sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sei Que Eu Sei News #19


A Coleção Vaga Lume é adorada por 10 entre 10 leitores, principalmente para aqueles da mesma geração que eu, que vivem a procurar os livros naquela edição que lemos na escola, e se frustram cada vez que não encontram.

Para esses leitores, e para todos os outros que conhecem a série, essa notícia é uma felicidade só. O livro "O escaravelho do diabo", de Lúcia Machado de Almeida, está sendo adaptado para os cinemas!


O livro, escrito em 1972, já está na sua 27ª edição, e é um dos preferidos pelos leitores. Ele foi o segundo da série que li na escola, o primeiro foi "O mistério do cinco estrelas", que, aliás, poderia virar filme também.

A direção ficou por conta de Carlo Milani, diretor de novelas na Globo, e que vai encarar seu primeiro desafio cinematográfico. Para o roteiro foram chamados melanie Dimantas e Ronaldo Santos, enquanto Sara Silveira cuida da produção.

Ainda não há uma data para a estreia do filme, mas uma imagem já foi divulgada: o ator Marcos Caruso vai viver o policial Pimentel, que ajuda o personagem Alberto nas investigações dos assassinatos.

Fonte: G1
Uma mudança interessante no filme é que Alberto, que no livro tem 20 e poucos anos, no filme terá 11 anos, e a justificativa é que isso fará a trama ser melhor compreendida no cinema. Segundo palavras do próprio Caruso: "a gente está contando a história de um ponto de vista adulto. É um drama sob a ótica madura, mas que pretende atingir um público jovem. Eu acho que essa garotada de hoje é tão bem informada, assiste a tantas coisasm, que não dá para fazer um filme bobinho e infantil".

As filmagens vêm ocorrendo no interior de São Paulo, alternando entre Amparo, Holambra, Campinas e Jaguariúna, e vão até o dia 26 de fevereiro.

Há alguns dias foi filmada num casarão de época a cena em que Pimentel dá a Alberto a notícia da morte do irmão: "Infelizmente seu irmão não resistiu, eu sinto muito", e imediatamente o policial começa a interrogar o menino como se ele fosse suspeito do crime.

Agora, caros leitores, cabe a nós aguardarmos o fim das filmagens e torcermos para que esse filme corresponda às nossas lembranças de leitura. Alguém ansioso? Comentem como foi a experiência de vocês com a Coleção Vaga Lume ;)



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Hamlet, HQ [Resenha - Parceria]



"Ser ou não ser, eis a questão. E essa é, certamente, a frase mais famosa de toda a literatura. A obra em que ela aparece é considerada a mais importante e profunda de William Shakespeare: Hamlet, que constitui o grande marco artístico do início da modernidade. Nesta versão, recontada em HQ pelo roteiro de  Bruno SR e pelos desenhos de Sam Hart, a história ganha uma essência. Leitura indipensável aos jovens de dimensão especial, sem perder a densidade e a todas as idades."

Quem me conhece e acompanha o blog sabe o quanto eu gosto de Hamlet. Desde a faculdade, quando estudamos Shakespeare e a professora Silvia pediu que apresentássemos um seminário sobre essa obra, fiquei apaixonada pela peça, e sempre que posso, a indico para todo mundo.

Visita do fantasma do rei a Hamlet
O príncipe Hamlet recebe a visita do fantasma de seu pai, que vem lhe avisar de que não morreu por causas naturais, mas sim, foi assassinado friamente por seu irmão, que agora assumiu o trono da Dinamarca e se casou com a rainha, mãe de Hamlet. Dito isso, o fantasma pede a Hamlet que vingue sua morte. Tomado pela raiva, ele prontamente obedece, e começa a buscar formas de abrir os olhos da mãe e destronar o tio.

Enquanto busca sua vingança, Hamlet tem que lidar com o amor que sente pela jovem Ofélia, fingindo não mais se interessar por ela a fim de protegê-la de seus inimigos. Entre tentar se defender, provar que o rei matou seu pai e proteger Ofélia e sua mãe, Hamlet decide fingir que está louco, para que ninguém desconfie do que ele vem tramando. O fingimento é tão convincente que o rei, já com medo de perder o trono, envia Hamlet para a Inglaterra, com ordens expressas para que ele seja morto assim que chegar. O príncipe descobre o ardil e foge, retornando para a Dinamarca no exato momento em que sua amada Ofélia está sendo enterrada. A morte dela foi causada pela tristeza da partida de Hamlet e pela morte misteriosa de seu pai.

Representação da morte de Ofélia
É durante a preparação para o enterro que vemos a cena onde Hamlet segura um crânio e conversa com ele. Porém, a célebre frase "ser ou não ser, eis a questão", não é dita nessa hora, como todos acreditam. Aqui, Hamlet desenvolve um monólogo com o crânio do antigo bobo da corte que um dia já lhe segurou no colo, refletindo sobre o que acontece depois da morte. A famosa frase, na verdade, é dita bem antes, quando Hamlet começa a apresentar sinais de sua falsa loucura, e está sozinho no castelo, falando consigo mesmo sobre o valor da vida e seu significado. Talvez as cenas sejam sempre confundidas como uma só por seu conteúdo complementar: enquanto uma reflete sobre a vida, a outra conclui que dela nada levamos, e que a morte é mesmo certa, deixando todos em pé de igualdade.

Após retornar ao castelo, o rei dá o último golpe a fim de acabar com Hamlet: ele marca um duelo de espadas entre o príncipe e Laertes, irmão de Ofélia. O que ninguém sabe é que o rei envenenou a ponta da espada de Laertes, e assim que Hamlet for ferido por ela, o veneno passará a correr por seu sangue e ele morrerá. Porém, para ter certeza de que o príncipe morreria naquele dia, o rei ainda tinha um plano B, que era lhe servir uma taça de vinho envenenado durante a peleja.

Como todo plano tem falhas, o do rei não poderia ser diferente. A rainha acaba bebendo da taça antes de Hamlet, e esse, quando percebe que a mãe está desmaiando, se desepera e acaba sendo ferido por Laertes. O que ninguém imaginava era que, no meio do duelo, os oponentes acabassem trocando as espadas e Hamlet também ferisse Laertes com a ponta envenenada. O rei, diante de tanta tragédia, bebe o próprio vinho e também cai morto. Bem Shakespeare, não é mesmo?

Cena do duelo de espadas entre Hamlet e Lartes
Nessa versão em quadrinhos, a essência da estória está presente, porém, com diálogos mais diretos e enxutos, o que facilita a leitura de pessoas que não tenham tanta paciência ou familiaridade com a linguagem complicada do original.

Todas as frases famosas de Hamlet podem ser lidas aqui, e todos os acontecimentos marcantes da obra estão registrados na arte de Sam Hart. O roteiro adaptado por Bruno SR não poderia ter ficado mais perfeito: ele conseguiu transmitir ao leitor que já conhece a peça, todo o sentimento que Hamlet carrega, sem macular a obra, e, àqueles que ainda não tiveram contato com o livro, a adaptação cumpre o papel de apresentar o conteúdo e os personagens de forma que o leitor se interesse em buscar mais informações sobre ele.

Algumas das frases mais conhecidas de Hamlet
Esse tipo de edição é altamente recomendada para leitores em formação, como por exemplo, jovens em idade escolar, que se interessam por esse tipo de mídia, e com certeza não teriam problema em ler uma obra tão clássica num formato que lhes é comum. Para aqueles adolescentes que torcem o nariz para qualquer leitura mais complicada, a HQ poderia ser a porta de entrada para outras obras, e certamente faria com que esse leitor adquirisse o gosto pela leitura que tanto desejamos.


"Hamlet"
adaptado por Bruno SR
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
nota: do Skoob: 3,8
nota do blog: 5
livro cedido em parceria com a editora



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Top comentarista fevereiro + resultado janeiro



E ai pessoal, prontos para o novo TC? Houve muitos comentários sobre esse livro, e acredito que muita gente vai amar a estória tanto quanto eu. O prêmio para o maior comentarista de fevereiro será...



"A probabilidade estatística do amor à primeira vista", livro fofo da Jennifer E. Smith, que vai conquistar vocês.

Para participar basta seguir algumas regrinhas, e quanto mais comentar, mais chances de levar o prêmio para casa.

- Comentar nesta postagem com nome de seguidor, email válido e perfil no Facebook ou Twitter para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato caso você seja o vencedor;
- Curtir a fanpage do blog no Facebook clicando aqui;
- E claro, comentar em todas as postagens do mês, mesmo as que saíram antes dessa (exceto de sorteio).


Lembrando que:

  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de comentários, o ganhador será definido por sorteio;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do email, e o blog não se responsabiliza por perdas ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.

Explicado o TC de fevereiro, vamos ao ganhador do mês de janeiro:


6 pessoas empataram com 23 comentários, e cada uma recebeu um número de 1 a 6, que foi inserido no site random.org, e o resultado foi:


Parabéns Larissa Santos, você foi a ganhadora do livro "Extraordinário"!!!! Você terá 3 dias para responder o email com seus dados para envio ;-)

Para quem não ganhou, não desistam! Todo mês teremos Top Comentarista, com ótimos prêmios! Continuem acompanhando o blog e comentando em nossos posts.



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Não olhe para trás [Resenha - Parceria]

onde comprar: Cultura//Saraiva//Amazon 

"Samantha é uma jovem de 17 anos, rica e popular que, depois de passar quatro dias desaparecida, retorna ferida e desmemoriada. A nova Samantha não se reconhece no retrato de menina má e mimada que todos à sua volta começa a pintar. E logo descobrirá que foi a última ver Cassie, a garota com quem mantinha uma relação confusa de amizade e rivalidade e que desapareceu no  mesmo dia que ela. O que aconteceu na noite fatídica em que as duas sumiram? e por que Samantha foi a única a reaparecer? Não olhe para trás é um daqueles suspenses que só paramos de ler para tentar nos antecipar à autora e descobrir qual é o mistério."

Esse é um livro que prende o leitor do começo ao fim: cheio de mistérios, dramas, personagens enigmáticos e, como não poderia deixar de ser, uma pitada de romance. A jovem Samantha é encontrada sozinha e machucada no meio de uma estrada, mas ela não se lembra de como foi parar ali, nem de nada de sua vida até aquele momento. Não se lembra de seu nome nem de sua família.

Aos poucos ela vai descobrindo que era uma pessoa muito má, e que suas antigas amigas são tão más quanto ela, inclusive Cassie, que estava com Sam na noite em que ela sumiu, e que ainda está desparecida. O problema é que Sam está com amnésia, não sabe nada sobre Cassie e nem imagina como podem ter sumido ou como ela apareceu de volta sem a amiga.

Algumas pessoas vão ajudando Sam no processo de recuperação das lembranças da noite em que sumiu com Cassie: seu irmão, o amigo de infância e filho do funcionário da família, Carson, e seu psicólogo. Inclusive, é por indicação do médico que ela volta ao lugar onde desapareceu e tem alguns flashs de lembranças importantes. Por outro lado, seu pai, sua mãe, seu namorado Del e algumas amigas parecem querer que ela acredite em alguns acontecimentos daquela noite que não fazem sentido, talvez para esconder o que realmente aconteceu.

Se não bastasse não se lembrar de quem era antes do acidente, Sam se apaixona imediatamente por Carson, que não é da mesma classe social que ela e o relacionamento não é bem visto pela própria mãe. Com a ajuda de Carson, Sam consegue lembrar de algumas coisas, que vão aos poucos se encaixando como peças de um quebra-cabeças e algumas de suas lembranças passam a fazer mais sentido.

Diante de tantos mistérios, quem era Samantha antes do desaparecimento, porque ela e Cassie eram tão amigas e porque se comportavam tão mal, porque Sam continuava a namorar Del se eles não se davam tão bem quanto todo mundo dizia, e o que aconteceu na noite em que sumiram, Sam ainda acredita que está sendo seguida por alguém que quer matá-la, para terminar o que começou no dia do seu desaparecimento.

Com um enredo eletrizante, o livro consegue manter o leitor ligado o tempo todo, envolvido com a estória, tentando decifrar alguns dos enigmas que a autora desenvolve. Alguns deles são mais óbvios, como o motivo para Cassie querer ter tudo o que Sam tem, mas outros ficam para ser descobertos apenas no final, o que deixa o livro muito interessante. O leitor quer ver todos os mistérios desvendados, e torce para que Sam não seja a culpada pelo desaparecimento de Cassie, então fica impossível parar de ler enquanto tudo isso não acontecer.

O desfecho é bem inteligente e a autora trabalhou com os personagens tão bem que a certa altura não é possível ter tanta certeza se que tal pessoa é realmente boa ou se tem culpa no cartório. Tudo fica bem explicado no final, e mesmo as maiores crueldades cometidas por Sam são passíveis de perdão depois que entendemos porque ela agia como uma idiota.

"Não olhe para trás" não deixa a desejar no quesito suspense, e não fica enfadonho em nenhum momento; a cada capítulo as dúvidas da personagem ficam maiores e os mistérios ficam mais complexos. A edição também está perfeita, páginas em papel pólen, com boa diagramação e tamanho de letras, além de uma arte maravilhosa na capa, com respingos de sangue, e nas páginas que abrem os capítulos, como se elas tivessem sido amassadas. Indicadíssimo para os leitores que apreciam um bom thriller.


Não olhe para trás
Jennifer L. Armentrout
440 páginas
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
nota: 4,5
livro cedido em parceria com a editora



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

360 dias de sucesso [Resenha]

onde comprar: Americanas//Amazon//Extra//Submarino 

"Um grupo de amigos que só queriam levar um som e se divertir veem a vida virar de cabeça para baixo depois que publicam um vídeo na internet e se tornam sucesso imediato na rede. Retratando, com a sensibilidade e o bom humor de sempre, um fenômeno cada vez mais frequente em tempos de internet a fama instantânea e efêmera, Thalita Rebouças volta à literatura juvenil, depois de dois bem-sucedidos títulos infantis, nesse aguardado romance, o primeiro narrado por um protagonista masculino. Um livro divertido e emocionante sobre sonhos e ídolos, romancem, amor não correspondido, traição, escolhas. E, claro, muita música."

Thalita Rebouças se destaca no universo adolescente pelo seu jogo de cintura e bom humor sempre em alta. Ficou ligeiramente conhecida pela série Fala sério, ou por seus romances em piluras, como prefere chamar. Com 18 títulos publicados e mais de um milhão e quinhentos mil livros vendidos, sua pilha só aumenta e a vontade de escrever vai crescendo. Seu mais novo exemplar (e também o mais colorido) é  ''360 Dias de sucesso''.

A estória gira em torno de sonhos, amores, desamores, música, e muito, muito hormônio à flor da pele. As páginas são narradas por Gualter, o baterista e compositor da banda.

Tudo começa pelo Pedro, que manja na guitarra e acaba arrancando suspiros de seu pai, Paulão que incentiva seu filho a se juntar com seu amigo Theo que toca e canta, (e acha essa a maneira mais fácil de pegar mulher). A ideia era uma apresentação da dupla em um churrasco, para uns pouco amigos. Sem querer parecer dupla sertaneja e por uma outra série de fatores, mais dois integrantes se juntaram a banda: o baixista Pá, e o baterista Gualter.

Depois da apresentação, Babi, que é a namorada de Pedro, percebeu que para a banda ficar ainda melhor eles precisavam de um teclado e ela mostra um vídeo de Mari tocando, que é uma tecladista de primeira. Sem pensar duas vezes a loira acaba sendo contratada pelos meninos.

Então a formação da banda ficou assim: Pedro na guitarra e responsável por cantar, junto com Theo. Gualter na bateria, Pá no baixo e Mari no teclado e voz.

O que nenhum deles esperava era o tamanho do sucesso que estavam prestes a conquistar, a letra  de Amor na hora certa, escrita por Gualter de maneira rápida, após ser jogada na rede, fez com que a banda PÓLVORA estourasse, conquistando fã clubes por todo o Brasil.

O livro não me pareceria interessante se fosse apenas mais uma história de mais uma banda, porém a Thalita soube direitinho fazer a gente se apaixonar por cada um dos personagens, ela tratou de maneira leve o tema do alcoolismo, os problemas familiares e o poder do sucesso quando ele sobe à cabeça, deixou a opção de nos identificarmos com os acontecimentos e, de repente, passamos a refletir sobre o nosso meio, mostrando que devemos dar valor ao que realmente nunca acaba, o amor que só encontramos nas amizades e na família.  Sem encher linguiça e com seu jeito sensível e humorado, a autora conseguiu fazer da estória uma experiência ÚNICA.

Quando a gente começa a ler o livro já dá pra saber que tudo só vai durar por 360 dias, mas no decorrer da estória a Thalita consegue deixar plantado no leitor uma semente de esperança, e acaba surpreendendo no final, deixando uma sensação de alívio com gostinho de quero mais.

360 dias de sucesso
Thalita Rebouças
editora Rocco
304 páginas


Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde posta todos os seus textos.
@Rafaela Peres


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Filmando #13 - Birdman

É chegada a temporada do Oscar, e todo mundo corre para assistir aos filmes indicados. Eu também estou nessa, e ontem fui ver o aclamado "Birdman ou A inesperada virtude da ignorância".


Dirigido pelo mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu, que também filmou Babel e 21 gramas, Birdman faz uma crítica à indústria cinematográfica atual, em que as estrelas são instantâneas e desaparecem na mesma velocidade com que surgem.


Michael Keaton representa Riggan Thomson, um ator que fez imenso sucesso com uma trilogia de super herói chamada Birdman, e que depois disso acabou caindo no esquecimento e nunca mais fez um filme ou peça de destaque. Vinte anos depois de deixar do homem pássaro, ele resolve encenar uma peça na Broadway, da qual também é o roteirista e o diretor. Pouco antes da estreia, Riggan não está contente com a atuação de um colega de cena, e o substitui pelo badalado Mike Shiner (interpretado brilhantemente por Edward Norton), ator adorado pelo público e pela crítica e que arrasta multidões para assistir a qualquer um de seus trabalhos.

O detalhe dessa parceria é que Riggan vê na peça sua última chance de voltar a brilhar, e está arriscando tudo o que tem e o que não tem para que ela dê certo, enquanto Mike é um cara pedante, cheio de si, que não se dá bem com os colegas de elenco e acha que não tem nada a perder.


Paralelo ao drama de Riggan para cair novamente nas graças do grande público, vemos seus problemas pessoais que a todo momento o impedem de se dedicar àquilo que realmente deseja: sua filha (Emma Stone) acaba de sair da reabilitação, por uso de drogas, sua ex mulher quer que Riggs seja mais próximo da menina, e sua atual namorada exige atenção e carinho que ele dispensa aos personagens que interpreta,

Como se não fosse o suficiente sofrer no plano da realidade, Riggs ainda é atormentado pelo fantasma de seu antigo personagem, Birdman, que fica o tempo todo falando com ele, o impelindo a agir intempestivamente e a questionar sua própria capacidade como ator.


A trama é muito bem construída, e todos esses elementos juntos dão não só o clima de tensão ao filme, mas também rendem alguns momentos engraçados, que reforçam a crítica ao showbis.

Todos os atores estão incríveis no longa, e acredito que tenha sido difícil para eles encontrar o tom exato de cada personagem, já que eles são bastante intensos. Além disso, a forma como foi filmado, como se fosse uma única cena, uma longa tomada em plano sequência, aproxima o espectador da estória; em alguns takes parece realmente que estamos entrando pelos corredores e camarins do teatro. A proximidade das câmeras nos rostos dos atores aumenta a exigência de uma atuação perfeita, e eles conseguem ser convincentes.


Michael Keaton, que já foi o Batman de Tim Burton e depois demorou a emplacar outro sucesso nos cinemas, certamente sabe bem qual a sensação vivída por seu personagem, e o mesmo acontece com Norton, que, dizem, é difícil de se trabalhar. Talvez por isso eles tenham feito tão bem Riggs e Shiner.

Quando fui ao cinema não sabia do que se tratava o filme, e fui surpreendida positivamente por uma obra diferente, única, com ótimo roteiro e atuações precisas. O filme é digno de todos os prêmios que já recebeu e dos que ainda está concorrendo, mas não será um blockbuster e não atingirá o grande público. Para apreciar Birdman é necessário um olhar mais apurado, delicado, e uma sensibilidade muito específica, mas vale muito a pena passar duas horas em frente a telona para apreciar o final mágico e poético dessa obra de arte. Confiram pelo trailer:



Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância)
Birdman or (The unexpected virtue of ignorance), EUA, 2015, Fox Filmes
Diretor: Alejandro Gonzáles Iñarritu
Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone, Zach Galifianakis, Naomi Watts.









Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen