que ela causa enquanto lemos a estória. Ela trata todo mundo como se fosse lixo, inclusive o Pedro, com quem ela tem a "amizade colorida" e sua melhor amiga Fernanda. Mel acha que só ela é importante, e só o que ela quer é realizar seu sonho. Até que ela conhece Daniel, e tudo começa a mudar.

Numa situação bem inusitada, Mel vê Dani pela primeira vez, e já o insulta muito, mesmo sem conhecê-lo. Na verdade, Melissa não aprendeu a respeitar os outros, a entender as diferenças entre as pessoas e aceitar que ninguém tem culpa por sua solidão. E como Daniel é uma pessoa de coração imenso, se propõe a ajudar Mel a sair desse mundinho que ela vive, ficando ao lado dela por 3 meses. Se no final desse prazo, Melissa não tiver aprendido nada sobre a vida, ele simplesmente a deixa ir e agir como quiser.

Claro que a convivência  com uma pessoa tão doce quanto Daniel iria despertar em Melissa (e nas leitoras), uma paixãozinha fofa, que pode ou não ser correspondida por ele. Mel, em muitos momentos, mostra a Dani seu pior lado: egoísta, indiferente e mimada, enquanto ele tenta abrir seus olhos para o lado mais humano das pessoas, ainda que elas sejam bastante diferentes dela.

Daniel é uma graça; além de ser lindo e estar sempre sorrindo, ele toca violão e canta muito bem. Ele está sempre usando um cachecol vermelho no pescoço, e a explicação para isso é bem fofa. Com muita doçura e dedicação, ele vai aos pouco conquistando Melissa e levando-a para seu mundo, onde ela pode ver que, no fundo, todas as pessoas são iguais, e devem ser respeitadas.

O romance entre eles é inevitável, mas as confusões continuam, e, às vezes, Melissa tem uma queda e volta a mostrar seu lado mais infantil e mimado. Mas eles vão se acertando e conseguem viver uma linda história de amor.

A estória é bem estruturada, bem ambientada e os personagens são bem desenvolvidos. O problema para mim foram os clichês. Isso é ruim? De jeito nenhum. A autora usou de clichês demais na construção de sua narrativa, mas eles encaixaram bem na proposta do livro. Temos abuso sexual, violência, bebedeira, roubo, muito sofrimento e morte, na caminhada até o final feliz. Ou nem tão feliz assim. Mas apesar de tantos lugares comuns, a leitura é agradável.

Levando em consideração que o livro foi escrito por uma autora muito jovem, e é voltado para o público da mesma faixa etária, ele cumpre o que promete. É encantador e arrebatador, faz sorrir e chorar, e ainda ensina algumas coisinhas. Da defesa aos direitos da mulher até o respeito pelo próximo, o leitor vai se sentir numa montanha-russa em vários momentos, mas vai conseguir se divertir enquanto lê.

Infelizmente, eu acabei tomando um spoiler da própria autora numa comunidade de escritores no Facebook, e o descobri plot principal da narrativa antes da hora, o que estragou um pouquinho a minha experiência de leitura. Além disso, algumas coisas que ela postou em seu próprio perfil me fizeram desconfiar de algo que iria acontecer a um dos personagens, e isso também me deixou chateada. Não a culpo, ela estava apenas fazendo seu marketing. Isso não me fez gostar menos do  livro, apenas tirou algumas surpresas que eu poderia ter enquanto lia.

Apesar dos clichês e da raiva que Melissa desperta no leitor, vocês devem ler sim, pois O garoto do cachecol vermelho é fofo, e Daniel é quase um príncipe de contos de fadas. Tenho certeza que as leitoras vão amá-lo, e vão aprender a gostar da Mel também, depois de entender suas razões para ser como é.

O garoto do cachecol vermelho
Ana Beatriz Brandão
Editora Verus
294 páginas
nota no Skoob: 4.6
nota do blog:


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Coleção Itaú Leia Para Uma Criança













Como vocês já devem saber, todos os anos o Banco Itaú distribui livrinhos infantis fofos para quem quiser recebê-los. E a coleção de 2016 já está disponível para solicitação. Saiba como fazer para receber os seus livros, sem custo nenhum:

Qualquer pessoa pode solicitar a coleção, não precisa ser cliente do banco, pois o programa é para qualquer pessoa que queira adquirir os livros e, claro, ler para uma criança.

Basta acessar o link do banco clicando aqui, responder um breve questionário com seus dados pessoais e esperar. Como já pedi a coleção em alguns anos anteriores, sei que pode demorar um pouquinho para chegar, então, fiquem tranquilos quanto ao tempo. Já teve uma vez que eu não recebi, então, extravios pelos Correios e até o fim do estoque de livros pode acontecer.

Os livros desse ano são:


Selou e Maya - Lara Meana

Selou e Maya são duas crianças vizinhas que, através de diferentes atividades do dia a dia - como acordar, comer, brincar, tomar banho e escutar histórias -, inventam vários mundos fantásticos.







Poeminhas da Terra - Marcia Leite

Diferentes versos compostos por palavras de origem tupi celebram a convivência do homem com a natureza. Esse livro aproxima as crianças da cultura de povos indígenas.






Peçam agora mesmo seus livrinhos, a distribuição vai até o fim dos estoques. E não deixem de lê-los para uma criança, isso realmente muda o mundo.


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terça-feira, 11 de outubro de 2016

O que eu li em setembro


Como setembro é lindo, não? Ele sempre nos surpreende com a rapidez com que passa e traz a primavera! Eu sei, clichê, mas não gosto de inverno, então o fim dessa estação me deixa muito feliz =)


As leituras de setembro também foram ótimas, e vou falar um pouquinho sobre elas:


A garota do calendário - fevereiro (tem resenha aqui), foi uma leitura gostosa de fazer, um pouquinho diferente do que eu imaginava, mas muito interessante. E O amor nos tempos de #likes é bem young-adult. Gostei. Vejam minha opinião na resenha clicando aqui.


O fofo O caderninho de desafios de Dash e Lily já tem resenha aqui, e é uma estória bonitinha, bem fantasiosa, que agrada ao leitor menos exigente. O que dizer de Talvez um dia da minha diva Colleen Hoover? Contei tudo (ou quase tudo) sobre ele na resenha, clica aqui e vai correndo pra lá! O garoto do cachecol vermelho me lembrou em alguns momentos A culpa é das estrelas e Cinquenta tons de cinza, mas a estória é boa - e triste. A resenha sai na próxima quinta-feira.




Lembra do desafio Alfabeto literário (aqui)? Vamos às atualizações desse mês:

Título
A- Amor vampiro
B- Beijos de vampiro
C- Clímax
D- Deixe-me entrar
E- Espadachim de carvão
G- O garoto do cachecol vermelho
J- Jogos mentais
L- Loving the band
M- Mônica é daltônica
N- O nome do vento
P- Pavor espaciar
R- Reformed vampire
S- Se eu morrer
T- Too late
W- Will & Will

Nome de protagonista
A- Asa Jackson (Too late)
B- Bela (A punição da Bela)
C- Cláudia (Entrevista com vampiro)
D- Denna (O nome do vento)
E- Eva (Somente sua)
H-Hector (Sangue de lobo)
J- Julianne (Deixe-me entrar)
K- Kate (Até que eu morra)
L- Luna (Jogos mentais)
M- Matias (Ele não é isso)
N- Nathan (A substituta)
R- Rebekah (The originals)
S- Silas (Nunca jamais)
Z- Zack (A caçadora)
W- Will Grayson (Will & Will)

Autores
A- Anne Rice
B- Bel Rodrigues
C- Chuck Palaniuk
D- David Levithan
J- Josh Malerman
K- Karen Alvares
L- Letícia Godoy
M- Marcelo Rubens Paiva
P- Paulo Henrique Bragança
R- Rodrigo Moreira
S- Sylvia Day
T- Terri Tery
V- Vivianne Fair


Bom, é isso. Voltamos com nossa programação normal, rsrs. Em outubro teremos muita leitura, muita resenha e, espero, muitos comentários. Beijocas!


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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ball Jointed Alice: uma história de amor e morte [Resenha]

onde comprar: Editora Draco//Extra//Amazon

"Frank é um homem sem esperança nenhuma. Um punk com um passado insano que, numa manhã de ressaca, acorda com uma boneca lhe desejando bom dia. Ele sabem bem quem é essa boneca e como ela se chama. Alice é uma ball jointed doll criada por Frank em seu projeto mais ambicioso: recuperar as memórias e os sentimentos de uma louquinha de mesmo nome. Mas ao tentar puxar a linha da lembrança do embolado novelo que é o passado, Frank acaba puxando a linha da tragédia. Acompanhado por seus antigos companheiros de hospício: a gothic lolita Tay, o estudante de direito Shin e a sociopata Emi, ele se envolve em um plano de vingança contra o hospital que os massacrou a alma e levou Alice à morte."

Uma narrativa crua, que escancara o psicológico dos personagens e leva o leitor para dentro de suas mentes. Assim é o romance de Priscilla Matsumoto, que choca e confunde, mas que surpreende no final.

Sem dar maiores explicações sobre como é possível, logo de cara conhecemos a boneca criada por Frank, que pensa, fala e age quase como uma humana. Ela foi criada à imagem e semelhança do grande amor dele, Alice, que morreu num hospício. Frank tem uma obsessão por Alice, e não se conforma com sua morte, por isso, batizou a boneca com o mesmo nome, e tenta encontrar nela um pouco de alento para sua perda.

O que só descobrimos um pouco mais tarde, é que Frank também era paciente desse hospício, e, incentivado por seus amigos, também ex-internos da instituição, vai tentar invadir o local e matar os médicos que abusaram e maltrataram deles por muito tempo. Frank é um cara pacífico, que tem lá suas neuroses, mas que só quer viver e amar.

A estória é para maiores de 18 anos, por conter muitas cenas de sexo, bebedeira e abusos de diversas formas. Frank é bem promíscuo, e, além de manter relações sexuais constantes com Shin, seu amigo descendente de orientais, também transa com mulheres e, em certo momento, até com a boneca Alice. Além disso, para curar suas mágoas e tentar esquecer a perda de Alice, ele está quase sempre bêbado.

Seus amigos são muito interessantes: psicologicamente atormentados e violentos, alimentam a loucura uns dos outros, tanto dentro quanto fora do hospício. E um plano de destruição arquitetado por um deles não poderia terminar bem.

A problemática do protagonista se desenvolve após ele retornar para o hospício, enquanto começam a por em prática sua vingança. Lá a narrativa mistura realidade com a imaginação de Frank, envolvendo muitos personagens de Alice no país das maravilhas, e a autora tece esse devaneios de forma tão peculiar, que o leitor consegue se sentir dentro da mente do personagem, sem perceber que passou do real para o imaginário. É tudo uma viagem maluca entre o que ele realmente está vendo e o que é fruto de sua imaginação perturbada.

Toda essa loucura é o diferencial da narrativa: enquanto o personagem discute consigo mesmo se realmente levou um tito que explodiu sua cabeça, o leitor sabe que isso não seria possível, já que ele ainda está consciente de seu corpo e de sua imagem no espelho. Ainda assim, o momento do tiro causa impacto no leitor, que espera que a qualquer momento Frank encontre a morte realmente. 

A interação com a boneca Alice é outro ponto que merece destaque no livro. Ela é praticamente humana, apesar de manter algumas características de boneca, mas em diversos momentos ela fala com Frank, lhe joga algumas verdades na cara, o faz pensar se realmente está agindo corretamente, e põe em dúvida algumas de suas resoluções. Todo mundo sabe que ela é uma baal jointed, mas falam com ela normalmente, como se fosse humana. Alice acompanha Frank no hospício, e é ela quem o ajuda a se equilibrar entre o limite da realidade e a loucura.

Os capítulos são sempre nomeados com alguma mudança no comportamento de Alice, como por exemplo "Quando Alice aprende a ficar calada" ou "Quando Alice aprende a beijar", e é possível perceber um paralelo entre as ações do próprio Frank e as de Alice. Enquanto esperamos Alice aprender a ficar calada, observamos isso no protagonista, e de maneira sutil percebemos as atitudes dela como um espelho das de Frank.

Há diversos momentos de reflexão profunda sobre a vida, o universo e tudo mais durante a narrativa, mas de uma maneira totalmente integrada à estória, o que não cansa o leitor nem permite que ele perca o interesse. Depois de conhecer todos os problemas de Frank, como abuso sexual na infância, problemas mentais e a perda do grande amor, o leitor anseia pelo desfecho da estória, e conhecer o rumo que sua vida vai tomar depois de enfrentar seus piores fantasmas, ao lado da bonequinha.

O final é cheio de revelações, e eu particularmente me surpreendi com algumas delas. É difícil prever o que vai acontecer depois da invasão ao hospício, só sabemos que haverá muitas mortes, e que os piores medos dos personagens serão colocados à prova. Eles terão que enfrentar seus inimigos, enquanto enfrentam suas próprias neuroses. O leitor não sabe quem conseguirá escapar das garras da Rainha de Copas, e quem terá sua cabeça cortada, mas sabe que o sentimento dos personagens é verdadeiro, e que o livro todo trata de amar e ser amado, de todas as formas possíveis, sobre a verdadeira natureza do mundo em que vivemos e de como sobreviver a tudo isso.

Para o leitor que tem mais de 18 anos, ele livro é super indicado. As referências à Romeu e Julieta, Alice no país das maravilhas, ao escritor japonês Haruki Murakami e a cultura contemporânea como um todo eleva o interesse pela leitura, e transporta o leitor para um universo totalmente surreal, mas não permite que ele se distancie totalmente da realidade.


Ball jointed Alice
Priscilla Matsumoto
editora Draco
212 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 4.2
livro cedido pela editora em parceria


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