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domingo, 12 de junho de 2016

Dia dos namorados: Kvothe e Denna



"No entanto, ali estava ela, e eu me encontrava totalmente despreparado. Será que sequer se lembraria de mim, do garoto desajeitado que conhecera por alguns dias já fazia tanto tempo? 
Denna estava a menos de 4 metros de distância quando ergueu os olhos e me viu. Sua expressão se iluminou, como se alguém tivesse acendido uma vela em seu interior, fazendo-a brilhar com a luz. Correu na minha direção, cruzando a distância entre nós com meia dúzia de passos empolgados, saltitante."



"Deu-me então um sorriso. Um sorriso caloroso, meigo e tímido, como uma flor desabrochando. Ele foi também amável, franco e levemente embaraçado. Quando Denna me sorriu, senti...
Para ser franco, não sei como poderia descrever a sensação. Mentir seria mais fácil. Eu poderia roubar material de uma centena de histórias e lhe contar uma mentira tão familiar que você a engoliria inteira. Poderia dizer que meus joelhos viraram borracha. Que minha respiração ficou arfante. Mas não seria verdade. Meu coração não disparou, não perdeu o compassou nem parou. Esse é o tipo de coisa que dizem acontecer nas histórias. Tolice. Hipérbole. Conversa fiada. No entanto..."




"Denna fitou-me cnos olhos e disse, com ar sério:
- Kvothe, roube-me.
Curvei-me numa mesura e fiz um gesto largo para o mundo.
- Às suas ordens - assenti. Continuamos a caminhar sob a lua cheia, que fazia as casas e lojas ao redor parecerem úmidas e pálidas."




"Você me disse as tais palavras quando nos encontramos pela primeira vez. Disse: Estava pensando no que você faz aqui - comentou, fazendo um gesto irreverente. - Desde aquele momento tornei-me sua."

"Pareceu-me que ela talvez estivesse fazendo o mesmo, porém, não pude ter certeza. Foi como se executássemos uma daquelas complexas danças da corte modegana, nas quais os parceiros ficam a meros centímetros de distância, mas, quando são habilidosos, nunca se tocam.
Assim foi nossa conversa. Mas não nos faltou apenas o tato para nos guiar: foi como se também fôssemos estranhamente surdos. E por isso dançamos com muito cuidado, sem saber ao certo que música o outro ouvia, sem ter certeza, talvez, de que o outro sequer estava dançando."




Não entendeu nada? Esses são momentos românticos e fofos entre os personagens Kvothe e Denna, do livro O nome do vento, de Patrick Rothfuss. Se você ainda não o conhece, deve parar tudo agora e procurar conhecer, pois é o melhor livro de fantasia de todos os tempos!




Eu estou relendo-o, mas já teve resenha dele aqui no blog (clique aqui para ler).


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O que eu li em março



Olá leitores! O mês de março também durou 189 dias para vocês? Para mim foi um mês muito arrastado, e o pior, as leituras também não renderam! Confiram:















Três míseros livros Joana???? Isso mesmo! Por mais que eu tenha tentado, não li tanto quanto nos outros meses, e tenho uma boa explicação para isso: como eu já disse na resenha, "A música do silêncio" foi um livro que demorou para engrenar, e por isso, demorei mais de 10 dias para ler as suas 130 páginas (shame on me); e o desafiador "Ensaio sobre a cegueira", que faz parte do Projeto Leitura 2015, também dificultou o andamento das leituras. Saramago era realmente um gênio, e sua narrativa, apesar de espetacular, complica a vida do leitor, principalmente por conta dos seus parágrafos intermináveis quase sem pontuação, que exigem atenção e dedicação total durante a leitura. Não se enganem, apensar de tudo isso, ele vale muito a pena! =)

E mesmo com tão poucos livros lidos, consegui eliminar mais alguns itens do Reading Challenge:

- um livro publicado neste ano: A música do silêncio;
- um livro que está lá embaixo na sua lista de leitura: confesso que não pretendia reler Ensaio sobre a cegueira tão cedo, mas graças ao Projeto, ele acabou furando a fila;
- um livro que você consegue ler em um dia: na verdade, não terminei em um dia, mas dá para ler Sem esperanças rapidinho.























Se interessaram pelo Reading Challenge? Ainda dá tempo de participar! Visitem o blog Mari the reader e saibam como ;)

E não deixem de me contar nos comentários como andam as leituras de vocês, ok?

Antes que eu me esqueça, esse post já vale para o Top Comentarista de abril, que vai ter um prêmio incrível, não percam!

XOXO


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sexta-feira, 20 de março de 2015

A música do silêncio [Resenha]

onde comprar: Submarino//Fnac//Americanas 

"Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios. Esse livro é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta estória nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe..."


Tive problemas com esse livro. Só 140 páginas, ele me consumiu mais de uma semana. O começo foi estranho, a leitura não engrenava, e muitas vezes tive vontade de desistir. Mas por se tratar da estória de um dos personagens mais intrigantes de "As cronicas do matador do rei", de Patrick Rothfuss - autor no qual eu confio plenamente para construir uma trama intrigante - eu insisti, e o final foi feliz.

Auri é uma personagem que na verdade não me chamou muito a atenção no primeiro livro da trilogia de Kvothe, mas que de repente ganhou uma grandeza e um lirismo interessante, que me fizeram gostar mais dela. Aqui o autor se dedicou a nos contar com mais detalhes como é o mundo sob a sua perspectiva, cheia de inocência e bondade, o que a tornou quase uma poesia, ou, como o próprio título do livro diz, uma música - mas que soa em silêncio.

Ela vive nos subterrâneos da Universidade, e só se mostra para Kvothe, com quem ela acaba por firmar uma bonita amizade. Nesse livro ele não aparece realmente, mas sua essência está presente em diversos momentos da narrativa, quando Auri menciona delicadamente sua proximidade.

Com seu jeito lúdico de ver as coisas, Auri vai levando uma vida solitária, e isso talvez seja uma das coisas que não ajudam a engrenar a leitura: não há diálogos ao longo da narrativa, ou interação com outro personagem (leia-se pessoa, já que Auri interage com coisas), tampouco momentos de grande ação e reviravoltas. Depois de mais da metade do livro, a estória começa a encantar, e dá vontade de voltar a ler de novo desde o inicio para entender como ela não nos agarra já no primeiro parágrafo.

Enquanto Auri narra os acontecimentos de sua vida ao longo de 7 dias, percebemos que aquele universo, que lá fora é tão cheio de maldade, disputas desleais e trapaças, não tem espaço ali em seu cantinho, e ela não se deixa abalar pelas mazelas vividas pelas pessoas comuns. Auri vê beleza em pequenas coisas, se atenta a detalhes mínimos, e é isso que a faz feliz.

O que mais me chamou a atenção na estória é a capacidade que Auri tem de dar vida a objetos inanimados, conferir-lhes sentimentos e vontades, e satisfazê-los, para sua satisfação pessoal. Talvez seja um pouco complicado explicar, mas ela se sente feliz ao final do dia quando revê tudo o que fez e sente que cada coisa está em seu lugar. O uso da prosopopeia em grande parte das ações de Auri confere a ela um ar totalmente poético, capaz de encantar o leitor mais distante e que, como eu, pode ter dificuldades para entrar no clima da estória.

"Em seguida, buscou o grande pilão de pedra lá onde ele se acocorava, todo furtivo e espreitante, na Casa da Trevas."

"A umidade estava em toda parte. O cheiro de podre. A areia grossa sob seus pés. O jeito de as paredes lançarem olhares mal-intencionados."

No final do livro e já apaixonada por Auri percebi a delicadeza na escrita de Rothfuss e o carinho com que ele tratou essa personagem singular. Apesar de ser difícil a ambientação no início da leitura, a estória conquista lentamente, página após página, transportando o leitor para o universo de Auri, nos permitindo entender sua gentileza para com tudo ao seu redor e a sutileza com que resolve seus problemas.

Se durante boa parte do livro a narrativa me causou certa estranheza, ao final ela me arrebatou, e eu não queria me separar de Auri; queria protegê-la, ampará-la, confortá-la. Não que ela precise de tudo isso, já que ela é bem forte dentro de seu corpinho minúsculo, mas dá vontade de ficar ao lado dela para que ela não se sinta sozinha.

No final existe uma nota do autor explicando como nasceu a ideia de escrever sobre Auri e se desculpando por ter criado uma estória tão singular. Foi só ali, depois de ler seus argumentos, que percebi porque o início da leitura me incomodava tanto: ele revela que tinha medo que o livro não vendesse exatamente pela falta de diálogos e de ação. Então, ciente de que até o próprio Rothfuss sentia que essa ausência poderia dificultar a vida do leitor, me senti mais a vontade com a estória, e passei a entender melhor o desenrolar da trama toda.

É impossível não se apaixonar por Auri, por sua inocência, sua pureza, sua doação. Patrick Rothfuss conseguiu novamente arrebatar meu coração. Se já é complicado ler "A música do silêncio" conhecendo os livros anteriores, acredito que seja ainda mais difícil para quem não os leu. Por isso, meu conselho é: leiam "O nome do vento" e "O temor do sábio" imediatamente. A leitura desses livros é uma experiência incrível e necessária.


A música do silêncio
Patrick Rothfuss
editora Arqueiro
144 páginas
nota do Skoob: 4.2
nota do blog: 4.7

segunda-feira, 16 de março de 2015

Um pouquinho de...

"A engrenagem precisaria de observação. Dava quase a impressão de que seria apropriada para ele - mas isso podia esperar. A chave necessitava de cuidados urgentes. Era, com certeza, a mais inquieta do grupo. O que não trazia a menor surpresa. As chaves estavam longe de ser conhecidas por sua complacência, e aquela praticamente implorava por uma fechadura. Auri a apanhou e a rolou nas mãos. Uma chave de porta. E não era nada tímida quanto a isso."


(página 28)









Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O guia do mochileiro das galáxias - Não entre em pânico - resenha


"Arthur Dent tem sua casa e seu planeta destruídos no mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse. Os dois escapam da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Ford, que vivia na Terra disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do 'Guia do Mochileiro das Galáxias', o melhor guia de viagens interplanetário."

Todos os nerds amam os livros de Douglas Adams (já falei um pouco sobre ele aqui) e comentam que essa estória é o máximo, que é incrível e como assim você ainda não leu???? Bem, agora eu li e constatei: o livro é muito bom, mas não é tudo isso que dizem.

O começo é meio lento, mas não sei se poderia ser diferente, já que é o momento em que o autor nos apresenta os elementos da estória: Arthur Dent é um cidadão comum que está lutando para que sua casa não seja demolida e dê lugar a uma estrada, e seu amigo Ford Perfect, ator sempre desempregado, agindo de modo estranho, quer tirar Arthur dali antes que algo muito ruim aconteça.

Assim, inesperadamente, Arthur descobre que o amigo é um extraterrestre e que a Terra está prestes a ser destruída. Antes que consiga entrar em desespero, naves amarelas imensas invadem o espaço e emitem raios amarelos que assustam o mundo todo e depois silenciam totalmente o planeta. É numa dessas naves que a dupla de amigos pega carona e Ford espera voltar ao seu planeta de origem, Betelgeuse.


Mas nem tudo sai como ele esperava, eles descobrem que o capitão da nave não é nada amigável com caronas e que vai jogá-los no hiperespaço, onde, com certeza, morrerão rapidamente. E a narrativa começa a ficar mais dinâmica.

Durante o pouco tempo que conseguem ficar anônimos na nave, Ford revela a Arthur que estava na Terra apenas para estudar o planeta e ajudar na edição do novo "Guia do Mochileiro das Galáxias", que, nas palavras do próprio Ford, "é uma espécie de livro eletrônico. Tem tudo sobre todos os assuntos. Informa sobre qualquer coisa."

Quando são salvos pela nave Coração de Ouro, eles partem para uma exploração a um planeta há muito tempo abandonado, Magrathea, onde, antigamente, eram criados planetas sob medida, inclusive a Terra. A partir daí vamos conhecendo novos personagens, como o Presidente do Governo Imperial Galáctico - e semiprimo de Ford - Zaphod Beeblerox, sua piloto Trillian e o robô depressivo Marvin, que é um fofo mesmo sendo negativo o tempo todo.

O destaque do livro é o humor aplicado pelo autor na maioria das situações, utilizando muito sarcasmo para criticar algumas instituições e debochar de políticos da época:

"Você parece desconcertado - disse o homem, atencioso.
- Não, quero dizer... é, estou, sim. O senhor sabe, é que a gente não esperava encontrar ninguém aqui. Eu pensava que todos já tinham morrido, sei lá...
- Morrido? - disse o velho. - Não, que ideia! Estávamos apenas dormindo.
- Dormindo? - exclamou Arthur, surpreso.
- É, por causa da recessão econômica. sabe? - disse o velho.
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Mas, como eu ia dizendo - disse ele, tentando retomar o fio da meada -, veio a recessão e resolvemos que o melhor a fazer seria dormir por uns tempos. Assim, programamos os computadores para nos acordarem quando tudo tivesse voltado ao normal.
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- Mas isso é um comportamento imperdoável, não acha?
- Você acha? - perguntou o velho, cortês. - Desculpe, ando meio desatualizado."

Um dos momentos mais interessantes é quando descobrimos o por quê do número 42 ser a resposta para a vida, o universo e tudo o mais. Dentro do contexto, esse capítulo não me pareceu ser tão importante, mas talvez ele seja apenas uma introdução para algo que ainda vai acontecer nos próximos volumes da trilogia de cinco livros.

Outra coisa importante para todos os nerds que adoram essa série é a toalha. Segundo o 'Guia do Mochileiro das Galáxias', um mochileiro deve sempre carregar a sua toalha por onde quer que vá:

"Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ele se ainda estiver razoavelmente limpa."

As partes que mais gostei foram: a da baleia e do vaso de flores que se materializam na superfície de um planeta e mal têm tempo de pensar onde estão ou quem são; o momento em que Arthur descobre a que se refere a definição 'praticamente inofensiva'; a revelação da verdadeira identidade dos ratos que vivem na Terra e sua intenção; e finalmente, o capítulo onde Prostetnic Vogon Jeltz declama sua poesia para Arthur e Ford. Como o próprio livro define, a poesia vogon é a terceira pior do Universo, perdendo apenas para a poesia dos azgodos de Kria e para a pior de todas: a da poeta Paula Nacy Millstone Jennings, da Inglaterra, que desapareceu com a destruição da Terra. A tentativa de compreensão por parte de Arthur e Ford é impagável.

A estória se fecha no final do livro, O autor não cria necessariamente um clímax para o próximo volume, apesar de mencionar que a viagem continua. O livro tem seus momentos, mas, infelizmente, não vai ficar entre as minhas leituras mais marcantes da vida, talvez por toda a expectativa criada antes da leitura. A única coisa que vai ficar para sempre na minha memória é o peixe-babel, que seria muito útil se existisse de verdade. 

O guia do mochileiro das galáxias
Douglas Adams
editora Arqueiro
156 páginas
nota do blog: 4
nota do Skoob: 4.3
onde comprar: (box com os 5 volumes da série) Submarino ou Americanas

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como salvar um vampiro apaixonado - resenha


"Quando Jessica Packwood descobriu que era uma princesa vampira romena, sua pacata vida de adolescente virou de pernas para o ar. Ela precisou fazer as pazes com seu passado e vencer muitos obstáculos para ficar com seu belo príncipe, Lucius Vladescu. Depois de se casarem na Romênia, agora Jessica e Lucius devem unir os clãs mais poderosos dos vampiros e estabelecer a paz de uma vez por todas. Mas primeiro ela vai ter que convencer uma nação inteira de vampiros ardilosos de que tem plenas condições de se tornar rainha. Tudo se complica quando Lucius é acusado de assassinar um vampiro ancião, condenado à masmorra e Jessica se vê sozinha para tentar inocentar o marido enquanto aprende como governar e se fazer respeitada pelos demais vampiros."

Essa é a continuação de "Como se livrar de um vampiro apaixonado", que já foi resenhado aqui.  Jessica aceitou sua nova condição de vampira e princesa romena, casou-se com Lucius e agora vive com ele em seu castelo, onde ambos tentam governar uma nação de vampiros que antes eram dois clãs rivais e agora são apenas um, devido ao seu casamento.

Depois que chegou ao castelo e começou a aprender o funcionamento de tudo por ali, Jessica só teve contato com seu tio Dorin e sua prima Ylenia, sempre muito gentil e solícita, e até parecida fisicamente com Jessica. Talvez pela falta de amigos, Jessica está sempre mantendo contato com sua melhor amiga, Mindy, que esteve em seu casamento, mas voltou para os Estados Unidos.

 Quando um dos vampiros anciões é misteriosamente assassinado, Lucius decide seguir todas as leis à risca, a fim de descobrir quem cometeu o crime e condená-lo, mas, como uma ironia do destino, ele acaba sendo o principal suspeito de matar Claudiu e todas as provas estão contra ele, já que sua estaca foi encontrada suja com o sangue do morto e ele não tem como explicar por quê.

Então Jessica se vê obrigada a prender o próprio marido numa masmorra e mantê-lo sob um regime severo sem se alimentar de sangue até que seja julgado, mesmo sabendo que isso iria enfraquecê-lo e quase levá-lo a loucura. Enquanto ela sofre com o distanciamento de Lucius e tenta a todo custo encontrar alguma coisa que possa inocentá-lo das acusações, ainda tem que se fortalecer para que os anciões a respeitem como a princesa que é, e consolar a amiga Mindy, que veio ficar com ela, e está vivendo um impasse: apaixonada pelo vampiro Raniero, ao mesmo tempo que gosta e quer muito ficar com ele, luta contra esse sentimento pois o rapaz é o contrário de tudo aquilo que ela sempre esperou encontrar num amor.

Seguindo a mesma linha do primeiro livro, a inseriu vários momentos engraçados ao longo da estória, sem deixar infantil demais. O livro continua muito voltado ao público teen, apesar de abordar alguns assuntos mais pesados que no anterior, como morte e traição, só que de uma forma quase descontraída, e muito inteligente.

O romance é sim capaz de envolver o leitor, que, mesmo que venha a desvendar a trama antes do final do livro, como aconteceu comigo, ainda pode se divertir com os e-mails trocados entre Lucius e Raniero, ou com as dúvidas e indecisões de Mindy e sua paixão pelas revistas femininas.

Tem um mistério envolvendo a história de Raniero que vai sendo desvendado aos poucos, e do outro lado as descobertas feitas por Jessica que vão contribuindo para seu crescimento como pessoa, enquanto ela aprende que não pode confiar em todas as pessoas que se dizem suas amigas.

Assim, como o primeiro, eu adorei esse livro, e quando a leitura acabou, fiquei novamente com vontade de saber mais sobre a vida de Lucius e Jessica, e senti falta deles por vários dias. Será que rola uma continuação?

Como salvar um vampiro apaixonado
Beth Fantaskey
editora Arqueiro
264 páginas
nota: 4.8
nota no Skoob: 4.1
onde comprar: Skoob, Submarino e Americanas.  

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cheiro de livro novo #11

Novidades na estante!



Ontem tive uma grata surpresa: ao chegar em casa recebi um pacote da Editora Arqueiro, com um livro que eu queria muito, e acredito que tenha sido sorteada nas cortesias do Skoob. "Como salvar um vampiro apaixonado" é a continuação de "Como se livrar de um vampiro apaixonado" que tem resenha aqui e estava na minha meta de leitura para esse ano:


Fiquei muito feliz com o presente ;)

Agora vamos às compras: completando a coleção John Green, "O teorema Katherine", que já li (e resenhei aqui), mas ainda não tinha, e "Cidades de Papel", que fez parte do sorteio de 1 ano do blog mas que eu não tinha também. Resenha ainda essa semana.


Olhem como o mordedor de páginas está amassadinho de tanto trabalhar, rs.


Fechando as compras da semana, mais um de coleção. Dessa vez o autor é Marcelo Rubens Paiva, e quem acompanha o blog sabe o quanto eu admiro o seu trabalho. Enfim, ainda faltam alguns títulos dele, mas esse já está na estante e será lido em breve:




terça-feira, 23 de julho de 2013

Lançamento da continuação de "Como se livrar de um vampiro apaixonado" já tem data

A editora Arqueiro anunciou hoje que o livro "Como salvar um vampiro apaixonado", de Beth Fantaskey será lançado no próximo dia 7, e a capa ficou show:


Como gostei demais de "Como se livrar de um vampiro apaixonado", estou ansiosa por esse lançamento. Vocês podem conferir a resenha clicando aqui.

No site da editora tem uma sinopse e até um trecho desse livro para quem quiser ler. Eu nem comecei, prefiro esperar o livro chegar. Clique aqui  e vá direto para lá matar um pouco da curiosidade e da saudade de Lucius Vladescu, o vampiro adolescente mais fofo de todos os tempos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O temor do sábio - resenha


"Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver - até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo."

Depois de passar um mês e meio lendo esse livro, Kvothe já era quase parte da minha família, e foi difícil me desapegar. Voltar ao universo criado por Rothfuss traz a mesma sensação que na primeira vez: estamos diante de uma história grandiosa, com personagens marcantes, ambientes únicos e uma trama cheia de altos e baixos, mas que não deixa nenhuma ponta solta em momento algum, apesar de seu grande volume de páginas. O segundo dia começa exatamente onde terminou o primeiro, e, quem olha o tamanho desse livro e acha que vai ser só enrolação se engana completamente. Tem muita ação, viradas na trama e ainda mais coisas a descobrir sobre o universo e o próprio Kvothe.

É impressionante como o autor consegue desenvolver sua narrativa de forma que não canse o leitor, e não fique repetitiva, apesar de parte do livro se passar nos mesmos ambientes que o primeiro, como a Universidade, por exemplo. Kvothe continua tendo dificuldades para continuar na universidade, sem conseguir dinheiro suficiente para pagar a taxa escolar ou comprar roupas e sapatos novos, mas a história cresce e começa a abordar outros conflitos, mostrando a versatilidade do autor e envolvendo ainda mais o leitor nos dramas do protagonista.

Os desentendimentos com Ambrose acabam obrigando o jovem Kvothe a deixar a sua querida Universidade por um período. E, como ele tenta há muito tempo encontrar um mecenas para patrocinar sua música, resolve seguir a dica de um amigo e viaja para a cidade de Vintas, que fica muito distante da escola e de tudo aquilo a que ele já tinha se habituado. É uma mudança grande tanto na vida de Kvothe quanto na própria narrativa, que agora se passa em um outro ambiente, cheio de pessoas e costumes novos, onde o jovem terá que aprender a lidar com as pessoas e o estilo de vida local.

O conflito se dá quando Kvothe passa a ajudar o rei de Vintas a conquistar uma mulher, usando seus talentos de músico para escrever belos poemas à moça como se fosse o próprio rei. Nesse meio tempo, o jovem também salva sua majestade da morte por envenenamento, e ganha sua confiança. Como prêmio, Kvothe é incumbido de sair em busca de bandidos que estão aterrorizando o povo e matá-los. Então ele parte para a floresta, na companhia de um grupo de mercenários briguentos e, nessa jornada, acaba aprendendo muito mais coisas do que na Universidade. Desde conviver conviver com pessoas muito diferentes entre si até conciliar as brigas que acabam surgindo entre eles, o jovem Ruh aproveita para absorver a maior quantidade de conhecimento possível. Ele descobre características importantes sobre as árvores e ervas existentes na mata, como usá-las nas mais diversas situações, além de começar a treinar com o ademriano que viaja com o grupo.

É durante essa viagem que Kvothe se encontra com Feluriana, ser encantado que é a mulher mais bonita do mundo e de quem nenhum homem nunca conseguiu escapar antes: todos eles morreram ou ficaram loucos. Mas nosso jovem personagem usa toda a sua astúcia e seu poder de controle mental para se livrar das garras dela e ainda deixá-la esperando por sua volta. Esse tempo ao lado da criatura dá a ele toda a experiência que ele não tinha com mulheres, além de lhe conceder muito mais segurança para agir na frente deles. Isso sem falar em todo o conhecimento místico que ele adquire ao passar um tempo preso no mágico universo daquele ser misterioso.

Com todas as estórias sobre Kvothe se espalhando rapidamente, ele acaba se tornando uma lenda viva, e descobre que ouvir absurdos sobre si mesmo contados pelas pessoas não é muito agradável. Mas mesmo se tornando uma lenda, seu passado o persegue, e ao revelar ao rei de Vintas que ele é parte dos Edena Ruh, acaba sendo expulso do castelo, mesmo depois de todo o bom trabalho prestado e resolve que é hora voltar para a Universidade.

Mesmo com todas as aventuras que está vivendo, Kvothe nunca deixa de pensar em Denna, e em seus poucos momentos juntos podemos ver o quanto ele gosta dela, e espera que um dia possa dar à moça tudo o que ela deseja. É um romance delicado e gostoso de ler, além de complicado, capaz de despertar no leitor todo tipo de reação. Muitos detestam Denna, mas alguns leitores a amam e veem nela tudo aquilo que Kvothe também vê, apesar do mistério que a envolve durante toda a trama.

Mais uma vez o livro termina mostrando o lado surpreendente de alguns personagens, e o leitor continua com a sensação de que o mocinho nem sempre é mocinho, e que no final da trilogia muitas máscaras vão cair.

Não há um só ponto negativo a apontar nesse livro. Talvez o grande número de páginas, que pode afugentar alguns leitores, mas nem isso o desabona, pelo contrário, só aguça a curiosidade de quem já leu o primeiro volume da série. Os leitores de Rothfuss estão ávidos por mais informações, para descobrir o que aconteceu com Kvothe entre o período na Universidade até o momento em que ele se tornou dono de uma hospedaria no meio do nada. Ainda há muitos mistérios a serem desvendados, principalmente depois desse livro, que se encerrou deixando ainda mais perguntas em aberto, e muita desconfiança sobre o caráter de alguns personagens.

Leitura indicada para quem já gosta de uma boa fantasia, para fãs de Harry Potter, que tenham a mente aberta para conhecer outro tipo de magia, em outro universo fantástico, com criaturas mágicas e personagens cheios de mistérios. Mas, se você ainda não é adepto desse tipo de leitura, tome cuidado ao ler; você corre o sério risco de se apaixonar pela criação de Rothfuss e não sair de lá nunca mais.


O temor do sábio: as crônicas do matador do rei - segundo dia
Patrick Rothfuss
editora Arqueiro
960 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 5.0