domingo, 24 de julho de 2016

Arquivo Serial: Stranger Things

Olá, caríssimos. Mais um Arquivo Serial no ar com nuances dos anos 80. Hoje é dia de misturar as aventura de E.T. com a ciência de De volta para o Futuro dentro de um livro de Stephen King. Vamos relembrar os estranhos cabelos, as roupas mais descoladas, os costumes que marcaram a época e, é claro, reviver o cinema dessa década que deixou tantas saudades. Esqueça seu precioso DeLorean, voltaremos a sentir como crianças novamente com a companhia de Stranger Things.

A mais nova produção da Netflix entrou no ar há poucos dias e já fez um enorme sucesso. A série se passa em 1984 e conta a história de quatro crianças, ligadas pelo laço da amizade e pelo comum interesse em ciências, RPG e quadrinhos. Até que um desaparecimento acontece na pequena cidade onde moram, ao mesmo tempo que uma misteriosa menina surge de lugar algum.

Sinceramente, não se apeguem ao plot da série, é difícil comentar algo sem nenhum spoiler, portanto vou dar outras razões para você terminar de ler esse texto e correr, se trancar em um quarto totalmente equipado com iguarias culinárias e embarcar nessa viagem de apenas oito episódios.

Stranger Things, acima de tudo é uma ode ao cinema dos anos 80. O cenário, as roupas, todas as características estão presentes aqui, com um ar nostálgico que poucos filmes podem oferecer. Porém, em minha opinião, a trilha sonora é o ponto alto da produção. Desde a abertura – que lembra o filme Tron, de 1982 – até as cenas mais dramáticas, a trilha equilibra a experiência muito bem e te coloca exatamente onde você quer estar. Em muitas cenas as músicas parecem ter sido tiradas de um jogo de Atari, e esse tom é perfeito.

Diferente de outros seriados, os personagens não evoluem, apenas mantém a mesma essência desde o primeiro episódio. E o resultado é extremamente positivo. Desde o início o papel de cada um já está estabelecido e, como telespectador, é muito fácil se encantar pelos protagonistas e comprar todas as motivações que o roteiro te entrega. Impossível não se lembrar de Os Goonies.

Wynona Rider está de volta em um grande papel como Joyce Byers, uma mãe prestes a perder o controle de sua sanidade após o desaparecimento do filho. Méritos para a atriz, que está muito bem, e vale a pena vê-la, mas também méritos para a edição e roteiros que não exploraram esse drama familiar tão clichê.






















A primeira temporada tem apenas oito episódios, isso significa que tudo acontece muito rápido e de maneira clara, sem rodeios ou mistérios desnecessários. Stranger Things entrega exatamente o que te propõe: uma nova experiência de rever uma aventura ao estilo dos anos 80. Tudo gira em perfeita sincronia para presentear com essa obra prima os maiores saudosistas de Ghostbusters ou Gremilins.




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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sábado, 23 de julho de 2016

Momento HQ: Maus

Olá, ávidos leitores. Deixaremos de lado por um instante os heróis que nos inspiram por décadas, e vamos falar sobre uma HQ diferente. A realidade do mundo também pode ser contada em quadrinhos, aliás, é muito mais divertida e interessante quando contada em quadrinhos. Hoje nós voltaremos 80 anos para contar a história de um homem sobrevivente ao holocausto. Hoje vamos fala de Maus.

A mistura entre não-ficção e HQ sempre nos proporciona histórias fantásticas, falaremos de muitas aqui em nosso momento, mas hoje quero chamar a atenção para o relato sobre Vladek, polonês, judeu e sobrevivente da segunda guerra mundial. Seu filho, Art Spigelman, cartunista norte americano, descreveu a vida de seus pais em uma emocionante história em quadrinhos.

Existem milhões de relatos de sobreviventes do holocausto, portanto, essa ideia pode não ter sido a mais original dos últimos anos. Porém a maneira como Art descreve cada capítulo e os diálogos são tão inspiradores que esse trabalho lhe rendeu o mais importante prêmio do jornalismo: Maus é a primeira graphic novel a ganhar um prêmio Pulitzer.





O relato começa com nosso protagonista, Vladek Spiegelman morando de New York com sua segunda esposa, Mala. Vladek recebe a visita de seu filho, Art, que diz estar escrevendo um relato sobre a história de sua família a partir do início dos anos 30, quando moravam ainda na Polônia. É então que Vladek passa a contar, com detalhes, como foram os anos até a guerra chegar e passar por eles, por meio de um surpreendente depoimento.


A arte é toda monocromática, dando um aspecto arcaico às páginas, e criando um efeito de um documentário gravado em preto e branco. Como o roteiro gira em torno de uma entrevista entre pai e filho, duas linhas temporais são apresentadas e estão bem estabelecidas. Porém, a veracidade do conto se encontra nos detalhes que Spiegelman teve o esmero de trazer. Primeiro, a representação de animais no lugar dos humanos é um toque sutil e de muita audácia. Os judeus são ratos – daí vem o nome, "maus" significa ratos em alemão –, os alemães são representados por gatos, e os outros poloneses em geral são porcos.

Além disso, Art mostra o diálogo como um não-nativo americano deveria falar. Existem erros no vocabulário de Vladek que passam uma veracidade inacreditável àquela conversa. Juntamente com episódios que vão além da entrevista em si. O relato humaniza os personagens mostrando também um pouco da vida pessoal de cada um naquele momento.

Para aqueles que são apaixonados por história, Maus é um prato cheio para enxergar a segunda guerra sob um outro prisma. O avanço das tropas alemãs, a polícia nazista e como os poloneses viam o terceiro Reich é uma experiência incrível. Os diálogos são bem simples e detalhados, portanto a leitura é prazerosa e contínua, quase que ininterrupta. Definitivamente, esse livro está entre os mais interessantes sobre a segunda guerra mundial e deve fazer parte da coleção de todos que apreciam uma boa aula de história.




































Portanto, procurem um anexo escondido em seus vizinhos, nunca confiem num homem usando casaco Hugo Boss e reveja quais marcas o seu próprio passado guarda em segredo.


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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.

@oliveira_jh

domingo, 17 de julho de 2016

Arquivo Serial: Bates Motel






































Trazer a história de um dos maiores filmes de todos os tempos para uma série não é tarefa fácil, porém, com a mistura de muito suspense e ótimas atuações, Bates Motel conseguiu não apenas atrair os fãs da original história dos anos 60, mas também fez uma legião de novos adoradores da família Bates.

A boys best friend is his mother.


O seriado conta a história de Norma Bates que, depois da trágica morte de seu marido, compra um motel na beira da estrada de uma pequena cidade do interior e decide recomeçar a vida junto com seu filho, Norman Bates. Ali, em White Pine Bay foi onde o assassino em série de Psicose (1960, dirigido por Alfred Hitchcock), cresce e se torna um dos mais adorados criminosos do cinema.

Bates Motel começa estremecendo os mais céticos do cinema. A primeira temporada vem com suspenses de tirar o fôlego e revelações que te fazem passar horas e horas a fim de esfaquear a curiosidade. A atuação de Freddie Highmore (A Fantástica Fábrica de Chocolates) como Norman Bates e Vera Farmiga (Invocação do Mal) como Sra. Bates são um show a parte. É possível ver características marcantes que remetem diretamente ao filme dirigido por Hitchcock.

Why do crazy people keeps gravitating towards me


Destaque para o sensacional cenário, que está muito parecido com o original. Em cenas durante a noite, ou mesmo quando uma tomada mostra o motel com a casa de fundo, a fotografia usa uma paleta de sombras que te carrega para o original em preto e branco.

Porém, depois da primeira temporada, o seriado passa por um momento onde o roteiro e a montagem não conseguem dar uma sequência lógica. Personagens são introduzidos de qualquer maneira e passam a ter importante participação sem nenhuma menção anterior. Os diretores conseguem amarrar todas as pontas do plot, mas a impressão é que surgem problemas sem sentido que não fazem diferença além de estender a produção.

No one's ever going to help us, Norman. No one's ever helped us.


Mesmo assim é difícil de deixar de assistir e ver o progresso dos protagonistas, cada um com sua mentalidade doentia. O elenco carrega uma carga dramática e ao mesmo tempo cativante. Cada um com seu incompreensivo passado e segredos que são revelados com o passar dos episódios.

Entre altos e baixos, a série entrega um ótimo nível de entretenimento e mistério. Ver a evolução de Norman Bates é uma experiência e tanto, não só para os antigos fãs, mas para os jovens que não têm qualquer ligação emocional com Psicose. Inclusive, atrair novos olhares foi o que fez a série escolher os dias atuais para evolução e não a década de 60. Um grande erro na opinião dos radicais fãs, que não conseguem assimilar a história de um vilão antigo contada na atualidade.

Norman, you know what you have to do.

Bates Motel está em sua quarta temporada com contrato assinado para a quinta em 2017, e há boatos de que poderá ser a última fase do seriado. Confira o trailer de Bates Motel e não espere um dia comum em White Pine Bay.





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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sábado, 16 de julho de 2016

Momento HQ: A Piada Mortal























Saudações, quadrinhólatras! Hoje vamos falar de uma das histórias mais marcantes, icônicas e, para muitos, a melhor saga de todos os tempos. Vamos voltar ao passado, nos vingar no presente e nos reencontrar no futuro. Vamos falar de arte, drama, terror e piadas. Hoje é o dia de A Piada Mortal.

Vamos acabar matando um ao outro, não?


Escrito originalmente em 1988 por Allan Moore e desenhada por Brian Bolland, a saga recria a origem do Coringa, mostrando-o como um fracassado comediante dos anos 80 passando por inúmeras dificuldades para sustentar sua mulher grávida de seis meses. Até que surge uma proposta de um roubo que o deixaria rico.

será só desta vez... daí posso mudar de bairro e começar uma vida nova...

O quadrinho vem com duas linhas temporais distintas e extremamente bem colocadas para o leitor. O passado mostrando como o vilão era apenas mais um infeliz e ordinário cidadão tendo que sobreviver diariamente dominado pelo Estado, e a linha do presente relata como o Coringa fugiu do Asilo Arkhan com o plano de sequestrar o comissário Gordon para provar que qualquer um pode ficar louco com um dia ruim.



Até então nenhuma novidade, afinal, sabemos que as histórias do homem-morcego são sempre surpreendentes, portanto vamos nos aprofundar nessa obra para entender um pouco mais sobre sua fama.

É essa distância que me separa do mundo. Apenas um dia ruim.

A audácia e criatividade de Allan Moore se apresentam através da história, mas dessa vez, não foi como a Saga do Monstro do Pântano ou Watchmen: Moore se limitou  a pouco mais de 40 páginas e mesmo assim trouxe um enredo brilhante, com diálogos curtos e contundentes que ecoam até hoje pelo mundo. O monólogo final do vilão é tão atual que é fácil se colocar dentro da narrativa. As cenas são fortes, não há pudores nas conversas e tudo acontece simultaneamente. A HQ é isenta de censura em todos os sentidos, mas não perde a essência singular do Batman.


Todavia, caros leitores, estamos falando de histórias em quadrinhos, não adianta o roteiro ser perfeito, é necessário uma arte que se expresse sem usar palavras. A escolha de Bolland para ser o responsável pelo desenho foi essencial para que a história ficasse perfeita em todos os sentidos. Durante os flashbacks o tom melancólico e noir do preto e branco são perfeitos para dividir as linhas temporais, porém, o toque genial foram os itens em tons de vermelho nas cenas.

Por que você não vê o lado engraçado?

Allan Moore, junto com o Coringa, quiseram mostrar que qualquer um pode enlouquecer tendo um dia ruim. Para aqueles que adoram teorias conspiratórias, eu tenho uma: a história foi escrita em 88, um ano antes do fim absoluto da guerra fria. Fato. No monólogo principal, o Coringa cita que qualquer um pode enlouquecer em um dia ruim, mas não significa que isso os torna melhores ou piores, apenas os faz humanos. Logo a seguir o vilão fala que a última grande guerra aconteceu por uma banalidade sobre postes telegráficos e que tudo pelo que lutamos não passa de uma insanidade.

Loucura da minha cabeça? Ora, somos todos loucos. E quando você achar que está em um de seus melhores dias, é porque a alucinante psicose já tomou conta de sua lucidez.






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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Lançamentos de julho - Editora Draco

Olá leitores! Tem tanta novidade boa esse mês na Draco que eu tenho certeza que vocês (assim como eu), não vão saber por qual delas começar!


Boys love - os mistérios de Llyr - Dana Guedes e Ericksama
Julian vive em uma pacata cidade litorânea, mas nem as delícias da confeitaria onde trabalha podem adoçar os tristes e solitários momentos de quando não está em serviço. Quando em um encontro do acaso conhece Llyr, um estranho garoto maltrapilho que vive nas ruas, sente que a sua vida nunca mais será a mesma. Sem entender por quê, Julian sabe que precisa proteger esse rapaz tão perdido quanto os próprios sentimentos. Pois Llyr precisa de um lar e de uma chance para sobreviver. Mas Julian precisa de algo mais. Enquanto se conhecem a cada dia, ele se percebe vasculhando cantos de sua alma que não imaginava poder redescobrir. Esse livro é uma deliciosa história de amor de Dana Guedes (Boy's love - flor de ameixeira) com desenho de Ericksama. Quando a improvável relação começa a transbordar e mergulha os dois jovens em uma paixão arrebatadora, eles precisarão decidir entre a própria felicidade ou encarar a verdade sobre as suas existências. Mesmo que sejam imprevisíveis e implacáveis como os segredos do fundo do mar.

Preço de capa: R$ 19,90 (físico) R$ 9,90 (e-book)


Medieval - contos de uma era fantástica
Por cerca de mil anos, a roda da História girou num ritmo vertiginoso: castelos e fortalezas se ergueram e foram destruídos, cidades se multiplicaram, guerras sangrentas se alternaram com períodos de paz. Migrações, invasões, o surgimento da imprensa e, por fim, as grandes navegações expandiram os limites do mundo. Tudo isso marca o período conhecido como Idade Média, que nos legou incríveis narrativas povoadas de seres mágicos, fadas, bruxas e encantamentos. Foi esse imaginário que inspirou os autores: das cruzadas às invasões vikings, passando pela Espanha mourisca, Oriente Médio, China e pelo Japão dos samurais, todos os contos são ambientados em lugares do mundo real - um tempo em que o fantástico e o maravilhoso se mesclavam naturalmente aos eventos do cotidiano. Com este livro você viajará pelo tempo e pelo espaço, para essa época onde sempre se imaginam os mais incríveis mundos de fantasia. Num tapete mágico, num drakkar, num corcel de batalha - ou simplesmente nas asas de sua imaginação.

Preço de capa: R$ 44,90 (físico) R$ 19,90 (e-book)


Dracomics Shonen, volume 1
Os heróis mais radicais, em quadrinhos épicos! Influenciados por centenas de mangás e animes, autores brasileiro foram reunidos para para criar suas próprias histórias em quadrinhos de aventura. O resultado são eletrizantes narrativas de fantasia e ficção científica influenciadas pelo estilo japonês. Após uma disputada seleção, a Ediora Draco escolheu oito mangás com os melhores elementos do gênero shonen. Entre os mundos criados estão: um garoto cuja única habilidade é mentir, um ônibus do além, um rei dos elementos, magos que manipulam a vida e a morte, um faroeste dominado pela física, uma caçada espiritual, um ladrão protegido pelo maneki neko e um torneio de luta entre contos de fada. Em seu primeiro volume, a Dracomics Shonen, organizada por Erick Santos Cardoso e Raphael Fernandes, traz os mangakás brasileiros Raoni Margs, Rafael Marqs, Rafael SAntos, Wagner Elias, Jun Sugiyama, João Eddie, Rodrigo Ortiz Vinholo, Ericksama, Henrique S. Ribeiro, Eudetenis, Dulcelino Neto, Heitor Amatsu, Gabriel Rodrigues da Silva e Jonas Luiz da Silva Junior. E eles mostraram que não devem nada quando o assunto é criar as mais divertidas aventuras.

Preço de capa: R$ 34,90 (físico) 


Quack, volume 2 - Kaji Pato
Quando os mocinhos se ferram, só um grupo de garotas pode salvá-los. Esse é o mundo da perna de pau e do tapa-olho! Os atrapalhados heróis caíram nas mãos de um dos mais terríveis piratas dos céus: o asqueroso Resmo. Sem seu avião e contando apenas com sua 'esperteza', eles serão servidos ao molho pardo. Quem poderá ajudá-los? Enquanto isso, um grupo de garotas está planejando uma fuga mirabolante. No comendo estão a destemida Toscana e a rebelde Marte, que terão que enfrentar um navio infestado de homens maus e fedidos para escapar de serem vendidas. Será que nossos abestalhados amigos serão capazes de fugir dessa encrenca que cheira a pururuca e rum? Quack é um mangá com roteiro e desenhos de Kaji Pato. Prepare-se para loucuras, risadas e diversão, mas, acima de tudo, uma história de aventura e amizade, que mostra a força do espírito livre e da imaginação.

Preço de capa: R$ 19,90 (físico) 

E aí, gostaram? Como vocês sabem, todos os livros e quadrinhos da Draco podem ser adquiridos através de seu site (clicando aqui), com várias opções para pagamento.

Então não durmam no ponto e acessem o site da Draco para comprar seus preferidos agora mesmo!


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Um pouquinho de...

"Logan - Will murmurou. - Eu sei que você não acredita que ele possa amar. E, acredite, às vezes eu também não penso assim... Mas preciso acreditar nisso.
- Pelo projeto, eu sei.
- Não pelo projeto. Pelo hospital em si. Eu preciso entrar lá - havia um tom de desespero na voz dele que me era desconhecido.
- Por quê?
- Eu não posso contar.
Mais essa agora. Fosse o que fosse, não me inspirou confiança. Por que Will precisaria tanto, a ponto de arriscar a vida, entrar naquele hospital psiquiátrico?
- Não é pelo hospital - ele sussurrou. - Sei que você está se perguntando isso. É por amor. Eu preciso... Preciso acreditar que eles são capazes de amar. Que isso tudo não é em vão.
- O que não é em vão?
Mas ele não me respondeu.Virou para o outro lado e se encolheu enrolado nas cobertas."

                                             (página 45)


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